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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Para onde vão as nossas universidades

Imagem:  rccmur.blogspot.com

Ricardo Antunes*
Publicado em 6 de agosto de 2012 às 10:35

O ProUni fortaleceu faculdades de fachada. Já as federais, agora produtivistas, não têm nem prédios. Mas vozes privatistas, “de mercado”, criticam a greve.
A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas.
O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos – muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.
O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados. Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como “instituições do ensino superior”, carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.
Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas -uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas-, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni.
De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.
Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada.
Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.
Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais.
Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada.
Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de “receber sem trabalhar”. “Esquecem” algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?
Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como “descanso remunerado”, argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988.
Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em “universidades corporativas”, uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.
Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?
*É professor titular de sociologia na Unicamp e autor de “O Continente do Labor” (Boitempo)
Fonte: Vi o mundo

Lênin e a valorização do professor


100 anos atrás Lênin já defendia a valorização do professor e a garantia das condições materiais para executar a tarefa. Não haverá educação de qualidade e que valorize os profissionais da educação enquanto perdurar o capitalismo.
O sindicalista Wagner parece que nunca leu nada sobre um dos maiores ícones da história das revoluções nem dos principais sujeitos das lutas dos trabalhadores.

Justiça proíbe cortar ponto de grevista e manda governo devolver dinheiro


por Alessandra Horto
Rio - Professores e demais servidores federais em greve conquistaram na Justiça novo direito de não ter o ponto cortado. A mesma decisão prevê que o governo tem que devolver, em 48 horas, valores descontados do contracheque.
O presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Márcio César Ribeiro, sentenciou que, caso não se respeite a determinação, o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, está sujeito ao pagamento de multa individual de R$ 1 mil por dia.
O mandado de segurança expedido pelo juiz federal Flávio Marcelo Sérvio Borges também condenou a ação do governo, de descontar os dias parados, por haver decisão judicial em vigor. No texto, intimou Sérgio Mendonça a providenciar em 48 horas a criação das folhas suplementares dos grevistas para repor o “indevido desconto que foi executado”. De acordo com o mandado, há pena de incidência da multa pessoal anunciada na decisão liminar e envio do processo ao Ministério Público Federal para apuração de ilícito penal e de improbidade administrativa.
As assessorias jurídicas da Condsef e das demais entidades representativas já se reuniram para concluir a peça da Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o Decreto 7.777/12. O documento prevê a substituição de servidores grevistas, inclusive, por funcionários de outras esferas, para garantir a manutenção dos serviços prestados. As lideranças defendem que o decreto é uma afronta à democracia e mais uma tentativa de esvaziar a greve.
Fonte: O Dia

domingo, 5 de agosto de 2012

Ensino à distância não é uma solução e sim outro problema a ser superado

Charge:  educacadoresemluta.blogspot.com
Otaviano Helene*
Em qualquer direção que se olhe o cenário da educação no Brasil, há algum projeto “salvador” que serve como uma espécie de barreira a dificultar uma análise objetiva da realidade. Como em uma batalha, esses inúmeros projetos funcionam como proteção dos muitos flancos frágeis de nossa política educacional. Qualquer análise crítica pode ser “respondida” apontando-se para algum desses projetos e afirmando-se que ele permitirá superar o problema analisado, bastando esperar. E sempre que um projeto se mostra inoperante, outro surge para ocupar seu lugar.
Um desses projetos, o Ensino à Distância (EaD) em nível superior, é apresentado como uma solução, em   especial para a falta de professores no país. Entretanto, como veremos, é, de fato, um enorme problema.
O EaD cresceu de forma muito expressiva ao longo da década de 2000, passando de pouco mais do que seis mil vagas para 1,7 milhão de vagas em 2010, número praticamente igual ao de concluintes do ensino médio, que foi da ordem de 1,8 milhão em 2010 (1). Não há nenhum sentido nisso, ainda mais se considerarmos que o número de vagas em cursos presenciais é muito superior ao número de formados no ensino médio. Quem ganha com isso é certamente o setor privado, que detém mais do que 97 % das vagas em EaD, conquistando, assim, um enorme poder de barganha e de pressão sobre ações que eventuais órgãos de controle do sistema educacional possam vir a ter no futuro para corrigir a distorção criada.

