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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cargos de confiança indicados por políticos receberão aumento de até 25%


O governo não fez questão de divulgar, mas inseriu na proposta de Orçamento encaminhada há duas semanas ao Congresso Nacional previsão de reajuste de até 25% em três anos para as funções e cargos comissionados de livre nomeação nos diversos ministérios e órgãos do Executivo, incluindo os de Direção e Assessoramento Superior (DAS), informa o Correio Braziliense. Existem hoje 87.245 desses postos no Executivo, dos quais 22.084 são de DAS. Ainda de acordo com o Correio Braziliense, o Palácio do Planalto reservou o percentual maior — os 25% — àqueles que são muitas vezes utilizados para acomodar apadrinhados e indicações políticas.
Publicado Quinta, 13 de Setembro de 2012 - 11:30, em Bahia Notícias

Dois séculos de Jornal Digitalizados


Criada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), a hemeroteca digital é um portal com 5 milhões de páginas digitalizadas provenientes do acervo físico bicentenário da fundação, que totaliza 17 quilômetros de prateleiras. A busca é gratuita e aberta a todos. Os internautas têm duas opções de pesquisa no site: por ordem cronológica ou por palavras. O segundo tipo é o mais interessante. Por meio de uma tecnologia cedida pela DocPro, empresa especialista em acervos digitais, é possível procurar qualquer palavra e obtê-la destacada nas páginas, onde ela aparece escrita no jornal especificado. [...] São ao todo 638 publicações periódicas produzidas em 26 estados nas cinco regiões do país ao longo de dois séculos. A história começa com a introdução da imprensa no Brasil, em 1808, com a vinda da Corte portuguesa para terras tropicais.
Texto extraído de Uai (MG)

Relações Internacionais e Desenvolvimento: chamada para publicação

Revista Aurora 7ª Edição

A Revista Aurora (Unesp) faz chamada para publicação até o dia 30/09/2012.

A temática da Seção Dossiê será "Relações Internacionais e Desenvolvimento". Também receberemos trabalhos referentes às seções Miscelânea e Especial (poderão ser publicados trabalhos variados nessas seções), conforme as Normas de Publicação.
Os trabalhos devem ser submetidos pelo sistema, online para a Revista:
Dentro da perspectiva "Relações Internacionais e Desenvolvimento", os trabalhos devem abordar fenômenos atinentes, principalmente, às seguintes indicações:
Esta linha de pesquisa busca investigar a partir de um enfoque multidisciplinar e crítico, de um lado, questões relativas às relações internacionais, especialmente a integração regional em seus múltiplos aspectos, o papel dos Estados Nacionais e do direito internacional, os conflitos internacionais e a expansão dos meios de proteção dos direitos humanos. Essa abordagem abarca análises comparativas e históricas sobre as políticas exteriores, os processos de integração regional e cooperação entre países e o papel das instituições internacionais. Diretamente relacionada a essas temáticas, a linha aborda, de outro lado, as diferentes experiências e estratégias nacionais de desenvolvimento econômico e social, enfatizando os projetos nacionais, os atores sociais, os problemas ambientais e sociais, as políticas governamentais e a reconfiguração do Estado, apoiando-se na teoria sociopolítica e econômica e na sociologia ambiental. Os estudos desta linha privilegiariam análises em perspectiva histórica com o objetivo de entender as possibilidades e a natureza do desenvolvimento nacional e regional no contexto de globalização da sociedade capitalista, que vem redefinindo o espaço e escopo dos Estados nacionais. Essa abordagem também implica na discussão crítica das teorias do desenvolvimento.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Brasil: prioridades governistas em 2011

E vivas às eleições de burocratas lacaios do capital financeiro!
Clique na imagem para ampliá-la.

VI Simpósio Escravidão e Mestiçagens, religiões e religiosidade

A temática desse Simpósio – religiões e religiosidades – foi escolhida em função da importância que ela tem para os estudos historiográficos atuais e para os que se desenvolvem em torno do Grupo de Estudos Escravidão e Mestiçagens. O objetivo é enfocá-la de maneira associada às formas de sociabilidade que fomentaram dinâmicas de mestiçagens – tanto biológicas, quanto culturais.
Religiões e religiosidades, assim, vão muito além das fronteiras das crenças e das práticas religiosas, perpassando todas as dimensões do social, aproximando e apartando mundos, culturas e tradições; constituindo espaços comuns e particulares; mesclando, superpondo e antagonizando grupos, formas de viver e de pensar; estabelecendo ritmos, ritos e códigos da vida social; subsidiando linguagens, imaginários e discursos; enfim, constituindo-se em um dos pilares fundamentais de conformação das sociedades e de suas formas de organização e de funcionamento.
Pretendemos, portanto, nessa edição do Simpósio, discutir como e em que medida as dimensões da escravidão e das mestiçagens se cruzavam, se conectavam e/ou se distanciavam das religiões e das religiosidades. As interações ocorridas entre essas dimensões propiciaram uma infinidade de relacionamentos cotidianos, assim como redefinições de formas de sociabilidade em ambiente escravista e mestiço, que precisam ser melhor compreendidos e explicados.
CEPAMM
Centro de Estudos sobre
a Presença Africana no Mundo
Moderno - UFMG
Grupo de Pesquisa
Escravidão, mestiçagem, trânsito
de culturas e globalização
séculos XV a XIX -
UFMG/CNPq
Grupo de Pesquisa
Escravidão e Mestiçagens:
Escravidão, comércio e trânsitos
culturais nos sertões da Bahia e
de Minas Gerais. Século XVIIIUESB/
CNPq
Grupo de Pesquisa
Sociedades Escravistas
nas Américas - Universo/CNPq

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

6ª PRIMAVERA DOS MUSEUS


A Função Social dos Museus para a História e a Memória da Educação

A 6ª Primavera dos Museus prevista pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) acontecerá entre os dias 24 e 30 de setembro. Este ano com o tema: A Função Social dos Museus, considerando a Declaração da Mesa Redonda de Santiago do Chile, em 1972, que defendeu o ”fazer museal como ação destinada a proporcionar uma visão de conjunto dos meios econômicos e culturais da comunidade”.
Neste ano, a Primavera dos Museus, tem programação confirmada com 800 museus e outras instituições culturais, com mais de 2.400 eventos em 364 municípios brasileiros.
No Museu Pedagógico da UESB, o tema será A Função Social dos Museus para História e a Memória da Educação. O evento será realizado nos dias 26 e 27 de setembro de 2012, no Museu Pedagógico/Casa Padre Palmeira.

