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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em contraproposta, professores federais abrem mão de aumento e pedem reestruturação da carreira


Mariana Branco
Da Agência Brasil, em Brasília

A presidente do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), Marinalva de Oliveira, esteve nesta quinta-feira (23) no Ministério do Planejamento para protocolar uma contraproposta dos professores à pasta, apesar de o governo ter encerrado as negociações com a categoria no dia 3 de agosto, quando assinou acordo com o Proifes (Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior). O Proifes representa a minoria dos docentes. As entidades de classe da maioria, o Andes-SN e o Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica), rejeitaram a proposta governamental de reajuste de 20% a 45%.

PROFESSORES EM GREVE

Sindicato pede a Dilma reabertura imediata das negociações com professores federais em greve
De acordo com Marinalva de Oliveira, na contraproposta, os docentes abrem mão de aumento e dão preferência à reestruturação da carreira. O documento pede que, a cada degrau de progressão, os professores tenham ajuste de 4% - anteriormente, o percentual desejado era 5%. Segundo a presidenta do Andes-SN, a categoria também decidiu acatar o piso de início de carreira proposto pelo governo, de R$ 2 mil. "Antes, pleiteávamos R$ 2,5 mil, salário inicial considerado ideal pelo Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos]".
Marinalva teve que entregar uma cópia da contraproposta ao setor de protocolo da Secretaria de Relações do Trabalho, já que nenhum representante do Ministério do Planejamento foi designado para recebê-la. Segundo a presidenta do Andes-SN, o mesmo ocorreu no Ministério da Educação. "Não conseguimos ser recebidos pelo ministro [Aloízio Mercadante]", disse.
Segundo a assessoria de comunicação do Planejamento, a negociação com os professores terminou e não será retomada. O secretário de Relações do Trabalho da pasta, Sérgio Mendonça, está reunido com categorias em greve e passará o dia envolvido com negociações. Ele recebeu a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) – cujos representantes não deram entrevista após o encontro – e agora está reunido com o comando nacional de greve da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Fonte: Uol Educação, 23/08/201214h07.

Machismo e as múltiplas formas de violência contra a mulher

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Informe da greve dos docentes das Federais - Unifesp


Como professora em greve na Unifesp, campus Baixada santista, queria observar que continuamos em greve. Temos assembleias semanais com professores de todos os seis campi e procuramos assegurar a unidade na greve.
Os docentes de Guarulhos, em votação apertada (7 votos de diferença! 32 votantes pelo fim da greve contra 25 pela manutenção e 2 abstenções), decidiram sair.
Muitos falam da especificidade de Guarulhos, mas, como num jogo de espelhos, é difícil não encontrar os mesmos problemas em Santos, cuja particularidade é muito semelhante à de Osasco, que se parece com a de Diadema, que tem pontos de contato com o de São José dos Campos e que, por sua vez, também se aproxima da do Campus São Paulo! Afinal, foram as particularidades da precarização das Universidades Federais (em suas diversas formas) que nos colocaram em greve país afora!
Docentes, estudantes e técnicos dos demais campi da Unifesp continuam em greve e com muitas atividades diárias! Já fizemos atos, debates, panfletagens... Hoje mesmo tivemos uma belíssima atividade intitulada "Aprendendo com a greve"! Amanhã é dia de "Cine greve"!
E, afinados com o movimento nacional de greve, amanhã (que já é hoje) também é dia de "chuva de mensagens" para a Dona Dilma negociar! Como proposta do Comando Nacional de Greve/ANDES, vamos enviar o texto abaixo para os seguintes endereços eletrônicos: nacional.imprensa@planalto.gov.br
Com cópia oculta (CCO) para: atendedilma@yahoo.com.br
Toda solidariedade é bem-vinda!
Na Unifesp, a luta continua! Nos mantemos de pé!
Abraços
Renata Gonçalves
(90 dias em greve Gonçalves!)

sábado, 18 de agosto de 2012

Memória e Ideologia no campo da luta de classes

Objetivando investigar temas e processos relacionados à produção/reprodução capitalista  e tendo como referenciais teóricos as categorias Ideologia, Memória e História e as entendendo como relacionadas aos fenômenos centrais desse processo, o GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classe), ligado ao Museu Pedagógico da UESB, realiza o Projeto de Extensão “História, Memória e Ideologia no campo da luta de classes”.
Seus membros e coordenação entendem que discutir estruturalmente o capitalismo suas formas de dominação (em especial as referentes ao aspecto ideológico) se faz de uma importância ímpar, por tratar-se de um processo que atinge todas as esferas da vida social de todo e qualquer país que esteja conectado a essa relação, pois produz/reproduz os mecanismos de exploração característicos do sistema.
Assim, discussões temáticas acerca desses temas, num momento de crise sistêmica profunda pela qual passamos, com a presença de interlocutores de reconhecida capacidade intelectual, com comprovada produção acerca dos temas propostos, ajudarão a compreender o processo e contribuir nas pesquisas desenvolvidas a respeito. Nesse sentido, as atividades presumidas neste projeto interconectam ensino, pesquisa e extensão a partir de uma ótica  multi/interdisciplinar envolvendo pesquisadores e estudiosos de todas as ciências. A proposta é integrar a produção do conhecimento acadêmico-científica institucional e esta com comunidade em geral.
O evento será realizado de agosto de 2012 a dezembro de 2013, nas dependências da UESB campus de Vitória da Conquista, Bahia, assim como no Museu Pedagógico/Casa Padre Palmeira.