Quem oferece EaD e para que áreas?
Nos processos de estudo, ensino e aprendizado, não devemos abrir mão de nenhuma possibilidade: aulas expositivas, laboratórios, estudos individuais ou em grupo, apostilas, listas de exercício, visitas a museus, consultas a bibliotecas etc. Os instrumentos de ensino à distância, sejam na forma de emails, telefonemas, sites, vídeos, sons, ambientes virtuais, blogs etc., também podem e devem ser usados. Portanto, não há nada contra o ensino à distância como um instrumento a mais que possa favorecer o processo de aprendizado.
No entanto, isso que foi dito acima nada tem a ver com a forma que o EaD se instalou no Brasil: entre nós, o EaD não é algo a mais para se oferecer aos educadores e educandos, mas algo que pretende substituir o ensino presencial, em especial no que diz respeito à formação de professores.
De fato, a maior parte das vagas oferecidas no EaD é na área de Educação (36% delas), que inclui a formação de professores nas diversas modalidades. A área de Gerenciamento e Administração ocupa o segundo lugar, com 31% das vagas, apesar de uma das distorções do sistema de ensino superior brasileiro ser exatamente o fato de a proporção de estudantes e formados nessas áreas ser excessivamente alta quando comparada com o que ocorre nos demais países. Ciências Sociais, Computação, Serviço Social e Contabilidade têm, cada uma, cerca de 5% das vagas.
Áreas com maior prestígio social e maior controle por parte de conselhos de classe e de outros órgãos ou ministérios além do MEC (como ocorre com cursos na área de saúde) têm uma participação nas vagas bem menor ou mesmo nula. Assim, a área de Engenharia, apesar da importância da profissão para o desenvolvimento do setor produtivo, a reconhecida carência desses profissionais e a grande procura por parte dos estudantes, tem menos do que 1% das vagas oferecidas em EaD. Enfermagem também tem menos do que 1% das vagas e Odontologia e Medicina, nenhuma.
Evidentemente, poder-se-ia argumentar que é natural que Medicina e Odontologia sejam incompatíveis com o EaD por exigirem uma experiência prática com pessoas; mas o mesmo argumento não valeria para Enfermagem? E para professores, cuja totalidade da vida profissional será em contato direto com pessoas (os estudantes), o argumento não seria ainda mais forte? E para professores nas áreas de Biologia, Física e Química, como formá-los sem um intenso contato com práticas experimentais e de laboratório?
Não restam dúvidas de que as proporções das vagas oferecidas em EaD não estão relacionadas às necessidades nacionais de profissionais, mas, sim, são em número tão maior quanto mais frágil e menos controlada é a profissão e mais “vendável” for o curso.

A quem se destina o EaD no Brasil, hoje
As argumentações em defesa do EaD no Brasil são baseadas em uma série de erros de avaliação ou de desconhecimento do por quê a realidade é como é. Uma constante nas justificativas do EaD é a necessidade de professores no país, em especial de professores para o ensino médio e as séries finais do ensino fundamental. A premissa é correta: realmente, faltam professores em salas de aula, em especial nas escolas públicas, e os que atuam são sobrecarregados. Mas qual a causa disso? É realmente a falta de professores formados ou a impossibilidade de formá-los em cursos presenciais?
A resposta a essa última pergunta é não. Não é verdade que não existam professores em quantidade suficiente para atender à demanda: eles e elas existem, mas cerca de um milhão de pessoas com cursos de licenciatura estão fora das salas de aula. Esse número de professores que não se dedicam ao ensino corresponde a cerca de 70% das pessoas que concluíram cursos de licenciatura nos últimos 25 anos e que, portanto, estão na idade profissionalmente ativa. E a explicação para esse fato é fornecida pelas condições de trabalho, pelo baixo prestígio da profissão, pelo desrespeito profissional que sofrem até mesmo por parte das pessoas responsáveis pela execução das políticas educacionais do país e pelas condições salariais.
Há apenas duas únicas áreas em que o número de professores é inferior à demanda: Física e Química. Mas, mesmo nessas duas áreas, há um enorme número de professores formados fora das salas de aula. Grande parte deles poderia ser incorporada ao quadro de professores ativos caso houvesse melhores condições de trabalho. Se na média de todas as áreas cerca de 70% dos licenciados formados não dão aulas, em Física esse percentual chega a 75% e em Química, a 80%.
A falta de professores não é, portanto, devido a uma real inexistência de pessoas formadas e nem mesmo falta de vagas em cursos de licenciatura presenciais ou de jovens interessados pela profissão. Mesmo nas duas áreas citadas acima, Química e Física, além de haver um grande número de formados fora das salas, há uma possibilidade de formação de um número significativamente maior em cursos presenciais. A procura de jovens por cursos superiores que levem à formação de professores nas áreas de Física e Química é maior do que a média de todas as profissões: como mostra a tabela, mais de 60% das vagas oferecidas nos cursos de formação de professores de Física e Química são ocupadas, porcentagem significativamente superior à média em todas as áreas, da ordem de 51%. O problema surge posteriormente, no abandono durante o curso: enquanto a relação entre concluintes e ingressantes é 52% em todas as áreas, em Física e Química as relações são de 26% e 38%, respectivamente. Conclusão: há jovens interessados; entretanto, e possivelmente alertados pelas condições salariais e de trabalho que encontrarão pela frente, grande parte deles abandona seus sonhos. E, finalmente, como já dito, cerca de 75% a 80% dos formados estão fora das salas de aula.
Portanto, se conseguíssemos preservar boa parte desses candidatos a professores de Química e Física, em poucos anos superaríamos a deficiência de professores nessas áreas, um tempo certamente inferior ao tempo já decorrido desde que experiências com EaD, como a Universidade Aberta do Brasil (federal) ou a Univesp (no estado de São Paulo), começaram a ser implantadas.O problema de formação de professores, portanto, é bem diferente daquele que os defensores do EaD dizem que esse sistema solucionará.

Vagas, ingressantes e concluintes em cursos presenciais.
Vagas oferecidas
Ingressantes 
(porcentagem em
 
relação às vagas)
Concluintes 
(porcentagem em relação
aos ingressantes)
Física
10.630
6.712 (63%)
1.751 (26%)
Química
15.738
9.487 (60%)
3.573 (38%)
Todos os cursos superiores
3.120.000
1.590.000 (51%)
829.300(52%)

Talvez o EaD seja um bom exemplo de uma coisa que acontece freqüentemente no Brasil: quando um problema é localizado, ao invés de se tratar de resolvê-lo ou, pelo menos, reduzi-lo, tenta-se tirar proveito dele. Assim, há um enorme interesse por parte das instituições de ensino privado no sentido de explorar as possibilidades mercantis do EaD. E, para isso, nada melhor do que disfarçar esse interesse na forma de uma preocupação social, a formação de professores.