Programação:
Data: 26/09/2012
Horário: 09 horas
Palestra de abertura: Memória e História das Instituições Escolares: entre o passado e o presente.
Profa. Dra. Maria Cristina Dantas Pina (UESB)
Profa. Dra. Geísa Flores Mendes (UESB)
Mediador: Prof. Dr. Argemiro Ribeiro Souza Filho (FAINOR)

Ação Educativa
Horário: 14 horas
Exibição do Filme “Utopia e Barbárie”
Comentário:
Prof. Dr. José Rubens Mascarenhas de Almeida (UESB)
Profa. Dra. Fátima Moraes Garcia (UESB)

Horário: 16 horas
Apresentação do projeto “Museu Pedagógico: uma interlocução com os problemas do cotidiano escolar”
Profa. Dra. Luci Mara Bertoni (UESB)
Profa. Dra. Fátima Moraes Garcia (UESB)
Prof. Dr. Claudinei de Camargo Sant’Ana (UESB)
Profa. Ms. Gerenice Ribeiro de Oliveira Cortes (UESB)
Prof. Dr. Jornandes Jesus Correia (UESB)

Data: 27/09/2012
Horário: 9 horas
Mesa Redonda: Memória e História do Projeto Columbia na Bahia
Prof. Ruy Hermann de Araújo Medeiros (UESB)
Profa. Dra. Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro (UESB)
Local do evento: Museu Pedagógico    

Horário: 14 horas
Documentário: Exibição comentada do Vídeo/Documentário “Projeto Columbia” na Bahia.        
Profa. Dra. Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro (UESB)
Prof. Ruy Hermann de Araújo Medeiros (UESB)
Prof. Dr. Nivaldo de Vieira Santana (UESB)
Prof. Dr. João Diógenes Ferreira dos Santos (UESB)
Prof. Dr. Itamar Pereira de Aguiar (UESB)
Prof. Dr. José Rubens Mascarenhas de Almeida (UESB).

Maiores informações: Museu Pedagógico UESB – Casa Pe. Palmeira. Praça Sá Barreto, s/n. b. Cruzeiro – CEP. 45040-060 – Vitória da Conquista/BA.
museupedagogico@gmail.com(77)3421-3894

Sobre a 6ª Primavera dos Museus, visite:

domingo, 9 de setembro de 2012

11 de setembro de 1973/2001 – de História, memória e ideologia


Objetivando investigar temas e processos relacionados à produção/reprodução capitalista, e tendo como referenciais teóricos as categorias Ideologia, Memória e História, as entendendo como relacionadas aos fenômenos centrais desse processo, o GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Lutas de Classe/Museu Pedagógico da UESB), realiza o Projeto de Extensão “História, Memória e Ideologia no campo da luta de classes”.
Discussões temáticas acerca desses temas estão acontecendo desde agosto/2012 e acontecerão até novembro de 2013, com a presença de interlocutores de reconhecida capacidade intelectual, com comprovada produção acerca dos temas propostos.
Desta vez o Geilc exibirá 2 curtas-metragem sobre eventos da história da América (o 11/09/1973 – Chile; e o 11/09/2001 - EUA), que serão acompanhadas por uma palestra do professor José Rubens Mascarenhas de Almeida (Museu Pedagógico/GEILC), tendo por tema central os dois fenômenos históricos e a relação História, memória e ideologia.

Local: Memorial Régis Pacheco (ao lado da Catedral)
Dia: 11 de setembro de 2012
Horário: 19:00 horas.

O evento emitirá certificado de participação.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Depois da 22ª Bienal de São Paulo, Ediuesb estará presente na Feira de Frankfurt, na Alemanha


A ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias), à qual a Ediuesb (Edições Uesb) é filiada, escolheu três livros editados por esta editora para exposição na Feira de Frankfurt.
Atendendo solicitação da diretoria da ABEU, o governo brasileiro e a CBL cederam gratuitamente um espaço de 44 m² de estande para exposição de livros das editoras universitárias associadas à ABEU na Feira do Livro de Frankfurt, que ocorrerá em 2012 (10 a 14/10).
Essa participação também faz parte de uma solicitação da diretoria da Feira de Frankfurt que conseguiu montar com o Brasil, México, Colômbia e Argentina um “corredor de editoras universitárias”, fazendo a primeira mostra conjunta da edição acadêmica latino-americana em Frankfurt. Será também um prenúncio da participação da ABEU no ano de 2013 quando o Brasil será o país homenageado da Feira e para a qual temos que nos preparar desde agora.
O estande de 44m² abriga até 144 exemplares e, como se trata de uma feira de venda de direitos autorais, sem comercialização ao público, todos os livros devem ser mostrados com a capa em exposição. Os títulos foram escolhidos entre as editoras associadas (de 01 a 05 livros por editora) presentes na 22ª Bienal do Livro de São Paulo, encerrada no último dia 19. O principal critério levou em conta possíveis interesses de tradução no mercado internacional no ano de 2013.
Os livros da Ediuesb eleitos pela ABEU para estarem presentes na Feira de Frankfurt são:         
         
A organização das feministas negras no Brasil
Autoria: Tânia Rocha Andrade Cunha
O preço do silêncio: mulheres ricas também sofrem violência
Autoria: Núbia Regina Moreira
América Latina: Transnacionalismo e lutas sociais no alvorecer do século XXI
Autoria: José Rubens Mascarenhas de Almeida

ÁTICA: 41 anos depois


Mumía Abú-Jamal
El nombre, Ática, ha entrado al lenguaje de la cultura norteamericana impulsado en parte por Al Pacino en la película, Tarde de Perros, (Dog Day Afternoon), cuando el actor levanta su puño y exclama, “Ática! Ática!”
Los espectadores reconocen inmediatamente la referencia, porque el 9 de setiembre de 1971 --Ática-- (la prisión en el interior del estado de Nueva York) fue la noticia más grande en todo Estados Unidos.
Los presos se rebelaron en Ática; tomaron rehenes, y demandaron ser tratados como hombres, y el estado de Nueva York, obedeciendo órdenes del entonces Gobernador Nelson Rockefeller, desató una lluvia de balas que mató a docenas de hombres --presos y guardias por igual-- y después, Rockefeller mintió sobre el caso.
Políticos y refomistas de prisiones aseguraron que Ática sería una alerta que traería cambios.
Nunca jamás otra Ática, dijeron.
Este mes de setiembre marca los 41 años de ese día sangriento de asesinatos en masa --y las cosas han cambiado --pero no para hacerlas mejor.
Según un reciente boletín publicado por La Asociación Correccional, grupo monitor del estado de Nueva York, Ática sigue siendo un lugar de violencia, miedo, abuso sexual y racista, y un lugar de falta de respeto.
Como en 1971, el personal es casi totalmente blanco y rural, y los presos son casi todos negros, latinos y de procedencia urbana.
Como en 1971, Ática es un antro envuelto en tensiones.
Como en 1971, la falta de respeto y el maltrato ruedan por los pasillos como hierbas rodadoras listas para incendiarse.
La Asociación Correccional ha pedido que Ática sea definitivamente cerrada, porque hoy permanece como un triste símbolo de un fracaso muy costoso y brutal.
Si en verdad cerraran la prisión de Ática, sería 41 años demasiado tarde.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Projeto superfaturado do governo da Bahia é frustrado

