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terça-feira, 19 de março de 2013

3º SEMINÁRIO INTERNACIONAL O MUNDO DOS TRABALHADORES E SEUS ARQUIVOS


DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE
Rio de Janeiro – Brasil 16 a 20 de setembro de 2013

CHAMADAS PARA SESSÕES DE COMUNICAÇÕES

As sessões de comunicações do 3º Seminário Internacional o Mundo dos Trabalhadores e seus Arquivos terão três eixos temáticos, cujas ementas seguem abaixo.

I - Acervos e memória dos trabalhadores na cidade e no campo
As propostas de comunicação deverão ser sobre projetos e trabalhos de recuperação, organização, preservação e disponibilização de fundos, coleções e demais documentos de tipo, gênero e suportes diversos vinculados ao mundo dos trabalhadores. As propostas de comunicações sobre políticas de implantação de arquivos e centros de documentação em entidades sindicais, entidades dos movimentos sociais, organizações políticas e partidárias e em entidades públicas e privadas deverão ter como característica que as instituições que organizam e preservam esses acervos deem acesso público à documentação de valor histórico e cultural.

II - Ditadura e repressão aos trabalhadores.
As propostas de comunicações deverão ser resultantes de pesquisa que evidenciem os atos de violação de direitos, perseguição, tortura, desaparecimento e assassinato de trabalhadores durante períodos de ditadura militar no Brasil e/ou em outros países da América Latina. Poderão, ainda, ser contempladas propostas de comunicação voltadas à elucidação dos mecanismos de controle do movimento sindical e das formas de resistência e luta dos trabalhadores, sindicalizados ou não, contra o autoritarismo e a repressão.

III - Direito à memória e à verdade
As propostas de comunicações deverão abordar o direito à memória e à verdade, tendo em vista a importância da relação estabelecida entre memória e verdade, ainda que de forma conflitiva e disputada, para o processo de construção da identidade política, cultural e social de um povo. Os trabalhos devem contemplar a temática no que se refere ao período dos regimes de exceção e aos mecanismos de justiça de transição atualmente utilizados no Brasil e/ou em outros países da América Latina, na perspectiva de debater iniciativas de recuperação da nossa história recente e de aperfeiçoamento do processo democrático.

INSCRIÇÕES PARA SESSÕES DE COMUNICAÇÕES
Os candidatos interessados em participar do processo de seleção de trabalhos devem seguir as seguintes orientações:
1 – Indicar na primeira página o tema da sessão de comunicação, título do trabalho, o(s) autor(es) da comunicação, e-mail para contato;
2 – Na segunda página deve constar o título do trabalho em negrito e o resumo expandido, com texto entre 500 e 700 palavras em português ou espanhol;
3 – O resumo expandido deve ressaltar o objetivo, método, resultados e conclusões do trabalho;
4 – Em outra página deve enviar resumo em um único parágrafo, com aproximadamente 100 palavras, para fins de publicação, caso a proposta seja selecionada;
5 – Os resumos deverão ser redigidos no formato Word, em Times New Romam, tamanho de fonte 12, alinhamento justificado e espaçamento 1,5;
6 – Podem ser apresentados trabalhos coletivos sendo que a apresentação fica restringida a duas pessoas;
7 – O tempo para a apresentação do trabalho será de 20 minutos, sendo que não haverá tradução simultânea;
8 – As propostas devem ser enviadas entre 15 de março e 15 de junho de 2013, exclusivamente para o e-mail mundodostrabalhadores2013@gmail.com
9 – Os trabalhos serão selecionados pela Comissão Organizadora do evento considerando sistema de pontuação e mérito;
10 - A divulgação dos trabalhos selecionados será feita no dia 01 de agosto de 2013, não cabendo nenhum tipo de recurso. Todos os inscritos receberão por e-mail resposta de aceite ou não de seu trabalho;
11 – O autor da inscrição do trabalho selecionado será comunicado por e-mail. Anexo à comunicação serão enviadas as normas para elaboração da integra do artigo;
12 – O artigo na íntegra deverá ser enviado, impreterivelmente, até o dia 13 de setembro de 2013;
13 – Os artigos selecionados serão publicados em um livro eletrônico no site dos promotores e/ou organizadores do seminário;
14 - Os candidatos selecionados para as sessões de comunicações não estão isentos do pagamento da taxa de inscrição no seminário. O valor da inscrição é de R$ 70,00 (setenta reais) para representantes de instituições e profissionais e de R$ 50,00 (cinquenta reais) para estudantes;

Promoção: Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Arquivo Nacional do Brasil
Comissão Organizadora:
·    Arquivo de Memória Operária do Rio de Janeiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro
·    Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT
·    Centro de Referências Memórias Reveladas
·  Centro de Memória, Documentação e Hemeroteca Sindical “Florestan Fernandes” da Universidade Estadual Paulista
·   Laboratório de História Social do Trabalho (LHIST) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
·  Núcleo de Pesquisa, Documentação e Referências sobre Movimentos Sociais e Políticas Públicas no Campo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

São Paulo/Rio de Janeiro, 15 de março de 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

PROIFES AMEAÇA RICARDO ANTUNES


Intelectuais e entidades prestam solidariedade a professor e divulgam manifesto em defesa da liberdade de expressão

O professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Antunes, sofre uma interpelação judicial movida pela PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior), em função de declarações no Programa Roda Viva da TV Cultura, do dia 3 de setembro de 2012. Na ocasião, questionado sobre a greve dos professores das universidades federais, o sociólogo brasileiro disse: “Alguém acredita que não tem greve? Que a greve acabou porque uma entidade criada pelo governo, incentivada pelo governo, ela não fala pelo conjunto – a chamada PROIFES, ela não fala pelo conjunto dos Professores, as universidade federais ainda estão paralisadas...”.
Em solidariedade ao colega, professores de diversas instituições laçaram um manifesto de repúdio a iniciativa da Proifes. Segundo o documento, “o conteúdo ameaçador da peça inaugural da ação, foi bem além da oposição de ideias”, tendo servido para judicializar a política, “o que é bastante grave, sobretudo para o movimento sindical, que durante décadas teve sua voz dificultada pela atuação judiciária”.
A carta destaca ainda que: “O aperfeiçoamento democrático de qualquer instituição, como as entidades sindicais, os poderes instituídos e outros, somente pode frutificar no livre campo das críticas que as façam florescerem para o cumprimento de seus reais desígnios, favorecendo a construção de um país cada vez melhor e efetivamente democrático, onde o exercício do debate crítico é vital”.
Leia abaixo o documento completo.

MANIFESTO EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO   (SOLIDARIEDADE AO PROF. RICARDO ANTUNES)
Recentemente, chegou ao conhecimento dos abaixo assinados a existência de uma interpelação judicial, movida pela PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior), tendo como interpelado o Professor Ricardo Antunes. Por intermédio dessa medida judicial, a entidade sindical pretendeu opor-se a declarações que Ricardo Antunes havia proferido no Programa Roda Viva da TV Cultura, no dia 03 de setembro de 2012. Suas palavras, respondendo a uma pergunta sobre a greve dos Professores das universidades federais, ditas ao vivo, foram: “Alguém acredita que não tem greve? Que a greve acabou porque uma entidade criada pelo governo, incentivada pelo governo, ela não fala pelo conjunto – a chamada PROIFES, ela não fala pelo conjunto dos Professores, as universidade federais ainda estão paralisadas...”
A fórmula utilizada, no entanto, sobretudo em razão do conteúdo ameaçador da peça inaugural da ação, foi bem além da oposição de ideias, tendo servido, isto sim, para judicializar a política, o que é bastante grave, sobretudo para o movimento sindical, que durante décadas teve sua voz dificultada pela atuação judiciária.
Entendem os signatários desse documento que o Professor Ricardo Antunes, cuja integridade tanto intelectual, quanto pessoal, é notória, apenas expressou livremente as suas impressões a respeito da atuação de tal entidade. Assim, nada mais fez do que utilizar o seu direito constitucional de livre manifestação do pensamento, na forma prevista no art. 5º, inciso IV, da Constituição da República Federativa do Brasil.
Entendemos que, para o avanço e o favorecimento do exercício democrático, caberia à entidade em questão, caso quisesse, vir a público e se pronunciar sobre a fala do Professor, apresentando os seus fundamentos fáticos. Sem nos posicionarmos a respeito de eventual controvérsia que pudesse advir, repudiamos, firmemente, o meio utilizado, que recusa o debate e visa a recriminar o opositor, principalmente porque entendemos essencial para a melhoria das instituições brasileiras o permissivo da crítica e da contraposição franca e aberta das ideias.
Ademais, juridicamente falando, com o advento da democracia no Brasil,  a liberdade de expressão foi integrada ao conjunto normativo como direito fundamental e, ainda que no cotejo com outros valores de caráter individual, não deve, por princípio, ser tolhida ou mesmo ameaçada.
A Constituição de 1988, no aspecto do dispositivo acima mencionado, foi, sem dúvida, fruto da grande conquista popular frente aos anos da ditadura que vergastaram nosso país, não se podendo conceber, por ser uma afronta às garantias democráticas, que qualquer instituição, valendo-se de aparatos jurídicos, volte-se contra o cidadão, buscando calá-lo ou amedrontá-lo, especialmente dentro de uma relação entre representante e representados e mais ainda em se tratando de instituições que devam ser tidas como responsáveis pela livre manifestação de docentes.
O aperfeiçoamento democrático de qualquer instituição, como as entidades sindicais, os poderes instituídos e outros, somente pode frutificar no livre campo das críticas que as façam florescer para o cumprimento de seus reais desígnios, favorecendo a construção de um país cada vez melhor e efetivamente democrático, onde o exercício do debate crítico é vital.
Assim, os abaixo-assinados, desejosos em contribuir, de forma constante e progressiva, por meio do exercício do direito à livre manifestação, com a instituição de uma lógica democrática no Brasil, vêm, por meio desse manifesto, reafirmar sua contrariedade a todas as práticas antidemocráticas, repudiando, por consequência, a iniciativa da PROIFES, de interpor medida judicial em face do Professor Ricardo Antunes para contrapor-se às impressões por este manifestadas de modo democrático e no exercício livre do debate de ideias.
Fonte: ADUFRJ

I Congresso Internacional de Estudos do Rock

O Colegiado de Pedagogia e o Mestrado em Educação/ Campus de Cascavel da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, com o apoio dos Programas de Pós-Graduação em História e Letras, e os Colegiados de Pedagogia do Campus de Francisco Beltrão e de Letras do campus de Cascavel, convidam a todos a participarem do I Congresso Internacional de Estudos do Rock, que se realizará na UNIOESTE, na cidade de Cascavel, entre os dias 25 e 27 de setembro de 2013. Trata-se do primeiro evento exclusivamente voltado ao rock no Brasil. Já conta com a confirmação da presença de grandes especialistas como Arthur Dapieve, Juan Pablo González (Chile), Sérgio Pujol (Argentina), Guilherme Bryan, Rodrigo Merheb, entre outros. Nesta primeira edição haverá uma comemoração em relação aos 40 anos do grupo Secos & Molhados e seu primeiro disco, contando com a presença do criador e líder da banda, João Ricardo.
As inscrições com e sem apresentação de trabalho já estão abertas e devem ser realizadas através do site do evento. As inscrições de trabalhos com resumo estão abertas somente até dia 10 de abril.
O evento contará com conferências, sessões de conversas com músicos, comunicações orais e orais-musicais, oficinas, apresentação de bandas locais, exposição de artes, ciclo de cinema, entre outras atividades.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Universidades de pires na mão

