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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Chile: estudantes deixam mesa de negociação e voltam às ruas

No dia do 23° aniversário da vitória do "não" no plebiscito que derrotou a ditadura do general Augusto Pinochet, estudantes secundaristas e universitários deixam mesa de negociação afirmando que o governo não quer negociar nada, especialmente sobre o tema da gratuidade do ensino no país. No mesmo dia, oposição chilena reunida na Concertação apresenta documento propondo "nova maioria social e política" no Chile. Nesta quinta, cerca de 100 mil estudantes saíram às ruas defendendo mudanças no sistema educacional do país. A reportagem é de Christian Palma, direto de Santiago.


Era um dia histórico para o Chile. No entanto, a alegria não chegou para os estudantes que participaram na quarta-feira da segunda reunião da chamada mesa de diálogo pela educação entre o governo e os líderes do movimento. Paradoxalmente, o conceito de alegria era justamente o ponto central do slogan criado pela Concertação de Partidos pelo "Não" (atual Concertação opositora que conta com os partidos Socialista, Radical, PPD e Democracia Cristã), na campanha publicitária que pedia o voto contra a permanência de Augusto Pinochet no poder.

No dia 5 de outubro de 1988 a opção “não” venceu, o que impediu que o ditador seguisse no governo até 1997. Nesse marco, os estudantes secundaristas e universitários se retiraram da mesa de diálogo, após o governo de direita de Sebastian Piñera reafirmar que não é possível a educação gratuita no país.
A decisão foi anunciada depois que os “pinguins” (secundaristas) e os representantes da Confederação de Estudantes do Chile (Confech) e do Colégio de Professores se reunirem por mais de três horas com o ministro da Educação, Felipe Bulnes, e membros de seu gabinete. Na primeira reunião, realizada dia 29 de setembro, já houve tensão pois o Ministério exigia o término das ocupações nas escolas e a volta às aulas para seguir as negociações.
Na chegada dos dirigentes estudantis para a segunda reunião, eles manifestaram a falta de vontade do governo para buscar uma solução para o tema da educação, produto das declarações realizadas no domingo anterior por Sebastian Piñera sobre a impossibilidade de uma educação gratuita, e a assinatura do projeto que cria os delitos de saques e ocupações, entre outros, e endurece as sanções contra quem perturbe a ordem pública durante marchas e manifestações. Um ataque à principal arma de pressão dos estudantes.
Ao término da reunião, em meio às manifestações de estudantes em frente ao Ministério, o porta-voz dos estudantes, Alfredo Vielma, assinalou que “não vimos nenhuma disposição do governo para dialogar. Nós tratamos de apresentar as disjuntivas com a proposta do governo e o governo disse, bem, nós sempre tivemos vontade de conversar, mas não podemos retê-los aqui”.
Neste cenário, “nós, estudantes secundários, decidimos romper a mesa de diálogo porque consideramos que o governo se mostrou intransigente com sua postura”, acrescentou Vielma. Mais gtarde, Camila Vallejo, líder da Confech e da Universidade do Chile, somou-se à decisão dos “pinguins” dado o avanço nulo das conversações e “a pouca capacidade de diálogo do governo”. Com isso, as negociações voltaram outra vez ao ponto zero, enquanto era convocada para esta quinta uma nova marcha massiva em Santiago e nas principais cidades do país.
Para ler a matéria na íntegra, clicar CARTAMAIOR