Foto: Metropress 

Aulões não atraem alunos da rede estadual de ensino

Adalton dos Anjos e Clarissa Pacheco
06/09/2012

Mais de 200 adolescentes cheios de energia e com os hormônios à flor da pele são concentrados em um mesmo espaço para uma mega-aula com "professores de ponta". Sobram risadas, gritos e a sensação é que todos estão em um estádio de futebol ou em um show de música. O professor até tenta atrair a atenção da multidão e conseguir o silêncio necessário para iniciar a explicação, mas ele não consegue. Foi neste cenário bagunçado que aconteceu mais um aulão para a rede estadual, visando ao Enem, no último sábado (1º), no Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro.
A empresa Abais Conteúdos Educativos e Produção Cultural foi contratada pelo governo por um polêmico valor de R$ 1,6 milhão para promover as 384 aulas e reparar os 115 dias da greve dos professores da rede estadual. Mas o resultado do início da reposição é um número de cadeiras vazias bem maior do que de ocupadas, e queixas dos alunos, que saem esgotados de tanto conteúdo em tão pouco tempo.
Sem público, o governo toma ações não planejadas anteriormente, como a recente abertura de vagas para ex-alunos e estudantes da Educação de Jovens e Adultos e a mudança de polos de aulas do Cabula, no Colégio Favo, para o Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro. Só que o Jornal da Metrópole constatou essa semana que as ações não surtiram efeito, já que as aulas no Cabula terminaram com cerca de 40 alunos, apesar de ter começado com 200. Na Ribeira, no Colégio da Polícia Militar (CPM), até o final da tarde, não havia mais do que 50 estudantes.

Método falho
Foram escolhidos 32 temas das mais diversas disciplinas para serem discutidos nos 16 encontros. Com tão pouco tempo, as aulas parecem muito mais uma revisão daquilo que (não) foi visto na sala do que uma aula aprofundada sobre os assuntos. Tudo é visto de forma superficial, e é comum ouvir, durante as aulas, frases dos professores como "vocês já devem ter visto...". Curiosamente, sempre onde o Jornal da Metrópole esteve, tais comentários dos mestres foram seguidos por risadas dos alunos que ficaram 115 dias sem aulas por conta da greve.
Para o professor da UNB e ex-consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Célio da Cunha, aulas em grandes auditórios não têm a mesma eficiência. "Um grande princípio do processo de aprendizagem é a organização de conteúdo. Isso só é possível em salas com 20 ou 30 alunos, no máximo", diz.
Quanto maior o número de alunos, mais fácil é a dispersão dos jovens. Durante o aulão no CPM, dois estudantes pouco se preocupavam com a aula sobre mudanças climáticas. A meta da dupla era acomodar o celular em uma posição confortável para que pudessem assistir ao jogo entre Vitória e América-RN, pela Série B do Campeonato Brasileiro.

Aulas cansativas
Os poucos 'sobreviventes' das aulas carregadas de conteúdo saem completamente esgotados e nem os mais disciplinados conseguem manter a concentração até o final. "A primeira aula foi divertida, mas a segunda foi muito cansativa. Tinha muito assunto", reclama Clarissa Lira, do Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, em Pernambués, após uma tarde de aulão.
Clarissa e sua colega Adriane Lira foram pela primeira vez ao aulão oferecido pelo governo porque ele estava sendo realizado na escola delas. Para as estudantes, a ausência nas outras edições do aulão tem como motivo a distância de casa até o local das aulas. "Iam mandar um ônibus para levar os alunos da escola, mas não mandaram porque os alunos não se interessaram", explica Adriane.

SEC "cumpre meta"
A estudante Priscila Borges, do Colégio Estadual Rotary, em Itapuã, foi bem clara quando perguntada sobre a ausência nos aulões do Enem. "A gente não foi porque não quis", afirma, explicando que não houve incentivos por parte da escola para que os alunos frequentassem os aulões.
A desmotivação da estudante não é algo isolado e está diretamente ligada à postura da Secretaria de Educação sobre os aulões. A assessoria de imprensa da SEC informou que a meta era "ofertar os aulões para todos os concluintes do ensino médio e por isso utilizou várias estratégias para que o conteúdo chegue aos estudantes". O órgão, porém, não usou as "várias estratégias" para que os estudantes busquem e assimilem o conteúdo.

Choque de horários
A Secretaria de Educação do Estado (SEC) informou que ampliou o público nos aulões do Enem para ex-alunos e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Salvador para "atender aos pedidos" dos estudantes. Ainda segundo o órgão, a previsão é que os 132.428 alunos matriculados no 3º ano no estado assistam as aulas presencialmente, por videoconferência ou no Portal da Educação.
Questionada sobre o choque de horários entre os aulões e as aulas de reposição, a SEC informou que os estudantes devem se inscrever em um turno diferente do qual frequenta as aulas regulares, já que "os aulões não substituem o dia letivo".
Quanto à mudança no polo de aulas na região do Cabula do Colégio Favo para o Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, a SEC informou que a maioria dos aulões só poderiam acontecer aos domingos, quando a procura dos estudantes era baixa. Com a alteração das aulas de preparação para o Enem para o colégio, o órgão economizou a verba do aluguel e garantiu o público da escola.

"Nada compensa a greve"
Durante a tarde de estreia dos aulões do Enem no Colégio Estadual Aliomar Baleeiro no último sábado (1º), era constante a saída dos alunos do auditório pelos mais diferentes motivos. Alguns deles chegavam a admitir que foram para a escola apenas para assinar a lista de presença. "O pessoal achou que a aula era na sala de aula, por isso se desinteressaram e foram embora", explica a estudante Clarissa Lira.
Para o consultor Célio da Cunha, nada compensa a ida dos alunos para as aulas em um ano letivo. "A alternativa é válida para compensar a greve, mas nada compensa a presença na sala de aula", afirma o professor. Célio ainda criticou o tempo perdido entre os professores em greve e o governo do Estado para negociar o retorno para as salas de aulas. "De fato, temos que pensar é em como melhorar a carreira do professor e evitar essas greves. Isso prejudica o processo educativo", conclui.

domingo, 2 de setembro de 2012

Setembro já chegou e eu não vi!