foto: Uneb - Campus I

13/03/2013 10:03

 O Governo Jacques Wagner, de maneira irresponsável, brinca com a educação do Estado. Na mesma semana em que os principais jornais impressos estamparam manchetes em que o governador, sorridente, comemora o aumento do PIB de 3,1% em 2012, contra apenas 0,8% do resto do país, o Fórum dos Reitores das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) pleiteou, junto ao Ministério na Educação (MEC), em Brasília, recursos para evitar que as universidades entrem em colapso financeiro. Até então, o PIB da Bahia já se destacava como o maior de toda a região Nordeste. 

No mesmo período, o site Bahia Negócios, em 6 de março, publicou matéria em que mostra os reitores das Ueba tentando buscar auxílio financeiro que chegariam a R$ 20 milhões, provenientes do repasse retroativo da diferença de recursos do programa Sisu e de emendas parlamentares que favorecem às universidades. A resposta do Governo Federal foi amarga: ao invés dos recursos financeiros solicitados, os reitores obtiveram apenas a promessa de que na eventual elaboração de projetos, que ainda, nem se quer foram elaborados, as Ueba poderão receber auxílio financeiro no final de 2013. 

De volta ao cenário estadual, todas as evidências levam o Movimento Docente a acreditar que, ao contrário do que afirmam os secretários de Jacques Wagner, não faltam recursos nos cofres do Estado para a educação, o que falta é vontade politica e sensibilidade social.

As Ueba atravessam um momento crítico de estrangulamento orçamentário. Já no segundo semestre no ano passado, por possuir déficit no repasse orçamentário, as Universidades Estaduais foram obrigadas a solicitar ao governo suplementação de verba para custeio e investimento, e as antecipações das quotas (QCM) de novembro e dezembro. A solicitação da Uneb, segundo a Administração Central, foi na ordem de R$ 14 milhões.

Conforme matéria publicada no ADUNEB-Mail 458, dia a dia, o caos se instala na Uneb. A falta de infraestrutura ocorre em vários Campi: carteiras quebradas, queda de energia constante, falta de material didático, residência docente com energia cortada, interrupção no serviço de limpeza dos Campi por falta de pagamento etc. E se não bastasse a administração nociva do governador e sua equipe, a Uneb ainda sofre por falta de pulso firme do Reitor Lourisvaldo Valentim. Como fiel súdito, ele se esconde à sombra de seu chefe, Jacques Wagner, e não reivindica os direitos da Universidade.

É hora de fazer o governo Wagner se arrepender das agressões que tem imposto ao MD e a educação do Estado. Chegou o momento de uma união, ainda maior, entre os professores. É necessário levar o problema ao espaço público, mostrar à sociedade a ameaça de falência das universidades estaduais e a precarização do trabalho docente. Vamos à luta! Todos juntos pela educação em 21 de março, Dia de Luta Docente!
Fonte: ADUNEB

terça-feira, 12 de março de 2013

Cine Debate - A resistência armada na ditadura militar no Brasil


Exibição do documentário Cidadão Boilensen

Com a participação de: 

Carlos Eugênio Paz (Clemente)- ex-Comandante da ALN
Prof. Afonso Lana Leite (IArte/UFU)- ex militante da COLINA
Mediadora: Profª Eliane Soares (GPEstado/Incis/UFU)

Data: 2 de abril de 2013
Horário: 19h00
Local: Auditório A/B do Bloco 5-O - Campus Santa Mônica

Realização:
Grupo de Pesquisa Estado e Capitalismo na América Latina
(GPESTADO/INCIS/UFU)
Grupo de Pesquisa Estado, Democracia e Educação
(GPEPED/FACED/UFU)
Grupo de Pesquisa Trabalho, Educação e Sociedade
(GPTES/INCIS/UFU)

Apoio: MAS, JCA, UFU

Será emitido certificado aos participantes

Contato: aduran@incis.ufu.br

ENTRADA FRANCA

Prof. Aldo Duran Gil
Coordenador do Grupo de Pesquisa Estado e Capitalismo na América Latina
Instituto de Ciências Sociais (INCIS)
Universdiade Federal de Uberlândia (UFU)