A Conferência de Abertura terá como tema “Mulheres e movimentos sociais: ideologia, memória e luta de classes – da década de 1970 aos anos Dilma Rousseff" com a Professora Doutora Renata Gonçalves (UNIFESP) e ocorrerá no Teatro Glauber Rocha (UESB), no dia 27/08/2012, às 19:00 horas.
O evento emitirá certificado de participação.
A seguir, fique por dentro de todas as atividades do Projeto de Extensão:
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Avaliação discente no Ensino Superior


Antônio Ozaí da Silva*

Imaginemos a seguinte situação hipotética. O aluno procura a professora para conversar sobre a nota da avaliação. A professora escuta atentamente e argumenta: “Sim, você é esforçado e tenho certeza de que se dedicou ao máximo. Infelizmente, sua avaliação não expressa isso. Sei também que há casos em que não há a mesma dedicação e a nota foi melhor”. A professora não pode fazer nada, sua avaliação se atém unicamente ao que o aluno conseguiu fazer, ou seja, ao exposto no papel.
Outro exemplo hipotético: a aluna não freqüenta as aulas, mas consegue as melhores notas na avaliação do mestre. Este se vê, então, diante do paradoxo de reprová-la – mesmo que ela tenha demonstrado que sabe o conteúdo da disciplina – ou aprová-la, desconsiderando o aspecto da assiduidade. Ele pode apegar-se à exigência formal da presença nas aulas e decidir pela reprovação. Mas o que importa não é a aprendizagem do conteúdo? Por outro lado, ele sabe que a presença física dos alunos em sala de aula não indica necessariamente participação efetiva. Os corpos estão presentes, mas as mentes ausentes. Ainda mais nestes tempos de tecnologia avançada, com celulares e notebooks disponíveis. O aluno pode simplesmente estar presente, mas sem qualquer interação. O que fazer?
As situações acima expressam o dilema de avaliar. Nos exemplos, partimos do pressuposto de que o/a professor/a é bem-intencionado, razoável e se pauta por princípios éticos. Não obstante, a avaliação é um dos instrumentos de poder à disposição do/a professor/a e nem sempre é utilizado de maneira equilibrada. Os alunos criticam a prepotência e o narcisismo professoral. Com razão! Muitas vezes, o docente instaura o terror na luta de classe e utiliza o poder institucional enquanto uma de compensação às humilhações e frustrações sofridas.
É no processo avaliativo que o poder professoral (de definir a nota, classificar, aprovar ou reprovar) mais se faz sentir. O professor se vê com o poder de dar atestado de burrice, mas não autoavalia o seu próprio desempenho. Este tipo de professor não se vê como o educador que também precisa ser educado e não admite que seu trabalho seja julgado por seus alunos. Ele se ilude: o tempo todo eles o avaliam; apenas não têm os meios e instrumentos para se expressarem. De qualquer forma, ainda que a atuação docente se paute por critérios objetivos e justos não anula o fato da relação professor-aluno é essencialmente uma relação de poder. E como garantir que não haja abuso de poder? Quem avalia o avaliador?
Este processo caracteriza uma relação humana. Pode parecer óbvio, mas às vezes é preciso lembrar que a avaliação não se dá entre conteúdo e provas, exames, etc., mas entre seres humanos num contexto específico. Inclui, portanto, aspectos inerentes à condição humana. Mas será que levamos isto em consideração ao avaliarmos e sermos avaliados?
Relação humana e relação de poder. A autoridade do professor é sacramentada pelo título e pela instituição burocrática, mas os critérios avaliativos nem sempre são claros e há práticas questionáveis. Os alunos reclamam do subjetivismo, aliado às motivações político-ideológicas, das arbitrariedades, falta de clareza e critérios diferenciados pautados em preferências e/ou rejeições pessoais, etc. O aluno pode recorrer se considera que a nota foi injusta. A maioria, contudo, desenvolve estratégias de sobrevivência e o senso de realidade indica que nem sempre é bom afrontar o mestre; em certos casos, desistem do curso; em outros, há resistência individual, mas é raro que ocorra ação coletiva. Não esqueçamos que os professores são julgados pelos pares e, em geral, predomina o espírito corporativo.
Os procedimentos avaliativos podem ser diversos: provas (escritas, oral, com/sem consulta, em grupo, individual, dissertativa, objetiva, que exige memorização, etc.); trabalhos (pesquisa de campo, elaboração de materiais didáticos, seminários, aula práticas, etc.); e outros procedimentos como a autoavaliação, participação nas aulas e projetos de ensino/e pesquisa e extensão, estudo de casos, etc. Todos os meios utilizados têm aspectos negativos e positivos e estes podem ser potencializados ou não, a depender das circunstâncias e da capacidade profissional. De qualquer forma, a decisão final cabe ao docente. Os meios avaliativos não invalidam a relação de poder. É fundamental, portanto, ter a nítida consciência desse aspecto e procurar utilizar de maneira positiva o poder de avaliar. E, sobretudo, estar aberto a reconsiderar e corrigir qualquer injustiça cometida, ainda que involuntariamente. O educador precisa, antes de tudo, respeitar o aluno, tratá-lo como ser humano e não enquanto objeto de avaliação. Isso deveria ser uma obviedade.
O ritual da prática avaliativa não se restringe às implicações pedagógicas, mas incluem também aspectos éticos, psicológicos, etc. A postura docente equivocada pode se revelar desestimulante, frustrante e restritiva do desenvolvimento intelectual e humano do discente. Há quem se regozije pelo rigor acadêmico expresso na reprovação do maior número de alunos. Parece-me, no entanto, que tais práticas podem ser reveladoras de um certo sadismo intelectualizado. A reprovação em massa e a evasão deveriam ser motivo de preocupação e reflexão. A função do professor é ensinar. Será que ele cumpre bem o seu papel quando a maioria dos alunos não consegue assimilar o conteúdo? Quem, de fato, é o reprovado?
Enquanto relação de poder, a prática avaliativa pode revelar-se um instrumento disciplinar eficiente. No extremo, é no processo avaliativo que o docente compensa a sua ira, insatisfação, ressentimentos, etc. A prova torna-se objeto da vingança professoral, fator de punição. É simples, basta formular as questões num grau de dificuldades maior. O aluno percebe, mas o que pode fazer? Nada. O poder de formular as questões, definir os critérios – ou nem defini-los – e, sobretudo, de decidir a nota é do docente.
Avaliar é muito complexo. É um dos momentos mais difíceis da práxis docente. Contudo, ainda que consideremos uma situação ideal em que prevaleça o melhor meio de avaliação e a decisão docente seja legitimada e reconhecida como justa, a questão essencial permanece: é possível medir o conhecimento? Nas Ciências Humanas a subjetividade e a possibilidade de mais de uma interpretação são aspectos nem sempre considerados. É possível a objetividade plena neste campo? Será que os professores percebem que a pretensa objetividade científica encontra-se prenhe de valores e humores que podem influenciar o ato de avaliar? Cada cabeça uma sentença, cada professor o seu critério. E este parece um mistério para o aluno. A mesma prova pode ter notas diferentes a depender de quem avalie.
Qual a origem da necessidade de mensurar o saber e da certeza de que é possível fazê-lo? Quantificar o conhecimento parece ser um fator intrínseco à natureza pedagógica. Apontam-se os efeitos, problemas, etc., mas, em geral, não questiona-se o fato de que a avaliação se propõe a medir o aprendizado em termos quantitativos, matemáticos. Um aluno vale 9, 25 e o outro 10, ou seis e alguma coisa, ou menos, etc. Mas a nota seis é o critério para ser aprovado. Então, o que diferencia os aprovados? E o aluno que foi reprovado por alguns décimos, será menos inteligente do que aquele que conseguiu a nota seis? No entanto, a proposta de extinção de qualquer mecanismo de definição de notas – pois todos os instrumentos visam quantificar resultados – muito provavelmente será considerada absurda. Ainda que muitos programas de pós-graduação já tenham abolido as notas. Por que a resistência na graduação?
Os alunos questionam os abusos dos instrumentos de avaliação, podem até mesmo preferir uns a outros, elogiam os professores que utilizam eficazmente esse ou aquele meio avaliativo, mas, em seu conjunto, concebem a avaliação como um fato em si, naturalizam e não questionam os pressupostos. Aliás, não só os alunos, seus professores também! A favor de uns e de outros, deve-se observar que estão submetidos ao sistema de ensino e às exigências burocráticas. Não obstante, isto não é obstáculo intransponível à reflexão crítica! A verdade é que a o processo avaliativo corresponde às práticas do poder disciplinar e professoral.
* Texto elaborado para subsidiar a participação no debate “A (IN)EFICIÊNCIA DOS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NAS UNIVERSIDADES – “Uma crítica aos tradicionais métodos vigentes”, evento promovido pelo Centro Acadêmico de Economia – José James da Silveira (UEM). Fonte: Blog do Ozaí