Mais justificativas falsas em defesa doEaD
Embora seja o setor privado o grande beneficiário do EaD, o setor público tem colaborado, e muito, para defendê-lo e, ao oferecer, ele mesmo, cursos a distância, acaba por legitimar esse tipo de ensino. Vejamos alguns argumentos usados pelo setor público para defender o EaD.
Nos discursos e documentos, além dos argumentos relacionados à falta de professores, aparecem argumentos econômicos. Um deles, usado pelo governo estadual paulista e publicado na página eletrônica da então existente Secretaria de Ensino Superior, afirmava que o estado de São Paulo “investe 10% de sua receita líquida na educação superior”, argumento que soa forte para justificar o EaD, em especial junto a uma população que tem pouca familiaridade com os temas relacionados aos detalhes dos orçamentos públicos e dos orçamentos das universidades. Levando em conta esses detalhes, verifica-se que os investimentos em ensino de graduação são inferiores à terça parte daquele valor! Ou seja, aquela é uma informação simplesmente falsa.
Outro argumento também repetido pelo setor público na defesa do EaD baseia-se na hipótese de que as pessoas não têm acesso à educação presencial, o que torna necessário implantar o EaD. Ora, o EaD está sendo oferecido basicamente à população urbana, não havendo, portanto, o problema da distância. Se pessoas não têm acesso ao ensino presencial, não é por dificuldade de deslocamento, falta de tempo ou qualquer outra razão equivalente. A principal razão para explicar a “dificuldade de acesso” é a simples inexistência de vagas nas universidades públicas: no Brasil e, em especial, no estado de São Paulo, muitos dos estudantes matriculados em cursos à distância residem em municípios ou mesmo em bairros   onde há instituições públicas de ensino superior presencial e de qualidade, mas que não oferecem vagas em quantidade suficiente.
Se há jovens interessados e preparados que querem freqüentar cursos superiores e não podem fazê-lo por razões econômicas, devem ser usados instrumentos adequados de gratuidade ativa que os permitisse freqüentar cursos presenciais. O retorno social e econômico seria muito maior do que oferecer EaD.

Alguns problemas do EaD (2)
O EaD apresenta vários problemas de ordem acadêmica e social. Entre eles, estão a quase inexistência da possibilidade de programas de iniciação científica e a falta de perspectiva de prosseguir os estudos em nível de pós-graduação. No EaD, muito provavelmente os estudantes também não terão acesso fácil a boas bibliotecas nem ao necessário contato pessoal com outros estudantes e professores da mesma área e, muito menos, com estudantes e professores de áreas diferentes (ao frequentarem disciplinas optativas ou encontrá-los nos espaços comuns, por exemplo), coisas fundamentais e uma das características essenciais das universidades.
No ambiente universitário presencial ocorre uma série de atividades extremamente importantes para a formação geral, tais como seminários, debates, cursos de extensão, diversas programações culturais, além da possibilidade de se frequentar uma enorme gama de disciplinas. Essas atividades, bem como as aulas práticas e de laboratório, são inexistentes ou muito raras no EaD.
O ambiente universitário oferece oportunidades importantes para estudantes provenientes dos segmentos menos favorecidos (e que serão os principais usuários do EaD), como, por exemplo, o acesso a práticas esportivas, alimentação subsidiada, atendimento médico e odontológico, entre várias outras. No EaD, essas coisas ou não existem ou são de difícil acesso.
O EaD pressupõe que o processo de ensino e aprendizado ocorra, majoritariamente, em casa. Ora, o ambiente de moradia não é, em geral, um bom ambiente de estudo, em especial para jovens das camadas menos favorecidas, para os quais uma moradia isolada e silenciosa é algo simplesmente inexistente. As aulas presenciais, nas quais os estudantes ficam imersos em um — e apenas um — assunto, são fundamentais no processo ensino e aprendizado.
Adotar o EaD como substituto do ensino presencial poderá comprometer gravemente a qualidade da formação dos profissionais de que o país precisa. Os diversos países que usam o EaD, em proporções muito inferiores àqueles números citados anteriormente, o fazem direcionando essa forma de ensino àqueles que realmente não podem ter acesso ao ensino presencial, como prisioneiros, pessoas impossibilitadas de locomoção, aqueles que trabalham em tempo integral (estes últimos, sobretudo nos países e em cursos nos quais a educação superior é exclusivamente, ou quase exclusivamente, em tempo integral), militares engajados, entre outros. No Brasil, entretanto, tem se adotado o EaD em substituição ao ensino presencial, o que poderá comprometer gravemente a qualidade da formação inicial dos profissionais, em especial se o profissional assim “formado” tiver que atuar na “formação” de outros profissionais, como é o caso do professor.
Em particular, formar professores por meio do EaD poderá comprometer duas gerações, a dos próprios professores formados e a de seus alunos. Além disso, contribuirá ainda mais para um rebaixamento dos critérios que a sociedade tem para julgar o que é e o que não é educação superior e ensino universitário.