A defesa do marxismo por José Carlos Mariátegui


“A inteligência burguesa entretém-se numa crítica racionalista do método, da teoria e da técnica dos revolucionários. Que incompreensão! A força dos revolucionários não está na sua ciência; está na sua fé, na sua paixão, na sua vontade. É uma força religiosa, mística, espiritual. É a força do Mito. A emoção revolucionária, (…) uma emoção religiosa. Os motivos religiosos deslocaram-se do céu para a terra. Não são divinos; são humanos, são sociais.” (Mariategui. O homem e o mito.)
A editora Boitempo apresentou ao público em fins de 2011 um livro essencial à biblioteca latino-americana e marxista. Trata-se de um clássico: Em defesa do marxismo de José Carlos Mariátegui.
Escrito entre 1928 e 29 é um dos 3 livros que Mariátegui escreveu em sua breve e profícua vida. Neste livro, articulado num conjunto de 22 ensaios, o “Amauta” comenta as obras e as idéias de Einstein, Keynes, Nietzsche, Bergson, Freud, Sorel, Lenin, Trostky entre outros. O livro tem como um ponto de partida, o debate com Henri de Man e com sua obra “Para Além do Marxismo”, que sentencia ocaso do marxismo.
Man partia do pressuposto que o marxismo é uma teoria ultrapassada que não se desenvolveu acompanhando o conhecimento científico e a filosofia social no século XX, em especial, a psicologia e a contribuição meta-filosófica de Sigmund Freud. O marxismo era uma teoria datada, presa ao seu tempo e ao racionalismo do século XIX. De igual forma, o marxismo centrara sua preocupação nos elementos técnicos, numa economia diretiva e positivista. Julgava que as preocupações e os elementos constitutivos e subjetivos do ser humano eram minimizados, reduzidos a uma sociedade planejada, tecnicista- produtiva. Man concluía assim que a economia soviética poderia ter avanços distributivos e organizados, mas seria incapaz de alcançar a alma humana e de entender o caminho para felicidade coletiva. A seu modo de ver, tratava-se não apenas de reformar o marxismo, como queria Bernstein, mas sim de superá-lo.
O debate era imperioso já que ali era questionada a essência da crítica marxiana ao capitalismo, a possibilidade ou não da superação da pré história humana.
Mariátegui ao estabelecer a polêmica trata de temas como: economia, tecnologia, direito, sociologia, literatura, religião, psicologia. A postura intelectual de Mariátegui é respeitosa em relação a Henri de Man, e tem como centro de sua argumentação a defesa do marxismo.
Sua argumentação desenvolve-se em dois vértices. O materialismo histórico como “método de interpretação da sociedade moderna” e o materialismo dialético como sistema filosófico. Através do materialismo histórico o marxismo se apresenta como ação política pela qual realiza sua crítica ao capitalismo e se estabelece como movimento. E, através do materialismo dialético, estabelece um debate teórico-filosófico com outras correntes de pensamento que possam ou não contribuir na crítica ao capitalismo.
Dessa forma, e ao contrário do que Man postulou, o marxismo apresenta-se como um “sistema” aberto, tendo claro que, enquanto sistema, estabelece a crítica como sua radicalidade e a superação do capitalismo através da revolução socialista, como seu método.
Para Mariátegui o marxismo se apresenta à sociedade e às classes despossuídas como doutrina, método de ação, “evangelho e movimento de massas”, como fé e sentimento “religioso” que apresenta a “boa nova”: a superação do capitalismo através da revolução socialista. A ação é garantida pelo método, materialismo histórico, responsável por estabelecer um programa político voltado para mobilizar a ação proletária na sociedade, enquanto a formulação teórica e filosófica determina a orientação da práxis como elaboração do materialismo dialético. Este espaço dual tem como centro o papel do Partido, articulando tanto a direção a seguir como os debates a tratar.
Cabe aqui ressaltar que na orientação Mariateguista a “doutrina e o dogma” se expressam enquanto uma “bússola”, capaz de apresentar uma direção às massas e não uma amorfa teoria que se repete. O niilismo era para Mariátegui um dos sintomas centrais do momento europeu e mundial. A grande guerra havia criado um ambiente de devastação e tristeza, que denotava duas hipóteses: ou a ruptura socialista, ou a repetição de mais desigualdade social e desesperança das pessoas, portanto, num clima de confronto entre o pessimismo rigoroso de um capitalismo em crise, e a promessa de sua superação. A doutrina expressa o norte e o sul aos movimentos e aos homens.
A doutrina devia ser assim apresentada às massas desvalidas como um horizonte, tal como os intelectuais do cristianismo no tardo romano articularam a prática e a teoria, indo do simples camponês às classes cultas do patriciado, construindo a capacidade hegemônica sobre o Estado.
Nesse momento é fundamental em Mariátegui a idéia de mito de greve geral desenvolvida por Sorel. Este a transpõe à luta de classes, revestindo-a com a argumentação de mito da revolução social. A seu ver as amplas massas se mobilizam por ideias, por grandes trabalhos que se apresentam como uma “fé”. A fé que o movimento comunista deveria introjetar nas massas era a de que a angústia e a alienação reinante no capitalismo só poderiam ser superadas pelo socialismo. Se o povo e o proletariado não tivessem fé nessa alternativa de nada adiantaria o esforço teórico. Ao seu tempo, essa mesma fé não pode ser um culto ao espontâneo, ao movimento despossuído de conhecimento. Aqui a realização da teoria ganha relevo, uma vez que sem o entendimento da dinâmica do capitalismo e das novas ações engendradas por este, os movimentos sociais ao invés de se contrapor, poderiam servir, in démarche como sua reprodução metabólica.
A visão leniniana de Mariátegui reserva ao Partido Revolucionário o ponto de encontro entre teoria e prática, entre o dogma e filosofia, entre fé e ciência. É, portanto: o intelectual coletivo e o início e fim da ação política.
Um processo revolucionário são as dores de um parto, tradução do fim de instituições de um sistema e a transição (e construção de novas instituições) para um novo sistema. Esse processo não é linear e nem simples. O pensamento de Man é compreendido em Mariátegui como parte do radicalismo pequeno burguês, humanista, que havia se aproximado da Revolução Socialista Soviética através de uma visão utópica. Mas que era incapaz de perceber o dinamismo e tensões que se faziam presentes no movimento e processos revolucionários. Henri de Man se aproximou do socialismo pela porta das modas e pela mesma porta se distanciou, como aliás pode ser visto em outros processos, como o cubano ou nicaraguense, onde de igual maneira pessoas se aproximam, conforme a força das emoções espontâneas e desenham seus sonhos idílicos, e se afastam, conforme os problemas econômicos, sociais e políticos vão construindo uma muralha real que exige respostas duras a uma dura realidade. Com isso o sonho idílico e pacífico vai se esvaindo no horizonte da decepção.
Mas além da perda de encanto que a realidade traz às utopias, há no debate de Mariátegui todo um potencial político a ser pensado para os dias de hoje.
Para terminar essa pequena resenha cabe dizer que o livro, um clássico, foi traduzido e organizado por Yuri Martins Fontes, que fez um cuidadoso trabalho lendo e pesquisando as fontes citadas e com uma bela apresentação contextualizada à altura da obra. Nas orelhas, Carlos Nelson Coutinho, lembra-nos da proximidade (e inquietude) intelectual de Mariátegui com as obras de Lukacs, Kosh, Gramsci e Benjamin, como parte da atmosfera crítica da década de 1920 e, por fim, um glossário onomástico e uma pequena cronologia da vida e da obra de José Carlos Mariátegui.
Referências bibliográficas
FORNET-BETANCOURT, Raúl (1995) O Marxismo na América Latina. São Leopoldo,: UNISINOS, 1995.
MARIÁTEGUI, José Carlos. Em defesa do marxismo. São Paulo: Boitempo, 2011.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Projeto de Extensão “História e Memória no campo da luta de classes” em dose dupla


