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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Seminário internacional traz Slavoj Žižek, David Harvey e Michael Heinrich


Evento sobre o filósofo alemão Karl Marx contará com a participação de especialistas do Brasil e do exterior

Diante das consequências da crise econômica global e da nova configuração política no Brasil e no mundo, o que Marx tem a nos ensinar hoje? Para debater a atualidade e a pertinência da sua produção teórica, a Boitempo Editorial e o Sesc realizam durante os meses de março e maio o seminário internacional “MARX: a criação destruidora”, que reunirá especialistas da tradição marxista, com destaque para o filósofo esloveno Slavoj Žižek, o geógrafo britânico David Harvey e o cientista político alemão Michael Heinrich, integrante do projeto MEGA-2 (Marx-Engels-Gesamtausgabe), instituição detentora e curadora dos manuscritos de Karl Marx e Friedrich Engels.
A série de eventos será promovida em parceria com a Fundação Lauro Campos, a Fundação Maurício Grabois, a Fundação Rosa Luxemburgo, a Câmara Municipal de Porto Alegre, a produtora de eventos Carpe Diem, a ArtFliporto e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), e se estenderá às cidades de São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador, onde estão previstas as conferências internacionais de Slavoj Žižek e David Harvey.
Em São Paulo, onde o evento se concentra, a programação, dividida em três etapas, marca o lançamento da edição especial, com tradução inédita, do livro I d’O capital, de Karl Marx, 15º título da Coleção Marx Engels, além de Para entender O capital, de David Harvey; Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético, de Slavoj Žižek; Estado e forma política, de Alysson Leandro Mascaro; Marx, modo de uso, do filósofo francês Daniel Bensaïd (falecido em 2010); além do número 20 da revista Margem Esquerda.

Confira a programação completa em todas as cidades e mais informações sobre inscrições no site do projeto.

SulAmérica é o plano de saúde com mais reclamações; veja ranking


Veja o ranking dos planos de saúde que mais deixam descontentes seus segurados. 

SÃO PAULO – A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) divulgou, nesta semana, o ranking dos planos de saúde que receberam mais reclamações no mês de janeiro de 2013. A Sul América lidera o ranking pelo quarto mês consecutivo.

No levantamento, realizado mensalmente, a ANS projeta um Índice de Reclamações avaliando o desempenho dos planos. No primeiro mês do ano, os grupos de operadoras de grande porte ficaram com média 0,86. A SulAmérica registrou desempenho de 6,68. Quanto menor o índice significa que menos queixas foram registradas.

Veja os dez planos de saúde com maior número de queixas, segundo a ANS:
Índice de Reclamações
Planos
Índice
SulAmérica Companhia de Seguros Saúde
6,68
Centro Trasmontano de São Paulo
3,31
Green Line Sistema de Saúde S.A
3,23
Unimed Paulistana Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico
2,88
Amico Saúde
2,72
Geap Fundação de Seguridade Social
2,53
Golden Cross Assistência Internacional de Saúde
2,26
Camed Operadora de Plano de Saúde
2,12
Notre Dame Seguradora
2,00
Unimed do estado de S. Paulo - Federação Estadual das Cooperativas Médicas
1,78

Médio e pequeno portes

Considerando os planos de médio porte, a operadora Real Saúde recebeu o maior número de reclamações e ficou com 29,17 no índice, também muito acima da média de 0,95 do grupo. Quanto às de pequeno porte, a Unimed Brasília Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico foi a pior avaliada, com média 59,83.

Procurada pelo Portal InfoMoney, a SulAmérica informou que a leitura correta dos dados da pesquisa deve levar em consideração o total de beneficiários das quatro razões sociais das empresas de seguro saúde e odontologia que fazem parte do grupo e são classificadas como de grande porte. Considerando o número de beneficiários (2.052.668) e o total de reclamações recebidas nos últimos 6 meses, o resultado do índice de reclamações é de 1,76, o que coloca a companhia na posição 14 do ranking geral da ANS.
A Green Line afirmou em nota que investe constantemente na melhoria do atendimento prestado aos seus beneficários. Apesar de ter sido mantida o mesmo posicionamento do mês anterior no Ranking da ANS, a diretoria entende que nos próximos meses a operadora obterá melhora significativa neste indicador. As outras operadoras não se pronunciaram até o momento desta publicação. A Trasmontano e Real Saúde não foram encontradas.

Leia também:
Fonte: Br.Finanças

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Revista Espaço Plural divulga chamada para publicação

CHAMADA DE CONTRIBUIÇÕES REVISTA ESPAÇO PLURAL

A revista ESPAÇO PLURAL  vem a público divulgar o prazo para recebimento de colaborações  para o número 28 (Primeiro Semestre 2013).

Tema do Dossiê: Áfricas e Diásporas

Organizadores:
Profª. Drª. Vera Lúcia Vieira (PUC/SP)
e Prof. Doutorando Danilo Ferreira Fonseca (UNIOESTE)

Data limite para recebimento de contribuições: 19 DE AGOSTO DE 2013.