VII Semana de História Política - URRJ


Como a USP insiste em excluir as maiorias


17 DE AGOSTO DE 2012
Estudos da Unicamp e Uerj comprovam que notas dos ingressantes
 pelo sistema de cotas é superior à média. Mesmo assim a USP
 continua a não adotar o sistema, perpetuando exclusão histórica
.
No Pragmatismo Político
Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp) mostraram que o desempenho médio dos alunos que entraram na faculdade graças ao sistema de cotas é superior ao resultado alcançado pelos demais estudantes.
Tradicionalmente a USP descarta a adoção de qualquer tipo de cota, sempre indicando valorizar exclusivamente o mérito. A USP entende que o sistema de bônus do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), voltado a alunos de escola pública, independentemente da cor da pele, já atende às demandas por inclusão. O Inclusp foi adotado a partir de 2007 e dá bônus na nota do vestibular a esses alunos, independentemente da cor da pele.
O Núcleo de Consciência Negra da USP luta há anos para mudar esta realidade. Em resposta, a reitoria tem ameaçado fechar o espaço onde o Núcleo de Consciência Negra desenvolve cursinhos populares para o vestibular. A inciativa envolve professores voluntários que sonham em ver a reserva de vagas com cota racial uma realidade na maior universidade do país.
“Além de dar acesso à população, a universidade tem que criar as condições para que estas pessoas permaneçam na universidade para que não haja evasão”, defendeu Leandro Salvático, coordenador do Núcleo de Consciência Negra.
Apesar da pressão e com amplo apoio e reconhecimento da comunidade acadêmica, o Núcleo tem se mantido dentro da universidade com o “famigerado” espaço onde continua a realizar seu cursinho popular.
Segundo a Fuvest, fundação que realiza o vestibular, a participação de alunos de escola pública na USP chegou a 28% em 2012, ante 26% no ano passado. Se calculados os ingressantes negros e pardos, eles representaram 13,8 % dos aprovados no vestibular deste ano. No ano anterior, esse porcentual era de 13,4%. Os pardos registraram pequeno aumento, de 10,6% para 11,2%. Os candidatos que se declararam negros representaram 2,6%, ante 2,8% em 2011. Neste ano, foram aprovados 283 estudantes negros, de um total de 10.766.
Levantamento feito em junho pelo Estado de S. Paulo, com dados do vestibular de 2011, mostrou que, em cinco anos, apenas 0,9% – o equivalente a 77 alunos – dos matriculados em Medicina, Direito e na Escola Politécnica eram negros. Em Medicina, por exemplo, nenhum negro havia passado nos vestibulares de 2011 e 2010. Esse recorte do vestibular de 2012 ainda não está disponível.
A USP sempre sofreu críticas em relação ao perfil dos estudantes que ocupam suas vagas – a maioria absoluta vem de escolas particulares. Além do Inclusp, a universidade inaugurou a partir deste ano um novo modelo de bonificação para alunos de escola pública.
Para quem sempre estudou em escola pública – do ensino fundamental ao médio –, a universidade criou o Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp). Neste ano, o primeiro após a mudança nos critérios, o bônus chegou a até 15%, de acordo com o desempenho do estudante na Fuvest. Para participar, o aluno precisa estar cursando o ensino médio e realizar as provas no 2º e no 3º anos.