domingo, 9 de outubro de 2011

As duas cores de Machado de Assis

por Carlos Nobre
Em 2008, o Brasil os 100 anos da morte de Machado de Assis, mulato que se tornou o maior escritor brasileiro de todos os tempos. No entanto, Machado nunca quis ser afrodescendente. Sempre teve duas "cores".
"Mulato, ele foi de fato, um grego da melhor época. Eu não teria chamado Machado de Assis de mulato e penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. (...) O Machado para mim era um branco e creio que por tal se tornava; quando houvesse sangue estranho isso nada alterava a sua perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só via nele o grego" (Joaquim Nabuco, em carta a José Veríssimo, após a morte de Machado de Assis).
Em 30 de setembro de 1933, o escritor Humberto de Campos, ao escrever um artigo para o " Diário de Notícias", traçou o seguinte perfil do colega Machado de Assis, a maior glória da literatura nacional de todos os tempos:
"Era miúdo de figura, mulato de sangue, escuro de pele, e usava uma barba curta e de tonalidade confusa, que dava ares de antigo escravo brasileiro, filho do senhor e criado na casa de boa família. Era gago de boca, límpido de espírito e manso de coração. E tornara-se pelo estudo e pelo trabalho o mais belo nome, e a glória pura e mais legítima, das letras nacionais".
No entanto, 25 anos antes desta classificação racial empreendida por Campos, Machado de Assis era considerado um integrante da elite carioca, e portanto, um homem branco. Isto foi o quê anotou no atestado de óbito de Machado de Assis, o escrivão Olimpio da Silva Pereira. Esta anotação fora feita, após a morte do autor de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", em sua casa, no Cosme Velho, em 29 de setembro de 1908.
O fato é muito significativo, pois, a obrigatoriedade do registro cor nos documentos fúnebres só fora estabelecida 75 anos mais tarde, em 1973, em função provavelmente da luta dos movimentos negros. Por que, então, o escrivão se apressou em acrescentar o item cor no atestado de óbito de Machado de Assis, se tal prática inexistia na época? Seria uma tentativa para impedir no futuro qualquer polêmica em relação a cor de nosso maior escritor? Qual das duas cores - a citada por Campos e a anotada pelo escrivão - valeria hoje, depois de 100 anos da morte de Machado?
Quem responde a este dilema racial é a cientista social Simone da Conceição Silva, em sua monografia final de curso ( 2001), intitulada O preto-e-branco do escritor brasileiro. Machado de Assis, no plural ou no singular?, apresentada, no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Origem afro
Simone mostra que, paralelo à consagração do escritor dos "Contos Fluminenses", "Dom Casmurro" e "Iaia Garcia", e outras obras de vulto, ocorreu um processo de embranquecimento da figura de Machado. O atestado de óbito, segundo ela, é um dos exemplos flagrantes deste processo. Segundo Simone, as elites intelectuais da época em que viveu Machado - entre meados do século XIX e início do século XX - não admitiam que o maior nome das letras nacionais fosse de origem africana já que as ideologias racistas em plena voga na época mostravam o negro adaptado para o trabalho manual e incapaz para o trabalho intelectual.
Filho do pintor de paredes mulato Francisco José de Assis e da lavadeira portuguesa Maria Leopoldina Machado, o escritor nasceu em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento, na Saúde , isto é, na " Pequena África", local de forte presença de africanos, cujo denominação fora dada pelo sambista Heitor dos Prazeres, filho de uma das famosas tias baianas que habitavam o local.
Epiléptico e gago, Machado de Assis foi vendedor de balas e sacristão da Igreja Nossa Senhora da Lampadosa, uma irmandade negra, na Avenida Passos, no Centro. Ele nunca freqüentou escola ou faculdade, mas foi considerado um dos mais brilhantes autodidatas do seu tempo. A imagem de um escritor elegante, fino, bem vestido, cabelos ondulados, brilhantes, pela embranquecida - que aparece numa fotografia de Machado, quando ele, está, por volta dos 60 anos - e que é a mesma anexada em milhares de escolas, bibliotecas e livros didáticos - não corresponde com a história de um mulato pobre, órfão na adolescência, bisneto de escravos e que ascendeu nas letras e no serviço público a custa somente de seu talento. Segundo Simone, havia uma intenção de esconder o passado de Machado. Ele reforça seus argumentos citando um articulista da "Gazeta de Notícias", que, após a morte do escritor, escreveu a frase que procura legitimar a supressão do passado pobre e negro de Machado: "Do morto de ontem não se precisa fazer biografia".
Para ler a matéria por inteiro, clique ALDEIAGRIOT

Polícia é polícia em qualquer parte: sempre a serviço da classe dominante

Impresionantes imagens da repressão na Grécia

O segundo dia de greve geral na Grécia registrou imagens que os grandes meios midiáticos não mostraram e que refletem o trato dispensado pela polícía do país helênico aos manifestantes na emblemática Plaza Sintagma, de Atenas no dia cinco deste mês. Ninguém fala em intervenção da OTAN. Sintomático, não?
Impressione-se com as violentas imagens (tomadas do sítio La pupila insomne) da repressão aos populares.