Como transformar solução em problema
Atualmente, o Brasil tem um número de doutores já superior a 100 mil e talvez perto de 200 mil mestres que não completaram o doutoramento, perfazendo um total de 300 mil pessoas preparadas para a docência em nível superior. Esses profissionais têm plenas condições de contribuir com um ensino superior presencial de qualidade e o fariam com competência, pois foi para isso que se formaram. Entretanto, grande parte desse contingente é subutilizada, em especial os que concluíram a pós-graduação mais recentemente. Perder a oportunidade de associar o interesse e a capacidade de trabalho dessas pessoas às necessidades e possibilidades do país é um erro duplo: a um mesmo tempo, desperdiçamos os esforços feitos para formar essas pessoas e ofereceremos um ensino superior, via EaD, precário. Descartarmos a possibilidade de aproveitar os quadros já formados em nosso ensino superior presencial e enveredarmos pelo caminho do EaD não parece muito inteligente.
Os países desenvolvidos que adotam o EaD o fazem como algo adicional à educação presencial, não como algo que a substitua. E as elites certamente não optam pelo ensino à distância, nem para a formação de seus jovens nem para a escolha dos profissionais que as assistem. E, também certamente, as profissões de maior prestígio social jamais considerariam a hipótese de optar pelo EaD.

Resolver velhos problemas é bem melhor do que criar novos
Atualmente, quase a metade dos jovens é obrigada a abandonar a educação básica antes da conclusão. Como menos da metade dos que a concluem o fazem no período diurno, podemos estimar que não mais do que um em cada quatro jovens termina a educação básica com as condições mínimas necessárias para a continuidade de seu processo educativo. Se, além desses fatores, considerarmos a precariedade das escolas públicas na maior parte dos casos, onde está a enorme maioria dos jovens que terminam a educação básica, concluímos que a fração de jovens que completa o ensino médio com bases suficientemente sólidas para continuar seus estudos é muito pequena. Dentro dessa dura realidade, o EaD nada resolverá. Ao contrário, oferecer EaD a um contingente de jovens que, já nas atuais circunstâncias, tem dificuldades em entender o que é um ensino universitário contribuirá para rebaixar ainda mais os critérios do que sejam um sistema e um processo educacional de formação humana, técnica, cultural, científica e social.
Oferecer uma aparente alternativa, na verdade um desvio, levará a reduzir, ainda mais, o aproveitamento da capacidade intelectual de nossos jovens e não resolverá o problema da exclusão, apenas mudará a forma pela qual ela ocorre. Não é preciso ser um especialista em Brasil para perceber que o EaD é destinado aos mais pobres e cujos filhos terão professores formados, também, à distância.
Com certeza, não é isso que queremos. Tendo deixado o EaD aparecer nessa quantidade, descontroladamente e quase totalmente dominado pelo setor privado mercantil, passamos a ter mais uma tarefa pela frente: lutar para reverter essa situação.
E cabem algumas perguntas finais. Por que os órgãos responsáveis permitiram que o EaD atingisse as enormes proporções que atingiram? Por que governos legitimam o EaD da forma que fazem?
Notas:
(1) Fonte: Sinopses Estatísticas da Educação Básica e da Educação Superior, Inep, 2010
(2) Muitos dos argumentos desta seção foram levantados pelo grupo de trabalho de política educacional da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, Adusp - Seção Sindical, e divulgados em publicações dessa entidade.

*Professor no Instituto de Física da USP, foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).








sábado, 4 de agosto de 2012

Simulacro de acordo é denunciado pelo ANDES-SN em coletiva à imprensa

Foto:  adufes.org.br

Em entrevista coletiva dada à imprensa na tarde desta quinta-feira (2), a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira, e o coordenador-geral do Sinasefe, Gutenberg de Almeida, responsabilizaram o governo pela continuidade da greve, já que a proposta assinada com o Proifes não atende às reivindicações da categoria. “Ficamos indignados quando o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, afirmou que assinaria um acordo apenas com uma entidade, justamente a que tem uma parceria histórica com o governo”, afirmou Marinalva.
Para o ANDES-SN, essa postura significa que em nenhum momento o governo tinha a intenção de negociar efetivamente com a categoria. “Na verdade, não houve diálogo com a nossa proposta, apresentada há mais de dois anos, já que o que foi proposto mantém a desestruturação da carreira. O que ocorreu foi um simulacro de acordo”, explicou a presidente do ANDES-SN na coletiva.
O governo constituiu a mesa de negociação com o objetivo de que todas as entidades legitimassem a proposta do governo, mas em nenhum momento houve a intenção de abrir mão das suas posições. Como não conseguiu a adesão do ANDES-SN e do Sinasefe, ele criou um factóide, que foi a assinatura do acordo apenas com uma entidade.
Diante dessa situação, o ANDES-SN vai orientar a categoria pela rejeição da proposta acordada entre o governo e a outra entidade, pelo fortalecimento da greve e pela insistência no diálogo. “Tanto que, mais uma vez, solicitaremos audiências com os ministros do Planejamento e da Educação”, adiantou Marinalva na coletiva.
Questionada se a greve não levaria ao cancelamento do semestre nas Ife, Marinalva ressaltou que o governo deve ser o único responsabilizado por eventuais problemas no semestre letivo, já que há mais de dois anos a proposta do ANDES-SN foi apresentada e apesar de a greve ter sido iniciada no dia 17 de maio, a primeira reunião para tratar da pauta só ocorreu em 13 de julho.

Comunicado
O CNG fez um comunicado com o relato da reunião dessa quarta-feira, que pode ser lido aqui. No texto, está explicitado como se comportaram as entidades na reunião e qual foi a fala dos representantes do governo.
Fonte: ANDES

Hoje, 03 de agosto de 2012. Uma data histórica! Reflitamos...


Hebert Correia*
“Pense num absurdo? Pois é, só se ver na Bahia!” Assim no contexto da história política do nosso País, os seus Autores bem souberam tipificar os episódios do cenário político da Nossa Terra, algo quase que cultural, senão, social.
Portanto, antes de adentrar ao objeto dessa reflexão (GREVE DOS PROFESSORES DO ESTADO DA BAHIA), cabe bem a sutileza e a sensatez, de Valorizar todos os sujeitos e personagens que estiveram inseridos no contexto dessa Luta, e ainda vou além, Respeitar os Colegas que se foram Acreditando na Nossa Causa (CUMPRIMENTO DO PISO SALARIAL). Valeu, colegas por acreditarem, Descansem em Paz.
Vejamos os fatos, e façamos uma compreensão analítica e crítica do papel idiota (ao menos eu me sinto assim) que nos fizeram fazer diante de todos esses dias, 04 meses, de Luta e Resistência contra o nosso algoz ou algozes, pois “o pior de uma guerra não é confrontar o inimigo, e sim, não saber quem ele é?”. Nessa reta final, não sei se era o Governo, a Justiça, a Mídia, o Sindicato ou até mesmo o Comando de Greve, tudo se fundiu em um só, num momento tão crucial da trajetória da Luta! Faltava pouco e muito pouco! Mas de repente, voltamos à origem! Estaca zero! Mas como assim??? Perplexo, não sei! Atônito, também não! Mas ciente de que a História mais uma vez estava se repetindo, servimos de palco político para os atores da novela eleitoral, nada mais do que já sabíamos! Sempre foi assim! Há quem duvide que tivemos uma grande conquista, voltar pra sala de aula em troca do desbloqueio dos nossos salários sustados! Dá pra acreditar? Que absurdo! Alegação: os professores passam fome e estão endividados, me pergunto então, quando foi diferente? Pois com ou sem salário a Nossa Categoria vive e sobrevive no limite do crédito bancário especial ou nos empréstimos das mais variadas formas ou de instituições financeiras, vejamos os nossos contracheques. Porém, tudo isso ocorre porque nunca soubemos impor respeito ao nosso salário profissional, tudo porque temos um Sindicato que não nos representa, e sim, a Si e aos seus Agregados, estes muitos que mal sabem aplicar uma aula, pois vivem da Nossa Contribuição Sindical, fazendo Carreiras Políticas em nome da nossa representatividade. Isso tem que acabar! Não dar mais para exercermos os papéis de marionetes para esses “pelegos disfarçados de sindicalistas”. Precisamos repudiar essa corja de irresponsáveis que há muito tempo já não mais nos representa ou Defende os Nossos Direitos, pois a Categoria mostrou Força, União e Determinação ao levar esse Movimento até onde chegou, honrosamente resistimos a Todos os tipos de Golpes possíveis que puderam nos impor. As redes sociais e o mundo virtual fizeram o imaginário se tornar uma realidade. Passamos a nos conhecer melhor e saber o que se passa em cada região do nosso Estado e a realidade é a mesma, os problemas são os mesmos, seja na capital ou interior, mas onde está o nosso sindicato???
Suspender a greve e continuar o movimento? Como assim? Sabemos que não haverá mesa de negociação alguma! O Governo e o Sindicato estarão focados nas eleições em que os seus partidos estão envolvidos, e a categoria que fique para depois! Alguém tem dúvida disso? Esse Sindicato ficou durante todo o ano de 2011 sem realizar assembleia alguma, e ainda tiveram a irresponsabilidade de fazer um acordo com o governo sem consultar a categoria! O que mais podemos esperar??? Hoje a imprensa já anunciava o término da greve logo pela manhã cedo, antes mesmo da assembleia, como assim??? Aliás, desde a quarta-feira já se falava nisso! Quanta previsibilidade???
Infelizmente, devemos aprender com mais essa lição de que esta “corja de pelegos” não nos representa e que somente pela medida da desfiliação e bloqueio do repasse do Imposto Sindical poderemos mostrar quem de fato deve nos representar. Basta! Não dá mais para acreditar!
BUSQUEMOS O RESPEITO À NOSSA FUNÇÃO NA SOCIEDADE, E ASSIM CONQUISTAREMOS O NOSSO DIREITO!
Valeu Colegas, estamos de Parabéns pela Luta!
Obrigado alunos e suas famílias por nos compreender!
Nossos familiares e amigos recebam o nosso muito obrigado por apoiarem a nossa causa!
Axé e Paz...
*Professor, orgulhoso de sê-lo, da Rede Pública de Educação do Estado da Bahia.
Fonte: Facebook

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Urgente: Governo usa Proifes para romper negociações

Foto:  andes.org.br

 
Presidente da Adufrj, Mauro Iasi, critica governo por usar o Proifes, uma entidade de inexpressiva representatividade, para deixar de negociar com os professores.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Encontro Nacional em História da Educação Matemática


CARTA ABERTA À APLB

Foto:  redeimprensalivre.blogspot.com

JULIANA BRITO*

Em mais de cem árduos dias de luta em prol de algo muito simples, a aplicação da Lei do Piso, os professores da rede estadual da Bahia provocaram e demandaram de seus representantes sindicais uma defesa contundente dos interesses da categoria. No entanto, não foi o que assistimos.
Tão longe da capital, eu e vários colegas do interior, não fugimos à luta. Em várias ocasiões, confrontamos o governador e mostramos a nossa indignação através de cortejos, passeatas, idas aos MPs locais, participações em assembleias e produção de documentos, fotos, vídeos, publicação de textos em jornais impressos e virtuais... Enfrentamos também quatro meses sem salários, tendo contas acumuladas, filhos e companheiros passando por privações. Algumas de nossas companheiras e companheiros de luta, não suportaram os embates e vieram a óbito, deixando o exemplo de determinação e de indignação. No inicio da greve, uma das principais lideranças desse sindicato deu uma entrevista e disse ser um profissional muito requisitado, e por isso, não dependia como nós do salário de professor para sobreviver. Porém, a maioria dos professores da rede, tem no salário a única fonte de subsistência. Não que sejam incapazes de ganhar dinheiro, mas porque, como eu, resolveram investir toda uma vida no ofício do magistério.
Para quem resistiu durante tanto tempo, uma ideia embala a nossa persistência: A justiça da reivindicação. Lutamos por acreditar que a Lei do Piso é constitucional e sua função seria valorizar a carreira. É muito constrangedor, para não dizer decepcionante, ver os representantes oficiais da categoria, repetindo as falácias do governo. Ocultando a verdade ao não explicitar que o PISO é a base, o chão, o patamar inicial. Se o piso é reajustado, por conseguinte, as paredes e o telhado também o são, caso contrário, toda a lógica de valorização estaria perdida. Da mesma forma, negociar o inegociável - as punições e perseguições aos colegas do REDA e probatórios nos causa perplexidade. Caberia aos senhores o REPÚDIO TOTAL a essa perseguição iníqua e vexatória. Caberia, sobretudo, a denúncia de que É ILEGAL PERSEGUIR, DEMITIR E SUBSTITUIR QUEM FAZ GREVE. Isso não poderia ser ponto de negociação, e sim uma EXIGENCIA. Permitir manobras e maquiagens do governo (aliado explícito dos partidos cujos membros estão presentes na direção do sindicato) é, no mínimo, antiético.
Não sou militante político-partidária, não pertenço a nenhuma instituição ideológica, sou apenas, como muitas e muitos, uma professora da rede, que apesar de todos os prejuízos materiais, morais e psicológicos se empenharam com alma e coração nessa luta. Por isso mesmo, por me considerar independente de disputas partidárias é que reitero: NÃO POSSO CONCEBER UM SINDICATO QUE NÃO LUTA DE FORMA TRANSPARENTE E CONTUNDENTE CONTRA O PATRÃO, QUE NÃO O DESMASCARA DE FORMA RADICAL. Assinar acordos com o governo que comprometem a nossa carreira, já tão vilipendiada e defender acordos feitos à revelia da categoria e na calada da noite, não é prática que se preze em tempos tão difíceis como os que estamos vivendo.
Todas as vezes que esse sindicato se calou e todas as vezes que seus representantes tentaram cercear opiniões discordantes sobre a condução do processo, todas as vezes em que falaram à imprensa de forma a confundir, mais do que esclarecer, sabíamos a quem estavam servindo.
Não faço generalizações, uma vez que, se chegamos até aqui é porque havia sim vozes discordantes, pessoas aguerridas e com a ética voltada aos anseios da categoria. No entanto, A MÁQUINA DO SINDICATO QUE TINHA O JURÍDICO E A IMPRENSA COMO IMPORTANTES INSTRUMENTOS DE LUTA E DEFESA, NÃO ATUARAM A CONTENTO. PROTELANDO SEMPRE, NÃO FAZENDO O DEVIDO ENFRENTAMENTO PARA UMA CAUSA TÃO “FÁCIL JURÍDICAMENTE”. Não lutamos para criar uma lei nova. A lei já estava aí, era necessário apenas garantir a sua efetivação. Tantos crimes o governo cometeu: improbidade administrativa; contratos milionários sem licitação; número exorbitante de contratos REDAS e PSTs sem concurso público; descontos sumários de salários sem estabelecimento de processos administrativos e ampla defesa; suspensão de planos de saúde e créditos bancários; assédio moral; criação de lei estadual retirando direitos, atos estes explicitamente inconstitucionais. Não adianta os senhores criarem discursos e tentarem encobrir a realidade. Não houve, em nenhum momento dessa greve, um verdadeiro embate jurídico da APLB contra o desgoverno de Jacques Wagner.
Parece que a imprensa e a comunidade esperam apenas um comunicado: “Enfraquecido, o movimento grevista termina hoje”. Mais uma vez os senhores atuarão conforme o esperado pelo governo? Mais uma vez trairão o movimento como em 2007? Mais uma vez brincarão de sentar em mesas de negociação? Mais uma vez abortarão o enfrentamento jurídico? Mais uma vez calarão os anseios de uma categoria que demonstrou ter força e ter informações sobre a condução da greve? Mais uma vez minarão toda possibilidade de um discurso que se opõe à hegemonia no poder?  Toda a comunidade baiana e porque não dizer brasileira espera um posicionamento dos senhores. A caneta e o microfone estão em suas mãos, de que lado vão ficar? Posicionem-se.

* PROFESSORA DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DA BAHIA
01/08/12

Expressão Popular publica importante obra de Florestan Fernandes


A greve dos professores e sua dialética: a luta não acabou

Foto:  blogdolucio.com.br

por Maísa Paranhos*

Queridos colegas!
                               
“Que ingenuidade a minha, pedir a quem
 detém o poder que transforme este poder!”
Giordano Bruno

Desde que esta greve teve início, estamos colocando sobre o seu desmonte, e da aliança político-partidário-sindical entre a APLB e o governo do Estado.
Francamente, acho que APLB é pior do que o governo, pois este é o nosso oponente óbvio e por todos conhecido a quem sempre identificamos como tal, mas a APLB deveria ser a entidade em defesa de nossos interesses, e não é.
Devemos admitir que o coordenador Rui Oliveira tem uma espaço ocupado nos corações mais inocentes e desprevenidos de nossa categoria...
Hoje, em nossa assembleia, vi com horror a tristeza, meio que incrédula, da maioria dos colegas...
Hoje tivemos uma demonstração de como um punhal pode ser enfiado em corações anestesiados pela confiança... Foi assim que senti o dia de hoje, na assembleia....
Hoje, diretoria e comando estavam inseguros com as suas propostas... pois sabiam muito bem o que representa a indecência do que nos foi colocado, e ingenuamente, aprovado, sem discussão, sem debate, sem esclarecimentos....
Hoje a mentira da liberdade de expressão repetiu-se uma vez mais... A “mãe”, acredito, sentiu-se traída e ficou surpresa e revoltada, pois não esperava o que lhe fizeram, ao fazê-la implorar pela palavra, palavra esta, a da “mãe” , altamente utilizada pela APLB e pelo comando quando lhes convinha engrossar os “apoios das bases populares”...
Hoje o rei ficou nu! Tivemos aula prática de oportunismo, descaso, desrespeito, utilitarismo e também da morte de um antigo modelo sindical. Nisso, podemos dizer, sem dúvida nenhuma, estamos avançando!
As máscaras caem, caem, caem...
A pauta mínima, nome este que não quiseram assumir, não precisará de assinatura de nenhum governante para ser cumprida!!! Será um bálsamo para o governo de nossa triste Bahia...
E por que digo isto?
Vejamos, colegas...
1) a readmissão dos colegas punidos é algo que numa greve se daria de forma natural e condição anterior a qualquer negociação... ( para valorizar isto, as falas da APLB/comando querendo engrandecer esta conquista da “categoria aguerrida” começaram a fazer históricos de que demissões não ocorreram desde 1980...). O que “será” mais uma grande vitória de “sua APLB/sindicato”... (para o governo seria altamente trabalhoso abrir novos concursos para o Reda, bem como estabelecer novos contratos com novos Psts...)
2) o pagamento imediato dos salários atrasados – claro que o governo nos restituirá os nossos salários, até mesmo porque tentará amansar a nossa revolta com este “ganho” de salários “acumulados”... o nosso dinheiro está aplicado e provavelmente ainda tiveram um jurozinhos dele às nossas custas...
3) retirada dos processos contra a APLB... alguém acredita, em sã consciência, que estes processos “contra” a APLB serão levados a sério pelo governo? Só o fazem para dar de pretexto ao sindicato no sentido de oferecer-lhes pontos de barganha com o próprio governo, numa grande cena teatral...
Confesso que uma coisa me surpreendeu, de fato, como um objeto que poderia merecer um “estudo de caso”... pasmei: a proposta de que o governo deverá assinar um termo garantido que cumprirá com o que está na “pauta mínima”...!!!
Voltaram a acreditar na assinatura do governo???!!!
Não é para ser estudo de caso?  Qual caso? O estudo de caso de como um sindicato pode ser, despudoradamente, indecente... e não corresponder á sua histórica função!
O governo não precisará assinar nada, pois isto tudo é jogo de cena e aceitará de bom grado o conteúdo da pauta. Provavelmente vai exigir a inclusão da sua proposta que assassina a lei do piso.
Colegas!!!
O pós greve , discutiremos mais tarde... A greve não acabou.
A lei não foi cumprida! As contas do FUNDEB não foram abertas.
E nós não fizemos greve para demonstrar para todos “o quanto somos aguerridos” (e somos! Quanto a isto , não há a menor dúvida! Mas não foi para demonstrá-lo que fizemos greve!!!)
Por que o comando se calou quando colocávamos sobre a necessidade de termos um fundo de greve? Porque todos sabem que a falta de condições materiais que leva qualquer grevista, cedo ou tarde, com salários cortados, a retornarem...
Deixamos a serpente colocar seus ovos...
A estrutura do Estado ficou comprometida com a nossa greve. Pois vimos que este Estado é uma ficção; “para os amigos, os favores da lei, para os indiferentes, a lei, para os inimigos, os rigores da lei!”)
Acreditamos que governo é para governar, que sindicato é para defender os interesses dos trabalhadores, comando é para comandar e lei é para ser cumprida. O óbvio.
Deixemos decantar o óbvio... Lembremos, mais uma vez, o que disse Giordano Bruno “que ingenuidade a minha,, pedir a quem detém o poder, que transforme este poder”. Talvez seja este óbvio que nos falta, deveras, entender...
Um abraço em todos nós, queridos colegas aguerridos, tenazes, amorosos, corajosos e determinados, mas, talvez, tal como Bruno, um tanto ingênuos...
Aprenderemos...
A luta continua, na ALBA, na rua, nas escolas, nos campos, nas construções, na vida ...
Com a verdadeira unidade, fraterna e fundada na confiança e solidariedade...
A greve continua!!!
Professora, em greve, da Educação Pública do Estado da Bahia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Diante do recuo proposto pela APLB, professores propõem desfiliação em massa


Acertando as contas com a APLB

Professores do Estado da Bahia, em greve, movimenta campanha de desfiliação em massa da APLB Sindicato (ligada ao PCdoB, que é base do governo da Bahia) nas redes sociais. A campanha acompanha o vácuo das manobras do sindicato para levar a categoria a sair da greve, mesmo que o governo não cumpra a Lei do Piso. Veja o modelo de desfiliação sugerido.
MODELO DE CARTA DE DESFILIAÇÃO DO SINDICATO
Prezado senhor presidente da APLB:
Eu, (coloque o seu nome aqui), brasileiro, solteiro, RG nº 00000000, CPF nº 000000000000, residente e domiciliado na (escreva o nome da rua, número, bairro, cep), Salvador/BA, por compreender que esse sindicato já não atende aos meus anseios, enquanto membro dessa entidade, solicito minha DESFILIAÇÃO do sindicato dos professores do estado da Bahia -APLB.
Sem mais para o momento...
Atenciosamente,
Salvador, 00 de mês de 2012.
Sr. Jose XXXX

Sem reajuste, professores sinalizam com fim de greve


SAÍDA VERGONHOSA: (APLB-PCdoB) PRETENDE ENTREGAR OS PONTOS, ACABAR COM A GREVE DOS PROFESSORES E NEGOCIAR UMA PAUTA VERGONHOSA!


Paula Pitta

Raul Spinassé | Ag. A TARDE
Professores podem encerrar greve que já dura 113 dias
Os professores estaduais, em greve há 113 dias, sinalizaram, nesta quarta-feira, 1º, com um possível acordo com o governo. Pela primeira vez, a categoria indica que pode terminar o movimento mesmo sem o pagamento do reajuste de 22,22%, que equipara o salário da categoria ao piso nacional determinado pelo Ministério da Educação. Mais de um milhão de estudantes estão sem aulas desde o dia 11 de abril e o ano letivo está comprometido.
"Vamos encaminhar o fim da greve na assembleia de sexta (3) se o governo se comprometer a cumprir uma pauta mínima, que inclui a não punição dos professores em greve, pagamento dos salários confiscados, devolução do dinheiro de contribuição sindical, retirada dos processos judiciais e abertura da negociação", disse a vice-coordenadora da APLB (sindicato dos docentes), Marilene Betros.
De acordo com ela, o pagamento do reajuste de 22,22% seria discutido futuramente em mesa de negociação. Durante a assembleia desta quarta, o coordenador da APLB, Rui Oliveira, ressaltou que os professores resistiram à determinação do Tribunal de Justiça sobre a ilegalidade do movimento, ao corte de salários dos grevistas e demissão de 157 docentes do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), mas que era o momento de recuar.
"Procuramos a Arquidiocese de Salvador, o Ministério Público Estadual, o Ministério Público do Trabalho, mas o governo não cede e o ano letivo está comprometido. Vamos tentar uma saída (por essa proposta). Entramos unidos na greve e vamos sair unidos", diz.
Apesar de já ter sido informado sobre o novo posicionamento dos professores em relação aos ítens reivindicados, o governo do estado anunciou, através da sua  assessoria de comunicação, que ainda não há um acordo estabelecido e que uma nova reunião para discutir o fim da greve também não está prevista.
Fonte: A Tarde

O que sonha um professor baiano?


Por Fernando Coelho

Sou apenas um jornalista. E um poeta indomado. Pouco sábio e insistente. Não tive a honra de ser professor. Mas fui embalado por algumas professoras que fizeram, com mágica humana, o meu futuro. Fico pensando em como será ser professor na Bahia. São 111 dias parados. Fico pensando em minha amiga Leide Oliveira. O que será que ela vive de tão terrível agora? Fico pensando o que é viver sem sala de aula. Sem aluno. Sem balbuciar o beabá do ensinamento. Sem o giz que desenha o universo do amanhã. Deve sofrer muito o professor na Bahia. Sonha escolas imaginárias. Sonha diplomas de linho. Sonha batalhões de crianças imersos no conhecimento da vida. O professor baiano, com o salário que ganha, só sonha. Porque o seu pesadelo, o governo, é uma realidade brutal e inconsequente. O que sonha um professor baiano?

Educação: O que é mito e o que é fato no governo brasileiro

Uma grande distância entre discurso e prática do governo brasileiro. Para o atual ministro da  Educação, Aloísio Mercadante, em participação no programa institucional "bom dia, ministro" greve é que põe em cheque a "qualidade da educação" e que a meta é um  "desenvolvimento sustentável" na Educação. Muito jargão barato e nenhuma proposta concreta. Pobreza política de um ex-grevista convicto e hoje pragmático de carteirinha.