Evento convida para duas atividades:

 Palestra: “Comunidades tradicionais: memória e oralidade como construção de identidades”

A reconstituição da memória, a valorização e a preservação da identidade das populações tradicionais é algo fundamental no processo de construção da história de um povo. No caso das comunidades negras, esta busca tornou-se mais intensa nos últimos anos, evidenciando o crescente interesse pela autoafirmação e pelo reconhecimento das suas origens enquanto comunidades remanescentes de quilombos. Destarte, essa palestra tem como objetivo discutir a importância da memória para as questões que envolvem comunidades tradicionais, e como esta memória pode se relacionar com o documento escrito. Nessa medida, não interessaria somente o “fato pelo fato”, mas como os fatos vividos pelos antepassados marcaram a população local.
A ministrante convidada, Leila Maria Prates Teixeira Mussi, é Mestre em História – PPGHIS/UNEB; Pesquisadora GEPEECS e professora do Departamento de História da UESB/Vitória da Conquista.

Dia: 22/03/2013
Local: Auditório do Módulo IV (Pedagogia)
Horário: 19:30

Minicurso: “Para pensar a luta de classes: práticas sociais sob a ótica marxista”

Buscando refletir acerca das condições sociopolíticas em que nos encontramos no projeto histórico capitalista, considerando a necessidade de mediar a teoria com a prática social, o Projeto de Extensão “História e Memória no campo da luta de classes”, coordenado pelo GEILC (Grupo de Estudos de Ideologia e Luta de Classes convida para o Minicurso “Para pensar a luta de classes: práticas sociais sob a ótica marxista“ , ministrado pela professora doutora Fátima Moraes Garcia (DFCH/UESB).
O minicurso apresentará conteúdo fundado do Materialismo Histórico e suas categorias analíticas centrais como:  força de trabalho, economia-política, modo de produção da vida material, condição de classe, capitalismo e contradição. Como forma de compreender os aspectos inerentes a substância capitalista na prática social que vivemos será proposta a realização de uma organização teatral onde os personagens irão representar situações identificadas em recortes de revistas, jornais e outras mídias.

Dias: 25 e 26/03/2013
Local: Auditório I do Luisão
Horário: das 14:00 às 17:00 horas

Para ambos os eventos haverá emissão de certificado de participação.

sábado, 9 de março de 2013

Bolsas do Programa Ciência sem Fronteiras


Inscrições abertas para pré-seleção de Candidatos da Graduação a Bolsas do Programa Ciência sem Fronteiras – CAPES/CNPq (Edital nº 037/2013)

Encontram-se abertas as inscrições para pré-seleção de candidatos da graduação a bolsas do Programa Ciência sem Fronteiras – CAPES/CNPq (Graduação Sanduíche no Exterior), conforme Chamadas Públicas nºs: 136/2013, 138/2013, 139/2013, 140/2013, 141/2013 e 142/2013, respectivamente para China, Irlanda, Áustria, Bélgica e Finlândia, disponíveis no site do referido programa, e Edital UESB nº 037/2013, na home page da Uesb. Os candidatos deverão se inscrever, previamente, no site do Programa Ciência sem Fronteiras, mediante o preenchimento do “Formulário de Inscrições do Programa”, impreterivelmente, até o dia 05 de abril de 2013, e, posteriormente junto à PPG. Informações adicionais poderão ser obtidas no site do referido programa ou junto a essa coordenação, através de e-mail (inovacao@uesb.edu.br).

FNE fará videoconferência para mobilização nacional pela educação


6/03/2013

O Fórum Nacional de Educação (FNE), espaço de interlocução entre a sociedade civil  e o Estado brasileiro, realiza videoconferência no próximo dia 14  para preparar as conferências municipais e intermunicipais em todo o Brasil, etapas que antecedem a Conferência Nacional de Educação (Conae) de 2014. As conferências municipais e intermunicipais devem acontecer a partir da terceira semana de março.

O FNE, istituído pela portaria 1.407, de 2010, defende a necessidade de ampliação de recursos para a manutenção e o desenvolvimento de ensino diante da urgência do país em  estabelecer  novas fontes para financiar a educação pública.

Na última reunião realizada, em Brasília, em 27 de fevereiro,  o Fórum decidiu os pontos que deverão permear a pauta das conferências nos estados e municípios.  Entre os quais, a defesa do Plano Nacional de Educação (PNE), que tramita no Congresso Nacional,  o investimento público de 10% do PIB em 10 anos aos estabelecimentos públicos de educação e  a destinação de recursos do pré-sal e todos os royalties do petróleo em volume suficiente para atingir 10% do PIB durante a década.