Charge:  dominioti.wordpress.com

Hoje é sábado e eu deveria estar descansando da semana estafante que tive, afinal, sou professora da rede estadual de ensino da Bahia. No entanto, tive que trabalhar no fim de semana. Quando chegar em casa, ainda precisarei preencher milhões de fichas que não servirão para nada, a não ser para me manter ocupada e não pensar sobre a situação em que vivemos. Se não penso, não posso querer e fazer a mudança. E assim, o capitalismo vai minando as nossas forças, nos transformando em tarefeiros e mutilados da vida social e afetiva. Mesmo assim, eu me insurjo e ousarei refletir e resistir.
Juliana Brito, em 01/09/2012, chegando de uma jornada e indo para outra às 13:31h.

sábado, 1 de setembro de 2012

A ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA


História, Presente, Perspectivas
Simpósio Internacional - Mostra de Cinema

Universidade de São Paulo – FFLCH – Departamento de História
11, 12 e 13 de setembro de 2012 (9 às 22 horas)

Programação
3ª. feira 11 de setembro
ABERTURA: Emília Viotti da Costa
09:00 h. (AH): DO PETISMO AO LULISMO: O PT ONTEM E HOJE: André Singer – Lincoln Secco – Tales Ab´Sáber – Cyro Garcia
09:00 h. (AG): ESQUERDA, DITADURAS E DIREITOS HUMANOS: Pedro Pomar – Jorge Souto Maior – Olgária Matos – Nils Castro
09:00 h. (CPJ): INTELECTUAIS E MARXISMO NA AMÉRICA LATINA: Bernardo Ricupero – Lidiane Soares Rodrigues – Marcos Napolitano – Maurício Cardoso
14:00 h. (AH): O COMUNISMO NA HISTÓRIA DO BRASIL: Milton Pinheiro – Apoena Cosenza – Frederico Falcão – Marly Vianna
14:00 h. (AG): CHINA E A AMÉRICA LATINA: Wilson N. Barbosa – Marcos Cordeiro Pires – Luis Antonio Paulino – Vladimir Milton Pomar
14:00 h. (CPJ): CUBA: PASSADO E PRESENTE DA REVOLUÇÃO: Luiz E. Simões de Souza – Joana Salém – Silvia Miskulin – José R. Máo Jr.
14:00 h. (RXCP): LÍNGUAS E LITERATURAS: DISCURSOS DE RESISTÊNCIA: Elvira Narvaja de Arnoux – Graciela Foglia – Adrián Fanjul – Pablo Gasparini
17:00 h. (AH): RECURSOS NATURAIS, ENERGIA E INTEGRAÇÃO CONTINENTAL: Ildo Sauer – Ariovaldo U. de Oliveira – Mónica Arroyo – Raimundo Rodrigues Pereira
17:00 h. (AG): PROGRAMAS SOCIAIS COMPENSATÓRIOS: SAÍDA DA POBREZA?: Ruy Braga – Eduardo Januario – Maria Cristina Cacciamali – Fúlvia Rosenberg
17:00 h. (CPJ): A REORGANIZAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA: Francisco Miraglia – José Maria de Almeida – Pablo Heller – Marina Barbosa Pinto
17:00 h. (RXCP): PERU, EQUADOR, BOLÍVIA: INDIANISMO E COSMOVISÃO ANDINA: Vivian Urquidi – Enrique Amayo – Tadeu Breda – Mónica Bruckmann
19:30 h. (AH): A LUTA DOS ESTUDANTES NA AMÉRICA LATINA: Clara Saraiva – Alejandro Lipcovich – Lucia Sioli – Mario Costa – Maria Ribeiro do Valle
19:30 h. (AG): AMÉRICA LATINA NA GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL: André Martin – Leonel Itaussu A. Mello – Rodrigo Medina Zagni – Manoel Fernandes
19:30 h. (CPJ): O COMUNISMO NA AMÉRICA LATINA: Antonio C. Mazzeo – Marcos Del Roio – Victor Vigneron – Kennedy Ferreira
4ª. feira 12 de setembro

09:00 h. (AH): VENEZUELA E A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA: Rafael Duarte Villa – Gilberto Maringoni – Flávio Benedito – Flavio Mendes
09:00 h. (AG): REDES SOCIAIS, AÇÃO DIGITAL E ATIVISMO POLÍTICO: Sergio Amadeu – Raphael Tsavkko – Rodrigo Vianna – Luiz Carlos Azenha
09:00 h. (CPJ): BOLÍVIA: DA ASSEMBLÉIA POPULAR A EVO MORALES: Everaldo Andrade – Diego Siqueira – Cristian Henkel – Igor Ojeda
14:00 h. (AH): O MARXISMO NA AMÉRICA LATINA: Michael Löwy – Osvaldo Coggiola – Luiz Bernardo Pericás – Marcio Bobik Braga
14:00 h. (AG): MÉXICO: DE ZAPATA AO ZAPATISMO: Waldo Lao Sánchez – Igor Fuser – Jorge Grespan – Azucena Jaso
14:00 h. (CPJ): EDITORAS DE ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA: Marisa Midori – Flamarion Maués – Rogerio Chaves  – Sandra Reimão
14:00 h. (RXCP): CIÊNCIA E TECNOLOGIA NA AMÉRICA LATINA, EM PERSPECTIVA DE ESQUERDA: Renato Dagnino – Carlos Sanches – Ciro Teixeira Correa – Marcos B. de Oliveira
17:00 h. (AH): O ANARQUISMO NA AMÉRICA LATINA: Edson Passetti – Marcos A. Silva – Ricardo Rugai – Margareth Rago
17:00 h. (AG): A ESQUERDA E O POPULISMO: Maria Helena Capelato – Maria Ligia Prado – Antonio Rago – Fernando Sarti Ferreira
17:00 h. (CPJ): COLÔMBIA: DA “VIOLÊNCIA” À GUERRA SEM FIM: Antonio Carlos R. de Moraes – Yuri Martins Fontes – Ana Carolina Ramos – Pietro Lora Alarcón
17:00 h. (RXCP): SOCIALISMO E ANTIIMPERIALISMO NA AMÉRICA LATINA: Vitor Schincariol – Carlos César Almendra – Fabio Luis – Alexandre Hecker
19:30 h. (AH): O MARXISMO NO BRASIL: Paulo Arantes – Dainis Karepovs – Armando Boito – Ricardo Musse
19:30 h. (AG): LUTA ARMADA NO BRASIL: UM BALANÇO: Carlos Eugênio Clemente – João Quartim de Moraes – Ivan Seixas – Antonio R. Espinosa
19:30 h. (CPJ): FEMINISMO E SOCIALISMO NA AMÉRICA LATINA: Fernanda Estima – Cecília Toledo – Sara Albieri – Janete Luzia Leite
5ª. feira 13 de setembro