O desempenho dos cotistas
O primeiro levantamento sobre o tema, feito na Uerj em 2003, indicou que 49% dos cotistas foram aprovados em todas as disciplinas no primeiro semestre do ano, contra 47% dos estudantes que ingressaram pelo sistema regular.
No início de 2010, a universidade divulgou novo estudo, que constatou que, desde que foram instituídas as cotas, o índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas.
A Unicamp, ao avaliar o desempenho dos alunos no ano de 2005, constatou que a média dos cotistas foi melhor que a dos demais colegas em 31 dos 56 cursos. Entre os cursos que os cotistas se destacaram estava o de Medicina, um dos mais concorridos – a média dos que vieram de escola pública ficou em 7,9; a dos demais foi de 7,6.
A mesma comparação, feita um ano depois, aumentou a vantagem: os egressos de escolas públicas tiveram média melhor em 34 cursos. A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática.

A Educação que não interessa a ninguém


Juliana Brito*

Recentemente, foram divulgados os índices do IDEB 2011, uma avaliação que o MEC faz nas últimas séries do Ensino Fundamental e Médio para tentar aferir a qualidade da educação pública. A nota do Ensino Médio baiano que era de 3,3 em 2009 caiu para 3,2 em 2011, cuja meta seria 3,7. Os dados dessa pesquisa apenas confirmam o que é de conhecimento de todos: que a educação no país vai de mal a pior.
Diante dos números, os especialistas e os burocratas são chamados a darem seus pareceres e como não podem resistir, sempre propõem a reinvenção da roda: “O problema está ali, mudemos, criemos novos currículos, enxuguemos as disciplinas, aprovemos novas medidas orçamentárias, contratemos consultores renomados para elaborarem projetos que corrigirão distorções”. Suspeitamos que muitos desses discursos pretendem apenas levantar mais dinheiro público que será desviado entre os apadrinhados políticos a fim de se garantir a perpetuação das velhas figuras no poder.
O que a população em geral terá a dizer sobre o tema? Terá proposições? O tema será motivo de conversa numa rodada de chope ou no almoço de domingo? Será tema da pregação do pastor, do padre ou dos conselhos do pai-de-santo? Os alunos se preocupam de fato por não estarem aprendendo nada? Os promotores de justiça, os juízes, e toda sorte de burocratas terão algo a contribuir para além do blábláblá que já estamos tão acostumados?
Apesar de tantas pesquisas e números parece que ninguém sabe muito bem do que se está falando. Escola, educação, recursos humanos e materiais, função pedagógica, política e filosófica, de que se trata mesmo? Os burocratas e os políticos não sabem o que é essa entidade, a Escola Pública, muito menos os Excelentíssimos juízes, promotores, conselheiros tutelares, psicólogos, prefeitos, vereadores, governadores, deputados, quiçá os secretários de educação. Pelos resultados dos últimos anos, concluímos: eles realmente não sabem! Os pais, os alunos, os trabalhadores que cochilam à noite nos cursos de jovens e adultos também ignoram o que é uma educação de qualidade. Como saber o que é uma coisa se nunca se viu, nunca se experimentou?
A escola não tem sido um espaço propício a uma Educação socialmente referenciada. Superlotadas de problemas e de carências, tem sido apenas um espaço para projetos sem conteúdos e deslocados da realidade dos alunos e da sociedade em geral. Os professores não dão conta de superar tantas dificuldades de aprendizagem e convívio social. Os funcionários, subempregados, se arrastam pelos corredores sem alegria e preocupados se poderão pagar suas contas com seu minguado salário, que em muitos casos não chegam a sequer um salário mínimo. Como a promotoria do estado vai se importar com a educação pública se seus membros não precisam dela? Como vai pressionar o Executivo para cumprir a legislação, se a única coisa que parece importar para a elite desse país é que os meninos fiquem trancados dentro das escolas, ainda que seja por algumas horas? Hoje, a escola pública é apenas um depósito de gente, uma espécie de cárcere temporário. As raríssimas exceções apenas confirmam a regra.
Vejamos o caso dos colégios da Polícia Militar que figuram entre as melhores escolas do país: Nessas instituições não se admite a indisciplina e a reprovação consecutiva é punida com a perda da matrícula. Separa-se dessa forma o “joio do trigo”. Os “adestrados”, os “disciplinados”, os “melhores” permanecem e garantem as boas notas para a instituição. Enquanto isso, nas outras escolas, alunos com todo o tipo de dificuldade e defasagem de aprendizagem tem que estudar juntos, ou melhor, frequentar as aulas. Os pais, muitas vezes, nem querem saber o que está acontecendo dentro da escola. Uns poucos até comparecem às reuniões, porém buscam apenas as notas de seus filhos, como se estas dessem conta de todo o processo. A maior ambição parece ser alcançar a média, ou pelo menos, chegar próximo. O trágico é que muitos não se acham capazes nem mesmo de alcançar o mínimo e desistem de serem melhores. Essa lição se aprende desde cedo, é reiterada na escola com todos os problemas de que ela é portadora.
Para não chorar e fazendo um pouco de troça da situação, afinal como boa baiana sei rir da minha miséria, lembro aqui do Deputado “Tiririca”. Ele também fez uma avaliação para provar ao juiz eleitoral que não era analfabeto. Com muita dificuldade conseguiu um honroso (digo vergonhoso) 3,0 e passou! Recebeu seu diploma de Deputado e agora é membro das comissões de educação no Congresso. Ora, esta história faz coro com o competente Aloísio Mercadante, Ministro da Educação do Brasil, quando afirma: “Estamos avançando”. Afinal, todos os esforços estão sendo tomados para que o Brasil seja o “País de Tolos”, o país de todos os analfabetos políticos. E eu ainda gastando tempo me importando com a Educação. Ela não interessa a ninguém.
*Professora da Rede Pública do Estado da Bahia. Escrito em 17/08/2012.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Educação proibida

No dia 13 de agosto estreou mundialmente a película "A Educação proibida". Uma forte, histórica e autogestionária visão da Educação. Vale a pena ver:
 Assista ao vídeo.

Professores em GREVE há três meses exigem que o Governo negocie

Três meses de greve. A greve é forte, a luta é agora. 