sábado, 8 de outubro de 2011

Auditoria do TCM encontra irregularidades em hospitais da Bahia

por José Marques
O Bahia Notícias conseguiu o relatório da auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) feita em 11 hospitais estaduais administrados por Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), cujo teor foi objeto de audiência nesta quinta-feira (6). O documento aponta problemas que vão desde o "desaparecimento" de bens públicos que constam no inventário geral da Secretaria de Saúde (Sesab) - de equipamento médicos a uma ambulância - até irregularidades em contratos, o endividamento das instituições e a falta de controle de frequência dos médicos. O parecer aponta que empréstimos irregulares teriam sido realizados "com anuência" da Sesab e contratações teriam sido firmadas de forma incorreta, com "inexigibilidade de licitação renovada reiteradamente, contratos vencidos e contratação emergencial irregular". A auditoria também teria identificado "a ausência de Alvará da Vigilância Sanitária (por falta de condições de funcionamento); inexistência de equipamentos ou sua não utilização por problemas operacionais; estrutura predial comprometida; inobservância, em graus variados, às normas de higiene e de cuidados básicos no trato dos resíduos e lixo hospitalar". Para o relator da matéria, conselheiro Pedro Lino, "esse modelo de administração adotado pelo Estado (...) não solucionou o problema de má qualidade dos serviços médico-hospitalares oferecidos à população. Também não há comprovação de que essa modalidade de contratação resultou em menor custo ao erário. Pelo contrário, (...) ensejam um maior custo ao Estado". As unidades investigadas foram o Hospital Estadual da Criança, o Hospital do Oeste, a Maternidade de Referência Prof. José Magalhães Neto, o Hospital São Jorge, o Hospital Geral Santa Tereza, o Hospital Regional de Juazeiro, o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, o Hospital Regional Luís Eduardo Magalhães, o Hospital Regional Dantas Bião e o Hospital Eurídice Santana. O titular da Sesab, Jorge Solla, informou,  através do seu chefe de gabinete, que muitas informações do texto "não têm fundamento" e que solicitou "uma cópia do relatório para justificar à imprensa". Veja mais aqui, aqui,aqui e aqui.
Fonte: QUER SABER POLÍTICA

A JUSTIÇA DO HOMEM


Gleise Kelly Trindade Lima*
A Justiça decretou
Há pouco tempo atrás
A prisão de um rapaz
Que um roubo praticou.
Quando na prisão chegou
Antes de na sela entrar
Ele pediu pra falar
Com o senhor delegado
E em seguida revoltado
Resolveu desabafar:

- Seu doutor sabe que errei
Por um roubo praticar
Mas quero aqui registrar
Nos arquivos dessa lei
O porquê que eu roubei
E os objetos roubados
Para que os magistrados
No julgo de uma sentença
Analise a diferença
Nos delitos praticados

“Sei que nada justifica
O ato de alguém roubar
Mas eu não quis enricar
Como muito gente enrica
E agora a justiça fica
Maltratando o indigente
Que roubou por ser carente
E não pelo consumismo
E este sensacionalismo
De vocês é indecente.

Quem não merece o xilindró
É Maluf, é Celso Pitta
Porque que justiça evita
Desvendar esse mocó?
E o Galdino Pataxó?
- o índio carbonizado
E o painel violado?
E os políticos Amebas

Que sugam todas as verbas
Do nosso coitado?

E a chacina da Candelária
A de vigário Geral
E o doutorzinho Lalau
Com riqueza fundiária;
E propina bilionária
Que deixa esse povo ileso
A mando dos promotores
Eram os corruptores
E não um pobre indefeso.

Paulo Maluf treiteiro
Que sai na televisão
Com toda convicção
Dizendo que o dinheiro
Desviado para o estrangeiro
Nunca passou por sua mão;
Esse não é dele então
Já que grana boa
Por que a justiça não doa
A uma instituição?

Sei que vou cair na peia
Por pegar essa merreca
Que nem levei na cueca
Acho isso coisa feia.
Sei que vou pra cadeia
Mofar dentro da prisão
E nem terei proteção
Nem serei absolvido
Por falta de mensalão.

