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domingo, 18 de dezembro de 2011

Hidrelétrica de Belo Monte: É a gota dágua

Depoimento de estudante expulsa da USP

"A ilustração nas publicações: História, Ciência e Cultura" - chamada de trabalhos

A 14a. edição da Revista "História, imagem e narrativas", a ir ao ar em abril de 2012, contará com o dossiê "A ilustração nas publicações: História, Ciência e Cultura". www.historiaimagem.com.br

Nossa publicação recebe trabalhos cujas áreas do conhecimento transitam por todos estudos em Humanidades. História, Antropologia, Comunicação, Artes, Sociologia, Educação, Filosofia, Letras e quaisquer olhares que possam relacionar-se com as imagens e com as representações literárias.

Nesse dossiê, serão considerados trabalhos envolvendo todos os tipos de análise em torno de elementos ilustrativos em 
livros (didáticos, científicos, infantis, adultos etc.), revistas, jornais, quadrinhos, websites e outras mídias que se componham a partir de textos e imagens. São desenhos, pinturas, fotografias, arte digital, gravuras, entre outras formas de produção de imagens para publicações, cada qual em seu contexto histórico e sociocultural.
Convocamos todos os interessados ao envio de artigos acadêmicos versando sobre o assunto para o e-mail: historiaimagem@historiaimagem.com.br
As normas de publicação encontram-se no seguinte endereço: 
www.historiaimagem.com.br/normaspublicacao.pdf 
Eis, igualmente, o link para um artigo cuja formatação serve de referência: www.historiaimagem.com.br/edicao10abril2010/promethea-binah.pdf 

Solicitamos divulgação desta chamada para pesquisadores e departamentos empenhados nesses estudos.

Grato,
Carlos Hollanda - editor
Doutorando - PPGAV-UFRJ
Mestre - PPGHC-UFRJ

sábado, 17 de dezembro de 2011

Rodas expulsa 6 estudantes da USP

SÁBADO 17 DE DICIEMBRE DE 2011



Em despacho divulgado hoje no Diário Oficial do Estado de SP, o Reitor João Grandino Rodas decidiu expulsar 6 estudantes da USP moradores do CRUSP por conta da ocupação da sede da COSEAS (Moradia Retomada). As expulsões estão baseadas no decreto de 72, da ditadura militar, ainda vigente no Regimento Geral da USP, que permite perseguições e penalidades políticas.

Leia a seguir um trecho do Despacho divulgado hoje e dois artigos do decreto de 72:

REITORIA
Despacho do Reitor, 16-12-2011
  1. Considerando que a ?Universidade reconhece (...) que penalidades eventualmente sugeridas por (...) comissões relativamente aos atos praticados por docentes, servidorestécnicoadministrativos e discentes, deverão ser aplicadas de acordo com a maior ou menor gravidade dos mesmos em cada caso e após sua efetiva comprovação nos autos.
  O poder disciplinar fundamenta-se na própria Constituição Federal (art. 5º, LV), sendo detalhado em leis que regem a administração pública, seja na esfera federal, seja na esfera estadual. Citem-se, como exemplos: Lei Federal 8.112/1990 (art. 143), Lei Estadual paulista 10.261/1968.
Dessa maneira, mesmo que, por hipótese, não houvesse, nas normas internas da USP, qualquer referência ao poder disciplinar, o dirigente dessa Universidade não teria como não observá-lo, sob pena de responsabilidade.
Para ler a matéria por inteiro, clicar USP EM GREVE

O legado dos EUA no Iraque, oito anos depois da invasão

Passaram-se oito anos e os Estados Unidos fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4.500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. Para os iraquianos, o legado da invasão é morte, dezenas de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas. O artigo é de Eduardo Febbro.
Eduardo Febbro - Correspondente da Carta Maior em Paris
Passaram-se oito anos. Como pedras impiedosas que semearam a morte. Como aquelas horrendas imagens que surgiam à beira das estradas no caminho em direção a Bagdá. Fumaça, destruição, cadáveres e silêncio. Parece ontem. O cruzamento de estradas assinalava duas direções: Basra ou Bagdá. Através da estrada até Bagdá, as sucessivas batalhas da ofensiva emergiam como cogumelos despedaçados : ônibus bombardeados, veículos calcinados, tanques arrebentados e crateras imensas cavadas pelos mísseis. Os tanques iraquianos dispostos em fila à beira da estrada pareciam latas de sardinha queimadas. Frente a eles, os tanques Abrams norteamericanos tinham o aspecto de mastodontes invencíveis. « Quando começamos a avançar por esse trajeto, os soldados iraquianos saíam dos tanques para nos pedir água e comida », contava com lástima um oficial norteamericano.

Os primeiros grandes subúrbios de casas baixas pareciam emergir de um pesadelo. As casas e as lojas tinham virado trincheiras e havia centenas de pessoas caminhando pelas ruas, levando colchões, cadeiras, roupas, televisões, máquinas de lavar roupa, velhas máquinas de costura. Bagdá, ao longe, estava envolta em uma espessa nuvem de fumaça escura. Os poços e as trincheiras de petróleo seguiam ardendo. Saddam Hussein havia mandado incendiá-los para impedir que os satélites norteamericanos obtivessem imagens precisas do estado de Bagdá. Depois, a cidade aparecia finalmente. Ferida e assustada.

Em cima do capô de um automóvel que havia avançado sobre a calçada, um livro de capa azul exibia suas páginas milagrosamente intactas. Dentro do veículo, o corpo de um homem com o corpo tombado para a frente tinha a cabeça partida e parte do cérebro esparramado em cima do porta-luvas. Ninguém prestava atenção. A cem metros do automóvel, um grupo de homens tentava, em vão, derrubar uma imensa estátua de Saddam Hussein erguida no centro de uma rótula. Do outro lado, três mortos jaziam à margem da rua. Um grupo de cachorros sarnentos disputava a propriedade do corpo de um dos mortos : um menino de seis anos estava ali também, sem um sapato e sem a metade do rosto.

Saddam Hussein havia desaparecido. O exército ocupante se instalava em tendas nos territórios de sua nova conquista, ocupava os palácios de quem tinha sido seu aliado, se apoderava das ruas da cidade transformada e restaurada pelo ditador com a ajuda dos arquitetos enviados pelo Ocidente nos anos em que Saddam era um sócio confiável e ninguém se importava que ele afogasse seu povo em uma lagoa de sangue. O choque de civilizações acabava de se plasmar em sua versão mais violenta : a de um país milenar e reprimido, a de uma potência ocidental que havia enviado do céu uma chuva de democracia comprimida em cachos de bombas.

Há lugares cujo nome e os símbolos que evoca sobrevivem aos estragos do tempo e das guerras. Bagdá tinha esse dom. Horrível e mágica. Histórica e contemporânea. Ameaçadora e hospitaleira. As Mil e uma Noites, uma grande livro onde, a cada virada de página, havia muitos mortos. O soldado Higins tinha visto inúmeras fotos de Bagdá antes da invasão, mas nunca havia imaginado a cidade real que encontrou quando sua unidade entrou na capital depois do que qualificava como « um combate épico » contra um inimigo « inferior, mas disposto a tudo ». Higins dizia que, até sua chegada a Bagdá, não havia conhecido a morte e tampouco imaginado como seria. Agora já tinha se acostumado ela, mas o primeiro morto seguia fazendo companhia a ele em sua memória. « A primeira vez que matei um homem foi à noite. Fiquei com uma sensação estranha, irreal. Não posso esquecer.

Minha unidade encontrava-se na periferia de Bagdá. Fazíamos parte de uma patrulha avançada que estava por penetrar na capital desde o sul. Tínhamos recebido a ordem de consolidar a zona e seguir adiante. Seguimos as instruções e no início da madrugada começaram a nos atacar. Choviam tiros de metralhadoras e bazucas. Como não se via nada usamos os fuzis com visão noturna. O primeiro homem que apareceu na mira avançava por uma rua lateral, ocultando-se entre as portas. Era um alvo fácil. Deixei que avançasse. Apontei e disparei. Ele cai no chão e voltou a se levantar, cambaleante. Disparei mais duas vezes. Não posso dizer que nesse momento senti que o tinha matado. Com as miras de visão noturna tudo é visto de um modo distinto, como se fosse um jogo informático. A realidade é mais lenta e as coisas têm a forma de silueta ».

« Sei que está por aí, Saddam é eterno. Um império não pode com ele. Saddam vive até no silêncio », dizia o empregado de um hotel que havia desaparecido em um incêndio. A única coisa que estava ali, pulsando no meio da fumaça, era o futuro. O futuro já estava escrito nas múltiplas sequências da queda de Bagdá na indolência e ignorância dos ocupantes. Essa ignorância brutal era a matéria prima da ação de Paul Bremer, o ineficiente e teimoso responsável pela CPA, a Autoridade Provisória da coalizão encarrehada de administrar o Iraque com estatuto de autoridade governamental.

A guerra começou em 19 de março de 2003. Cerca de três semanas mais tarde, Bagdá caiu nas mãos da coalizão. No dia 1° de maio de 2003, o presidente George W. Bush deu por encerrada essa fase com a expressão triunfalista « missão cumprida ». No dia 6 de maio, Bush nomeou Paul Bremer. O « vice-rei » Bremer chegou a Bagdá e abriu a caixa de Pandora com um projeto político, econômico e administrativo delirante : converter o Iraque em uma representação dos Estados Unidos no Oriente Médio: liberal, democrática, permissiva, um centro de negócios ao melhor estilo dos falcões da Casa Branca.

Ele não tinha a menor ideia do chão em que estava pisando. Sua primeira decisão consistiu em decretar a « desbaasificação » da sociedade iraquiana. Bremer pretendia sanear o sistema político com uma ordem inaplicável : fazer desaparecer o partido Baas e seus representantes em uma sociedade onde, para conseguir trabalho ou ser membro da administração pública, era obrigatório aderir ao Baas. Paul Bremer decretou a demissão de milhares de empregados e executivos da administração pública, dos organismos encarregados do petróleo, dos bancos, das universidades. Onze dias depois de ter assumido suas funções, Bremer assinou outro decreto enlouquecido: dissolveu o exército, a aviação, a marinha, o Ministério da Defesa, os serviços de inteligência. Seu frenesi ignorante chegou ao ponto de, em um país que saía de um prolongado embargo internacional, que estava em guerra, onde os hospitais estavam destruídos e faltava até algodão, lançar uma campanha contra o tabagismo e elaborar um projeto para distribuir rações alimentares com cartões de crédito.

Passaram-se oito anos e os Estados Unidos fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4.500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. « Depois de todo o sangue derramado, o objetivo de que o Iraque governe a si mesmo e seja capaz de garantir a segurança se cumpriu », disse o secretário de Defesa estadunidense, Leon Panetta. O legado da invasão é outro : morte, dezenas de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas. A queda do déspota permitiu que os xiitas, majoritários no país e reprimidos até a barbárie por Saddam Hussein, tomassem as rédeas do poder sem que isso implicasse unidade ou estabilidade. O Iraque segue sendo um país em carne viva onde as feridas da ocupação não se fecharam.

Passaram-se oito anos e o espelho de ontem está intacto, a voz de Fatima ainda ressoa naquela cidade em chamas. As lágrimas brotavam de seus olhos e, ainda assim, era capaz de sorrir e chorar ao mesmo tempo. Um sorriso de anjo, de criança, o sorriso da desnudez de um despossuído. Fatima observava os militares norteamericanos com um incessante sinal de pergunta. Eles a tomavam por louca. Quando passava diante dos soldados, a mulher os saudava e perguntava : « por quê ? » Às vezes, davam-lhe comida, água e um pouco de dinheiro. Fátima aceitava, mais para se aproximar daqueles que tinham destroçado sua realidade do que por fome.

Ninguém entendia sua pergunta. Por trás de seu sorriso tenro e luminoso, a tristeza marcava seus traços. Fátima estava vencida. Enquanto contemplava as ruínas do que uma vez foi sua casa, a mulher voltava a perguntar « por quê? ». Quando falava, uma careta infantil e piedosa se desenhava como um relâmpago.

Fátima tinha perdido tudo. Dias após dia, com um empenho obstinado, a mulher escavava os escombros do edifício familiar destruído por uma bomba, buscando os restos de seus pertences passados. Seu filho menor a acompanhava sempre. Ia de um lado a outro de Bagdá apegado a ela como um animal indefeso. Fátima revolvia as entranhas de pedras destroçadas e retirava uma frigideira, um retrato intacto, um cachecol, um par de sapatos, alguma cadeira desconjuntada pela explosão, pedaços de recordações e bens devastados. O living, a sala de estar, a cozinha, o quarto, os espaços de sua intimidade estavam soterrados por toneladas de pedra e poeira.

Fátima mostrava o que havia sobrado de sua casa : um monte de ferro e cimento sobre o qual se superpunha seu eterno sorriso. Ela também tinha no olhar essa marca feita de solidão, de luz, de incompreensão, de pura intempérie : a marca da injustiça. A mulher dizia que, talvez, o futuro de seu filho não seria parecido com o seu, que talvez ele conheceria a liberdade, um trabalho decente e a democracia. Fátima se projetava no filho que restou porque seu presente era um lugar inabitável. Era escombros e a gaveta de uma cômoda miraculosamente intacta de onde tirava, assombrada e agradecida, duas fotos de seu marido e de sua filha morta, esmagada com seu pai nas ruínas, um par de meias e uma caixa de costura.
Tradução: Katarina Peixoto

Mineiros pagam R$ 1,3 bi por ensino à distância

Negócio bate recorde no setor de educação

Empresa mineira investe R$ 1,3 bilhão em busca da liderança do emergente mercado de turmas à distância
Kroton e Unopar terão receita de R$ 1,1 bi e 2º lugar do ensino superior privado, atrás da rival Anhanguera

TONI SCIARRETTA
O ensino superior privado brasileiro teve ontem a conclusão do maior negócio já feito no país.

A mineira Kroton Educacional fechou a compra da Unopar, instituição do norte do Paraná focada no ensino superior à distância, por R$ 1,3 bilhão -cifra que impressionou analistas e bancos de investimento, que viram as fusões e aquisições minguarem no segundo semestre por causa da crise global.
É o segundo meganegócio em menos de três meses do ensino privado brasileiro, setor visto como imune a crises potenciais e que caminha com o aumento de renda da classe média emergente.
Em setembro, a paulista Anhanguera comprou a Uniban por R$ 510,6 milhões.
A aquisição da Unopar fará a Kroton somar mais 162 mil alunos (145 mil de ensino superior à distância e o restante presencial) aos atuais 102 mil. Fica atrás em total de estudantes do ensino superior só da rival Anhanguera, que tem cerca de 281,7 mil alunos. A fluminense Estácio de Sá é a terceira no ranking, com 248 mil estudantes.
O ensino à distância é uma "mina" de geração de caixa, segundo Rodrigo Galindo, presidente da Kroton.
"A principal característica desse negócio é a forte geração de caixa e de elevado crescimento. O ensino à distância cresce mais rápido do que o presencial no Brasil", disse Galindo, para explicar a aquisição aos analistas.
Neste ano, somente os 145 mil alunos de educação à distância deram uma receita estimada em R$ 416 milhões à Unopar. Somados ao faturamento de R$ 699 milhões da própria Kroton, a nova empresa terá receitas combinadas de R$ 1,1 bilhão.
A Unopar é a maior instituição de ensino à distância no país, à frente da Anhanguera, que tem 83 mil alunos nessa modalidade.
O trabalho é desenvolvido a partir de 469 polos de ensino à distância, verdadeiros centros de tecnologia, em 422 municípios do país.
Todos têm o aval do Ministério da Educação.
Além do ensino à distância, a Unopar tem 16 mil alunos de graduação e pós presencial nos campi de Londrina, Arapongas e Bandeirantes, no norte do Paraná.

CONSOLIDAÇÃO

A aquisição foi costurada pelo Itaú BBA, maior banco de investimento no ramo de fusões, e será feita por meio da editora da Kroton.
Do total de R$ 1,3 bilhão, 80% serão pagos em três parcelas -R$ 650 milhões à vista, R$ 260 milhões em março de 2012 e os R$ 130 milhões restantes em um ano- e 20% em papéis da Kroton, que ontem recuaram 3,09%.
Para a rival Anhanguera, a consolidação da educação privada está só começando e terá novas operações.
"O mercado educacional brasileiro ainda está em processo de consolidação e são positivas essas movimentações, que demonstram a confiança do investidor na alta atratividade e na geração de valor", disse, em nota.
Fonte: São Paulo, sábado, 17 de dezembro de 2011Mercado

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Paulo Henrique Amorim entrevista Amaury Ribeiro Jr. autor do livro "A Privataria Tucana"

Amaury Ribeiro Jr. fala sobre as denúncias do livro que caiu como uma bomba no PSDB. José Serra é personagem principal da obra que revela corrupção nas privatizações de estatais durante o governo FHC. Veja o Entrevista Record Atualidade.

Carga tributária brasileira chegará a quase 36% do PIB em 2011

Fonte: InfoMoney –IBPT-IBGE  14/12/2011


SÃO PAULO - A carga tributária brasileira chegará a quase 36% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011, segundo apontam estimativas divulgadas nesta quarta-feira (14) pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário). O resultado, diz o Instituto, é 1,5 ponto percentual maior do que a carga tributária apurada em 2010, que foi revista pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para este ano, estima-se um crescimento nominal da arrecadação de aproximadamente R$ 220 bilhões, com a arrecadação total chegando a aproximadamente R$ 1,5 trilhão.
“Em 2011, a carga tributária baterá recorde histórico, chegando próxima a 36% do PIB e superando o resultado de 2010 que, mesmo após revisão, era o maior já registrado”, diz o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral. Ainda segundo o IBPT, os tributos com maior crescimento em 2011 são: CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) – 29,12%, Imposto de Importação – 22,84%, Imposto de Renda – 21,04%, IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – 19,48%, INSS – 17,06%, Cofins – 14,41% e ICMS – 10,31%.Já os tributos que têm a maior arrecadação nominal são os seguintes: ICMS (19,86% do total), INSS (18,23%), Imposto de Renda (16,80%) e Cofins (10,65%).

HOMOFÓBICOS (INFELIZMENTE), SOMOS TODOS NÓS!!!

Tânia Regina Braga Torreão Sá*

Recentemente, a UESB abriu espaço num evento – como vem fazendo desde 2009 –, para a discussão da luta contra a homofobia. Eu não pude comparecer a esse evento, apesar do desejo de estar presente, porque outro compromisso que assumi, foi programado para ser realizado exatamente nos dias em que esse debate acontecia. Uma lástima para mim que certamente pela ausência, perdi a oportunidade de aprender um pouco mais sobre saídas para romper com uma das formas mais virulentas de preconceito que a sociedade proclama: o preconceito contra o direito de exercer a sua sexualidade como as pessoas bem aprovem.
Queria estar presente também, porque a minha visão sobre um estágio de convivência respeitosa entre LGBT’s e heterossexuais – mínimo que se espera dos laços de convivência social – é marcada pelo ceticismo, pela descrença e como tal, participando do II Seminário do Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia, esperava constituir novas armas para lutar, também, eu contra o  meu próprio ceticismo.
Não sou especialista no assunto, aliás, longe disso, sou apenas mais uma pessoa que está na briga para ‘rasurar’ as suas próprias certezas, os seus próprios preconceitos. E porque estou nessa disputa contra um ethos histórica e socialmente construído para ser preconceituoso, confesso que não consigo compreender que avanços temos conseguido na luta contra a homofobia se de forma antidemocrática, autoritária, vimos determinamos desde a pré-história até os dias de hoje e a revelia da tomada de consciência do outro, a sexualidade de uma pessoa observando apenas o sexo que ela ou ele tem.
Num debate não tão recente, inclusive, discutíamos o bullyng contra as LGBT’s nas escolas. E através desse debate – penso eu, por conta de uma visão obliterada que não permite enxergar que o preconceito nasce no seio da família – crucificaram a pobre instituição, chegando mesmo a fazer a defesa que é lá (na escola) que nasce o preconceito, sendo lá, portanto, que devemos combatê-lo.
Discordo veementemente!!!! O preconceito contra as LGBT’s é forjado no seio da família, se constituindo e entranhando na natureza íntima dos seres humanos precocemente, desde o momento em que os pais se dão conta do sexo dos seus bebês. Vejam se não é assim? Se sabemos que nascerá menina, pintamos o quarto de rosa. Se sabemos que será menino, o quarto será azul. Se sabemos que virá uma menina, compramos o vestido, o laço de fita, a boneca. Se sabemos que virá um menino compramos o macacão ou o carrinho...E assim, de forma totalmente intencional e comprometida por uma visão predeterminada de ‘ser mulher’ e ‘ser homem’, construímos um ethos marcado pelo sexo, que acaba por definir também, um modelo pronto, amarrado de sexualidade.
Mesmo nas pessoas consideradas de ‘mente mais aberta’, parece-me que elas não conseguiram avançar a ponto de protelar essas marcações que se pautam na observação pura e simples do órgão que as pessoas carregam ou escondem entre as pernas. Em 43 anos de vida, por exemplo, nunca vi um pai ou uma mãe estimular a protelação da escolha da sexualidade dos seus filhos, apesar desses mesmos pais e mães – ao menos uma boa parte das pessoas que com que eu convivo – se enquadrarem no caso dos chamados “moderninhos”.
Acho que acerca do assunto luta contra a homofobia, nos perdemos no vazio de discursos e teses que não fazem outra coisa, senão, nos confortar, fazendo-nos crer que avançamos dentro de parâmetros aceitáveis de conviviabilidade. Isso não é verdade!!!! Vez por outra a bomba explode e assistimos atônita a violência, que nos parece se configurar gratuita, mas que realidade traz como pano de fundo a inaceitação em relação ao modo como o outro escolheu ser, inaceitação essa forjada no seio de nossa constituição enquanto seres humanos que não toleram condição de humanidade... e quem dispara o gatilho desse processo de constituição? Não há como negligenciar o papel relevantíssimo da família.
Em minha perspectiva, portanto, não poderemos avançar na luta contra a homofobia sem abrir mão de romper definitivamente com a concepção organicista de sexualidade o que implica, principalmente, na constituição de laços mais abertos de convivência familiar e porque não admitir NUMA POSTERGAÇÃO DE ESCOLHAS sobre a sexualidade que nossos filhos terão.
Quero aqui confessar que não penso nessa saída, como a mais fácil. Ao contrário disso, penso-a como a mais complicada, a mais difícil, porque ela mexe com a própria concepção de ser homem ou ser mulher.
Acho, portanto, que enquanto o papel da família não for enfrentando, terrivelmente, lastimavelmente SEREMOS TODOS HOMOFÓBICOS.
#Professora DCHL/UESB

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Café/Chá com Memória: Museu Pedagógico revisita a FFPVC


O primeiro encontro: Café/Chá com Memória da Exposição "Faculdade de Formação de Professores - FFPVC", será realizado no dia 15 DE DEZEMBRO às 19horas no Museu Pedagógico,  com a participação musical da Banda Ladrões de Vinil.  Apareçam!!


É HOJE: Encontros com a História II

A coordenação do projeto de Extensão “Encontros com a História – Ano II” convida a todos  (as) para a sua mesa de encerramento. O tema a ser discutido será “Tempos de crise: capitalismo e conjuntura política internacional”, que contará com a presença do prof. Dr. Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida (PUC/SP). O debate reveste-se de grande importância quando se considera a grave crise econômica que assola os países capitalistas, ao mesmo tempo em que novas formas de intervenção e de manifestação política são realizadas em várias partes do mundo. Qual o significado da crise atual? Que motivações impulsionaram (e impulsionam) os movimentos recentes ocorridos na Europa, Oriente Médio, Norte da África e América? Quais as perspectivas políticas para trabalhadores e estudantes? Estas e outras questões servirão de base para uma necessária reflexão sobre as singularidades e importância da conjuntura política atual.


O evento acontecerá no próximo dia 14/12 (quarta-feira), às 19:15 horas, no Auditório do Módulo de Pedagogia/UESB-VC.

Prof. José Alves Dias             
Profa. Maria Aparecida Silva de Sousa
Profa. Maria Cristina Dantas Pina
Coordenadores do evento  

Prof. José Rubens Mascarenhas de Almeida (colaborador)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Reitores de 16 universidades públicas investigados por suspeita de corrupção

Estudantes de universidades públicas brasileiras protestam em Brasília contra a nova reforma universitária
 (foto de arquivo):
 AFP/ EVARISTO SA

Nuno de Noronha


A notícia é avançada pelo jornal brasileiro O Globo. O jornal relata casos de irregularidades, fraude na administração das universidades, na obtenção de fundos, no pagamento excessivo em viagens e na atribuição de bolsas de estudo. O Globo sublinha que que as maiores irregularidades foram cometidas através de concessões de obras públicas sem concurso.

Em alguns casos, como aconteceu com uma universidade de Rio Grande do Sul, a fraude atinge os 20 milhões de euros.

Os casos envolvem dirigentes de universidades em estados como Brasília, Minas Gerais, Pará, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Os escândalos de corrupção são a confirmação do que tinha denunciado o antigo presidente da República brasileira, Fernando Henrique Cardoso, que comentou que se instalou no país uma “cultura de corrupção” que atinge todas as camadas sociais, informa o El País.

Sobre negros, classe operária e movimento estudantil: um debate estratégico sobre programa para a universidade


por L. Frankel

A universidade não está alheia aos reflexos e contradições de nossa sociedade de classes. Ao contrário, ali se concentram essas contradições, pois é um centro irradiador das ideias da classe dominante, de suas relações sociais, e do qual esta classe se serve para seus fins. O caráter da universidade é definido pelo caráter da classe que a comanda, em nosso caso a burguesia. Não é preciso olhar tão distante para se ver. Falemos um pouco da Unicamp, uma das mais, senão a mais, elitista universidade do país.

Os negros em sua quase totalidade entram pela porta pra limpar o chão e banheiros e quando entram por outro motivo são por “interesses alheios” à universidade, para dizer pouco. Para se ter uma ideia, mesmo na Bahia onde a população negra é cerca de 80% da população total, na UFBA Os números se invertem, cerca de 53% dos estudantes são brancos e somente 43% de negros ou pardos – nas estaduais paulistas nem se fala, os negros são menos 7% dos estudantes universitários, entre os professores não chega a 1%. Os negros são nada mais que a face terceirizada, precarizada da população que ocupam os espaços universitários. Sem meias palavras: os negros são dentro da universidade, da Unicamp em particular, nada mais que suspeitos antes que se prove o contrário. Assim são vistos pela reitoria, pelo governo, pela guarda universitária e, também aí, massacrados pela polícia que tem se tornado tão cotidiana nos corredores acadêmicos.

Pulando o portão, nada tão distinto, senão ainda mais brutalizado. Ocupam os setores mais precários, os salários mais mínimos, e a face mais desumanizada da população e dos trabalhadores em geral. Ocupam as favelas e morros e nelas são mortos (um genocídio declarado!) por essa mesma polícia cotidianamente. No Estado de São Paulo, 91% da juventude negra já foi abordada pela polícia. É disso que estamos falando. De uma polícia racista, homofóbica e machista, que nada, de nada mais serve senão pra reprimir, tratar com fuzil, a juventude e a classe operária em defesa da propriedade capitalista e suas instituições, como é também a universidade. Isso só pra ficar entre os negros, massacrados, mortos e escravizados, desde o primeiro dia que pisaram estas terras.

A situação da classe operária em geral não é tão distinta. Entram pelas portas da universidade pública somente via concurso - ainda assim parte bem restrita dela -, nuca pelo vestibular. A classe operária é aquela que deixa um terço do salário, quando pouco, nas faculdades particulares na ilusão de ascensão social. Dos já poucos 14% dos jovens que chegam à universidade brasileira hoje, destes 74% estão em universidade privadas, ou seja, somente cerca de 4% da juventude entram nas universidades públicas. A classe operária vende o sangue nas fábricas pra encher o bolso dos barões do ensino – em dez anos, de 1991 a 2001, o número de universidades privadas aumentou em 267% no Brasil, e tornou-se um dos negócios mais lucrativos do país - e assim entram no ciclo da produção e reprodução do capital enquanto força de trabalho que se qualifica ao tempo que se endivida. Enquanto nas universidades públicas elitizadas pelo projeto educacional burguês, produz-se mais e mais conhecimento para que os capitalistas possam mais, suguem ainda mais o sangue do operariado. Essa é ou não a realidade da Unicamp? O conhecimento aqui dentro produzido está a serviço de que classe? Experimentem passear pelas grandes indústrias de Campinas e arredores e verão carros e carros de engenheiros, economistas e demais cargos administrativos com o logotipo da Unicamp estampado no vidro dianteiro. As contradições de classe desta sociedade se sentem ou não dentro desta universidade? Donde partimos então para pensar programa para o movimento estudantil pró-operário?


A greve dos trabalhadores e estudantes da Unicamp e o resgate da tradição do movimento estudantil pró-operário


Como há muitos anos não se via, os trabalhadores da Unicamp deflagraram uma forte greve contra a reitoria por isonomia salarial com os trabalhadores da USP. Nada tão justo contra um projeto de universidade das reitorias e governo que tenta se afirmar para tornar estas instituições ainda mais voltadas para o interesse privado e os grandes monopólios capitalistas brasileiros e internacionais. Que, para ser implementado, precisa quebrar toda a mola que resiste. Atacar a isonomia significa tentar impor a divisão entre os trabalhadores das três universidades estaduais paulistas que há anos vêm resistindo, lutando e usando métodos radicais para combater este projeto de universidade. Assim, defender a greve destes trabalhadores significa defender, dotado de programa e estratégia corretos, a universidade para os trabalhadores.

Também resgatando uma tradição que foi totalmente viva dentro desta universidade, os estudantes do IFCH aprovaram greve estudantil em apoio aos trabalhadores. Um passo importantíssimo para reavivar a aliança operário-estudantil e um ótimo momento pra se debater estratégia e programa. Não só a greve, mas também as eleições do CACH deste ano colocaram sobre a mesa a necessidade premente desta discussão.

A solidariedade à greve dos trabalhadores é o começo de uma tradição que deve se aprofundar. Ser dentro da universidade a voz dos que estão dela excluídos, um movimento estudantil que seja tribuno do povo: eis o ponto de partida para a construção de um movimento estudantil de fato pró-operário. Esse debate queremos fazer com os ativistas que hoje estão se expressando ativamente nesta luta.


Que programa para qual universidade?


Um movimento estudantil que esteja colado aos trabalhadores e aos jovens excluídos desta realidade, só pode partir de um programa que tenha sua base na realidade concreta da universidade brasileira, tal qual analisamos anteriormente, e das necessidades reais dos que nela nunca entraram. Trata-se, portanto, de uma combinação dos elementos reais da universidade que temos para a universidade e sociedade que queremos construir. Reafirmamos: nosso método é o dos estudantes que se ligaram aos trabalhadores no Maio de 68 francês, “do questionamento da universidade de classes ao questionamento da sociedade de classes”.

Nosso programa só pode ser a expressão, assim sendo, de um diálogo não só com os que estão dentro da universidade, mas tão ou mais importante quanto (dependendo do patamar do desenvolvimento da luta que passamos) com os que estão fora dela.

O movimento estudantil que dentro de uma universidade extremamente elitista, racista e excludente se limita ao diálogo em geral com os estudantes, se limita à paralisia dos pequenos objetivos. Os estudantes “em geral” não é um terreno de classe e de interesses de classe homogêneo – a universidade é policlassista, portanto seus distintos setores se confrontarão e haverá polarizações (basta ver o debate da PM na USP agora). Pequenos objetivos pressupõem métodos pequenos, sem audácia. E reside aqui também a falácia do programa mínimo para dialogar com a consciência de todos, pois não se liga às necessidades reais, um programa com claro recorte de defesa de classe pela positiva, não se pode chegar aos elementos e exemplos mais avançados e audazes do movimento estudantil e operário combativos, que é onde queremos chegar. O que atrai o Movimento Estudantil para os grandes debates nos organismos de democracia direta – assembleias e comandos – não são questões “administrativas” de gestão ou convivência, mas sim a “grande política” como tem sido irradiada pela greve dos trabalhadores da Unicamp e a greve geral da USP contra a polícia e em defesa dos 73 presos políticos.

Para ser bem claro e direto, qualquer programa que se pretenda à transformação radical da universidade, que abra suas portas para os trabalhadores, negros e a juventude explorada, que não questione de fundo o acesso e sua estrutura de poder – que mantém e aprofunda o elitismo da universidade – é uma utopia irrealizável e não o contrário. Qualquer programa que não ponha em xeque as relações da estrutura social de classes, que deu origem à universidade, é incapaz de questionar essa universidade de classes.

Esse modelo de universidade se baseia na exclusão da juventude pobre e trabalhadora para usar o conhecimento produzido dentro dela pelas grandes corporações para melhor submetê-la. Mudar pela raiz significa torna-la acessível a todos que sintam necessidade de cursá-la; significa massificá-la. Somos, portanto, radicais e contundentes no programa de fim do vestibular, única maneira de acabar com este filtro social, que cria, mantém e legitima esta universidade elitista e branca. Só abrindo irrestritamente a porta das universidades públicas, permitindo igualmente o irrestrito acesso é que podemos garantir que toda a juventude trabalhadora e negra possa estudar e assim permitir a educação plena. Para isso temos que acabar com os lucros dos barões do ensino estatizando os grandes monopólios educacionais, colocando todas as universidades a serviço da educação pública e garantindo suas vagas totais para os jovens que estão excluídos deste direito democrático elementar. Como a juventude no Chile que não se cala, somos pela educação pública total!

Para avançar nesta conquista precisamos, entretanto, acabar com os interesses de classe dominante nas universidades, que é mantido pela estrutura de poder extremamente anti-democrática. Sãos os reitores e Conselhos Universitários, um grupo estrito de burocratas acadêmicos e professores “ de alta patente” que refletem os interesses dos governos e dos capitalistas dentro das universidades, decidindo sobre os investimentos, os contratos de trabalho terceirizados, a repressão e a perseguição aos que resistem, e todo o resto da regência acadêmica. Nossos interesses são opostos e, portanto, só podemos nos contrapor e derrubar esta estrutura de poder igualmente elitista. Levantamos o fim do vestibular ao tempo que levantamos o voto universal nos conselhos deliberativos da universidade, uma cabeça um voto. A universidade só pode estar aberta à classe trabalhadora e regida pelos seus interesses se esta classe decide sobre seus rumos. De nada adiantaria acabar com o vestibular e manter os interesses capitalistas encastelados nas reitorias e conselhos da universidade.

Não se debate, portanto, financiamento da universidade sem saber a serviço de que e de quais interesses estará. Não debatemos conhecimentos produzidos na universidade sem saber a serviço de quais interesses estão sendo produzidos ou queremos produzir. As aspirações por segurança, também dentro da universidade – principalmente contra as opressões – são demandas legítimas: e por isso mesmo a maneira de torná-la “segura” não é mantendo-a elitizada, mas sim franqueando seu acesso às massas trabalhadoras. Não debatemos segurança na universidade por fora dos projetos burgueses de universidade, que procuram “alternativas de segurança” para salvaguardar os privilégios de seus mandarins burocráticos, e para melhor desativar a organização operário-estudantil, perseguindo e punindo as forças transformadoras dentro da universidade. Somos e queremos ser representantes das vozes dos morros e favelas, da classe operária e toda a juventude dentro da universidade. Não é possível compactuar com universidades que exploram e organizam “com excelência” a fome da imensa maioria da população que dela é repelida. Nosso programa deve ser grandioso, por isso temos grandiosos métodos.
Fonte: CEPHS

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O debate sobre o diploma

Por Rogério Castro*
Dia desses, o jornalista Mino Carta se queixava da baixa qualidade da formação intelectual das novas gerações de jornalistas brasileiros. “O jornalismo virou algo grotesco e de baixo nível”, teria dito ele, segundo o portal Comunique-se. A pergunta é: as faculdades de Jornalismo teriam decaído na preparação dos futuros profissionais, ou esta seria uma prova de que, nos dias atuais, dado à explosão da informática, a formação intelectual desse profissional passaria a ser considerada supérflua?
Três linhas de entendimento, pelo menos, podem ser verificadas nesse debate: uma é a patronal, que ganha chão para poder flexibilizar ainda mais as já precárias relações de trabalho; outra, animada pela esquerda, entende que a defesa do diploma hoje é um obstáculo para a “democratização da comunicação”; e uma terceira, vista como corporativa (e a defesa dos interesses dos assalariados que trabalham, ao contrário de corporativismo, é uma questão de primeira necessidade), defende o diploma para o exercício da profissão como forma de inibir a precarização, a informalização e defende uma informação de qualidade para a sociedade.
Mas as razões para a colocação de Mino precisam ser averiguadas: por que o jornalismo se tornou algo grotesco e de baixo nível? Por outro lado, poderíamos também indagar por que a sociedade brasileira tolera tanto – sem reclamar – esse “jornalismo de baixo nível e grotesco”? O intrincado de fatos que explica essa questão é um emaranhado de nós que só com certa calma pode ser desembaraçado.

Ato heroico

Pois bem. Nos tempos atuais, impera no meio universitário, principalmente nas faculdades de comunicação, uma ditadura epistemológica denominada “identidade cultural”. A característica maior que marcou o pensamento moderno – isto é, a ruptura com a tradição do período anterior – tem perdido terreno (consciente ou inconscientemente) para as concepções que visam a revestir todo conhecimento popular – inclusive as crendices de outrora, marca do pensamento tradicional anterior ao modernismo – de autêntico, objeto da mais acrítica admiração. Com isso, ideias de verdades objetivas são drasticamente alijadas em prol de relativismos, de verdades cada vez mais centradas no sujeito – e não o contrário, a realidade objetiva prevalecendo sobre este último. O multiculturalismo, a concepção de que o que importa acima de tudo são as culturas e as “identidades”, tem conseguido, além de gerar muita confusão, fazer decair – em queda livre – o padrão cultural que o advento da modernidade viu com Goethe, Cervantes, Thomas Mann, Kafka e outros. Tanto que o fim da chamada “grande cultura”, das “grandes narrativas”, são considerados traços do que vem sendo chamado nos dias atuais de “pós-modernismo”. A aceitação cada vez mais sem maiores resistência do espetáculo midiático, de um jornalismo que não procura buscar entender as causas da violência como uma expressão da desumanização da sociedade, e sim faz da barbárie social prato cheio para alavancar os índices de audiência com um sensacionalismo cada vez mais despudorado, é ou não sinal de que os jornalistas atuais se encontram reféns da mediocridade pós-moderna?



Para ler a matéria na íntegra, clicar Aqui.

*Jornalista e mestre em Serviço Social.
Publicado no Observatório da Imprensa, em 06/12/2011 na edição 671.

I LIGAÇÕES. PALESTRA E CURSO DE INTRODUÇÃO AO GEOPROCESSAMENTO

09 a 11 de dezembro de 2011



Dia: 9 de dezembro de 2011
Local: Auditório Administrativo
Hora: 14h Turno: Vespertino

Prof.ª Tânia Regina Braga Torreão Sá (DCHL)

Relação capital/trabalho e novas mídias educacionais
Prof.º Wagnervalter Dutra Cintra
(UNEB/Campus VI/Caetité)

O ‘professor do futuro’/o futuro do professor no espaço geográfico plasmado pela técnica
Prof.º Marcelo Torreão Sá (DG/UESB)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Debates sobre o Capitalismo Contemporâneo: Trabalhadores Movimentos Sociais e as Reformas do Capital

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trabalho Política e Sociedade – NETPS/CNPq convida e solicito divulgação da última atividade deste ano do Projeto de Extensão “Debates sobre o Capitalismo Contemporâneo: Trabalhadores Movimentos Sociais e as Reformas do Capital”, projeto vinculado ao Departamento de História da UESB.
A última programação de 2011 será um ciclo de debates, a se realizar em duas noites, nos dias 12 e 13-12, respectivamente no Auditório do Módulo 4 e Auditório 1 do Módulo Luizão. A primeira atividade, no Auditório do Módulo 4, às 19:00, será uma mesa com o tema “Capitalismo e Perspectivas da Esquerda no Brasil: a estratégia da frente partidária em debate”. O objetivo desta primeira atividade é discutir as formas de organização da esquerda brasileira e fazer uma análise crítica da estratégia da frente partidária. Participarão da mesa Milton Pinheiro (UNEB e Partido Comunista Brasileiro – PCB), Carlos Medeiros (Corrente Comunista Internacional – CCI) e Sebastião Carlos Pereira Filho (CSP Conlutas e Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados – PSTU).
Na seção do dia 13, às 19:00, no Auditório 1 do Luizão, teremos a mesa “Capitalismo, Crise, Barbárie e Tendências do Século XXI”, com Plínio de Arruda Sampaio Jr. (Instituto de Economia da Unicamp) e Milton Pinheiro. Objetivo da mesa é discutir as possibilidades de desenvolvimento e os limites civilizatórios do capital.
Segue abaixo mais algumas informações sobre os palestrantes que estarão conosco no Ciclo de Debates.
Carlos Medeiros é militante da CCI, possui experiência junto à militância socialista e movimentos sociais.
Milton Pinheiro é militante do PCB, professor de Ciência Política da UNEB, editor da revista Novos Temas e autor/organizador dos livros Caio Prado Júnior - História e Sociedade (Quarteto), A Comuna de Paris 140 anos depois (Expressão Popular).
Sebastião Carlos Pereira Filho, o Cacau, é militante do PSTU, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas - Central Sindical e Popular. Possui formação em Direito, coordena o Coletivo Jurídico da Central. Membro do Instituto Latino-americano de Estudos Sócio-econômicos – ILEASE.
Plinio de Arruda Sampaio Jr. é professor do Instituto de Economia da Unicamp e militante do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL. Possui diversos artigos publicados sobre crise e economia capitalista. Autor de Capitalismo em Crise: A natureza e dinâmica da crise econômica mundial (Sundermman) e Entre a Nação e a Barbárie: Os dilemas do capitalismo dependente na era da globalização (Editora Vozes).
Em tempo, informo que em 2012 a programação desta edição do projeto de extensão terá continuidade nos meses de fevereiro e março.
Atenciosamente
Cristiano Ferraz
Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Trabalho Política e Sociedade – NETPS/CNPq
Coordenador do Projeto de Extensão Debates Sobre o Capitalismo Contemporâneo: Trabalhadores, Movimentos Sociais e as Reformas do Capital

II Encontro de Educação do Campo: a construção do projeto político-pedagógico