Pela reabertura imediata das negociações.
Clique na imagem para ampliá-la.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A educação, por Viviane Mosé


A escola fragmentada, dividida em disciplinas e grades curriculares e distante da vida dos professores e alunos. Se deparar, a cada dia, com um mundo que faz perguntas cada vez mais globais e urgentes, como a necessidade de considerar o todo, o planeta, a cidade. Quais os desafios da educação no mundo contemporâneo?
Vale a pena ouvir Viviane Mosé, sem dúvidas.

Professores da UFBA destituem a diretoria da APUB


Membros do Comando assinam liminar
 trazida pelo oficial de justiça
Em assembleia histórica, categoria docente repudia práticas antidemocráticas do próprio sindicato, constituindo-se como importante exemplo para o movimento sindical nacional.
Os professores da Universidade Federal da Bahia realizaram, nesta quarta-feira, às 15h, na Faculdade de Arquitetura, uma assembleia para discutir a destituição da atual diretoria da APUB-sindicato, com a presença de 217 professores.

Membros do Comando assinam liminar trazida pelo oficial de justiça
Para maior indignação dos presentes, antes de se iniciar a assembleia, um oficial de justiça apresentou uma liminar deferida pela Juíza Karina Freire Araújo de Carvalho da 28ª Vara do Trabalho de Salvador impedindo a votação referente à destituição e autorizando o uso de força policial caso a liminar não fosse cumprida. Os réus do processo são os membros do comando de greve que não poderiam conduzir a votação sob pena de pagamento de multa diária de 5 mil reais até o limite de 30 dias. Como a assembleia foi legitima e legalmente convocada pelos professores reunidos em assembleia no último dia 7, sob condução da própria diretora presidente da APUB, os professores filiados deram seguimento à assembleia e a dirigiram sem a participação dos membros do comando de greve.
Apesar da evidente tensão que a gravidade da destituição de uma entidade carrega, a assembleia correu com total tranquilidade. Todas as falas e avaliações reforçaram a necessidade da destituição da diretoria com base no seu flagrante desrespeito às deliberações da sua instância máxima: a assembleia geral. Desta forma, foi aprovada por ampla maioria a destituição imediata da diretoria. Apesar da atitude - considerada autoritária e violenta pelos professores - da diretoria da APUB de impedir alguns professores de se filiarem nos últimos dias, seus votos foram nominalmente incluídos. Para dar continuidade aos procedimentos após a destituição, foi constituída e votada uma comissão provisória, composta por 5 professores, para assumir o funcionamento da instituição e convocar novas eleições o mais rápido possível. A comissão foi empossada na própria assembleia, formada pelos profs. André Netto, Tomasoni e Osmário do IGEO, Ailton jr da POLI e Maurício Azevedo de Direito. Para o assombro de todos, a direção do sindicato procura incriminar a sua própria categoria, ao conduzir os conflitos existentes para esfera judicial. Porém, com a sua destituição e a constituição de uma nova comissão provisória para assumir o sindicato, os professores da UFBA esperam encontrar representatividade legítima e em sintonia com sua vontade soberana para conduzir com autonomia suas reivindicações.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ideb: escola em Santo Inácio (Bahia) tem pior avaliação em todo país


Agora tem, tem, tem...

A Escola Estadual 29 de Março, em Santo Inácio, aparece com a pior nota no Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) nesta terça-feira (14) para alunos do 9º ano. Segundo a Secretaria da Educação do Estado da Bahia, no entanto, a média de 0,1 recebida pela escola de ensino fundamental se deve a um erro. A verdadeira nota seria 2,4, segundo a secretaria. O MEC não comentou o caso.
Em nota, a secretaria se responsabiliza por um "erro na migração de dados para o sistema do Ministério da Educação". Segundo o órgão, a nota divulgada não corresponde à realidade da escola. "O erro foi relativo ao indicador de rendimento, que aparece com o índice de 0,03, quando o correto é 0,50.  O Colégio 29 de Março melhorou seus resultados da Prova Brasil em Língua Portuguesa e Matemática, passando da média de 4,08 para 4,84. A Prova Brasil serve com referência para o cálculo do Ideb", diz a nota.
Em 2009, a escola obteve Ideb de 2,2 e a meta projetada para este ano era de 2,6 - com a nota de 0,1, a queda é de 96%. Antes, as médias foram de 2 (em 2005) e 1,6 (em 2007). Este mês, o CORREIO fez uma matéria sobre a onda de violência no bairro de Santo Inácio. Na ocasião, alunos do Colégio Estadual 29 de Março informaram que não saiam mais da unidade para comprar merenda e os menores de idade esperavam os pais para a deixar a unidade.
A pior do país no primeiro ciclo, com avaliação no 5º ano, está a escola municipal Antonio Carlos Magalhães, em Cairu, a 204 km de Salvador. O Ideb da escola é de 0,9.
Nos números do segundo ciclo, Salvador teve média 2,7 e a meta do MEC para 2013 é que a cidade alcance a nota de 3,5. O Colégio Militar de Salvador (CMS) teve o melhor Ideb da cidade - 7,2. O índice também coloca o CMS como a sexta melhor escola pública do país.

Brasil
Os dados analisados são de 2011. O Brasil superou as metas propostas para o nos dois ciclos do ensino fundamental - de 1º ao 5º ano e do 6º ao 9º ano. Já para o ensino médio, a meta foi apenas igualada.
O Ideb é um indicador geral da educação nas redes privada e pública. Foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e leva em conta dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho na Prova Brasil.
Fonte: Correio