09:00 h. (AH): PIQUETEIROS, FÁBRICAS OCUPADAS, SUJEITOS E MÉTODOS DE LUTA: Néstor Pitrola – Josiane Lombardi – Atenágoras Teixeira Lopes – Rodrigo Ricupero
09:00 h. (AG):  A ESQUERDA E O MEIO-AMBIENTE: Francisco del Moral Hernández – Mauricio Waldman – Ana Paula Salviatti – Gilson Dantas
09:00 h. (CPJ): SOCIALISMO E SOCIAL-DEMOCRACIA NA AMÉRICA LATINA: Adalberto Coutinho – Gonzalo Rojas – Lúcio Flavio de Almeida – Claudio Batalha
14:00 h. (AH): A LUTA PELA TERRA NA AMÉRICA LATINA: Gilmar Mauro – Zilda Iokoi – Horacio Martins de Carvalho – Valeria De Marcos
14:00 h. (AG): A FRENTE DE ESQUERDA NA ARGENTINA (E O BRASIL): Luis Mauro S. Magalhães – Pablo Rieznik – Valério Arcary – João B. Araújo “Babá”
14:00 h. (CPJ): AMÉRICA LATINA: IMUNE À CRISE?: José Menezes Gomes – Plínio de Arruda Sampaio Jr. – Leda Paulani – Ramón Peña Castro
17:00 h. (AH): A CLASSE OPERÁRIA NA HISTÓRIA LATINO-AMERICANA: Ricardo Antunes – Agnaldo dos Santos – Sean Purdy – Mauro Iasi
17:00 h. (AG): ESQUERDA, IGREJAS, DIVERSIDADE SEXUAL E HOMOFOBIA: Laerte – Horacio Gutiérrez – Wilson H. Da Silva – Maria Fernanda Pinto
17:00 h. (CPJ): DILEMAS DA UNIVERSIDADE NA AMÉRICA LATINA: Gladys Beatriz Barreyro – Afrânio Catani – César Minto – João Flavio Moreira
17:00 h. (RXCP): PARAGUAI: DA TRÍPLICE ALIANÇA A ITAIPU: Cristiana Vasconcelos – Dorival Gonçalves – Brás Batista Vaz – Filipe Canavese – José A. Rolón
19:30 h. (AH): AMÉRICA LATINA, A CRISE MUNDIAL E A ESQUERDA: Plínio de Arruda Sampaio – Jorge Altamira – Ricardo Canese – Valter Pomar
19:30 h. (AG): DROGAS, NARCOTRÁFICO E CAPITALISMO NA AMÉRICA LATINA: Henrique Carneiro – Julio Delmanto – Rosana Schwartz – José Arbex
19:30 h. (CPJ): A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NO SÉCULO XXI: Fernando Torres Londoño – Lucelmo Lacerda – Valéria Melki Busin – Jung Mo Sung
AH: Anfiteatro de História / AG: Anfiteatro de Geografia/ CPJ: Sala Caio Prado Júnior / RXCP: Sala Reinaldo Carneiro Pessoa

Inscrições On-Line: www.esquerdaamlatina.fflch.usp.br    
Apoio: GMarx – NEPHE – CEMOP - Mouro     
Entrada Franca   Serão fornecidos certificados de freqüência
Comissão Organizadora: Lincoln Secco – Osvaldo Coggiola – Rodrigo Ricupero – Jorge Grespan – Marcos A. Silva – Francisco Alambert
Co-Organização: PROLAM (Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina) – USP

Mostra Paralela
ESQUERDAS DE CINEMA – IMAGENS DAS AMÉRICAS LATINAS
(Ciclo de filmes)
Coordenação geral: Marcos Silva (FFLCH/USP) e
Thiago de Faria Silva (Rede de ensino básico e fundamental
 da Prefeitura de São Paulo)
MÉXICO - O anjo exterminador, de Luis Buñuel (1962), comentado por Marcos Silva (FFLCH/USP).

ARGENTINA - La hora de los hornos, de Pino Solanas (1968), comentado por Mauricio Cardoso (FFLCH/USP).
BRASIL - Memórias do inconsciente, de Leon Hirzsman (1986), comentado por Nelson Tomelin (UFPA).
CUBA - Guantanamera, de Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabio (1995), comentado por Marco Aguiar (UNIFAC).
URUGUAI - O banheiro do Papa, de Cesar Charlone (2005), comentado por Gilberto Maringoni (Fundação Casper Libero).

BRASIL – Videolência, do Núcleo de Consciência Alternativa (2009), e Qual Centro?, do Nossa Tela (2010), comentados por Thiago de Faria Silva (Rede de ensino básico e fundamental da Prefeitura de São Paulo)

CHILE - Dawson Ilha 10: a verdade sobre a ilha de Pinochet, de Miguel Littín (2009), comentado por Helio Costa Jr. (UFAC).

ARGENTINA - Cómplices del silencio, de Stefano Incerti (2010), comentado por Darcio Argento (Pesquisador autônomo).

COLÔMBIA -  Los Infiltrados (2011), comentado por Neusah Cerveira (Rede estadual de ensino básico e fundamental do Rio Grande do Norte).

LANÇAMENTO E RECITAL: Dulce Patria, poesias de Horacio Gutiérrez, sobre a ditadura chilena.

Cenas explícitas da "democracia" do governo Dilma


Discurso feito à época em que a Dilma era candidata à presidência. Obviamente que o titulo do vídeo é uma figura de linguagem, mas, oportunamente, fica a deixa para não esquecer o que significam as promessas de campanha eleitoral.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PPGMLS e Museu Pedagógico da UESB convidam


Como atividade do Convênio de Cooperação Acadêmica entre o Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, e o Programa de Pós-Graduação em Didáctica de las Ciencias Experimentales, da Universidad Nacional del Litoral – UNL, que foi estabelecido com a aprovação, no edital CAPES – CAFP - BA 2009, do projeto intitulado Programa Binacional dos Centros Associados para o Fortalecimento das Pós- Graduação Brasil/Argentina: Multidisciplinaridade da Educação, coordenado pela Profa. Dra. Lívia Diana Rocha Magalhães (Uesb) e Prof. Dr. Héctor Odetti (UNL), acontecerá, no campus de Vitória da Conquista, nos dias 04 e 05 de setembro de 2012, no auditório 2 do subsolo do módulo de medicina, das 08:30 às 12:00h e das 14:00 às 18:00h, o III Seminário Binacional Brasil-Argentina.
O tema do III Seminário será Fundamentos Psicológicos da Aprendizagem e será tratado pela Profa. Dra. Verónica Rebaudino, da UNL, em missão de trabalho do convênio.
Além dos docentes e discentes da linha de pesquisa Memória, Cultura e Educação do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, todos os docentes e discentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia estão convidados a participar como ouvintes do evento.
As inscrições poderão ser feitas na Secretaria do PPGMLS, no dia 03 de setembro.
Terá direito a certificado quem participar de pelo menos 3 turnos que corresponde a 75% do evento.

Situação da greve dos docentes das universidades federais - Agosto

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Camillo de Jesus Lima - 100 anos


O maior poeta do Sudoeste baiano, Camillo de Jesus Lima, comemoraria no próximo dia 08 de setembro 100 anos de idade e é em face disso que toda a região pauta-se na expectativa de um reconhecimento definitivo e do resgate histórico daquele que tanto contribuiu e tem contribuído, com a sua obra e histórias de lutas e movimentos em prol da cultura.
Camillo de Jesus Lima nasceu em Caetité, aos 08 de setembro de 1912 e mudou-se para o município de Vitória da Conquista em 1939. Nesta cidade abraça causas sociais e inicia movimentos literários. Comunista convicto e assumido foi preso durante a Ditadura Militar de 64, e veio a falecer em Itapetinga, no dia 28 de fevereiro de 1975, de forma nunca totalmente explicada. Dentre as suas principais obras, publicou: As Trevas da Noite Estão Passando ("O Combate", em colaboração com Laudionor Brasil, poemas, 1941); Poemas ("O Combate", 1942 - vencedor do Prêmio Raul de Leoni da Academia Carioca de Letras); Viola Quebrada ("O Combate", poesia, 1945); Novos Poemas ("O Combate", id., ib.); Cantigas da Tarde Nevoenta ("Edição de Artes Gráficas - Salvador", poesia); Memórias do Professor Mamede Campos (romance); A Mão Nevada e Fria da Saudade ("Edições MAR", poesia), A Bruxa do Fogão Encerado (contos); Vícios (contos); Bonecos (Perfis); O Livro de Miriam (Poesia, 1973, impresso na gráfica de "O Jornal de Conquista" para "edições MAR"); Cancioneiro do Vira-mundo (Poesia) e outros ainda inéditos.
O Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, nos dias 04, 05 e 06 de Setembro, realizará justas homenagens a esse grande artista.
No dia 04, coquetel de abertura com projeção de vídeos e exposição de poemas pintados de Júlio Veredas. No dia 05, acontecerá a apresentação “Agora é a sua vez” do ballet Lorena Albuquerque. E para encerrar, no dia 06, o show “Destina de cigarra” de Gutemba. Toda a programação começará as 20h.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Aloizio Mercadante: um caso de “sucesso”