REVISTA ESPAÇO PLURAL

Objetivo e política editorial
A revista ESPAÇO PLURAL (ISSN 1518-4196 - versão impressa) e ISSN 1981-478X (versão eletrônica), é um periódico científico-cultural publicado semestralmente pelo Núcleo de Pesquisa e Documentação sobre o Oeste do Paraná (CEPEDAL), órgão de apoio do Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Campus de Marechal Cândido Rondon.
A revista Espaço Plural visa propiciar o intercâmbio e a divulgação de produções científicas de pesquisadores das áreas de Ciências Humanas e de Linguística, Letras e Artes. A revista, aberta à pluralidade teórico-metodológica, é direcionada, prioritariamente, ao público acadêmico. 


Espaço Plural publica materiais inéditos em português e em espanhol, nas seguintes Seções:

Dossiê Temático composto por contribuições inéditas de reconhecido rigor teórico, relevância intelectual, científica, cultural e artística;
Seção de Artigos composta por pesquisas inéditas na forma de artigos, de reconhecido rigor teórico, relevância intelectual, científica, cultural e artística;
Entrevistas de cunho científico-cultural-artístico, realizadas pelo Conselho Editorial;
Traduções de textos relevantes nas áreas de interesse da revista;
Documentos inéditos sob a guarda do CEPEDAL ou de outras instituições, de interesse social, científico e acadêmico;
Resenhas de livros nacionais e estrangeiros de publicação recente (até cinco anos para livros estrangeiros e dois anos para livros nacionais) e de produções audiovisuais recentes, de até dois anos.
Toda contribuição, quando contemplar as normas para publicação, é submetida a dois pareceristas, que poderão emitir pareceres desfavoráveis ou exigir alterações. A publicação é condicionada ao atendimento das exigências indicadas pela Comissão Editorial Executiva, formuladas com base nos pareceres. A decisão final quanto à publicação da contribuição cabe à Comissão Editorial Executiva

Maiores informações, clique AQUI.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

65ª Reunião Anual da SBPC


As inscrições para a 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que será realizada em Recife, entre os dias 21 a 26 de julho, já estão abertas. Elas poderão ser feitas até o dia 28 de fevereiro com desconto, tanto por quem pretende submeter resumos de trabalhos para apresentação na Sessão de Pôsteres, como por aqueles que não vão fazer isso. As inscrições sem desconto poderão ser realizadas a partir do dia 1º de março e se encerrarão no dia 2 de abril para os primeiros e em 10 de julho para os segundos, que, no entanto, depois dessa data, também poderão se inscrever durante a própria reunião. Todas as informações e orientações, bem como a ficha de inscrição, estão disponíveis AQUI.

"Ideologia e hegemonia em Gramsci"


O GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classes) anuncia retorno às atividades do Projeto de Extensão "História e Memória no campo das lutas de classes", em 2013.

Na primeira atividade de 2013, oferece a palestra "Ideologia e hegemonia em Gramsci", ministrada pelo Professor Doutor Cristiano Lima Ferra (DH/UESB). Na oportunidade, o ministrante analisará os limites do economicismo para o entendimento das crises do capital e discutirá, nesse contexto, as contribuições de Gramsci para a análise da questão. Destaque para a problemática teórica que trata da relação entre Política, Ideologia e Classes Sociais e os conceitos de Estado Ampliado e Bloco Histórico.

Sem sombra de dúvidas, uma boa contribuição para a reflexão política e para as produções acadêmicas inerentes às Ciências Sociais e Humanas.

O professor Dr. Cristiano Lima Ferraz é docente do Departamento de História da UESB, Doutor em Ciência Política pela Unicamp, membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trabalho Política e Sociedade – NETPS/CNPq, pesquisador da temática Trabalho, Política e Classes Sociais, área em que tem diversos trabalhos publicados.

Dia:
27 de fevereiro (Quarta-feira) de 2013, às 19:30
Local:
Auditório do Módulo IV (Pedagogia) da UESB/VC

Fonte: Projeto de Extensão “História e Memória no campo da luta de classes”

A JORNALISTA CUBANA NO BRASIL


por Alexandre Aguiar
Chapada Diamantina – Bahia

A efervescência em torno da presença da jornalista cubana Yoane Sánchez no Brasil, com posicionamentos pro e contra é que considero expressão da democracia.

Se o Governo Cubano fosse tão reacionário assim, ela não teria conseguido sair do país. Por outro lado, se uma abertura política em Cuba não fosse tão necessária, as pessoas nem falariam do assunto.

Quando Ernesto Che Guevara e seus companheiros não retornaram da Bolívia, isso sim foi violência às liberdades.

É muito bom saber que as pessoas estão recebendo essa jornalista apenas com gestos, palavras e ações não violentas, pois 40 ou 50 anos atrás as pessoas que queriam debater as questões sociais e políticas dos países da América Latina eram recebidas com metralhadoras em punho.

Carlos Marighella que foi um parlamentar brasileiro constituinte de 1946 morreu em armas durante o Regime Ditatorial Brasileiro de 1964 e, tudo isso simplesmente por discordar. Por qual motivo não receberam Che Guevara ou Marighella para uma palestra?