CAPES em GREVE - Comunicado à Sociedade


A Associação dos Servidores da Fundação Capes (AsCapes) comunica que os servidores dessa Fundação decidiram em Assembleia Geral entrar em greve, a partir do dia 13 de agosto, em sintonia com o movimento da Carreira de Ciência e Tecnologia e com o Movimento Nacional de Lutas. O movimento irá realizar avaliações da conjuntura a cada dois dias para decidir sobre o movimento.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação, é responsável pela expansão e consolidação da pós-graduação em nível de Mestrado e Doutorado no Brasil, além de atuar na formação de professores da educação básica e no fomento e execução do Sistema Universidade Aberta do Brasil. A Capes tem como grande público bolsistas de graduação e pós-graduação e fomenta pesquisas (inclusive em cooperação internacional), realização de eventos e compra de equipamentos.
Vários programas da Capes podem ser prejudicados por uma postura desrespeitosa do Governo em relação aos servidores da Ciência e Tecnologia.
A AsCapes entende a importância da Capes para o desenvolvimento da Educação, Ciência e Tecnologia e do Brasil como potência e como um país mais justo (e sem miséria!), mas também sabe que o principal instrumento para tal é o trabalho sério e comprometido de seus servidores. A frustração em relação às negociações com o Governo, após longos meses de reuniões, resultou na insatisfação geral dos servidores da Carreira de C&T que se mobiliza, sem alternativa, para uma greve geral da categoria, objetivando uma negociação séria e justa quanto às questões salariais, de condições de trabalho e a pauta nacional.
Assim, a AsCapes entende que qualquer greve pode trazer prejuízos para a sociedade, mas sabe mais ainda que foi a postura intransigente do governo, ao frustrar qualquer possibilidade negociação que forçou a Carreira de Ciência e Tecnologia a se mobilizar.
Nossa preocupação primária como servidores públicos de carreira é com o futuro da Educação, Ciência e Tecnologia, com bolsistas e pesquisadores e com a construção de um país menos desigual. Por isso, em prol da continuidade das atividades da Capes, esperamos encerrar nossa mobilização o mais brevemente possível.

Associação dos Servidores da Fundação Capes (AsCapes)

É a educação, ministro!

Simbologia. Os protestos são, no fundo, uma demanda
 por diálogo público. Foto: Gustavo Moreno/D. A. Press
Por Muniz Sodré*


Greve de professor é mesmo greve? A quem se dispuser a refletir sobre a questão, é aconselhável pesquisar o pragmatismo americano, que atribui grande importância à terminologia como vetor de consolidação ou de mudança ideológica na vida social. Veja-se greve: no contexto semântico do neoliberalismo e na mentalidade seduzida pelo “capitalismo cognitivo”, registra-se uma tendência nada sutil para expurgar da História contemporânea essa palavra.
Primeiro, argumenta-se que, para determinadas atividades, como a educação, não “existe” greve porque a interrupção do trabalho não prejudicaria realmente o empregador. Segundo, no caso do operariado, a greve prejudica a produção, sim, mas seria um instrumento típico do regime fordista de trabalho, logo, anacrônico. A falácia desse tipo de argumentação está em supor a universalidade de categorias hipermodernas, como o “capital humano” (a criação de valor não pela força de trabalho externa ao trabalhador, e sim pelo seu saber vivo, dito “imaterial”), fruto do capitalismo cognitivo, supostamente emergente e virtuoso em todos os rincões do planeta.
Nada disso é falso, mas tudo isso, colocado apenas dessa maneira, esconde alguns fatos importantes. Por exemplo, o capital dito humano mantém a sociedade dependente da “velha” produção material e, não raro, em regimes historicamente regressivos. Outro: a flexibilidade do contrato de trabalho, um dos aspectos emergentes desse processo, contribui para que empresa e produção de riquezas deixem de ser mediadas pelas formas clássicas de trabalho.

Unifesp: Mudar o campus de lugar não é a solução
A greve é um mecanismo clássico de luta operária, porém, o seu sentido vem sendo reposto na História pelos movimentos sociais em prol não apenas dos direitos trabalhistas, mas também dos direitos civis e dos direitos sociais (educação, saúde). A própria legislação (Consolidação das Leis do Trabalho) reconhece que a palavra greve refere-se, por extensão, à interrupção coletiva e voluntária de qualquer atividade, remunerada ou não, para protestar contra algo. Nada impede que se faça greve até mesmo pelo direito de trabalhar, quando essa atividade estiver ameaçada em sua dignidade ou na possibilidade de sua continuação.
A greve atual dos professores das universidades federais, com quase três meses de duração, insere-se nesse quadro amplo, de muitos aspectos. Comecemos pelo aspecto macroeconômico. Um estudo da Fundação Getulio Vargas mostra que um dos fatores para a atual ascensão da baixa classe média foi a universalização do ensino fundamental a partir dos anos 1990. Estima-se que a continuidade da mobilidade social dependerá do cumprimento das metas de educação.
O problema é que a educação comparece no discurso oficial como uma reles peça orçamentária, mensurável apenas por estatísticas de matrículas, avaliações e recursos. Deixa-se de lado o essencial em todo e qualquer processo educacional, ou seja, o professor e seus históricos fronts republicanos – cultura, pedagogia e democracia. Sem a formulação de projetos político-pedagógicos em níveis nacionais, vê-se prosperar uma subcultura avaliativa, decorrência lógica da presença de tecnoburocratas, em vez de pedagogos e pensadores, na esfera clássica da educação.
É essa subcultura, aliás, que alimenta as organizações internacionais (OCDE, Banco Mundial, Comissão Europeia) empenhadas na constituição de um mercado mundial da educação. Ainda assim, o discurso globalista consegue estar à frente da parolagem governamental, onde a palavra educação circula como um fetiche economicista. Mesmo apoiado no limitado escopo empresarial do capital humano, o discurso globalista não abre mão da valorização do professor.
A valorização republicana do professor dá-se pelo reconhecimento público de sua estabilidade institucional no quadro do Estado. Este é o ponto central do movimento grevista em curso: um novo plano de carreira e um salário sem os “penduricalhos” instáveis, obtidos ao longo de anos de lutas. O reajuste salarial está atrelado a esse plano, sintomaticamente rejeitado pelo atual governo: “A reestruturação das carreiras já ocorreu no governo Lula e agora mudou a política, numa situação agravada pela crise”.
Mas que mudança política? Que crise? Que agravamento? Estas palavras não aparecem nos discursos oficiais sobre os preparativos para a Copa do Mundo ou para as Olimpíadas. Num país que dispõe (neste mês de agosto) de 376 bilhões de dólares em reservas, paga em dia a dívida externa e é credor do Fundo Monetário Internacional, não se podem invocar os álibis da crise mundial e seu agravamento, mesmo com a redução do PIB.
Não se trata realmente de falta de fundos, mas de falta do bom-senso necessário a uma mudança de mentalidade em favor da ampliação das políticas sociais, com vistas à transformação da educação e da saúde públicas. O cuidado é outro, como reverbera o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho: “Temos de nos preocupar muito com o emprego daqueles que não têm estabilidade. Então, toda a nossa sobra fiscal estamos procurando empregar para estimular a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços, porque esses nos preocupam mais”.
Em outras palavras, a iniciativa privada gera riqueza, logo, paga impostos que arcam com o custo das políticas sociais. Isto é o que a retórica chama de “paralogismo da indução defeituosa”, e nós chamamos de pérola da simplificação neoliberal. Defeito: o porta-voz deixa de dizer que, quando uma empresa qualquer contrata um profissional qualificado, está incorporando um “ativo” que custou anos de “ativos” familiares ou estatais para a sua formação. Onde o neoliberal diz “custo” leia-se “investimento em infraestrutura”. A terminologia proativa explica: “É a educação, Carvalho!”
“Mas temos todo o respeito pelos servidores”, ressalvou o ministro. Por que então não dialogar com todos os seus órgãos de classe? Respeitar é não discriminar. O plano de carreira, por exemplo, é matéria controvertida entre os próprios professores: tem laivos corporativistas, passa ao largo do problema da padronização salarial que impede a contratação de cérebros estrangeiros. Greve é hoje demanda de diálogo público. Mas no vazio da representatividade inexiste diálogo, já que voz nenhuma se reproduz no vácuo.
Por tudo isso, no momento em que o fantasma do neoliberal Milton Friedman reaparece nos jornais, é admissível pensar que esta greve dos professores universitários tem algo de pedagógico numa sociedade de fraca participação coletiva, mobilizada apenas pela novela das 8: uma aula pública de indignação diante da hipocrisia oficial para com a educação e um apelo à mobilização da sociedade como um todo.
*Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e escritor.

sábado, 11 de agosto de 2012

Capes em Greve


Conforme decisão em Assembléia Geral, os Servidores da Capes declararam greve a partir do dia 13/08, com avaliação a cada dois dias.
Leia a comunicação da AsCapes:

Prezados,
Informamos que a postura intransigente do Governo força os servidores da Carreira de Ciência e Tecnologia a se mobilizarem para uma greve geral da categoria.
Os servidores da Capes, por meio de Assembleia Geral, decidiram entrar em greve a partir do dia 13 de agosto (conforme proposta do Fórum de C&T), com avaliação da conjuntura a cada dois dias.
Sabemos da importância do trabalho desenvolvido pela Capes, executada de modo muito responsável pelos servidores da Fundação, contudo não há alternativa que senão a mobilização de todos para que a Carreira de Ciência e Tecnologia seja ouvida e respeitada como merece.
Convocamos todos os servidores a participarem da mobilização a partir de segunda-feira, sendo marcado como ato inicial a reunião a ser realizada no térreo dessa Fundação (Andar 0), segunda-feira, às 9h da manhã, onde iremos discutir assuntos referentes a Capes, AsCapes, Pauta Nacional, condições de trabalho, entre outros.
Na terça-feira (14/08), os servidores da Capes irão se reunir às 15h30 no térreo para o primeiro ato de avaliação do movimento.
É muito importante a participação de todos, lembrando que no período de greve os servidores não irão bater ponto. A AsCapes irá realizar o registro de ponto de greve, conforme informações do jurídico da Associação, duas vezes ao dia, na parte da manhã e na parte da tarde.
A Associação não irá fechar no período da greve. O Sr. Edmilson estará na Associação de 8h às 17h com informações e os contatos de toda a Diretoria Executiva. Caso tenha alguma dúvida ou não consiga encontrar os dirigentes da Associação, procure na sede da Associação.
Esperamos uma resposta sábia e rápida do Governo nas negociações e que com isso possamos encerrar a greve e continuar nossas atividades que são tão importantes para o crescimento do País.
Fonte: AsCAPES

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

EDUCAÇÃO: ELA NOS INTERESSA?