Professor Arandi Ginane Bezerra Jr., D. Sc.*
Li a interessante tese de doutorado do ministro Aloizio Mercadante Oliva. Este trabalho acadêmico cujo título é “As bases do novo desenvolvimentismo: análise do governo Lula” está disponível na Biblioteca Digital da Unicamp1. Inicialmente, o motivo que me levou à leitura foi uma curiosidade. Explico, sou físico de formação, também escrevi uma tese de doutorado e, assim como o ministro Mercadante, sou professor e funcionário público. As 537 páginas da tese do Dr. Mercadante chamaram minha atenção e fiquei curioso por saber do que se tratava. Ao final da leitura, acadêmico que sou, consultei o currículo Lattes do ministro 2. Queria saber quantos artigos ele havia publicado, porquanto uma tese tão robusta – imaginei – deveria conduzir a artigos interessantes. Confesso que fiquei decepcionado, porque o Dr. Mercadante não publicou nenhum artigo referente à tese. De fato, em seu currículo Lattes não consta a publicação de artigos em periódicos. Desconfiei.
A desconfiança se deve a meu apego a um princípio: teses de doutorado devem ser trabalhos inéditos e relevantes, logo (se são inéditos e relevantes), deveria ser possível publicá-las em revistas nas quais há o processo de revisão pelos pares. Mas, deixemos, por enquanto, para lá as tecnicalidades e comentemos as fotografias. Ao me deparar com a fotografia que o ministro colocou em seu currículo2, surpreendi-me com o contraste entre sua expressão “hoje” e aquela que havia se fixado em minha memória, referente ao “ontem”. Refiro-me a uma foto publicada na revista Veja3, em julho de 1984. Seguem, abaixo, as fotos:
Mercadante “ontem” 3 Mercadante “hoje” 2
Minha curiosidade se transformou em cisma: o sorriso de “hoje” está em total descompasso com a expressão grave de “ontem”. Por quê? Sei que, muitas vezes, precisamos dar tempo ao tempo para que o raciocínio coordene as ideias, as impressões e as sensações, por isso, decidi continuar a leitura da tese. Ao longo das horas, fui me deparando com ideias interessantes, expressas pelo doutor Mercadante em trechos que reproduzo aqui (incluindo a referência ao número da página):
“Evidentemente, a educação de qualidade exige, acima de tudo, professores bem pagos, formados e motivados, recursos pedagógicos adequados, instalações apropriadas...” (p.48).
“...a educação continua a ser um dos principais gargalos do desenvolvimento nacional” (p.255).
“Apesar dos avanços observados nas últimas décadas, a educação continua a ser reconhecidamente um dos mais graves problemas do país, um sério gargalo para o desenvolvimento sustentado e para a elevação dos padrões de vida e cidadania da população brasileira” (p.265).
“Apesar da reação contrária de alguns governadores, especialmente os da oposição, os salários na educação continuam baixos, sobretudo na educação básica, embora todos concordem que não haverá melhoria da educação com profissionais desvalorizados, mal pagos e mal preparados para o exercício do magistério” (p.271).
“O pressuposto é o de que os países que quiserem se destacar no longo prazo no cenário mundial terão de desenvolver sociedades com educação de qualidade e economias que tenham capacidade para gerar inovação científica e tecnológica. A simples eficiência na produção de commodities não assegurará, por si mesma, um lugar de destaque na globalização e na ordem mundial. Pelo menos não no longo prazo” (p.488).
“É claro que educação de qualidade pressupõe fundamentalmente professores qualificados e valorizados, escolas bem equipadas, envolvimento dos pais e das comunidades no ensino, etc” (p 492).
“Temos, é claro, ilhas de excelência, particularmente no ensino superior, mas a regra geral é a educação ainda precária e de qualidade inferior” (p.492).
Ao concluir a leitura da tese de doutorado, fui reler o texto que Mercadante, então professor da PUC-SP e vice-presidente da Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior, publicou na revista Veja, em 1984. Trata-se do artigo “A greve, o feijão e o sonho”3, do qual reproduzo as seguintes passagens, também muito interessantes:
“Abalado por inúmeros movimentos grevistas, o sistema educacional público brasileiro atravessa atualmente um momento crítico que raras vezes em sua história se manifestou de forma tão aguda... Antes de mais nada, a comunidade universitária engajou-se nesse processo de luta para reivindicar seu feijão e defender seu sonho”.
“Não tivemos outra alternativa a não ser desencadear uma greve. E, a se manterem as atuais posições do governo – a ministra da Educação encerrou as negociações, traindo compromissos anteriores assumidos com a ANDES – a greve atual continua e outras greves inevitavelmente ocorrerão”.
Li e reli as passagens. Voltei a prestar atenção nas fotos. O “processo interno”, mistura de pensamento com intuição, prosseguiu. Se as fotos são sobremaneira diferentes – o contraste entre sisudez preocupada em uma e sorriso esperto na outra – os discursos, por sua vez, são achegados: a tese do doutor Mercadante parece coerente com o artigo do professor e sindicalista Mercadante. Fico a pensar no tempo e nas transformações – não exatamente a partir dos referenciais da Física, ciência da minha formação, mas, talvez, da Filosofia. Na fotografia, há algo de morte; meu olhar, contudo, busca uma transcendência. Assim, que seguirei nesta bricolagem, pensamento solto e não linear.
Eis que fui ao Google e digitei as palavras que me vieram à cabeça em fluxo contínuo: Mercadante tese doutorado ministro sonho... Quase 500 mil páginas se ofereceram a mim. Sábado à tarde, enveredei-me a ler um pouco mais. Descobri muitas coisas.
Por exemplo, descobri que, quando candidato ao governo de São Paulo, em 2006, Mercadante declarou: “Eu construí a minha vida na educação... fiz meu mestrado e doutorado na Unicamp...”4. Opa! Alguma “dobra temporal” aqui. A tese de doutorado, ele defendeu em 17 de dezembro de 2012. Logo, em 2006, não era doutor e o então candidato Mercadante faltou com a verdade. Por quê? Minha curiosidade continua viva.
Salto para uma notícia da Folha de São Paulo (FSP), de 20105:
“O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato derrotado ao governo de São Paulo, foi convidado na tarde desta sexta-feira (3) pela presidente eleita, Dilma Rousseff, e vai assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia no futuro governo... Assim, Mercadante é o primeiro dos candidatos do partido que não tiveram êxito nas urnas a ser ‘socorrido’ por Dilma. Em 2003, Lula assumiu seu primeiro mandato tendo no primeiro escalão vários derrotados nas urnas, como o baiano Jaques Wagner e o gaúcho Tarso Genro” (FSP, 03/12/2010).
O candidato Mercadante foi “socorrido” pela presidenta Dilma no mesmo mês em que defendeu sua tese de doutorado. No mês seguinte, o doutor Mercadante
assumiu o ministério da Ciência e Tecnologia, com um discurso também interessante6:
“O mundo da ciência e da tecnologia é estratégico para que possamos crescer com qualidade, gerando maior valor agregado aos nossos produtos e serviços, e em consequência, a competitividade global da economia, e acentuando o atual processo de inclusão social”.
Em trecho da matéria que consta no sítio da FINEP6, encontra-se outra informação que considero relevante para este processo de elaboração em que me encontro imerso:
“Recentemente, voltou à academia para defender sua tese de doutorado na Unicamp. ‘Costumava dizer que ‘estava’ senador, mas que era, na realidade, economista e professor. Agora, ‘estarei’ ministro, sendo com muita honra e acima de tudo, um educador e um economista”.
Os trechos “estarei ministro” e “sendo com muita honra e acima de tudo, um educador e um economista” reverberam em minha cabeça. Na sequência, entendi que o primeiro se referia, provavelmente, ao fato de que haveria uma troca de ministério (“estava” em um ministério, depois em outro “estaria”). Ora, em 24 de janeiro de 2012, Mercadante mudava de pasta, continuava ministro. O agora ministro da educação manteve seu discurso firme, talvez porque se considere “acima de tudo, economista e professor”7:
“Essa é a minha verdadeira identidade. Todos os cargos que ocupei, tudo o que fiz, fiz com base nessa profunda e definitiva identidade”.7
A identidade profunda, aprendemos com a psicologia, é algo que está sempre em outro lugar, definitivamente. Mas como encontrá-la? Como é que alguém, afinal, estabelece uma identidade? Nossa identidade se mistura com o mundo, o mundo se mistura com nossa identidade. Queria entender e parece que estou me complicando... O ministro, por sua vez, parece que se encontrou e que encontrou seu lugar. Talvez, por isso, o sorriso. Volto a me ater às fotos e percebo que naquelas das cerimônias de posse (de ambos os ministérios) há o mesmo sorriso que me havia chamado a atenção na foto do currículo Lattes. Será que encontrei o fio da meada?
Ora, pois, no discurso da nova posse8, o ministro me deu mais uma pista:
“Lá em casa respiramos educação e, no trabalho, já respiramos muito pó de giz.
Essa longa trajetória na pesquisa e no magistério me preparou para todos os desafios que enfrentei na minha vida pública.”
Seria, talvez, alguma alergia a pó de giz mais uma razão para o ar preocupado na foto de 1984? Ou será que a “longa trajetória na pesquisa” teria cansado o professor? A propósito, neste ponto, devo insistir que, de acordo com os critérios produtivistas de avaliação apregoados pelo ministro Mercadante, o professor Mercadante está em maus lençóis, isto porque nunca publicou um artigo, um artiguinho sequer em revista “indexada”. Seria por isso também a preocupação estampada na fotografia?
Mas deixemos este “papo Qualis” para lá e examinemos outra frase presente no desfecho do discurso de posse do ministro da Educação8:
“Não podemos esperar. O Brasil já se tornou a sexta economia mundial, tirando o lugar que pertencia ao Reino Unido. Porém, não melhoraremos de posição e não consolidaremos nosso desenvolvimento se não ousarmos, se não inovarmos, se não pensarmos grande, se não pensarmos o futuro a partir da educação.”
Neste ponto da minha reflexão, sou tentado a escrever que, tanto a tese de doutorado quanto os discursos de posse do ministro doutor Mercadante, constituem fonte fantástica de frases excelentes a serem usadas em discursos e em textos referentes à importância da educação, da pesquisa e da valorização do trabalho docente. Sinceramente, recomendo a leitura. Quem fizer copy-paste dos textos elaborados pelo ministro (por favor, não se esqueça de dar o devido crédito) vai ficar bem na fotografia, com perdão pelo trocadilho.
Mas pergunto: o que dá autoridade a um discurso? Onde a alma do discurso? Acredito que discurso não tem nem uma, nem outra. Alma é gente que tem. E alma é passível de qualificação. A propósito de alma e de discursos, é preciso registrar duas declarações mais recentes do ministro Mercadante. A primeira delas, emitida logo na sequência da deflagração da greve nacional dos professores federais, iniciada em 17 de maio, e a segunda, 90 dias após o início da greve:
“Não vejo porque uma greve neste momento, neste cenário em que o governo demonstra todo interesse em cumprir o acordo e há tempo
para negociar” (ministro Mercadante, declaração à imprensa9 em 23/05/2012).
"Não conheço nenhuma proposta melhor para os professores, tanto do setor público quanto do privado" (declaração à imprensa10 em 15/08/2012, sobre a proposta apresentada, em 13/08, pelo governo aos professores).
A curiosidade que me moveu no início, o contraste e o descompasso que percebi ao dirigir o olhar para as fotografias, ganham, assim, outra dimensão, porque esbarram no insulto. Insulto porque aquele Mercadante que escreveu o que escreveu e que disse o que disse, agora, diz – e faz! – outra coisa. Minhas memórias remetem à semelhança com quem pediu para esquecerem o que escreveu, senão, vejamos:
“Por isso, à frente do Ministério da Educação continuarei a luta da minha juventude pela dignidade dos professores. Esse é um compromisso de vida que assumo, agora, como compromisso público!” (Aloizio Mercadante, discurso de posse no MEC8).
“Compromisso de vida” é expressão impactante. Mas impacto maior foi aquele causado pelo simulacro de acordo, assinado em 3 de agosto, entre o governo federal e uma entidade que representa tão somente 3% da categoria dos professores. De fato, a maioria dos professores recusou a proposta apresentada pelo governo e este, arbitrariamente, encerrou as negociações. Isto faz eco com o texto de jornal escrito em 1984 pelo professor Mercadante, denunciando que “a ministra da Educação encerrou as negociações, traindo compromissos anteriores assumidos com a ANDES”. Neste sentido, salta aos olhos o excelente futurólogo que era Mercadante: “a greve atual continua e outras greves inevitavelmente ocorrerão”. Onde a “luta da juventude”, onde a “dignidade”? Ele disse, mesmo, “compromisso de vida”?
Talvez, o professor Mercadante, desanimado de ser professor, tenha percebido o quanto a vida de político seria melhor. E, talvez, o sorriso brote quando o ministro abre seu contracheque. Por exemplo, no mês de julho, segundo dados do Portal da Transparência11, seu salário líquido totalizou R$ 32.195,27. Motivo para sorrir.
Talvez, o sorriso também seja porque o ministro Mercadante esteja feliz por contribuir para o “Fomento à Pesquisa e ao Desenvolvimento de Conhecimentos Científicos”; informações do Portal da Transparência12 revelam que o ministro recebeu, em 2011, R$ 14.109,00 da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP); em 2012, sua atuação na área continua13, pelo que percebeu o total de R$ 5.479,48.
Além disso, segundo o mesmo portal14, o ministro também recebeu, entre fevereiro e abril de 2011, R$ 9.000,00 “para pagamento de indenização moradia”. Talvez, a vida de ministro seja um pouco melhor que a de professor. Seria por isso o sorriso?
Aqui das minhas bandas, sinceramente, não ando satisfeito com a remuneração que recebo (de professor federal em regime de dedicação exclusiva). Também não tem sido fácil conseguir verbas para exercer meu trabalho. Por exemplo, receber diárias (para a passagem e para o feijão), quando saio em viagens nacionais e internacionais, a fim de participar de congressos, é dureza. Para mim e para outros milhares de professores. Em outra nota, ainda segundo dados do Portal da Transparência15, para o ministro Mercadante, em 2011, houve a liberação de R$31.297,54 em diárias. É sabido que ministros viajam muito.
Estou quase escrevendo outra tese – e dizem que texto longo ninguém lê. Pois, declaro que li os do ministro (as 537 páginas da tese, o artigo de jornal e os discursos de posse). Aos que acompanharam este meu tecido, é hora de apresentar alguma espécie de desfecho, ou conclusão. É jogo duro a vida de acadêmico, mesmo quando tentamos nos libertar, certas categorias nos tomam de assalto. É assim com a estrutura dos textos. Por isso a demanda por concluir. Permitam-me, antes, afirmar que, mesmo em greve, mesmo sentindo na carne o desprezo e o desrespeito que o governo, vergonhosamente, insiste em propagar, ainda assim, o humor continua. O bom humor. Penso, elaboro, fico preocupado e sinto raiva, às vezes, franzo a testa. Mas o sorriso sempre vem ter aqui nesta face. Não é uma questão de “achismo”: sou, sim, diferente daquele professor que, quando chegou a hora de ser mais, perdeu-se.
Aí vai mais.
Li, reli, pensei, matutei, e fiquei com pena do professor Mercadante – aquele preocupado da foto de 1984. Acho que aquele professor, por conta da opressão e da injustiça, sofria. Aquele professor, que ainda não era doutor, também por isso, provavelmente, ficava preocupado. Aquele professor sonhava – e, sem medo – declarava o sonho, primo-irmão da esperança. Aquele professor, sem ter vergonha, escrevia “feijão”. Então, fiquei com pena daquele professor que, tornando-se político, parece que se desfez, ou fez-se duplo, e escreveu uma tese de letra morta. Escreveu muitas linhas bonitas, mas mortas.
Quanto ao ministro doutor, emito aqui minha opinião: sua tese, pensando bem, é pouco mais que uma propaganda de um governo (será que vai além disso?). As
passagens que destaquei e copiei são interessantes, mas, eis que fico em dúvida: será que ultrapassam o senso comum? Ah, e o ministro! Parece ser mais um “político” a corroborar a impressão que – de novo – o senso comum atribui ao termo. E, agora, parece que entendo as fotos. O ministro do futuro, “político de sucesso”, ri-se do “professor sem sucesso”: sem sucesso acadêmico e sem sucesso político. É o ministro que o homem se tornou que ressoa na própria alma. Sorri quem está contente. Sorri quem se encontrou. Acho que entendi. Pessoalmente, acho que não desejo sucesso ao ministro Mercadante. Ou melhor, acho que desejo outro tipo de sucesso. O fato é que sinto saudades do professor Mercadante, que mal conheci. O professor não teve sucesso (naquela foto, parece até que ele já sabia disso). Ouvi dizer que o ministro Mercadante, o da pose, vai ter que comer muito feijão para que os brasileiros voltem a acreditar quando ele falar de sonho.
Hoje, prefiro um ar preocupado, porque ressoa com o tempo em que vivo: enquanto o ministro sorri na outra fotografia, o(s) professor(es) carrega(m) o peso de uma greve. A partir de agora, acho que vou contrair uma mania: tirar mais fotos e olhar para elas a-ten-ta-men-te. A chateza desta coisa toda é que desconfiarei de mim quando estiver sorrindo.
Curitiba, 19 de agosto de 2012.

*Departamento Acadêmico de Física
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Em greve desde 17/05/2012.
Referências:
11http://www.portaldatransparencia.gov.br/servidores/Servidor-DetalhaRemuneracao.asp?Op=1&IdServidor=1699199&Ano=2012&Mes=6
Fonte: FocAia