Aqueles que não consideram livre a comoção e a manifestação pacifica com a presença da jornalista e dos que dela discordam é que estão presos e alienados em suas consciências.

O fato primordial é que as dificuldades de CUBA chamam a atenção do mundo e as pessoas se importam, o que já é um bom começo.

Tomara que sirva de aprendizado para que brasileiros possamos nos importar com as nossas dificuldades.

Marx: a criação destruidora

Seminário internacional traz Slavoj Žižek, David Harvey e Michael Heinrich para debater a atualidade do marxismo em tempos de crise global

Evento sobre o filósofo alemão Karl Marx, a se realizar em São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador entre os meses de março e maio, contará com a participação de alguns dos mais renomados especialistas do Brasil e do exterior

Diante das consequências da crise econômica global e da nova configuração política no Brasil e no mundo, o que Marx tem a nos ensinar hoje? Como a sua vasta obra, principalmente O capital, pode contribuir para entender e transformar o nosso tempo? Para debater a atualidade e a pertinência da produção teórica desse gigante da filosofia, a Boitempo Editorial e o Sesc realizam durante os meses de março e maio o seminário internacional “MARX: a criação destruidora”, que reunirá alguns dos mais renomados especialistas da tradição marxista, com destaque para o filósofo esloveno Slavoj Žižek, o geógrafo britânico David Harvey e o cientista político alemão Michael Heinrich, integrante do projeto MEGA-2 (Marx-Engels-Gesamtausgabe), instituição detentora e curadora dos manuscritos de Karl Marx e Friedrich Engels.

Em parceria com a Fundação Lauro Campos, a Fundação Maurício Grabois, a Fundação Rosa Luxemburgo, a Câmara Municipal de Porto Alegre, a produtora de eventos Carpe Diem, a ArtFliporto e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), o projeto internacional “MARX: a criação destruidora”, que contempla o IV Seminário Margem Esquerda e o IV Curso Livre Marx-Engels, se estenderá às cidades de São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Recife e Salvador, onde estão previstas as conferências internacionais de Slavoj Žižek e David Harvey.

Em SÃO PAULO, onde o evento se concentra, a programação, dividida em três etapas, marca o histórico lançamento da edição especial, com tradução inédita, do livro I d’O capital, de Karl Marx, 15º título da Coleção Marx Engels, além de Para entender O capital, de David Harvey; Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético, de Slavoj Žižek; Estado e forma política, de Alysson Leandro Mascaro; Marx, modo de uso, do filósofo francês Daniel Bensaïd (falecido em 2010); além do número 20 da revista Margem Esquerda.
Confira a programação completa em todas as cidades e mais informações sobre inscrições clicando Aqui.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Piso Nacional dos professores pode ser pago se houver greve unificada em todo o país


Mesmo após tramitar em todas as instâncias políticas e jurídicas do país, Piso Nacional do Magistério continua a ser desrespeitado no Brasil inteiro. É necessário que a CNTE e a CUT parem de trocar figurinhas com o governo Dilma e organizem uma greve geral em toda a educação pública brasileira para que esse direito de fato seja posto em prática

Desde julho de 2008 a Lei do Piso Nacional do Magistério (11.738/2008) está aprovada. Passou pelo crivo dos deputados federais, senadores, Presidência da República e STF. Agora recentemente, o Ministro Joaquim Barbosa, eleito presidente do Supremo Tribunal Federal, negou novamente pedido de liminar feito por cinco governadores contra essa Lei. Ou seja, o que vale desde 2008 é que os salários-base dos professores da educação básica pública dos estados e municípios devem ser reajustados todo início de janeiro de acordo com a variação do custo aluno, com previsão para 2013 na casa dos 22%. Além disso, tinha que estar sendo cumprido também o Horário Pedagógico dos docentes, que é de 1/3 para atividades fora da sala de aula. Por que nada disso foi efetivado? Por que os governos enrolam e, quando muito, parcelam o reajuste do Piso, engolem vários meses e ignoram o HP?

Cut, CNTE e sindicatos atrelados aos governos

Por razões politico-econômicas, desde 2003 (ano de ascensão do PT à presidência do país), a CUT e seus sindicatos viraram um braço do governo federal no seio da classe trabalhadora. Com a CNTE é a mesma coisa. Por isso, essas organizações freiam uma luta mais consequente para que a Lei do Piso Nacional seja de fato cumprida. Isto ocorre principalmente porque há um artigo nessa Lei que obriga o governo federal a garantir os recursos financeiros aos estados e municípios que comprovarem não poder pagar o piso. Ora, se a CNTE e a CUT organizassem uma greve nacional, o Palácio do Planalto iria receber uma avalanche de pedidos de dinheiro. Como a presidenta Dilma não quer nem sonhar com esse tipo de situação, pois só tem acordo com banqueiros, dá constantes ordens à CUT e CNTE para que se restrinjam apenas a uma batalha judicial sem fim e sem efeito prático positivo para os docentes.
Construir a greve nacional
Mas, apesar dos entraves da CNTE e CUT, os professores precisam se mobilizar e exigir inclusive que essas entidades rompam com os governos e construam uma greve nacional pela aplicação integral da Lei do Piso. É preciso também que organizações como a CSP-Conlutas e Intersindical, embora ainda com baixíssima representação, passem a, pelo menos, discutir a viabilidade desse tipo de proposta. 2013 está aí e os professores brasileiros não podem mais ficar no prejuízo.
Leia também: 

Governadores querem derrubar Piso do Magistério novamente


Absurdos do Governo Dilma: R$ 900 bilhões em 2013 apenas para pagar juros e amortizacões da eterna dívida pública e salário mínimo do Dieese só daqui a 50 anos


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Livros baseados em games cativam jovens leitores


Renata Honorato

Professora americana que estudou o assunto afirma que obras sobre jogos eletrônicos podem transformar alunos relutantes em leitores ávidos

“No momento em os estudantes foram apresentados aos livros inspirados em games, houve uma mudança na percepção deles sobre literatura. Ler não era mais uma tarefa obrigatória, mas sim divertida.”

A professora e pesquisadora americana Kristie Jolley, de 30 anos, é uma entusiasta dos livros baseados em games. Em um estudo publicado nos Estados Unidos em 2008, ela mostrou como essas obras podem despertar o interesse de pré-adolescentes pela literatura de forma geral. A pesquisa foi feita com 250 estudantes com idades entre 13 e 14 anos da Springville Junior High School, em Springville, no estado americano de Utah. Segundo Kristie, oferecer aos jovens obras sobre um assunto familiar é o caminho certo para cativar futuros leitores. VEJA.com conversou com a professora por e-mail. Confira a entrevista a seguir:

Por que a senhora decidiu explorar o potencial dos livros baseados em games em suas aulas? Eu já dei aulas para alunos pouco habituados à prática da leitura e outros relutantes. Sempre soube o quão importante é para eles ler textos sobre assuntos que lhes sejam familiares. Utilizar um conhecimento pré-adquirido é a chave para a compreensão de um texto. Na época do meu estudo, muitos alunos estavam jogando Halo, da Bungie. As crianças amavam esse game e falavam sobre ele o tempo todo. Foi natural começar a pesquisar maneiras de envolver aspectos da vida dos alunos em uma rotina de leitura. Pesquisei e encontrei uma série de três livros baseados em Halo. Isso coincidiu com o fato de os alunos pedirem para ler textos baseados em games.

Como a senhora escolheu os melhores livros para as aulas? Meus estudantes estavam jogando títulos que possuíam versões literárias e sugeriram a inclusão dessas obras na nossa biblioteca da sala de aula. Também contei com a colaboração de um colega para encontrar outros textos baseados em games. Pedi algumas referências a professores de uma universidade local especializados em literatura juvenil. Conversei com os pais de cada aluno para explicar a razão pela qual estava utilizando esse tipo de material e pedir a autorização deles para indicar essas obras a seus filhos.

O que os outros professores acharam da sua iniciativa? Uma amiga também professora me apoiou muito. Ela me ajudou a obter recursos para a compra de novos livros para a biblioteca da escola pública e também me auxiliou a nutrir o interesse dos alunos pelos livros baseados em games, já que esse tipo de material é raro nas bibliotecas públicas. Sempre estávamos à disposição para ajudar esses estudantes. Descobrimos também que essa é uma boa ferramenta para que alunos que têm o inglês como segunda língua se familiarizem com o novo idioma. Esses alunos carregavam uma bagagem sobre o game: ler uma história baseada na história os ajudava a ampliar o vocabulário.

Segundo seu estudo, qual o potencial dos livros baseados em games? A conclusão dessa pesquisa reforça a constatação de que estudantes são bem sucedidos quando se sentem confiantes. Quando comecei a avaliar os livros baseados em jogos estava ciente de que encontraria um nicho de alunos que poderia se interessar por essas obras mesmo sem saber da existência delas. No momento em que foram apresentados aos livros, houve uma mudança na percepção deles sobre literatura. Ler não era mais uma tarefa obrigatória, mas sim divertida. Assim, esses livros são uma espécie de retrato do interesse dos estudantes. Quando uma criança pega um livro por iniciativa própria e se diverte com ele, uma porta é aberta para que ela escolha outro e se torne um leitor independente.

Como outros professores podem usar esses livros em sala de aula? Usei esses livros como ponto de partida. Quando percebia que havia um aluno desinteressado ou relutante em ler qualquer coisa, mas que gostava de videogames, eu o apresentava a uma das obras sobre jogos. Um professor deve conhecer seus alunos individualmente antes de sugerir uma leitura. Eu conhecia os meus. Sabia que esse tipo de livro poderia abrir portas. Porém, se um professor apenas recomenda a leitura e, em seguida, se acomoda, não está executando bem seu trabalho. O próximo passo é ajudar os estudantes a enxergar adiante. Se um livro do gênero explora a sobrevivência e a bravura, deve-se em seguida recomendar uma obra que aborde esses temas. O professor deve se comunicar com o aluno para entender a variedade de textos que pode lhe recomendar, a fim de transformá-lo em um leitor confiante a ponto de buscar seus próprios textos. Isso fará com que ele se transforme em um leitor e aprendiz ao longo de toda a vida.

A senhora continua usando esses livros em classe? A idade dos meus alunos mudou. Ao invés de ensinar adolescentes, hoje trabalho com crianças mais jovens. Nesse caso, não é apropriado sugerir esse tipo de leitura. De qualquer forma, sempre vou sugerir livros para meus estudantes com base em seus interesses. Conhecer um assunto é imprescindível para a compreensão de um texto. Se meus alunos estiverem interessados em pássaros, vou lhes oferecer textos que explorem o assunto: só assim, constrói-se uma relação de confiança que me possibilita indicar outras obras. A chave é começar com o que os estudantes já conhecem e, então, construir algo a partir dali.

A senhora joga videogames? Sim, especialmente no iPhone. Gosto de puzzles como Tetris ou Dr. Mario. Se um dia alguém escrever um livro baseado em Tetris, ficarei interessada em saber como a questão do enredo será resolvida em um caso como esse.

Universidade de Sussex é ocupada por estudantes


Há uma nova ofensiva nacional e internacional, que em linhas gerais, aposta na privatização como um meio de solucionar os problemas gerados pela crise financeira, que golpeou com força a economia da União Européia. Diversas universidades inglesas passam por processos de privatização / terceirização de diversos departamentos, e a decorrente flexibilização dos contratos trabalhistas, o que está ocorrendo também em Sussex. Enfim, depois de tentar diálogo em todas as instâncias possíveis, os estudantes resolveram ocupar o centro de conferência da Universidade de Sussex. A Bramber House é onde fica o restaurante central: todo o campus circula por ali. Sussex é um dos maiores centros de excelência do Reino Unido, considerado um polo do pensamento crítico, tanto de anarquistas como de marxistas, entre outras forças que nadam contra a corrente. 
 
Gostaria de pedir moções de apoio e solidariedade e divulgar o ocorrido. Por favor, repassem para quem interessar.
 
Mais informações:

 

A criminalização da luta política docente no Brasil hoje


APUB-PROIFES impetra ação judicial contra 15 dos professores que compuseram o Comando de Greve dos Docentes da UFBA


 
PREZADOS COLEGAS, COMPANHEIROS E CAMARADAS.

Ontem, dia 06 de fevereiro, o OFICIAL DE JUSTIÇA, do Poder Judiciário, Justiça do Trabalho, Tribunal Regional do Trabalho da 5 Região, 28 Vara do Trabalho de Salvador, entregou em minha residência NOTIFICAÇÃO JUDICIAL tendo como demandante A APUB/PROIFES para comparecer a AUDIÊNCIA DO DIA 11/03/2013 AS 09:20 HORAS.

Os termos são os seguintes: 

Deve comparecer à audiencia acima referida para responder aos termos da reclamação cuja inicial acompanha, quando deverá, ainda, trazer suas testemunhas, independentemente de notificação, sob pena de preculsão. O não comparecimento importará no julgamento a sua revelia, além da aplicação da pena de confissão quanto a matéria de fato.

SALVADOR 18 DE JANEIRO DE 2013.

Por esta e outras razões estou me propondo a ir ao CONGRESSO NACIONAL DO ANDES SINDICATO NACIONAL. 

Somos 15 docentes JUDICIALIZADOS.

O Congresso do ANDES-SN,   maior sindicato de docentes do ensino superior do Brasil, tem que se posicionar frente a criminalização do docentes que dirigiram o movimento grevista de 2012.

Soma-se a isto a necessidade da defesa intransigente de nossas reivindicações  em relação às condições salariais e de trabalho, carreira estruturada,contidas em nossa PAUTA LOCAL elaborada e aprovada em assembléia de greve. 

Lembrando que, em tempos de destruição da classe trabalhadora e seus organismos de luta, hoje somos nós, os judicializados. 

Quem serão os próximos?

CELI NELZA ZULKE TAFFAREL

Fichas-sujas comandam prefeituras nos bastidores


Luiza Bandeira,
Daniel Carvalho
e Nelson Barros Neto
Folha de S.Paulo
12 de fevereiro de 2013

Políticos fichas-sujas, que na reta final das eleições do ano passado abandonaram a disputa para eleger familiares como prefeitos, estão agora atuando nas administrações dos parentes.

Em alguns municípios, a oposição diz que os atuais prefeitos são laranjas e que quem comanda a prefeitura, de fato, são seus padrinhos, que abriram mão da candidatura para não serem barrados pela Lei da Ficha Limpa.

Em ao menos cinco cidades do país, foram nomeados para chefiar gabinetes ou secretarias. Em outras sete, dão expediente na prefeitura e colaboram informalmente.

Nas eleições, em pelo menos 33 cidades, candidatos que corriam o risco de ser barrados pela Lei da Ficha Limpa desistiram em cima da hora e elegeram filhos, mulheres e outros familiares.

Em alguns casos, seus nomes e suas fotografias continuaram sendo exibidos nas urnas eletrônicas, mas os votos foram computados para as pessoas que os substituíram como candidatos.
Fonte: Pavablog

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Imagens que não necessitam de legendas ou explicações


Diane Ravitch: De onde sopram os ventos de destruição da educação pública

publicado em 14 de junho de 2012 às 23:48

por Luiz Carlos Azenha


Os argumentos políticos e ideológicos são apenas pretexto para os que pretendem destruir a educação pública e gratuita para todos: eles correm atrás é de lucro. A matriz é estadunidense, mas o movimento é global e encontra forte apoio na mídia corporativa, já que grandes empresas do ramo também oferecem “serviços educacionais”. O lobby dos empresários do ramo conven$e à esquerda e à direita. Culpar os professores pela falência sistêmica abre espaço para a venda dos testes padronizados, das apostilas de apoio didático, de vagas e de outras invencionices que rendem bilhões de dólares e reais.

Por isso traduzimos o artigo a seguir, do New York Review of Books: é um mapa do que já está acontecendo ou pode vir a acontecer no Brasil.

A deseducação de Mitt Romney


Em 23 de maio a campanha [do pré-candidato republicano à Casa Branca Mitt] Romney divulgou o programa de educação do candidato intitulado “Uma oportunidade para toda criança: o plano de Mitt Romney para restaurar o futuro da educação estadunidense”. Se você gostou das reformas educacionais do governo George W. Bush, você vai amar o plano de Romney. Se você acha que entregar as escolas para o setor privado vai resolver o problema, o plano vai deixá-lo entusiasmado.
Os temas centrais do plano Romney são um requentado das ideias republicanas para a educação dos últimos trinta anos, ou seja, subsidiar os pais que querem mandar suas crianças para escolas privadas ou religiosas, encorajar o setor privado a operar escolas, colocar os bancos privados no controle de programas de financiamento de bolsas de estudos, cobrar de professores e escolas os resultados de exames obtidos por alunos e reduzir as exigências para a admissão de novos professores.
Estas políticas refletem a experiência dos assessores de Romney, dentre os quais há uma dúzia de ex-integrantes do governo Bush e vários acadêmicos conservadores, entre eles o ex-ministro da Educação Rod Paige, o ex-subsecretário de Educação Bill Hansen e os militantes pelo direito de escolha dos pais, John Chubb e Paul Peterson.
Ao contrário de George W. Bush, que negociou com um Congresso controlado pelos democratas para aprovar o [programa de educação] “Nenhuma Criança Deixada para Trás”, Romney não faz acordo com ninguém. Ele precisa provar à base do Partido Republicano — especialmente a evangélica — que é realmente conservador. E este plano é o seu “missão cumprida” [referência à anedótica "Missão Cumprida" de Bush, que celebrou a vitória no Iraque antes da insurgência que devastou o país].
Romney dá apoio total ao uso do dinheiro do contribuinte para pagar bolsas de estudos em escolas privadas [vouchers], às escolas gerenciadas pela iniciativa privada e às escolas online que buscam lucro, além de qualquer outra alternativa às escolas públicas. Como Bob Dole [candidato republicano] em 1996, Romney demonstra desprezo pelos sindicatos de professores. Ele assume posição firme contra a certificação de professores — as exigências mínimas de que futuros professores devem passar por exames estaduais ou nacional para demonstrar seu conhecimento –, alegando se tratar de uma barreira desnecessária. Ele acredita que o número de alunos por sala de aula não importa (embora ele e os filhos dele tenham frequentado escolas privadas de elite, onde as classes são pequenas). Romney alega que “escolha” na educação é “o direito civil de nossa era”, um tema familiar entre os reformistas da educação de hoje, que usam a ideia para fazer avançar suas tentativas de privatizar a educação pública.
Quando se trata de universidades, Romney ataca Obama pelo aumento nos custos da educação superior. Ele alega que ajuda federal leva ao aumento das anuidades, por isso não pretende dar financiamento aos estudantes endividados. O plano não menciona que as anuidades aumentaram também em universidades públicas (onde estudam 3/4 de todos os estudantes), já que os estados reduziram seus orçamentos para educação superior e transferiram o peso de pagar dos contribuintes para os estudantes.
Romney pretende encorajar o envolvimento do setor privado na educação superior ao dar a bancos privados o papel de intermediários nos empréstimos federais para a educação, o que Obama eliminou em 2010, por ser custoso. (Até 2010, os bancos recebiam subsídios do governo federal para fazer empréstimos a estudantes, mas o governo assumia todos os riscos da inadimplência. Quando o programa foi reformado pelo governo Obama, bilhões de dólares em lucro dos bancos foram redirecionados para dar bolsas a estudantes necessitados). Para cortar custos, Romney encoraja a proliferação de universidades privadas online.
O plano de educação de Romney diz que nenhum dinheiro novo será necessário, já que gastar mais com as escolas não resolve os problemas da educação. No entanto, ele propõe o uso de dinheiro público para promover suas prioridades, como bolsas em escolas privadas, escolas gerenciadas privadamente e escolas online. Ele também quer usar dinheiro federal para recompensar estados que “eliminarem ou reformarem a estabilidade de emprego dos professores, com foco no avanço dos estudantes”. Traduzido, isso significa que Romney se dispõe a dar dinheiro federal aos estados que eliminarem os direitos dos professores e se eles pagarem mais aos professores cujos estudantes tiverem resultados melhores em testes-padrão, demitindo os professores cujos alunos não conseguirem isso.
Ao defender as bolsas — nas quais o governo financia o pagamento das mensalidades em qualquer escola privada ou religiosa escolhida pelos pais — Romney exagera os dados; algumas de suas afirmações são simplesmente falsas. O plano de Romney diz que o programa de bolsas do Distrito de Columbia [onde fica Washington, a capital dos Estados Unidos], que começou em 2004, o primeiro a usar dinheiro federal para subsidiar escolas privadas, é “um modelo para a nação”. Afirma que “depois de três meses, os estudantes podiam ler em níveis que só seriam atingidos 19 meses depois por alunos de escolas públicas”.
É simplesmente falso. Uma avaliação do programa requisitada pelo Congresso descobriu que os estudantes que receberam as bolsas não tiveram ganhos de leitura ou matemática. Como disse o relatório final, “não há provas de que o OSP [Programa de Bolsas Oportunidade] tenha afetado as conquistas dos estudantes”. Romney alega que 90% dos estudantes que receberam bolsas em escolas privadas se formaram no ensino médio, comparado com 55% nas escolas de baixo rendimento do Distrito de Columbia. Mas é exagero. A avaliação federal disse que 82% dos que receberam bolsas se formaram, contra 70% entre os estudantes que pediram bolsas mas não conseguiram. É um ganho respeitável, mas nem de perto chega aos números citados por Romney. Como estudantes que disputam as bolsas tendem a ser mais motivados que os que não disputam, os cientistas sociais geralmente comparam o resultado final entre os que conquistaram as bolsas e os que ficaram de fora.
Paradoxalmente, a campanha de Romney assume crédito pelo fato de que [o estado de] Massachussets lidera a nação nos testes federais de leitura e matemática conhecidos como National Assessment of Educational Progress.
Mas Romney não foi o responsável pelo sucesso acadêmico do estado, que se deve a reformas completamente diferentes das que ele agora propõe para o país.
A reforma no estado se tornou lei pelo menos uma década antes de Romney começar seu mandato de governador, em 2003.
O Ato de Reforma de Educação de Massachusetts envolveu o compromisso do estado de dobrar o financiamento da educação de 1,3 bilhão de dólares em 1993 para 2,6 bilhões em 2000; o compromisso de financiamento mínimo para todo distrito escolar, de acordo com suas necessidades básicas; o desenvolvimento de um forte currículo de Ciências, Artes, Língua Estrangeira, Matemática e Inglês; a implementação de um programa de testes baseado no currículo completo (por causa do custo, o estado testava apenas para leitura e matemática); a expansão do desenvolvimento profissional dos professores; e o teste de futuros professores. No fim dos anos 90, antes que Romney assumisse o governo, o estado aumentou o financiamento para as crianças em idade pré-escolar.
O plano de Romney, em contraste, é animado pela reverência ao setor privado. Embora fale pouco sobre a melhoria ou o investimento em educação pública, que é tratada como instituição falida, um grande entusiasmo é dedicado à inovação e ao progresso que supostamente ocorrem quando pais usam dinheiro público federal para colocar os filhos em instituições privadas ou em escolas privadas online. Massachusetts conseguiu sucesso ao melhorar o padrão de exigência para novos professores, não ao reduzí-lo. Massachusetts não eliminou a estabilidade dos professores, ou seja, o direito que os professores experientes têm de serem ouvidos antes da demissão.
A educação superior, garante Romney, vai florescer quando “inovação e novas aptidões” forem mais importantes que “tempo em sala-de-aula”. Em português simples, a última sentença significa que a educação superior se tornará mais acessível quando estudantes se matricularem em escolas online, muitas das quais visam lucro e custam barato. Naturalmente que as universidades online são mais baratas; não envolvem custos de capital, bibliotecas, prédios e o pessoal é mínimo. Algumas estão sendo investigadas por fraude nos métodos usados para recrutar alunos; elas evitam regulamentação federal com um alto investimento (bipartidário) em lobby.
A primeira resposta do governo Obama às propostas de Romney foi dizer que as políticas de Obama para o ensino médio têm o apoio entusiástico de conservadores proeminentes como os governadores republicanos Chris Christie de Nova Jersey e Susana Martinez do Novo México. Infelizmente, é a verdade. Tirando a oferta de bolsas para escolas privadas e a redução da certificação de professores, o programa “Corrida ao Topo” de Obama promove virtualmente tudo o que Romney propõe — gerenciamento privado, competição, avaliação de professores baseada nos resultados de testes dos alunos. O ministro da Educação de Obama, Arne Duncan, tem defendido as escolas gerenciadas privadamente e a cobrança a partir de resultados de testes tanto quanto Mitt Romney. E, como Romney, Duncan despreza a ideia de que é preciso reduzir o número de estudantes por professor.
A proposta de Romney de dar bolsas em escolas privadas usando dinheiro federal é carne crua para a base direitista do Partido Republicano, especialmente os evangélicos. As bolsas são vendidas como o terceiro trilho da educação desde que foram propostas por Milton Friedman, em 1955; foram colocadas sob votação em vários referendos estaduais e foram rejeitadas consistentemente. De forma geral, o público não quer ver dinheiro público usado para promover escolas religiosas. E várias escolas religiosas não querem dinheiro público, que vem ligado a vários exigências federais. Mas nos últimos anos as bolsas foram reanimadas por legisladores estaduais de Indiana, Wisconsin e Louisiana, sem passar pelos eleitores.
Os resultados não são nada animadores. Em Louisiana, onde a reforma da educação do governador Bobby Jindal foi aprovada em abril, a nova lei declara que os estudantes de escolas com baixa performance nos testes-padrão podem transferir o dinheiro do financiamento público que recebem para qualquer escola privada ou religiosa pré-aprovada. Cerca de 400 mil estudantes (mais da metade do total) podem competir, mas há apenas 5 mil vagas nas escolas privadas ou paroquiais do estado. Quando o estado divulgou a lista de escolas, a que se propôs a receber o maior número de estudantes bolsistas foi a New Living Word School, que ofereceu 315 vagas. Hoje ela tem um total de 122 vagas, mas não dispõe de instalações ou professores para os futuros estudantes, embora prometa construir um novo prédio antes do início do ano escolar. A maior parte das aulas na escola é dada através de DVDs.
Outra escola, a Academia da Eternidade Cristã, que atualmente tem 14 estudantes, concordou em receber 135 bolsistas. De acordo com um artigo recente da agência de notícias Reuters, os estudantes da escola ficam a maior parte do dia sentados em cubículos e trabalham com livros didáticos cristãos, um deles, de Ciência para iniciantes, com um texto que explica “as coisas que Deus fez” em cada um dos seis dias de criação. As crianças não aprendem sobre a teoria da evolução.
O pastor-diretor explicou: “Tentamos ficar longe de todas as coisas que confundem nossas crianças”. Outras escolas aprovadas para receber estudantes bolsistas, pagas com dinheiro público, “usam textos de estudos sociais que advertem contra liberais que ameaçam a prosperidade global [por acreditarem na teoria do aquecimento global]; livros de matemática baseados na Bíblia que não tratam de conceitos modernos; e textos de biologia construídos em torno de negar a teoria da evolução”.
O repórter da Reuters descreveu a lei de Louisiana como “o mais ousado experimento nacional para privatizar a educação pública, com o estado preparado para transferir milhões de dólares em dinheiro do contribuinte para pagar à indústria privada, empresários e pastores para educar crianças”. No ano que vem, todos os estudantes de Louisiana poderão disputar bolsas para fazer cursos com empresas privadas ou corporações que ofereçam ensino ou treinamento. Podem esperar por um boom nos negócios da educação no estado.
O que o governador Jindal está fazendo soa como uma ensaio do plano Romney. Sem dinheiro novo no orçamento, todo o dinheiro para bolsas e empresas privadas e escolas online será deduzido do orçamento estadual das escolas públicas. O governador Jindal e Mitt Romney deveriam explicar como a educação vai melhorar nos Estados Unidos se o dinheiro público for usado para mandar estudantes para escolas sectárias ou pagando cursos em empresas privadas ou online. Pela visão apresentada por Romney, dinheiro público vai ser usado em escolas que ensinam criacionismo. Qualquer um poderá ensinar, sem passar por testes de conhecimento e habilidade e sem preparo profissional. Professores poderão ser demitidos por qualquer razão, sem a proteção garantida pela liberdade para ensinar. Em alguns estados ou regiões, professores vão temer dar aulas sobre a teoria da evolução, o aquecimento global ou questões controversas. Nem vão ousar ensinar sobre livros considerados ofensivos por qualquer um na comunidade, como Huckleberry Finn.
O candidato Romney deveria explicar como a privatização da forma como educamos nossas crianças vai nos fazer atingir o objetivo de “restaurar a promessa da educação norte-americana”. “Restaurar” sugere uma volta ao passado. Quando na história dos Estados Unidos as escolas foram colocadas a serviço do lucro? Que estado permitiu isso antes do advento das escolas gerenciadas privadamente e das corporações da educação online? Qual dos fundadores do país foi contra a educação pública? John Adams, aquele encardido conservador, disse: “Todo o povo deve assumir a educação de todo o povo e deve arcar com os custos disso. Não deve existir um só distrito de um quilômetro quadrado sem uma escola, não financiada pela caridade individual, mas mantida às expensas de todos”.
Restaurar a promessa da educação norte-americana deveria significar o rejuvenescimento das escolas públicas, não a destruição delas.

Consulta em 01.02.2013 - http://www.viomundo.com.br/denuncias/diane-ravitch-de-onde-sopram-os-ventos-de-destruicao-da-educacao-publica.html