Lya Luft*
Publicado em: 22/12/2010
EDUCAÇÃO URGENTE! "A educação nos faz enxergar com outros olhos o que acontece à nossa volta e nos ajuda a sair da resignação mortal para o desejo de que as coisas melhorem"
Sobre educação a gente deve ler Gustavo Ioschpe (a quem conheci menininho), e refletir até o fim dos tempos. Envergonhar-se e chorar, ou ter uma derradeira esperança. Eu, em geral otimista, até considerada ingênua, nesse assunto contínuo cética. Basta ver o lugar que ocupamos nas melhores avaliações internacionais, atrás de países nos quais eu nem cogitaria, tratando-se de educação. Estamos abaixo da esmagadora (literalmente) maioria. Não seria preciso a opinião de bons institutos internacionais ou nacionais, está debaixo do nosso nariz, e cheira muito mal: nossa educação está abaixo de qualquer crítica. E pode piorar, pois temos um ensino cada vez mais relaxado, uma autoridade mais inexistente; agora se pensa em não reprovar mais ninguém nos primeiros anos, isto é, vamos lhes mentir que estão aprendendo, como disse uma autoridade em ensino.
Escolas caindo aos pedaços, professores pessimamente pagos, e mal preparados (cadê tempo para ler, estudar, progredir, se todos precisam de algum bico para defender o pão de cada dia?). Sem bibliotecas (ou com elas abandonadas) nem computadores - alguns foram doados, mas não há quem os instale ou os saiba manejar. E o povo não sabe que o melhor modo de subir na escala social é pela educação, que é informação, e formação, é força, é poder. Vai ajudar a tomar decisões mais acertadas, fazer melhores escolhas, conseguir emprego ou subir de cargo, ser mais gente, cuidar melhor de si e dos filhos, alimentar-se melhor, viver melhor. Gostar mais de si mesmo, valorizar-se e ser valorizado. E assim construir um país mais humano, mais digno, mais justo.
Não vejo muitos governos, líderes de verdade querendo um povo educação, isto é, informado. Pois quem se informa, quem sabe das coisas, questiona a situação da sua comunidade, seu estado, seu país. Questiona sua própria condição. Não vai mais querer morar em cima de velhos lixões mal disfarçados, ver seus filhos comendo restos, brincando com água de esgoto, morrendo por falta de cuidados essenciais.
Quem se educa, isto é, pode ler e entender melhor as coisas, não vai mais aguentar calado - distraído com alguns dinheirinhos a mais, estimulado até a comprar o que não poderia, pois não vai conseguir pagar a próxima prestação - que seus velhos não tenham assistência, que a aposentadoria, quando existe, seja de fome, que as crianças morram em corredores de hospital, ou precisem ser levadas horas a fio até o posto de saúde mais próximo - que pode estar fechado por falta de médico ou até de remédios. Nós não somos assim. Não aceitamos morrer de sujeira, doença, fome, falta de assistência, de informação, de dignidade. Quem se informa e sabe das coisas não vai mais achar que a corrupção nos altos escalões é assim mesmo, a política é assim, não tem jeito, "a casa já caiu, temos de nos conformar", como disse um resignado homem numa entrevista.
Um povo educado é como um filho positivamente rebelde que não aceita injustiças, gritos, brutalidade ou humilhações em casa. Um povo educado reclama. Um povo educado elege diferente. Um povo informado - que teve escola, lê jornal, conhece livros, assina sabendo o que está naquele papel, interpreta o que vê na televisão ou escuta no rádio - ambiciona para seus filhos algo mais do que viver na rua e morrer na esquina. A educação nos faz enxergar com outros olhos o que acontece no país e no exterior - sim, pois a gente sabe o que se passa em outros lugares - e sair da resignação mortal para o desejo ativo de que as coisas melhorem. E começa a colaborar para que elas mudem. E vai reclamar de quem mentiu, prometeu e não cumpriu, foi corrupto, ficou impune, pensou em mais poder, e não na sua gente. Assim, devagar, usando de firmeza e inteligência, sem violência, sem agressão, quem se educou vai começar a mudar seu país. E por isso não me importo de repetir, repetir e repetir: a gente pode ser mais feliz. A gente pode ser mais gente. A gente precisa, com urgência, de verdade, que a educação seja prioridade de todos para todos, nesta nossa terra.
*Escritora e colunista.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Inscrições abertas para o Mestrado e Doutorado em Memória


por Raisa Casemiro

Estão abertas entre os dias 13 de agosto e 21 de setembro as inscrições do mestrado acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS). Podem participar do processo seletivo candidatos que possuam diploma de curso superior em qualquer área, interessados em desenvolver pesquisas e exercer o ensino superior. O Programa oferece 25 vagas nas linhas de pesquisa “Memória, Cultura e Educação” e “Memória, Discursos e Narrativas”.
Para realizar a inscrição, o candidato deve comparecer à secretaria do Programa, localizada no Módulo de Medicina, campus de Vitória da Conquista, de 9 às 17 horas. As inscrições podem ser realizadas também pelo correio.
Todas as informações acerca da seleção estão disponíveis no Edital 136/2012. Saiba mais sobre o mestrado acessando o site ou entrando em contato pelo telefone (77) 3425-9395 ou pelo e-mail ppgmemorials@gmail.com.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Trabalho, Educação e Experiência em Thompson

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III CICLO DE DEBATES SOBRE EDUCAÇÃO NO MEIO RURAL

Nessa sexta feira, dia 10/08, às 8h, no Anfiteatro do prédio “A Lenda”, realizar-se-á terceira palestra do III Ciclo de Debates da disciplina Educação no Meio Rural. Na oportunidade, contaremos com a presença do Prof.º Dr.º José Rubens Mascarenhas de Almeida, docente adjunto do Departamento de História (DH/UESB), que nos brindará com sua crítica ao capitalismo que se institui no espaço campo.
De antemão informamos que os certificados do evento serão distribuídos em vista da carga horária de participação em cada uma das palestras.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Bahia: Protesto "110 dias sem ensino público" de alunos do ensino privado



A vergonha toma conta dos baianos, que mais uma vez têm seus sonhos vetados pela falta de responsabilidade, respeito e comprometimento dos governantes deste Estado. É bonito o discurso de que a educação vem em primeiro lugar, mas não vale de nada se não posto em prática. Os professores de escolas públicas estão a mais de 110 dias em greve, desta forma ficando sem salário e os alunos sem educação. O mais engraçado nisso tudo é saber que os educadores não estão exigindo nada além do que lhes é de direito. Queremos um futuro melhor para nossa nação, mas só o teremos quando compreendermos que ele começa com as salas cheias de profissionais capacitados e alunos recebendo a educação que lhes é prometida. Vamos atrás do nosso futuro e do que nos é de direito. E ai, vai sentar e lamentar, ou vai levantar e lutar?
Fonte: Youtube

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Rejeição a Jaques Wagner na pesquisa do Ibope seria de 82%


Em vez de 53%, a rejeição a Wagner seria de 82%

Luís Augusto Gomes

segunda-feira, 06/08/2012 - 09:10
O deputado Elmar Nascimento (PR) entrou em contato com Por Escrito para discordar da aprovação atribuída ao governador Jaques Wagner na pesquisa Ibope/TV Bahia, em nota postada sexta-feira, na qual os índices para bom e para ótimo foram somados ao índice para regular.
 “Quando os índices para ruim e péssimo são maiores que os de bom e ótimo, a eles deve ser somado o do conceito regular”, argumentou o deputado, afirmando que se trata de um “critério de interpretação de pesquisas”.
Portanto, se Wagner obteve 2% de ótimo e 14% de bom, os 37% de regular devem ser adicionados aos 14% de bom e 31% de péssimo, o que totaliza, segundo ele, “uma desaprovação de 82% ao governador”. (Por Escrito)
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