A Conae 2014, que será realizada em Brasília de 17 a 21 de fevereiro de 2014, tem previsão de lançamento oficial no Congresso Nacional em abril. Segundo o secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação, Francisco das Chagas Fernandes, coordenador do FNE,  a mobilização nas etapas municipal e intermunicipal é importante para garantir uma boa participação dos segmentos da sociedade na Conae.

As propostas debatidas nesses encontros municipais serão levadas às conferências estaduais, que servirão de orientação aos delegados designados para a conferência nacional, a Conae 2014. A videoconferência poderá  ser acompanhada no site do FNE. O endereço é fne.mec.gov.br.

Fonte: UNDIME

quinta-feira, 7 de março de 2013

NPC lança cartilha "A origem socialista do DIA DA MULHER"

Saiu uma nova edição da cartilha "A origem socialista do DIA DA MULHER", elaborada pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). O material questiona a versão de que a data teria começado a partir de uma greve que teria ocorrido em 1857 em Nova Iorque, quando teriam morrido 129 operárias queimadas vivas. O que o material vem lembrar é que o Dia Internacional da Mulher tem uma origem socialista, que remonta ao início do século 20. Inclusive o 8 de março foi fixado a partir de uma greve iniciada no dia 23 de fevereiro (calendário russo) de 1917, na Rússia. Uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de Petrogrado foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa. Como escreveu Alexandra Kollontai, membro do Comitê Central do Partido Operário Social Democrata Russo, "nesse dia as mulheres russas levantaram a tocha da revolução". 
Mais informações: NPC

Só 10% dos jovens sabem matemática


Publicação: 07/03/2013
O ensino médio, principal desafio educacional do Brasil, tem apenas 10,3% de seus estudantes com aprendizado em matemática adequado à sua série. Além de ser baixo, o dado ainda representa piora: em 2009, o porcentual era de 11%.

Em língua portuguesa, o índice ficou em 29,3% nessa etapa, estável em relação ao levantamento anterior. Os dados fazem parte do relatório De Olho nas Metas, do movimento Todos Pela Educação.

O movimento monitora desde 2008 o cumprimento de cinco metas: o atendimento escolar à população de 4 a 17 anos, a alfabetização na idade correta, o desempenho dos alunos nos ensinos fundamental e médio, a conclusão dos estudos e o financiamento da educação. Neste ano, o desempenho dos estudantes chamou a atenção pelos maus resultados.Quando se leva em conta apenas os estudantes de escolas públicas brasileiras, apenas 5,2% sabem o que deveriam de matemática no ensino médio - ficando bem longe das metas estipuladas. Em português, foi de 23,3% O movimento usa como base os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil de 2011. A disciplina de matemática é considerada referencial, por ser um conhecimento basicamente escolar.

No 9.º ano do Ensino Fundamental, somente 12% dos estudantes de escolas públicas tiveram desempenho desejável na disciplina. Mas enquanto a maioria dos alunos tem dificuldades, Cocal dos Alves - um município pobre localizado no interior do Piauí - consegue fazer com que quase 90% dos alunos do 9.º ano tenham rendimento adequado em matemática. É o maior índice do Brasil.

Na média estadual, Minas Gerais conseguiu um feito: tem a melhor adequação de aprendizado de matemática no ensino fundamental e médio. Santa Catarina se destacou no cumprimento das metas. “Trabalhamos com toda a rede e estipulamos metas de desenvolvimento ao final de cada série”, diz o secretário de Educação, Eduardo Deschamps. Os primeiros anos do ensino fundamental têm os melhores resultados. Em matemática, 36% dos estudantes apresentaram desempenho adequado. Em língua portuguesa, esse porcentual ficou em 40%.

Fonte: EM

Seminário “Como nasce um documentário”


Release / Programa Janela Indiscreta

Geraldo Sarno é parte viva da história do
 cinema brasileiro
De 11 a 14 de março, acontece a V Semana Glauber, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, com o tema “Glauber e o Cinema Latino-Americano”, numa parceria entre o Janela Indiscreta Cine-Vídeo Uesb, o Programa de Cinema e Audiovisual da Uesb (ProCine Uesb) e o projeto de extensão Telas e Textos. Como parte da programação, será realizado, durante todos os dias de evento, o seminário “Como nasce o documentário”, ministrado pelo cineasta Geraldo Sarno. As inscrições estão abertas até o dia 8 de março.

Também serão realizadas palestras e exibições de filmes de curta e longa-metragem, além de um “encontro marcado”, no dia 14, às 19h, com a participação do já supracitado Geraldo Sarno. O encontro discutirá a importância da obra de Glauber Rocha para a construção de elementos norteadores da produção cinematográfica brasileira e da América Latina.

A Semana Glauber acontece desde 2002, em comemoração ao aniversário de Glauber Rocha, e tem como compromisso aproximar o público conquistense do potencial artístico desse cineasta baiano que foi o grande representante do Cinema Novo e completaria 74 anos em 2013.

As inscrições podem ser feitas virtualmente através do formulário disponível aqui ou no Janela Indiscreta, que se localiza no Módulo de Comunicação Gileno Paiva – módulo da TV, na Uesb.