E o juiz Pedro Pessi
Que assassinou o vigia
Agiu com covardia
E depois não ta nem aí.
Estou falando isso aqui
Pra que seja relembrado
E também analisado
Este ato atrevido
Inclusive, eu duvido
Que ele seja condenado.

Queira agora me levar
Já falei o que queria
Pratiquem a covardia

Mas não deixem de explicar
Quando alguém vos perguntar
O motivo da prisão
Explique toda a razão
Fale tudo sem preguiça
Fale também que a justiça
Prendeu mais um cidadão.

Diga pra sociedade
Que a honra de vocês
É levar para o xadrez
Um bandido de verdade
De periculosidade
Desempregado e mesquinho
Que roubou para o filhinho
Numa barraca na feira
Uma simples mamadeira
E uma lata de Ninho.

*Estudante do 3º ano do Colégio Estadual Manoel Francisco Caires, de Dom Basílio, Bahia. Este cordel venceu em 1º lugar - disputando com outras 22 concorrentes, no 3º Tempos de Artes Literárias Regional - TAL, ocorrido no último dia 21 de setembro, em Brumado.

A vida por um fio

Jair Pinheiro 06/10/2011 22:34:41 
“Durante a noite do dia 6 de setembro, dois homens armados invadiram a casa de Edson Francisco, membro da coordenação nacional do MTST em Brazlândia – DF. Os homens arrombaram o portão, entraram na casa e dispararam vários tiros contra Edson que conseguiu fugir sem ferimentos graves.”. Assim a coordenação do MTST denuncia mais um ataque àqueles que levam a vida por um fio.
Pode-se morrer a qualquer momento pelas más condições de vida e/ou de trabalho (ou pela da falta dele), causas disfarçadas nos atestados de óbito sob o registro de doenças infectocontagiosas, típicas daquelas condições, ou por causas externas, nome genérico para designar a violência que afeta mais as pessoas que vivem na insalubridade urbana e envergam o peso da construção da pujante riqueza dessa máquina de crescimento, que é a cidade capitalista, sem dela desfrutar; mas também se morre por ousar lutar contra tais condições, é o recado que os atiradores queriam dar aos que lutam com o cadáver que, felizmente, não conseguiram fazer de Edson.
Um dos efeitos ideológicos mais perniciosos das décadas de neoliberalismo foi a naturalização da pobreza; esta, que nas décadas de 1970 e 1980 provocava indignação moral e política e mobilizava a luta contra a ditadura porque ninguém duvidava que suas causas eram sociais. Havia, portanto, que mudar a sociedade.
Entretanto, uma nova abordagem da pobreza, cultivada em certos círculos supostamente esclarecidos, deslocou do modelo social para o desempenho individual o debate sobre as causas da pobreza e, com isso, passou-se a apregoar como tratamento para o problema a caridade pública ou privada.
A individualização da pobreza abriu uma larga vereda onde vicejou o culto ao indivíduo apto à competição no mercado e, figura complementar, o indivíduo disponível para o trabalho de preparação dos inaptos para a competição, a que se deu o nome de inclusão social. A isto se reduziu o sentido de solidariedade. Neste clima ideológico, a luta contra as causas sociais da pobreza passou a ser apresentada como geradora de violência, como se não fosse violência a pobreza, e cruel, pois negação cotidiana dos direitos humanos básicos por um ente sem rosto, o modelo social, que não pode ser interpelado judicialmente, só politicamente.
Mas como este aspecto da pobreza é obscurecido, atentados contra militantes, como o que abre este artigo, adquire a aparência de consequência natural a que se expõem aqueles que escolhem o caminho errado para lutar contra a pobreza; sentido sub-repticiamente transmitido pela nova abordagem da pobreza.
Interditado o caminho da luta política contra as causas sociais da pobreza, está aberto o espaço para o Estado democrático de exceção, expresso, sobretudo, na complacência do Estado com os autores desses atentados, do que dá mostra o número de assassinatos de trabalhadores no campo desde 1985 (1.186 casos com 1.580 vítimas) em contraste com o de condenações (92 casos julgados, 21 mandantes e 74 executores condenados), e na ação ilegal de forças policiais contra acampamentos, como ocorrido no dia 12/09/11, em Americana, no interior de São Paulo.
Nisso consiste o Estado democrático de exceção: complacência com as milícias privadas, com as ações de provocação das forças oficiais e judicialização da política, até que todos se acostumem com a redução seus direitos políticos e civis à regulação pelo código penal, e a exceção se torne a regra, se já não o é.
*Professor do Depto. de Ciências Sociais/Unesp-Marília. Pesquisador do NEILS (Núcleo de Estudos de Ideologia e Lutas Sociais).
Fonte: Jornal Diário de Marília

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

1964: NOTAS SOBRE UMA VITÓRIA SIMBÓLICA


Caio N. de Toledo
O recente episódio suscitado por uma placa, afixada no centro do campus da USP, revelou que não deixa de ser vitorioso o significado político-ideológico que as esquerdas brasileiras difundem sobre os acontecimentos em torno de 1964. Essa interpretação não deixa de ser hegemônica na atual cultura política democrática brasileira.
Na última 2ª. feira (3/10), o blog Viomundo, do jornalista  Luiz Carlos Azenha, estranhou o fato de uma placa na USP conter a seguinte inscrição: “Monumento em homenagem aos mortos e cassados na Revolução de 1964”. A indagação do jornalista foi simples e direta: “A USP homenageia as vítimas da `Revolução de 1964´ ”? Imediatamente, outros blogs e parte da grande mídia (portais na internet e jornais impressos) também destacaram o fato da Reitoria da Universidade de São Paulo, por meio da placa, ratificar a versão que os militares e setores civis da direita brasileira procuram difundir sobre a intervenção militar ocorrida há 47 anos; qual seja, a versão segundo a qual em 1º. de abril de 1964 teria havido uma Revolução, não um Golpe Militar! [Ninguém desconhece que, para os ideólogos civis e militares (de Delfim Netto a Golbery do Couto e Silva), 1964 representou uma “Revolução redentora” que, de forma pacífica, salvou o Brasil da subversão antidemocrática e do comunismo ateu bem como lançou as bases para a emergência de uma sólida economia industrial no país. Em contrapartida, para a extensa maioria dos intérpretes (partidos e autores) da esquerda brasileira, abril de 1964 significou um golpe civil-militar contra a democracia política e as propostas de reformas econômicas e sociais do capitalismo brasileiro.]
         Divulgada a informação sobre a placa, a repulsa dos setores democráticos e progressistas não tardou. Por meio da internet, a comunidade universitária e os blogs progressistas denunciaram o estelionato semântico difundido pela placa que, reconheça-se – pelo seu conteúdo objetivo –, não deixava de revelar um fato altamente positivo: a construção de um monumento em homenagem às vítimas da repressão militar nos 25 anos de ditadura.
 Menos de 36 horas após a denúncia feita no blog Viomundo, alguns jornais (5/10) informam que a placa foi retirada do campus da USP. Numa nota a reitoria da USP esclarece: “Houve um erro na inscrição da placa. O nome correto é: “Monumento em Homenagem aos Mortos e Cassados no Regime Militar”. Trata-se de um projeto do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP. A correção da placa será feita o mais breve possível”.
Embora a Reitoria da USP recuse a utilização da expressão “ditadura militar” na nova placa, deve-se reconhecer que uma vitória no plano simbólico não deixou de ocorrer. Esta pequena vitória foi possível graças às iniciativas daqueles que – face o fascismo cotidiano existente nas democracias capitalistas – exercem o direito de protestar e não ceder ao arbítrio e à violência no plano simbólico.
Foi o que fizeram, por exemplo, três estudantes da USP. Como informa o blog Viomundo, um estudante, desafiando a segurança, riscou a expressão “Revolução de 1964” e escreveu na placa: “golpe”. Dias depois, uma estudante acrescentou a palavra certa: “ditadura”. Horas depois, a mesma jovem voltou ao local e escreveu: “massacre”. Uma terceira estudante, blogueira, escreveu em sua página: “É um verdadeiro insulto a todos os estudantes e professores que foram perseguidos e mortos durante os anos de chumbo”. Se não fossem os estudantes, a placa insultuosa – aprovada pelos burocratas da Universidade –, certamente, ali permaneceria sob o olhar indiferente, complacente e despolitizado de muitos circunstantes.
No entanto, alguns estudantes não se calaram; manifestaram justa indignação. São eles que, nos dias de hoje, poderão também reescrever a combativa consigna vigente na luta contra o fascismo: no pasarán!”

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O CARNAVAL DO “APARTHEID”

“Faturamento de um camarote de carnaval: R$ 14,4 milhões. Taxa que paga à prefeitura: R$10,58. Ser empresário de bloco ou camarote no Carnaval, na Bahia, não tem preço!
Números reveladores do Carnaval da Bahia, foram publicados na Revista da Metrópole desta sexta: O bloco Camaleão fatura, sozinho, apenas com a venda de abadás, R$ 6,65 milhões. O Me Abraça fatura R$ 5,4 milhões do mesmo jeito, fora patrocínios.O Corujas fatura 4,94 milhões. Tudo isso em apenas três dias.Já os camarotes faturam assim: O do Reino, R$ 7,2 milhões; Nana Banana, R$ 6,2 milhões; Camarote Salvador, R$ 14,4 milhões. Tudo isso fora os patrocínios. Mas, por outro lado, sabem quanto um empresário paga de taxa à Prefeitura para montar um camarote no circuito do Carnaval? R$ 10,58 de taxa inicial e mais 42,34 por metro quadrado. Uma pechincha. Um achado. Uma oportunidade da China. Ou seja, os empresários não bancam, nem de longe, o custo da festa. Então, quem banca? O Governo do Estado e a Prefeitura investem R$ 30 milhões para colocar polícia na rua, realizar a limpeza, montar e desmontar toda infra-estrutura, pagar equipes de saúde, etc, etc, etc. Porém lembrem-se: o dinheiro do Governo do Estado e da Prefeitura sai do nosso bolso. E considerando que pesquisa divulgada recentemente no A Tarde constatou que 76% da população de Salvador não pula carnaval, e mesmo os 24% que pulam ficam espremidos entre tapumes e cordas de blocos, bancar essa festa imensa com dinheiro público fica mais injusto ainda. Tá na hora dessa conta mudar de mãos: quem fatura com o Carnaval é que tem que bancar a festa. Eu gostaria muito de saber  a opinião dos que criticam o Bolsa Família como uma “esmola que deixa o povo dependente do governo” para saber o que  eles acham dessa “superesmola” que dá lucro absurdo a empresas e mais empresas no carnaval, às custas dos investimentos públicos.
Tudo precisa ser mudado.Quer fazer Carnaval, faça para o povo baiano também!…
 Em tempo: a Daniela Mercury ficou revoltada com a Prefeitura porque não atenderam ao seu pedido de elevar a altura dos fios da rede eletrica; segundo ela, o seu novo trio ficou um pouco mais alto o que colocaria sua vida em risco; o custo desse pedido, só no circuito da Barra seria de mais de 3 milhões de reais; já comprou seu abadá do próximo carnaval? Não? Então corra que está acabando!…
Enquanto isso!!!…
o hospital Martagão Gesteira declara que a Prefeitura de Salvador há dois meses não recebe uma dívida de R$ 2 milhões e o hospital corre o risco de fechar este mês e 700 crianças ficarão sem tratamento, mas para o carnaval nos bairros da Barra-Ondina foram gastos sem titubear R$ 60 milhões  pelos gestores municipal e estadual.
 Os baianos devemos refletir sobre o modelo do carnaval que queremos.

Nota do MTD de Vitória da Conquista

Nota à Sociedade

Na madrugada de 02 de Outubro de 2011, cerca de setenta famílias do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), ocuparam uma área as margens da BA-263, que liga Vitória da Conquista a Itambé, com o objetivo de pressionar as autoridades competentes a promoverem o assentamento destas famílias que até então se encontram acampadas e sujeitas a todo tipo de violência, sendo ainda discriminadas pela grande maioria da sociedade, que as enxergam apenas como vândalos.
Esta mobilização é também a reafirmação das diversas pautas apresentadas junto aos governos municipal e estadual, através das quais pleiteamos a assistência destes poderes, tais como: trabalho, moradia, educação e saúde, direitos básicos assegurados pela própria Constituição Brasileira, e principio da dignidade humana.
Assim, o MTD, quer fazer ressoar junto à sociedade que resistirá na ocupação, símbolo da luta das massas expropriadas, até que sejam atendidas tais reivindicações, uma vez que o Movimento, em sua constituição histórica, luta por trabalho e geração de renda, buscando o resgate da dignidade de indivíduos postos a margem do atual modelo produtivo altamente excludente. Acredita, sobretudo, que a construção de uma nova sociedade é tarefa dos trabalhadores.
“TRABALHADORES DE TODO O MUNDO, UNIVOS” (Marx)
                            
"Pelos eutofalantes do universo
Vou louvar-vos aqui na minha loa
Um trabalho que fiz noutro planeta
Onde nave flutua e disco voa.
Fiz meu marco no solo marciano
Num deserto vermelho sem garoa" 
Lenine

Detidos membros da Federación de Estudiantes Universitarios FEU-Colombia

Basta de perseguição, criminalização e repressão ao movimento estudantil! 
 
Motivados por un profundo sentimiento de indignación y preocupación informamos a la comunidad nacional e internacional que el día de hoy 2 de octubre de 2011 y como producto de inaceptables montajes judiciales han sido detenidos los compañeros Jorge Eliecer Gaitán miembro del Comité Ejecutivo Nacional de la FEU y estudiante de la Universidad Surcolombiana; Omar Marín, estudiante de la Universidad de la Amazonía y Camilo Escudero de la Universidad Amazonía.
Una vez más el gobierno nacional quiere cobrarle al movimiento estudiantil su férreo compromiso con la educación como derecho, la solución política al conflicto social y armado y la consecución de una paz con justicia social. Estas afrentas se presentan en un momento histórico para el país, donde el movimiento estudiantil se levanta contra la Nueva ley de educación superior (reforma a la ley 30) del gobierno de Santos que pretende privatizar y despojar a los colombianos de la educación. La Federación de Estudiantes Universitarios –FEU Colombia- ha impulsado la movilización estudiantil, y la organización gremial de los estudiantes a lo largo y ancho de la geografía nacional.
No dudamos que la persecución desatada responde también a la decisión de nuestra organización y del conjunto del movimiento estudiantil colombiano de iniciar un Paro Nacional Universitario una vez el gobierno decida radicar la nueva ley de educación ante el congreso. Sin embargo, ratificamos sin vacilaciones el compromiso organizativo por seguir profundizando y afianzando los procesos de discusión y debate que nos permitan construir de manera democrática un nuevo modelo de educación. Ratificamos que las banderas de unidad que hoy hondean en la Mesa Amplia Nacional de Estudiantes son garantía de victoria y certeza de un nuevo modelo de educación y de país.
Fonte

domingo, 2 de outubro de 2011

Câmara absolve deputado enquanto veta protesto contra corrupção

Manifestantes que pretendiam distribuir vassouras a parlamentares são impedidos de entrar no Congresso. Ao mesmo tempo, Câmara inocentava deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), acusado de participar de esquema de desvios no ministério dos Transportes, em mais um sinal de que Congresso está descolado da sociedade.

BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara absolveu nesta quarta-feira (28) o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), que havia sido acusado por dois partidos (PPS e PSOL) de quebra de decoro por participar de suposto esquema de desvio de verba pública no ministério dos Transportes. 
Enquanto o Conselho, por 16 votos a 2, inocentava Costa Neto, cerca de 30 manifestantes ligados a grupos de combate à corrupção promoviam a faxina simbólica da rampa do Congresso Nacional. A coindicência é mais um exemplo de como o Congresso está descolado da opinião pública e contribui para desmoralizar a classe política perante a sociedade.
Os manifestantes, que ignoravam o julgamento no Conselho de Ética, foram proibidos de entrar no Congresso. Eles planejavam entregar vassouras verde-amarelas aos 513 deputados e 81 senadores, numa tentativa de pressionar os parlamentares a votar medidas anti corrupção.
Impedidos de distribuir os "brindes", os protestantes recolheram as vassouras - que, desde a véspera, estavam fincadas em gramado em frente ao Congresso - para reaproveitá-las num ato marcado para o dia 12 de outubro.
“Todos falam muito da importância do papel da sociedade civil na luta contra a corrupção, mas quando nos organizamos e realizamos uma manifestação pacífica, somos proibidos de entrar no parlamento. Será que os deputados e senadores estão com medo das nossas vassouras?”, questionou a ativista de direitos humanos Leiliane Rebouças.
Antônio Carlos Costas, presidente da Organização Não-Governamental Rio de Paz, explicou que a vassoura foi usada como metáfora para expressar o desejo de todo o povo brasileiro de ver o Congresso envolvido nesta campanha nacional de combate à corrupção. “Queremos um país mais justo, menos desigual, onde não haja corrupção, onde a verba pública seja canalizada para outra finalidade”, disse.

