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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cientistas sobem o tom contra novo Código Florestal


Em sua manifestação mais dura sobre a reforma do Código Florestal, as principais sociedades científicas brasileiras adjetivam partes do texto em análise como "injustificado" e "inconstitucional".
por Cláudio Angelo 
Folha de S. Paulo, 17-10-2011.
A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) entregaram na semana passada a senadores propostas para embasar as mudanças na lei. Para elas, a ciência não foi levada em conta no relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), aprovado em maio no plenário da Câmara.
Entre as 18 assinaturas do documento há pesos-pesados como a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, Carlos Nobre, secretário de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Tatiana Sá, ex-diretora-executiva da Embrapa. Para eles, o maior entrave à expansão da agricultura não é a legislação ambiental, mas "a falta de adequação" da política agrícola do país.
Para os cientistas, um aumento marginal na produtividade pecuária -com medidas simples, como erguer cercas e fazer o manejo de pastos- liberaria 60 milhões de hectares para a agricultura. "Continua no Senado essa falácia de que não há espaço para preservar e produzir alimentos", disse Luiz Martinelli, da USP de Piracicaba.
"Como é que eu vou dizer para a Europa não subsidiar sua agricultura quando a gente queima tudo sem nenhuma eficiência? É um tiro no pé."
As entidades também pedem que as APPs (áreas de preservação permanente), como margens de rios, sejam restauradas na íntegra, posição mais "ambientalista" que a do governo, que aceitou flexibilizar sua recomposição. Os cientistas exigem, ainda, que o Senado elimine do texto a menção à "área rural consolidada", que permite regularizar atividades agropecuárias em APPs desmatadas até 22 de julho de 2008. Segundo eles, a Constituição diz que "não há direito adquirido na área ambiental".
"Nosso livro anterior dava dados, mas não fazia afirmações tão contundentes", disse Carneiro da Cunha, aludindo a documento divulgado no semestre passado.
Expoente da antropologia, Carneiro da Cunha afirma que os senadores precisarão tratar um tema espinhoso sem acordo: a isenção de reserva legal para propriedades de até quatro módulos fiscais (medida equivalente a até 400 hectares na Amazônia).
"Quatro módulos não é o mesmo que agricultura familiar. É uma pegadinha." Ela diz esperar que o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator do código em três comissões, seja "persuadido por argumentos convincentes".

sábado, 15 de outubro de 2011

Do orgulho de ser Professor (a) ao extermínio da profissão

Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva*
No dia 15 de outubro de 1827 (consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial criando o Ensino Elementar no Brasil para que todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras, implicando na descentralização do ensino, no salário dos professores, nas matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A partir de 1947, essa mesma data passou também a ser considerada como o dia do professor, isso graças a quatro professores entre eles Salomão Becker que, para evitar a estafa de um longo período letivo, sugeriu um encontro no dia de 15 de outubro no Ginásio Caetano de Campos, no qual professores e alunos trariam doces de casa para uma pequena confraternização.
 A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".
Sabemos que, de todas as profissões, a mais importante para uma sociedade civilizada e democrática é a de professor, pois todas as demais, necessariamente, passam por ela. O professor cuida, assim, de vidas em toda a sua expressão.
Os discursos oficiais na última década reafirmam a importância e a necessária valorização do professor para o presente e o futuro de uma nação. Infelizmente, porém, pesquisas têm demonstrado que boa parte dos que escolhem a carreira docente a abandonam antes de completar os cinco anos de profissão e que a juventude, os melhores talentos, não querem se tornar professor. Afinal, o que tem hoje um(a) professor(a) (ou candidato à profissão) para ter orgulho de ter e estar nesta carreira? Os salários não são atrativos, as condições de trabalho são vergonhosas e a prática do desrespeito e da desvalorização é uma constante nas relações entre os profissionais e as várias secretarias de educação espalhadas pelo país (com poucas exceções). O caminho percorrido pelos professores brasileiros não tem sido fácil.
Neste dia 15 de outubro, os professores não têm muito a comemorar. Vilipendiados pelos baixos salários, pelas péssimas condições de trabalho, presenciam e vivenciam dia-a-dia na escola a agressão e a violência por parte de alunos e de seus familiares, outras vítimas da desorganização social pela qual passa o Brasil.
Aqueles que insistem e permanecem na profissão apesar de todos esses problemas, estão adoecendo. A estafa (hoje denominada stress), que tanto preocupou o professor Salomão Becker em meados do século passado, hoje é uma realidade para uma parte significativa dos profissionais do ensino. Professor, assim, tornou-se uma profissão de risco, uma espécie em extinção: poucos querem ser; quem se torna desiste precocemente; quem fica, adoece é desrespeitado e desvalorizado. O que está acontecendo?
A nosso ver, essa situação tem relação estreita com as contradições da sociedade atual, na qual escola (espaço principal de atuação da função docente) se tornou imprescindível, mas não prioritária, de maneira que o que importa não é a sua finalidade de humanização de homens e mulheres através do encontro de gerações, da socialização e reelaboração dos conhecimentos e saberes produzidos e sistematizados pela humanidade, mas sim os números que ela pode gerar.
Não fosse isso, por que manter salas com números absurdos de alunos que comprometem qualquer qualidade pedagógica? Por que não aprovar um Sistema Nacional de Educação através do qual seja possível garantir uma educação igual para todos, combatendo a escola dual - uma escola para os pobres (nas periferias, nos períodos noturnos, zona rural) e outra para os ricos? Por que continuar tratando a profissão de professor como um ofício, na qual é possível ingressar sem uma formação adequada e sem a realização de concursos públicos, priorizando no próprio sistema público a proletarização via contratação por regime temporário, prestação de serviços, etc? Por que tudo isso se já temos competência e dinheiro de sobra para a solução e o enfrentamento de todos esses problemas?
O fracasso da educação é de responsabilidade de toda a sociedade e, especialmente, dos governadores de estados, dos prefeitos, secretários estaduais e municipais de educação, enfim, daqueles a quem elegemos por voto direto para gestar os recursos e pensar a política para educação no nosso país. O nosso voto, porém, não deve significar, de modo algum, que os dirigentes (estadual e municipal) se aventurem a governar sem competência para fazê-lo. Não os autoriza a executar o que não sabem, pois a responsabilidade ética, política e profissional os colocam em dever de prepararem-se, de capacitarem-se, de educarem-se antes mesmo de iniciar sua atividade a frente do governo estadual, municipal e das respectivas secretarias de educação. Precisamos de gestores que pensem a educação, a escola e a docência como um projeto de Estado, como um projeto de nação, e não como um projeto, moeda de trocas, restrito e pessoal de governo.
Os professores estão cansados e, infelizmente a sua estafa não passará com um dia de comemorações, doces e presentes. Precisam ser reconhecidos, valorizados, respeitados; precisam trabalhar dignamente e terem direito a uma formação justa e adequada. No dia 15 de outubro de 1827, um Decreto iniciaria mudanças na concepção de escola e de instrução no Brasil. Em 1932 o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova reforça a importância da educação. 184 anos depois é preciso que, juntamente com as comemorações, também a sociedade brasileira tome como marco desse dia a inconformidade com o estabelecido nas escolas (espaço de atuação dos professores) e nas universidades (espaço de formação dos professores) passando a exigir as efetivações de conquistas para a educação brasileira. Chega de conformismo! Chega de naturalizarmos a falta de qualidade na educação brasileira! Chega de responsabilizarmos os professores, alunos, pais e mães pelo descalabro da educação! Chega de construirmos falsos índices e indicadores! Consciente da batalha que estamos enfrentando, celebremos o dia do professor com orgulho e luta para evitarmos o extermínio de nossa profissão.
PARABÉNS por sua profissão, Professores e Professoras brasileiros! PARABÉNS pelo nosso dia!
*Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Email:reginaldoprof@yahoo.com.br

Argentina quer mais Marx e menos neoliberalismo em escolas de economia

DA BBC BRASIL
O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, e seu vice, Roberto Feletti, defendem que as faculdades federais de economia do país modifiquem a atual grade escolar para dar "mais espaço" para as teorias do alemão Karl Marx, do inglês John Keynes e do argentino Raul Prebisch (fundador da Cepal), segundo confirmou à BBC Brasil o subsecretário de Coordenação Econômica do Ministério da Economia, Alejandro Robba.
"As faculdades argentinas hoje apresentam grades mais ortodoxas e nós apoiamos que elas sejam mais heterodoxas", disse.
"Além de Karl Marx, de Keynes e de Prebisch, o ministro apoia a maior presença de textos do professor (brasileiro) Franklin Serrano e do (polaco Michal) Kalecki, entre outros", disse.

NEOLIBERALISMO

O Ministério da Economia quer reduzir a presença de textos de economistas identificados com a década de 90 e associados, como afirmam, ao "neoliberalismo".
O ministro tem dito que "os planos de estudos de Ciências Econômicas fazem parte de um domínio neoliberal e é preciso modificá-los".
De acordo com o jornal de economia "El Cronista", de Buenos Aires, com uma grade "heterodoxa", as autoridades esperam que as faculdades estejam em sintonia com o "modelo de acumulação com inclusão social", lançado pelo ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), antecessor de sua viúva, a atual presidente.
O jornal afirma que economistas identificados com os anos 90, como os americanos Milton Friedman e Paul Samuelson, ou afinados com as receitas do FMI (Fundo Monetário Internacional) seriam "eliminados" da grade escolar, como teria indicado o ministro numa recente palestra na Universidade de La Plata, na província de Buenos Aires.
 
MARX E KEYNES
Alejandro Robba disse que hoje Marx e Keynes são "autores marginais" na grade escolar "e isso não está certo".
Para ele, é preciso "dar maior espaço" para estes economistas que, na sua opinião, estão associados a "economia de desenvolvimento, consumo interno e maior papel do estado na condução da economia do país".
Na sua visão, menos teóricos ligados ao mercado financeiro, por exemplo, e mais vinculados a "economia interna".
Segundo Robba, a ideia de modificar a grade escolar foi apresentada inicialmente por um grupo autodenominado La Gran Makro, que reúne economistas e estudantes de economia que apoiam o perfil econômico do governo da presidente Cristina Kirchner.
"Eles defendem o maior espaço para as ideias heterodoxas nas faculdades de economia e o ministro Boudou e o vice Feletti apoiam a iniciativa", disse.
Boudou é o candidato a vice na chapa eleitoral da presidente Cristina, que disputa a reeleição no pleito do dia 23 de outubro próximo.
Fonte: BBC Brasil

Você sabe a história dos cinco cubanos presos nos EUA?

Saiba na voz do grande ator cinematográfico Danny Glover:
O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) produziu este vídeo para mobilizar as mulheres brasileiras à defesa dos direitos de todas as mulheres em escolher se devem ou não levar adiante uma gravidez indesejada. Essa campanha tem por objetivo defender a autonomia das mulheres e evitar as centenas de mortes provocadas por abortos inseguros no país.

MAPA MUNDI DIGITAL

MUITO INTERESSANTE – NÃO DEIXE DE VER – VALE A PENA.   

Recentemente, o IBGE lançou um mapa-mundi digital, com síntese, histórico, indicadores sociais, economia, redes, meio ambiente, entre outras curiosidades, vale a pena conferir! 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Por que a economia dos EUA entrou em colapso?


John Smith começou o dia cedo definido por seu despertador (MADE IN JAPAN) para seis horasEnquanto sua cafeteira (MADE IN CHINA) foi fazer o café, ele fez a barba com o seu barbeador elétrico (MADE IN HONG KONG). Vestiu uma camisa (MADE IN SRI LANKA), jeans de marca (MADE IN Singapura) e tenis (MADE IN KOREA). Depois de preparar seu café da manhã em sua nova frigideira elétrica (MADE IN INDIA), ele sentou-se com sua calculadora (MADE IN MEXICO) para ver com quanto ele poderia passar o dia. Depois de acertar a hora do relógio (MADE IN TAIWAN) pelo rádio (MADE IN INDIA), ele entrou em seu carro (MADE IN GERMANY), abastecido com gasolina (Arábia Saudita) e continuou sua busca por um emprego bem pago americano. 
No final de mais um dia inútil e frustrante em frente a seu computador (MADE IN MALAYSIA), John decidiu descansar um pouco. Ele colocou suas sandálias (MADE IN BRASIL) serviu-se de um copo de vinho (MADE IN FRANCE), acendeu um charuto obtido no contrabando contra o bloqueio (MADE IN CUBA) e ligado a sua TV (MADE IN INDONESIA).
Então ele me perguntou porque ele não conseguia encontrar um emprego remunerado nos Estados Unidos? Não soube lhe responder, mas disse-lhe que ele deveria estar esperançoso, pois agora tem um Presidente (MADE IN QUÊNIA).
Anônimo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Chile: mais de 87% votam por educação gratuita e de qualidade

Cerca de 87% dos votantes no referendo educacional votaram pelo “sim” nas quatro perguntas formuladas no sufrágio, que consultaram a população sobre se ela estava de acordo com um ensino público gratuito e de qualidade, sobre o fim do lucro na educação, o retorno da educação para as mãos do Estado e a incorporação do plebiscito vinculante como mecanismo para resolver problemas de caráter nacional.

FIFA continua ameaçando direito de idosos e estudantes brasileiros

A meia-entrada é dos principais pontos de desacordo entre na chamada Lei Geral da Copa

Jorge Américo,
A Fifa anunciou ao governo brasileiro que não vai aceitar o prejuízo resultante da meia-entrada concedida a idosos e estudantes para os jogos da Copa do Mundo de 2014. O órgão estima que poderá deixar de faturar cerca de R$ 180 milhões, caso o benefício seja concedido.
A meia-entrada é dos principais pontos de desacordo entre o governo e a entidade máxima do futebol na chamada Lei Geral da Copa. Em encontro com o secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke, a presidente Dilma Rousseff disse que não poderia interferir nas regras da meia-entrada no Brasil por se tratar de um benefício previsto em leis estaduais.
Dilma terá dificuldades para sustentar sua posição, pois a Câmara dos Deputados acaba de aprovar o Estatuto da Juventude, que torna a meia-entrada um benefício nacional para os estudantes de 15 a 29 anos. Com isso, a esfera federal também pode interferir.
A FIFA lucrou US$ 4,1 bilhões (R$ 7,3 bilhões) na realização do Mundial de 2010, na África dão Sul. Na média, os ingressos custaram cerca de US$ 135, aproximadamente R$ 255. Como o texto da proposta de legislação dá a Fifa liberdade para decidir sobre o valor cobrado do público, há a possibilidade de os custos da meia-entrada serem repassados no valor final dos ingressos.
BRASIL DE FATO, com informações da Folha de S. Paulo,

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Contra respostas militares a crises políticas e sociais

Camille Chalmers
Foto: R. A. Hdez, La Jiribilla

Economista haitiano: “Temos que romper com o sistema que oferece respostas militares a crises políticas e sociais”

O economista e ativista haitiano Camille Chalmers afirmou, na mesa de debate da Cátedra de los Libertadores realizada na última terça -feira, em Buenos Aires, que o Haiti deve aprender com o recente processo latino-americano e que os países da América Latina têm muito o que aprender com o Caribe: “Chegou o momento do reencontro entre o Haiti e os povos da América Latina”. 

Falar das relações entre o Haiti e o continente latino-americano é sumamente importante hoje, quando refletimos sobre a necessidade de construir outro mundo e outras relações entre os povos.
A história entre o Haiti e a América Latina é uma história de encontros, de desencontros e de reencontros. Para entender o lugar especial que o Haiti ocupa na história do mundo, não podemos deixar de falar da grande revolução anti-escravista de 1804, que representou uma ruptura radical em relação à ordem da época.
A primeira revolução contra a escravidão ocorreu em 1793, no Haiti, e ainda existiu até 1865 nos Estados Unidos e até 1885 no Brasil. E hoje em dia, ainda há relações de produção muito parecidas à escravidão. Então é importante observar o caráter anti-sistêmico, o caráter de ruptura radical desta revolução, que foi vista pelos impérios da época como um perigo, como uma ameaça.
Isso faz lembrar da frase que existe na resolução do Conselho da ONU para criar a Minustah em junho de 2004, que diz que o Haiti é um perigo para a segurança hemisférica. Há uma continuidade histórica da rejeição em aceitar o conteúdo revolucionário deste processo escravista de 1804 e da ideologia dominante que se difunde sobre o Haiti com estereótipos e com uma construção ideológica que apresenta o Haiti como um país muito violento, etc.
Claro que a resposta dos impérios à revolução anti-escravista haitiana foi brutal, foi uma resposta com múltiplas estratégias: negação, silêncio – um “não aconteceu nada aí”, as enciclopédias falam da abolição da escravidão na França e na Inglaterra, mas não no Haiti – e houve um isolamento do país que continua tendo efeitos.



Para ler o discurso na íntegra, clicar Narrativas Argentinas

Disparate antropológico: o velho e desgastado discurso burguês

A senadora parece estar vivendo ainda o século XIX. E pensar que pagamos impostos para sustentar esses tipos de "representantes" típicos da "democracia" burguesa (incluso PT e Cia).
Kátia Abreu*

Imaginem a seguinte situação. Em uma cidade qualquer de nosso país, há um terreiro de umbanda, em que a mãe de santo é branca, assim como vários membros desse culto religioso

Imaginem a seguinte situação. Em uma cidade qualquer de nosso país, há um terreiro de umbanda, em que a mãe de santo é branca, assim como vários membros desse culto religioso. Seguem certos ritos que os irmana em uma mesma crença, herdada de antepassados negros. Vivem entre outras casas, em harmoniosa relação de vizinhança. Nada nesta descrição é inusitado, considerando o algo grau de interação racial e cultural de nosso país.
Se perguntássemos a qualquer pessoa que congregação é essa, a resposta seria simples. Trata-se de um culto, herdeiro de uma tradição cultural africana, que abriga pessoas das mais distintas procedências raciais, sociais e sexuais. A ninguém ocorreria, porém, dizer que se trata de um "quilombo". Seria disparatado.
No entanto, é o que está acontecendo no país. Já não se trata de uma descrição da realidade, mas de uma construção fictícia fruto do que certos antropólogos e a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, encarregada da certificação de quilombos, consideram como "ressemantização".
Segundo essa nova doutrina, de forte conotação ideológica, quilombo, e por extensão quilombola, veio a significar uma comunidade de tipo cultural, mais precisamente dita etnográfica. O que passa a contar é a identidade cultural em questão, relegando, mesmo, a uma posição secundária a identidade propriamente racial.

Quilombo passa a ser uma comunidade cultural que tem práticas que se exerceriam em um determinado território, que deveria, ainda segundo essa doutrina, possuir uma ampla área em que suas práticas culturais poderiam ser reproduzidas. Quilombo passa a ser um terreiro de umbanda, uma escola de candomblé, uma reunião de famílias negras em um território qualquer.
Quilombo não é mais um lugarejo distante dos centros urbanos, fortificado, que servia de lugar de vida para escravos fugidios e, inclusive, indígenas. A ficção tomou o lugar da realidade. O que a Constituição de 1988 considerou quilombo cessa de ter validade, segundo uma "interpretação" do texto constitucional que subverte completamente o significado das palavras.
Imaginem, agora, tal exemplo ampliado para todo o país, tanto em zona urbana como rural. O que era uma propriedade, o exercício do direito de uma família com títulos de propriedade de décadas, desaparece porque um grupo de pessoas resolve se autointitular quilombola, faz um processo verbal na Fundação Cultural Palmares e um grupo de antropólogos referenda essa demanda. A insegurança jurídica se torna geral.
O texto constitucional é subvertido graças à colaboração de antropólogos, promotores e funcionários da Fundação Cultural Palmares que aderiram a uma nova ideologia. Colocaram-se na função de novos constituintes e passaram a ditar uma nova política que torna a letra e o espírito da lei algo que pode ser simplesmente desconsiderado.
Qualquer coisa pode caber nessa palavra: quilombola. Como foi bem dito na coluna de Opinião desse importante jornal, em 12/09: "Caberá à Corte, blindada contra a ação de grupos de pressão e ao largo de interesses ideológicos, analisar o tema e dar-lhe o mais acertado encaminhamento."
*Senadora (PSD-GO) e presidente da Confederação Nacional da Agricultura.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vergonhoso acordo entre CUT/FORÇA SINDICAL (ANDES E PROIFES) e o governo Rousseff

Viva o peleguismo do movimento sindical docente (local e nacional). O descarado acordo entre CUT/FORÇA SINDICAL (ANDES E PROIFES) e o governo Rousseff foi vergonhoso. Forças sindicais que vociferavam contra o neoliberalismo estão, na prática, avalizando-o. E viva o reinado do cretinismo sindical e parlamentar no Brasil.


O governo da presidente Dilma Rousseff endureceu a política de greves e irritou o mundo sindical, informa reportagem de Renato Machado e Natuza Nery, publicada na Folha desta segunda-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
A necessidade de ajuste fiscal e o receio de uma escalada inflacionária levaram o Executivo a atacar o "bolso dos grevistas" com corte de ponto - prática raramente vista na gestão Lula, segundo centrais sindicais.

O objetivo é desencorajar paralisações que se anunciam em outras áreas cruciais, como policiais, servidores do Judiciário e petroleiros, que negociam essa semana diretamente com a Petrobras e com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral). Para diversas entidades sindicais, Dilma joga mais duro que Lula. 
Fonte: FOLHA

Onde estão os intelectuais brasileiros?

por JULIANA SAYURI*
A partitura é desafiante, rica em vozes dissonantes e solistas virtuoses. Na pauta, a intelectualidade sob a batuta de dez “maestros” das ideias. Resumo da ópera: Onde estão os intelectuais brasileiros?
No Brasil do século XIX, não havia espaços “próprios” para a intelectualidade. Já durante o Império, uma alternativa dos pensadores de então era a carreira na diplomacia, posto público que garantia ganho financeiro, permitindo atividade intelectual paralela. Só no século XX se dá a consolidação de instituições “propriamente intelectuais”, como as universidades, abrindo “carreiras” autônomas e, a partir disso, a “profissionalização” do mister. Por fim, no século XXI, a diversidade de funções desempenhadas pelos intelectuais abre espaço para novas e diferentes compreensões, o que pode confundir a sociedade no que diz respeito aos papéis representados por eles na atualidade.
O papel dos intelectuais – ou intelectuais de papel
O Caso Dreyfus é emblemático para se buscar as raízes da expressão “intelectual”. Nascida na França no início do século XX, a ideia de intelectual é do indivíduo que sai ocasionalmente da sua esfera de competências para se engajar no espaço público a favor de causas universais, como foi o caso de Émile Zola em favor de Dreyfus, de Jean-Paul Sartre pela libertação da Argélia e de Michel Foucault sobre as condições de vida nas prisões francesas.
Na perspectiva de Edward Said, deve-se “insistir no fato de o intelectual ser um indivíduo com um papel público na sociedade, que não pode ser reduzido simplesmente a um profissional sem rosto”. Em Representações do Intelectual (Companhia das Letras, 2005), Said diz que o intelectual deve articular um ponto de vista, uma atitude e uma opinião para e por um público: “E esse papel encerra uma certa agudeza, pois não pode ser desempenhado sem a consciência de se ser alguém cuja função é levantar publicamente questões embaraçosas, confrontar ortodoxias e dogmas (mais do que produzi-los); isto é, alguém que não pode ser facilmente cooptado por governos ou corporações, e cuja raison d’être é representar todas as pessoas e todos os problemas que são sistematicamente esquecidos ou varridos para debaixo do tapete”.
Para a socióloga Angela Alonso (USP), há duas interpretações possíveis para o papel dos intelectuais no Brasil contemporâneo: há os “profissionais do conhecimento”, vinculados à universidade “da porta para dentro”; e há “intelectuais públicos”, empenhados na enunciação e posicionamento político. Muitos entendem que a universidade passou por um processo de burocratização, tornando-se um lócus de habilitações, mais instrumental do que especulativo.  É o que pondera o jornalista Bernardo Kucinski, para quem a fase da grande sociologia se foi. “Não é mais a ciência dos gênios, é a ciência das carreiras”, argumenta. O status da carreira passa a se nortear por requisitos da universidade, como a “produtividade” mediante publicações, títulos, orientações. “Se quer ter uma trajetória bem-sucedida na academia, há pouco tempo e espaço para organizar manifestações a favor dos países do Terceiro Mundo”, provoca o jornalista Fábio Henrique Pereira (UnB).
“No Brasil, infelizmente, há intelectuais que simplesmente fazem seu trabalho acadêmico. Eles estão pensando, produzindo novas ideias, livros, teses, mas não se envolvem em questões amplas, não estão preocupados com engajamento. Contudo, um outro setor assume a disposição de responder às inquietações muitas vezes causadas pela sua própria realidade, pelo tempo presente, com atitudes políticas mais explícitas”, sustenta a historiadora Sílvia Miskulin (USP).
* Jornalista, mestre e doutoranda em História Social na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Publicado originalmente na Revista Fórum, em maio de 2009.
Para acessar a matéria por inteiro, clicar ESPAÇOACADÊMICO