Sobre o ministrante:

Geraldo Sarno - Autor de um clássico do cinema documental brasileiro, Viramundo (1965), sobre a migração nordestina para São Paulo, o primeiro de uma série de estudos sobre a cultura do Sertão. Começou no início dos anos 60 como integrante do Centro Popular de Cultura da Bahia (na cidade de Poções, em 1938). Realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), que se perderam após o golpe militar de 1964. Trabalhou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. A partir de 1999, em complemento ao trabalho de reflexão estética iniciado com a revista Cinemais, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre eles Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra. Realizou também alguns longa-metragens de ficção.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Universidades Estaduais da Bahia ameaçadas de falência porque não recebem dinheiro do Governo


6 de março de 2013

Reitores Lourivaldo Valentin (UNEB), Paulo
Roberto (UESB),  José Carlos (UEFS)
 e Adélia Maria (UESC, com a
cuia na mão, pedindo dinheiro ao MEC.

Os reitores das quatro Universidades Estaduais da Bahia saíram desolados da audiência com o ministro interino da Educação, Henrique Paim, onde foram solicitar a liberação de recursos da ordem de R$ 20 milhões, oriundos de emendas parlamentares destinadas às instituições, e o repasse retroativo da diferença de recursos do programa Sisu – sistema informatizado do Ministério da Educação por meio do qual as instituições públicas de educação superior oferecem vagas a candidatos participantes do Enem. Ao invés do dinheiro, o ministro mandou elaborar projetos, que, se forem aprovados, poderão receber os recursos “no fim de 2013. A Reitoria da Universidade de Feira de Santana distribui uma nota, abaixo reproduzida na íntegra, na qual demonstra seu desespero diante da situação pré-falimentar:

SOBRE A EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA UEFS EM 2013, RESTOS A PAGAR E DESPESAS DO EXERCÍCIO ANTERIOR

“Nestes primeiros meses de 2013, a UEFS não tem conseguido regularizar débitos contraídos ao final do ano de 2012. O grande volume de recursos retidos pelo Tesouro Estadual (inclusive os relativos ao presente exercício) e as dificuldades operacionais do novo Sistema de Planejamento, Contabilidade e Finanças (FIPLAN) atingem os mais diversos serviços e projetos institucionais.

Estão em atraso, por exemplo, pagamentos relativos a despesas com viagens, aquisição de material de consumo e bolsas institucionais (até mesmo as de estudantes em intercâmbio internacional). As contas mensais de concessionárias de água e esgotos, de telefonia e de energia elétrica estão sem pagamento. Os tributos municipais e federais não têm sido liquidados. E estão comprometidos os cronogramas de conclusão de obras de laboratórios e salas de aula, previstos para ocorrerem até o mês de janeiro, em decorrência da falta de pagamento dos serviços realizados até dezembro de 2012.

Ainda não é possível mensurar-se a extensão dos prejuízos às atividades de ensino, extensão e pesquisa. Mas as limitações decorrentes destes atrasos provocam inadimplemento de requisitos fiscais e de prazos, ameaçando a continuidade de diversos projetos interinstitucionais, bem como podem vir a impedir que a UEFS obtenha novos financiamentos externos, principalmente da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Igualmente, a ausência de pagamentos de bolsas ameaça a própria sobrevivência de centenas de estudantes, comprometendo a política universitária de permanência estudantil. Com o iminente início do Semestre Letivo 2013.1, até mesmo serviços essenciais às atividades institucionais podem ser seriamente afetados.

É importante esclarecer-se que a UEFS encerrou o exercício financeiro de 2012 com Restos a Pagar (RP) da ordem de R$ 6,4 milhões, em razão de dificuldades do Estado na liberação de pagamentos, embora a Universidade tenha realizado, em tempo hábil, todos os procedimentos cabíveis, dentro dos limites de sua dotação orçamentária. Outros créditos relativos àquele ano (e que exercem impacto sobre o orçamento de 2013) foram registrados como Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), no início de 2013, em montante estimado de R$ 2,5 milhões.

Em anos anteriores, esses créditos eram recebidos a partir de fevereiro, sendo que a execução orçamentária do exercício iniciava-se na segunda quinzena de janeiro. Porém, na prática, os procedimentos do referido FIPLAN ainda não estão suficientemente difundidos e equacionados, de modo a permitir execução financeira com a rapidez e eficiência necessárias. Isso implica que, até o presente momento, apesar de todos os esforços institucionais, pagamentos das despesas relativas ao ano de 2012 continuem emperrados, em prejuízo de pessoas físicas e jurídicas, fornecedores e prestadores de serviços. Ainda, em consequência, não há, sequer, como se estabelecer previsões para as liberações de recursos por parte do Tesouro Estadual.

A Reitoria da UEFS, considerando a gravidade da situação, tem envidados os esforços necessários à superação das barreiras e resolução do problema. Porém, sente-se no dever de esclarecer a comunidade universitária, aos seus credores e ao público em geral que, neste momento: 1) os pagamentos aos credores não dependem apenas das ações internas da UEFS; 2) suas equipes continuam buscando soluções para o problema, no mais breve tempo possível; e, finalmente, 3) continuará empenhando-se, junto ao Governo do Estado, para garantir os recursos necessários ao atendimento das demandas da Universidade”.

Ranking latinoamericano da desigualdade social


Esses dados são do ano passado (2011), divulgados pela ONU e provam que a Venezuela é hoje o país da América Latina com a menor desigualdade social. Isso é mérito de que governo? A grande mídia nunca vai divulgar isso. Antes dele, a pobreza e a miséria naquele país eram absurdas.


Comandante Chávez faleceu, e agora: o que fazer?