Revolta
Dentro da Câmara, parlamentares se revoltaram com a decisão do Conselho de Ética de rejeitar a denúncia contra Costa Neto. “Se nada aconteceu no Ministério dos Transportes, por que a presidente Dilma afastou o ministro e 20 funcionários do órgão?”, questionou o relator do processo, deputado Fernando Francischini (PSDB-PR).
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) propôs a extinção do órgão colegiado. “É melhor fecharmos logo esse Conselho de Ética que, primeiro, teve sua decisão de cassar a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) derrotada em plenário e, agora, elimina na raiz a possibilidade de investigar Costa Neto, para evitar que o problema se repita”, afirmou.
Mais cedo, Alencar havia participado do pequeno grupo de parlamentares que deixou o Congresso para cumprimentar os manifestantes do ato contra a corrupção. “Vocês deviam ficar de olho também no Supremo Tribunal Federal, ali do outro lado da rua, que está ameaçando dar um golpe na democracia ao cassar os poderes do Conselho Nacional de Justiça”, recomendou.
Senador de primeiro mandato, Pedro Taques (PDT-MT), que foi até os manifestantes para receber uma vassoura. “Falar contra a corrupção, hoje, é defender a cidadania e a democracia. Segundo o Tribunal de Contas da União, um terço do dinheiro da saúde é desviado pela corrupção. Há muita coisa errada. A corrupção mata e rouba o futuro de uma geração”, afirmou.
O presidente da Frente Parlamentar Mista Contra a Corrupção, deputado Francisco Praciano (PT-AM), lembrou que há mais de 100 projetos de combate à corrupção tramitando na Câmara e do Senado, sendo que 21 deles, prontos para serem votados, como é o caso do projeto que propõe o fim do voto fechado para os casos previstos pelo regimento, como nas votações de quebra de decoro parlamentar. “Se a sociedade não brigar, se a imprensa não ajudar, não vamos ter nunca o voto aberto nessa Casa”, afirmou.

Panfletagem
Após participar do ato, Praciano comandou uma panfletagem, dentro da Câmara, com o objetivo de sensibilizar seus colegas a agilizar a tramitação dos projetos que tratam do combate à corrupção. Um dos primeiros parlamentares a receber o material preparado pela Frente foi o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS).
Segundo Praciano, o encaminhamento de projetos como o que propõe o voto aberto será discutido na próxima reunião do colegiado de líderes, semana que vem.
Marco Maia, que assinou o manifesto lançado pela Frente Parlamentar Mista em Defesa do Voto Aberto, em conjunto com outros 270 senadores e deputados, afirmou que é a favor da medida, mas com exceções, como a eleição para presidir a Câmara e o Senado.
Fonte:
CARTAMAIOR

sábado, 1 de outubro de 2011

IX Colóquio Nacional e II Internacional do Museu Pedagógico

De 05 a 07 de Outubro, acontece o IX Colóquio Nacional e II Internacional do Museu Pedagógico. Com o tema “Os Desafios epstemológicos das Ciências para a Atualidade”, a programação oferece aos participantes conferências, mesas e colóquios temáticos.
Quem vai participar do Colóquio com apresentação de trabalhos, pode consultar o horário e o local e o horário das sessões de comunicações clicando aqui. Para os ouvintes, as inscrições podem ser efetuadas até o dia 5 de outubro.
Confira a programação completa e outras informações importantes acessando o site do evento. Para saber mais, entre em contato com o Museu Pedagógico através do telefone (77) 3421-3894.