Milton Pinheiro[1]
A cena política impactada pelo falecimento do presidente Hugo Chávez se torna extremamente tensa diante das trilhas e possibilidades que sinalizam as posições em confronto. Temos nesse momento de tratar das ações entre as diferentes esferas das relações sociais, entender quem são os atores em disputa, analisar as relações de força e as práticas políticas em movimento, com as suas cargas ideológicas ocultas.
Na Venezuela se constituiu um poder alternativo à lógica do capital, pautado na defesa dos direitos do povo e dos trabalhadores. Mas que sempre enfrentou dificuldades para empreender mudanças estruturais e profundas rupturas na ordem. Esse movimento de poder popular (difusamente chamado de chavismo) se confronta, até hoje, com uma burguesia articulada com o imperialismo estadunidense e sequiosa por vantagens que, para se estabelecer, será preciso atacar as vitórias das massas que passaram a ter educação, saúde, cultura, trabalho, lazer e a mais ampla participação popular.
A burguesia venezuelana dependente dos negócios do petróleo, historicamente corrupta e golpista, sempre teve na sua fração industrial um braço armado para colocar o povo e os trabalhadores na mais profunda miséria. No entanto, o poder popular na Venezuela advém de uma emergência organizativa contraditória que luta para fortalecer a presença dos de baixo para fazer o enfrentamento ao projeto contra-hegemônico da burguesia, que se encontra articulada numa bem elaborada campanha de contra-informação que distorce os fatos internamente e que mantém uma audaciosa peça ideológica para difamar o governo bolivariano no exterior. Trata-se de uma mega estrutura de informação que é distribuída para todo o mundo.
O país tem, apesar do frentismo chavista, por um lado, as massas conscientes de seu papel para garantir os avanços sociais e políticos e, por outro, uma classe dominante disposta a disputar a hegemonia política no fogo da conjuntura que se abriu. Ambas têm base social, enquanto classe, para operar o confronto. 
A burguesia contrarrevolucionária na Venezuela faz a disputa nas forças armadas, congrega ideologicamente os setores da alta classe média, conta com o apoio dos EUA e de seus satélites na região (Colômbia). As massas populares, apesar das diferenças políticas, contam com seu poder de mobilização, tem ao seu lado a Guarda Nacional e faz a disputa nas forças armadas.
A ruptura da institucionalidade será o passo político do bloco contra-hegemônico e conservador, fomentado pela direita golpista. Eles apresentarão o discurso da democracia em geral que na verdade é a democracia de classe, ou seja, da burguesia. A mídia internacional será multiplicadora dessa postura política. O que fazer?
Vai se abrir uma vaga de confronto revolucionário. Os blocos históricos das classes em contradição se movimentarão. O bloco histórico dos trabalhadores, a partir dos seus segmentos mais conseqüentes, não pode contemporizar. Deve avançar dando demonstração de força nas atividades de rua, mantendo em estado de alerta a Guarda Nacional bolivariana e construindo pontes com as diversas organizações populares e proletárias. Além disso, os operadores políticos internacionalistas do campo revolucionário devem contribuir, em caso de luta aberta pelo poder, com o mais amplo apoio internacional, e até mesmo com brigadistas, para sufocar o aparato da reação burguesa. O momento deve ser de organização revolucionária dos setores que lutam pelo socialismo na perspectiva de construir rupturas necessárias.
O cenário de crise pode se aprofundar e marchar para a luta em campo aberto, pois o inimigo de classe é forte e conta com o esquema político e militar do campo imperialista. Todavia, pela convicção e organização do campo proletário, podemos ter numa situação de dualidade de poder a manutenção da hegemonia popular e o avanço das forças revolucionárias.
A crise política está aberta, os blocos de classe se movimentarão e a transição será disputada. É difícil identificar qual campo sairá vitorioso e as conseqüências do processo. No entanto, a vanguarda bolivariana e os comunistas deverão ter papel de intenso protagonismo. A saída não está na capitulação das negociações palacianas ou parlamentares, é hora de radicalizar o discurso e se movimentar para realizar impactantes ações políticas. O avanço das lutas dos trabalhadores só será garantido pelo povo em movimento. E neste momento a democracia de novo tipo está na ponta do fuzil.

Hasta la victoria siempre, comandante!

[1] Milton Pinheiro é professor de Ciência Política da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).


III Congresso Nacional do Cangaço 2013


O III Congresso Nacional do Cangaço será realizado na UESB (BA), de 22 a 25 de outubro de 2013, com o tema "Sertões: Memórias, Deslocamentos e Identidades". Na programação, conferências, mesas-redondas, simpósios temáticos e minicursos, além de uma vasta agenda cultural, com lançamento de livros, mostra de filmes, exposição de cordel e shows musicais.

Toda solidariedade ao povo venezuelano!


(Nota do Comitê Central do PCB)


O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do comandante da revolução bolivariana, Hugo Chávez, e se solidariza de maneira revolucionária e militante com o povo da Venezuela, especialmente os trabalhadores, neste momento de tristeza e de dor.

A morte do comandante Chávez é uma enorme perda não só para o povo da Venezuela, mas para todos os latino-americanos, uma vez que Chávez se transformara num símbolo de mudanças e transformações na América Latina, bem como na resistência  à política imperialista dos Estados Unidos na região.

No entanto, o Partido Comunista Brasileiro reafirma sua confiança de que os trabalhadores e o povo venezuelanos saberão construir a unidade, ampliar a organização, derrotar as forças conservadoras e defender de maneira firme e combativa o processo de transformações que vem ocorrendo atualmente no País e avançar no sentido da construção do socialismo.

Desde o Brasil, os comunistas sabem que a melhor maneira de honrar a memória de Chávez é construir em cada País as condições para o avanço da luta popular e do processo revolucionário na América Latina.

Unidade, organização e luta na Venezuela!
Avançar no processo revolucionário!

Rio de Janeiro, 5 de março de 2013

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro