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quinta-feira, 20 de março de 2014

Físico da UESB lança livro sobre Eletricidade, Eletromagnetismo e Eletrodinâmica

"Resolução de Problemas de Eletricidade e Magnetismo, Volume 2", esse é o título do próximo livro do professor Jornandes Jesús Correia, do Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas (DCET). O lançamento acontece dia 24 de março, às 19h30, no Teatro Glauber Rocha, pela Edições Uesb. A obra, que é de nível superior, é a continuação do trabalho "Resolução de Problemas de Eletricidade e Magnetismo, Volume 1", lançado em 2004.

Em 2010, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), o professor ainda publicou “Problemas Resolvidos e Comentados de Eletricidade, Eletromagnetismo e Eletrodinâmica", volume único, voltado ao ensino médio. Ambas as publicações foram realizadas pela editora universitária.

Para o lançamento, está programado apresentação de Karatê com Katá, dança (balé clássico, dança do ventre e balé contemporâneo), seção de autógrafos, música ao vivo e coquetel. Para saber mais sobre pontos de venda e distribuição, entre em contato com a Edições Uesb através do telefone (77) 3424-8716.

Fonte: Ascom Uesb

Quão cara é a justiça (judiciário)



sexta-feira, 14 de março de 2014

Revista Lutas Sociais lança dossiê Memória e Revolução na América Latina

Primeiro, colonizada, depois, subordinada e dependente na cadeia imperialista, constituída de formações sociais com forte presença de povos pré-colombianos, a América Latina sempre representou um desafio aos estudiosos. No campo do marxismo, José Carlos Mariátegui foi um pioneiro e inovador com suas teses sobre o lugar dos povos originários na luta anticapitalista; sobretudo porque formulou essas teses numa conjuntura de muito prestígio da concepção etapista de transição ao socialismo. Que não se engane o leitor com a presença das palavras “etapa” e “fase” na formulação de Mariátegui, pois aí elas não designam um estágio numa ordem sequencial progressiva, mas a contemporaneidade de todas elas numa luta que tem por horizonte o fim da dominação e exploração de classe.

Nessa quadra histórica, quando a luta pelo socialismo é retomada pela via insuspeita do questionamento das políticas de Estado e da exigência de constituição de outros tipos de Estado (dito comunal, na Venezuela; plurinacional na Bolívia; cidadão no Equador), via diferente das guerrilhas que agitaram a região até a década de 1980, mas não oposta a elas na medida em que delas tira lições e guarda o espírito rebelde, é oportuno retomar o legado de Mariátegui à luz dos novos desafios enfrentados pelas forças populares.

Como a obra de Mariátegui suscita um debate de grandes dimensões, o dossiê que Lutas Sociais apresenta pretende ser uma pequena contribuição para esta tarefa teórica...

Jair Pinheiro
(pelo Comitê Editorial)

Sumário
ARTIGOS

 
 
 
 
 
 
 
DOSSIÊ: Memória e revolução na América Latina: a atualidade de José Carlos Mariátegui
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LIVROS
A história da destruição cultural da América Latina: da conquista à globalização ,
de Fernando Báez
Um genocídio, um etnocídio e um memoricídio praticados contra os povos latino-americanos
Waldir José Rampinelli
 
Fonte: NEILS

terça-feira, 11 de março de 2014

No ar novo número da Revista Binacional Brasil-Argentina

Ao lançar o presente número da Revista Binacional Brasil – Argentina: diálogo entre as Ciências (RBBA), ora tornado público, a RBBA, publicação eletrônica semestral de caráter binacional vinculada aos Programas de Pós-Graduação Memória, Linguagem e Sociedade (PPGMLS/UESB) e Didáctica de las Ciências Experimentales (PPGDCE/UNL) apresenta uma obra sui gêneris. Trata-se de um volume que reúne autores de diversos países da América Latina, mais dois europeus. Assim, dá continuidade à difusão da produção científica resultante do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento.

Estamos convictos de que os temas transversais que ora compõem a RBBA são prementes para o diálogo entre as ciências que, por sua vez, se beneficiam da História para untar as engrenagens que produzem o conhecimento. Certamente, os temas desse número são instigantes para os leitores da revista e esperamos que sejam, também, proveitosos para aprofundar o saber cientifico.

Sumário

Presentación/Apresentação

La formación en didactica-practica en el profesorado de Matemática en el Uruguay (A Formação em Didática-Prática no professorado de Matemática no Uruguay)

Cristina Ochoviet
 

Aportes sobre el estado actual de la Educación Matemática en Argentina(Contribuições sobre o estado atual da Educação Matemática na Argentina)

Sara Beatriz Scaglia y Fabiana Kiener
 

La formación inicial del profesor de Matematicas de Secundária de España (A formação incial do professor de Matemática do Ensino Secundário na España)

Vicenç Font Moll

 

Un ejemplo de Modelización Matemática en la Enseñanza Secundaria: Aceite y Água (Um exemplo de Modelização Matemática no Ensino Fundamental II: Azeite e Água)

José Antonio Cajaraville Pegito
Maria Teresa Fernández Blanco
J. Benito Búa Ares

 

La Matemática en el arte: una visión (A Matemática na arte: uma visão)

Elena Fernandez de Carrera
 

Investigación actual sobre la Educación en Ciencias en México (Investigação atual sobre la Educação em Ciências no México)

Andoni Garritz

 

El camino de consolidación de la Educación en Ciencias Experimentales en la Argentina: Una vision personal (A trajetória de consolidação da Educação em Ciências Experimentais na Argentina: Uma Visão Pessoal)

Silvia Porro

Evaluación de la solidez en el aprendizaje de la Física por invariantes en estudiantes de Ingeniería Química (Avaliação da solidez na aprendizagem da Física por invariantes em estudantes de Engenharia Química

Juan José Llovera González

 

Lenguaje natural y léxicos específicos en la comunicación didáctica (Linguagem natural e léxicos específicos na comunicação didática)

Aldo Borese

 

Diálogo sobre a internacionalização de Programas de Pós-Graduação: Uma Experiência envolvendo a Utfpr/Ponta Grossa (Dialogo sobre la internacionalización de Programas de Pos-Grado: Una experiencia involucrando a Utfpr/Ponta Grossa)

Sani de Carvalho Rutz da Silva
Ana Cristina Schirlo

Acesse clicando RBBA Vol. 2, Num. 2

sexta-feira, 7 de março de 2014

Marx, Darwin, Freud e Einstein moldaram nosso mundo

livro esboça a história das ideias humanas, dos filósofos europeus da Antiguidade Clássica ao século 18 Você pode discordar das ideias de um deles –ou das de todos eles–, mas a escolha dos quatro nomes fundamentais para a compreensão do mundo atual, feita por Stephen Trombley em "50 Pensadores que Formaram o Mundo Moderno", é difícil de questionar. Dos 50, o autor destaca Marx, Darwin, Freud e Einstein.
Karl Marx (1818-1883) apresentou uma análise original dos conflitos de classes ao longo da história. A teoria marxista deu origem a revoluções em todos os cantos do planeta, alterou fronteiras e, mesmo depois da Guerra Fria, continua a inspirar debates.
No século 19, a humanidade estava confiante de que a razão e a ciência eram capazes de dominar a natureza até que Sigmund Freud (1856-1939) mostrou que não dominávamos nem mesmo nossos próprios pensamentos.
"A Interpretação dos Sonhos" apresentou uma instância da mente que era ignorada: o inconsciente. O pressuposto foi o estopim de uma revolução teórica que permeou o debate sobre o comportamento humano no século 20.
Charles Darwin (1809-1882) revolucionou a biologia ao publicar "Sobre a Origem das Espécies Através da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida", ou simplesmente "A Origem das Espécies", como a obra ficou conhecida.

Com tiragem inicial de 1.250 exemplares, "o livro que abalou o mundo", considerado um dos mais importantes da história, dava ao mundo a teoria da evolução. O estudo do naturalista apontava para um lento processo de seleção natural e de descendência, por meio de inúmeras mutações e adaptações graduais.
Albert Einstein (1879-1955), premiado com o Nobel de Física em 1921, foi o responsável pela Relatividade. A teoria expunha que a mecânica newtoniana, sólida explicação dos fenômenos físicos, não podia ser aplicada a todos os fenômenos do Universo.
 
A era dos 'gigantes filosóficos' terminou
 
"Por que motivo o passado teve mais nomes importantes entre os pensadores?", questiona Trombley. O autor responde fundamentado no ensaio "O Futuro da Filosofia', de John Searle, "temos mais filósofos bem treinados que em qualquer outra época e eles estão ocupados resolvendo problemas filosóficos".
Segundo Searle, aproximadamente 90% dos problemas deixados pelos gregos da Antiguidade permanecem conosco. "E ainda não encontramos um modo científico, linguístico ou matemático de responder a eles".
"Talvez tenhamos mais equipamentos militares do que inimigos", diz Trombley, "Pode ser que tenhamos mais filósofos que problemas".
 
Fonte: Folha de S.Paulo, 27/02/2014

Critérios para diferenciar Sociologia de Antropologia social e outras ciencias sociais

Título original: Criterios para diferenciar la Sociología de la Antropología Social, la Psicología Social y otras ciencias sociales


sociologia ilustracion
La realidad social constituye una totalidad compleja conformada por diversas esferas tales como la económica, política y cultural en cada una de éstas se originan y desarrollan interacciones entre los individuos; debido a los constantes cambios que éstos experimentan en el proceso de socialización provocan transformaciones en el tejido social dando lugar así al surgimiento de nuevos fenómenos sociales que requieren ser explicados y comprendidos; para ello es menester abocarse a las llamadas ciencias sociales que constituyendo un conjunto de conocimientos científicos coadyuvan al entendimiento de esa compleja realidad.
Sin embargo, cada una por separado no puede brindar explicaciones exhaustivas por lo que así como la realidad va cambiando, las ciencias también deben ir evolucionando lo que se encuentra reflejado en su apertura a la creación de nuevas especialidades en el interior de cada disciplina; consecuencia de este proceso de transformación es el surgimiento de pocos límites en el objeto de estudio de cada una lo que no permite su clara diferenciación como en el caso específico de la Sociología, la Antropología Social y la Psicología Social; aunque adentrándose en el estudio de cada una y estableciendo ciertos criterios sí se puede identificar aquello que las separa.
En relación a lo anteriormente expuesto si lo que se pretende es hacer distinción entre las ciencias sociales se debe optar por la búsqueda en la teoría que ampara a cada una de ellas y en su forma de proceder, es decir, de abordar la realidad a través del método, por el contrario, si lo que se busca es su integración ésta se encuentra en el quehacer diario del científico social en su labor de investigador ya que en este ámbito es muy difícil encontrar tipos puros debido a que en el análisis e interpretación se tiende siempre a recurrir al auxilio de otras ciencias ya sea de forma manifiesta o latente.
“Aunque la materia del estudio sociológico son los hombres en interdependencia, la provincia de la Sociología no abarca todos los tipos de estudios de hombres en interdependencia. La misma materia la estudian también otras disciplinas, tales como la filosofía social, la historia y otras ciencias sociales. ¿Qué diferencias hay entre esas disciplinas y la Sociología?”. (Timasheff, 1997: 17).
Respondiendo a la pregunta anterior, en primer lugar es importante establecer la diferencia entre Sociología y Filosofía social, aunque ambas tratan de explicar y describir la realidad basándose en la observación de los hechos y sacando conjeturas y generalizaciones respecto a esas observaciones, la diferencia consiste en que “mientras el sociólogo explica la sociedad de acuerdo con los hechos observados en la sociedad y, finalmente, en otros campos de conocimiento empírico relacionados al suyo, el filósofo social explica la sociedad de acuerdo con la explicación que él da de la realidad total. Puede hablar de causas primeras, de valores supremos, de fines últimos. El sociólogo no tiene derecho a hacerlo”. (Timasheff, 1997: 18).
Siendo la filosofía social una rama de la filosofía, está orientada a buscar el “deber ser” de las cosas, en cambio la sociología busca explicar “el ser” que las constituye, es decir, explica la realidad tal cual es. Además la filosofía social es una disciplina no empírica basada en abstracciones y el uso de la hermenéutica y aún cuando la sociología también utiliza ésta última, se cataloga como una ciencia empírica en la cual se recurre al trabajo de campo como método de contrastación entre la teoría y la realidad empírica.
Si bien es cierto que la historia es otra ciencia que trata de comprender a los hombres en interdependencia, ésta lo hace más exactamente en configuraciones pasadas de esa interdependencia. En principio, no es difícil determinar la diferencia entre ambas ya que la historia estudia el pasado como una sucesión de acontecimientos concretos y únicos debido a que los acontecimientos no se pueden volver a manifestar de la misma manera en igual tiempo y espacio; por ejemplo, aunque surjan guerras simultáneas el contexto político- social varía y aunque éstas se desarrollen en el mismo país se originarán por diversas causas y protagonizadas por otros actores sociales. De esta manera se llega a determinar que “el historiador muestra lo variable; el sociólogo señala lo constante y recurrente”. (Timasheff, 1997: 19).
Entonces,  la historia aborda los hechos relevantes que han sucedido en el pasado con el fin de comprender el presente y vislumbrar el futuro.
Respecto a la diferencia entre la Sociología y otras ciencias sociales, no resulta tan complicado identificar esta distinción con ciencias como la economía, la ciencia política, y la arqueología; aunque todas ellas al igual que la Sociología estudian a los hombres en interdependencia y también tengan su campo de aplicación en el tejido social; cada una aborda un área específica de éste de diversa manera a través de la aplicación de diferentes métodos y técnicas; la economía se interesa por la producción, distribución y consumo de bienes; mientras que la política tiene por objeto de estudio las relaciones de poder, relaciones entre el Estado y los individuos de una nación; y por último la arqueología estudia los vestigios materiales que han dejado culturas o civilizaciones antiguas.
En cambio, la distinción entre la Sociología y algunas ramas o especialidades como el caso específico de la Antropología Social y la Psicología Social es más difícil de identificar sobre todo si la línea que las separa es muy delgada y se torna invisible debido a que se ha dejado abierta la posibilidad de la interacción en las fronteras de las disciplinas. A pesar de ello; es posible distinguirlas como se explicará en el apartado ulterior.
 
Diferencia entre Sociología y Antropología Social
 
Entre la Antropología Social y la Sociología aparte de existir una diferencia en el área de estudio también hay entre ellas variaciones importantes de método. El antropólogo social se involucra de una manera más íntima con la comunidad que estudia ya que vive en ella durante varias semanas, meses e incluso años; en cambio el sociólogo, aunque también realiza trabajo de campo haciendo observaciones participantes y periódicas en una comunidad; el tiempo de su estadía no es tan prolongado como el del antropólogo social. Otra diferencia radica en que el sociólogo se interesa por explicar y comprender problemas sociales que surgen de la interacción entre individuos y no se ocupa solamente de averiguar cómo funcionan las instituciones sino busca la manera de mejorarlas; en cambio los antropólogos sociales se mantienen apartados de estos aspectos.
Como se sabe, “en la sociedad humana, lo social y cultural son inseparables entre sí  y están íntimamente entrelazados y, por lo tanto, ninguna de estas dos disciplinas sociales puede en verdad separar los dos aspectos de esa unidad. Sin embargo, para el objeto de la penetración de la realidad social por medio del conocimiento sistemático, se hace necesario didácticamente, si no separarlos, por lo menos hacer mayor hincapié en uno o en el otro de dichos aspectos. Es en ese enfoque distinto en donde radica, justamente la diferencia, entre la antropología social y la sociología. La primera dirige, principalmente, su atención hacia el comportamiento humano y todas las creaciones culturales que lo moldean y conforman, es decir, la cultura propiamente tal. La segunda se preocupa, en cambio, fundamentalmente de las relaciones humanas y las interconexiones entre seres humanos”. (Berdichewsky, 2002: 62).
 
Diferencia entre Sociología y Psicología Social
 
La Psicología social suele distinguirse de la Psicología General y de la Sociología, respecto a la primera porque ésta se ocupa de las actividades del individuo como tal y de la segunda porque aquélla se ocupa del estudio del grupo y de las instituciones sociales.
Según el economista, Kenneth Boulding (1967), existe una importante diferencia entre la Psicología Social y otras ciencias relacionadas con la conducta social: la sociología, la economía, la ciencia política y la antropología. “El psicólogo social se especializa en el estudio de pequeños sistemas sociales, mientras que otros científicos sociales se especializan en el estudio de grandes sistemas sociales. El interés de la sociología y la psicología social está definido con menor claridad que el de otras ciencias sociales, pero el sociólogo parece más interesado en: aquellos aspectos, instituciones y organizaciones relacionadas como aquello que se denomina el sistema integrativo, ese aspecto de la sociedad que está relacionado con el estatus, la identidad, la legitimidad… en que la sociedad está organizada a través del reconocimiento común de estatus y comunidad”. (Lindgren, 1972: 28).
El psicólogo social se interesa en la conducta del individuo al interactuar y pone especial énfasis en la influencia que ejerce el grupo sobre la mente y conciencia del individuo aunque éste se encuentre solo, por ejemplo cuando se está en la difícil situación de la toma de una decisión, el individuo tiende a pensar en cómo actuarían los otros o de qué forma su decisión afectaría al resto. Mientras que la Sociología muestra especial interés en la conducta de grupo, en la colectividad, la Psicología Social lo hace por la conducta del individuo en situaciones de grupo.
En conclusión se puede decir que las distinciones que se hacen en torno a cada una de las ciencias sociales son más teóricas que prácticas puesto que al momento en que se realizan investigaciones el investigador, ya sea de forma consciente o inconsciente, tiende a realizar análisis interdisciplinarios en donde se expone de manera implícita la importancia de la integración entre las ciencias sociales para conseguir resultados más apegados a la realidad enfocando ésta desde diferentes puntos de vista; atendiendo siempre a la idea de que la integración no excluye la autonomía, diferenciación ni especialización.
 
Artículo de Susan Ileana Gómez Guerra
 
BIBLIOGRAFÍA:
Berdichewsky, B. (2002). Antropología social: Introducción una visión global de la humanidad.             Chile: Editorial LOM.
Lindgren, H. Cl. (1972). Introducción a la psicología social.  México: Editorial Trillas.
Timasheff, N. S. (1997). La teoría sociológica: su naturaleza y desarrollo. México: Fondo de    Cultura Económica
 
Fonte: Ssociólogos

O nascimento da ideologia fascista (1ª parte)

  
16 de fevereiro de 2014  

A ideologia fascista representou a síntese do nacionalismo orgânico com a revisão antimaterialista do marxismo. Por Zeev Sternhell



Apresentamos aqui a tradução da «Introdução» escrita por Zeev Sternhell para a obra: Zeev Sternhell, Mario Sznajder e Maia Asheri, The Birth of Fascist Ideology. From Cultural Rebellion to Political Revolution, Princeton, Nova Jersey: Princeton University Press, 1994. Esta tradução foi feita por um leitor para o Passa Palavra.

Este livro baseia-se em duas premissas. A primeira é que o fascismo, antes de se tornar uma força política, foi um fenômeno cultural. O crescimento do fascismo não teria sido possível sem a revolta contra o Iluminismo e a Revolução Francesa que varreu a Europa no fim do século XIX e início do século XX. Por toda a Europa, a revolta cultural precedeu a política. O surgimento dos movimentos fascistas e a tomada de poder fascista na Itália só foram possíveis devido à combinação da influência crescente dessa revolução cultural e intelectual com as condições políticas, sociais e psicológicas que tomaram corpo no fim da Primeira Guerra Mundial. Nesse sentido, o fascismo foi apenas uma manifestação extrema de um fenômeno muito mais amplo e completo.

A segunda premissa, derivada da primeira, é que durante o desenvolvimento do fascismo, o seu arcabouço conceitual desempenhou um papel de especial importância. Não pode restar dúvida de que a cristalização da ideologia precedeu a construção do poder político e pavimentou o caminho para a ação política. O fascismo não foi, para usar uma famosa expressão de Benedetto Croce, um “parêntese” na história contemporânea. Não foi, como pensava ele, o resultado de uma “infecção”, de um período de “declínio da consciência de liberdade” em consequência da Primeira Guerra Mundial. Não foi o produto de uma espécie de renascimento “maquiavélico” do qual a Europa do século XX foi vítima. Ao contrário do que disseram Friedrich Meinecke e Gerhard Ritter à geração do pós-guerra, o fascismo foi parte integrante da história da cultura europeia.

Da mesma forma, o fascismo também não foi uma espécie de sombra projetada sobre o marxismo, como defende Ernst Nolte, cujo livro brilhante e bem conhecido continua a obra de Meinecke e Ritter. Também não se deve sobrevalorizar a qualidade “anti” do fascismo; o fascismo não foi apenas uma forma de antiliberalismo (para usar a expressão de Juan Linz, autor de estudo notável). Nem foi uma “variedade de marxismo”, como pretende A. James Gregor, um acadêmico normalmente perspicaz e autor de obras importantes. Além disso, o fascismo não pode ser reduzido, de acordo com a interpretação marxista clássica, a uma simples reação antiproletária que surge num estágio de declínio do capitalismo. Entre esses dois extremos, há uma abundância de interpretações.
 
Para ler a matéria por completo, clicar na fonte: PassaPalavra

Cientistas escravizam pós-graduandos e obstruem a ciência, diz Nobel de Medicina de 2002

por

05/03/2014


Sydney Brenner,  um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2002
O geneticista sul-africano Sydney Brenner, um dos ganhadores  do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2002
 
As novas ideias na ciência são obstruídas por burocratas do financiamento de pesquisas e por professores que impedem seus alunos de pós-graduação de seguirem suas próprias propostas de investigação. E há revistas de artigos científicos que estão corrompendo a ciência, pois empregam editores que não passam de cientistas fracassados que atuam de modo semelhante ao dos agentes do Departamento de Segurança Interna dos EUA e são pequenos ladrões do trabalho alheio. Quem diz isso é um do maiores nomes da biologia molecular, o sul-africano Sydney Brenner, de 87 anos, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2002, em uma entrevista publicada em 24 de fevereiro pela revista eletrônica The Kings’s Review, do King’s College da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Brenner recebeu o Nobel de Fisiologia e Medicina de 2002 com outros dois colegas por suas descobertas sobre o mecanismo de regulação genética do desenvolvimento de organismos e da morte das células. Formado em medicina na Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, ele se doutorou em química na Universidade de Oxford, no Reino Unido, país onde trabalhou no Laboratório de Biologia Molecular, em Cambridge, com Francis Crick (1916-2004), um dos descobridores da estrutura e do funcionamento do DNA. Depois de se aposentar, Brenner se vinculou ao Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, na Califórnia, nos Estados Unidos.
Ia ser só uma homenagem
A entrevista em que Brenner fez suas declarações bombásticas havia sido pautada inicialmente para ser uma homenagem a outro cientista com o qual ele havia trabalhado, o bioquímico britânico Frederick Sanger (1918-2013), premiado com o Nobel em 1958 e também em 1980, que havia morrido em novembro do ano passado.
Seguem alguns dos trechos mais quentes da longa entrevista.
A biologia obteve seu principal sucesso por meio da importação de físicos, que entraram em campo sem saber nada de biologia, e eu acho hoje que isso é muito importante.
(…)
Acredito firmemente que a única maneira de incentivar a inovação é dá-la para os jovens. Os jovens têm a grande vantagem de serem ignorantes. Porque acho que a ignorância em ciência é muito importante. Se você é como eu, sabe muito bem que não pode tentar coisas novas. Eu sempre trabalho em campos nos quais eu sou totalmente ignorante.
(…)
Hoje os americanos desenvolveram uma nova cultura na ciência baseada na escravidão dos estudantes de pós-graduação. Agora os estudantes de pós-graduação de instituições americanas estão com medo. Ele [o pós-graduando] apenas executa. Ele deve executar. O pós-doc é um trabalhador contratado. Agora temos laboratórios que não funcionam da mesma forma como os primeiros laboratórios onde as pessoas eram independentes, onde elas poderiam ter suas próprias idéias e persegui-las.
(…)
Mas hoje não há nenhuma maneira de fazer isso sem dinheiro. Essa é a dificuldade. Para fazer ciência é preciso ter suporte. Hoje, os apoiadoores, os burocratas da ciência, não querem correr riscos. Portanto, para apoiar alguém, eles querem saber desde o início como ele vai trabalhar. Isto significa que você precisa ter informações preliminares, ou seja, que você é obrigado a seguir o caminho estreito e apertado.
(…)
Acho que a revisão por pares está obstruindo a ciência. Na verdade, acho que ela se tornou um sistema completamente corrompido. É corrupto em muitos aspectos, como no fato de cientistas e acadêmicos deixarem para os editores dessas revistas a competência de fazer juízo sobre a ciência e os cientistas. Há universidades nos Estados Unidos, e eu ouvi isso de muitos comitês, que não vão considerar as publicações das pessoas em revistas de baixo fator de impacto.
(…)
Em outras palavras, [essa cultura] coloca o julgamento nas mãos de pessoas que realmente não têm nenhuma razão para exercer juízo em tudo. E isso tudo foi feito com a auda do comércio, porque eles são agora organizações gigantes que estão fazendo dinheiro com isso.
(…)
E todo mundo trabalha para essas revistas para nada. Não há nenhuma compensação. Não há nada. Elas recebem tudo de graça. Elas só têm de empregar um monte de cientistas fracassados, os editores, que são como o pessoal [do Departamento] da Segurança Interna, pequenos ladrões de energia em sua própria esfera.
(…)
Se você enviar um PDF de seu próprio paper a um amigo, então [para as revistas que cobram pelo acesso a seus artigos] você está cometendo uma infração.
Brenner certamente erra ao fazer afirmações genéricas que, em princípio, atingem não só todos os orientadores de pós-graduandos, mas também todos os periódicos e seus editores. Não é possível que toda a produção científica esteja contaminada da forma apontada por ele. Mas suas acusações não podem ser varridas para baixo do tapete. 
Pouca repercussão
As afirmações de Brenner à King’s Review tiveram pouca repercussão. O blog Retraction Watch, que monitora as retratações de publicações científicas, publicou uma nota na segunda-feira (3/mar), mas seu tom foi muito mais suave do que o das palavras ditas por Brenner.
É habitual na comunidade científica um certo silêncio em situações constrangedoras provocadas por integrantes em idade avançada. Um silêncio que por parte de uns funciona não só como uma demonstração de respeito pela carreira, mas também, por parte de outros, como um certo desdém do tipo “isso não passa de excentricidade de celebridade que já deveria estar de pijama”.
Corda em casa de enforcado
Mas certamente Brenner não está só. Essa mesma cultura que ele acusa de ser corrupta é dissecada impiedosamente pelo norte-americano Lindsay Waters, editor de humanidades da Harvard University Press, em seu livro Inimigos da Esperança: Publicar, perecer e o eclipse da erudição, publicado no Brasil em 2006 pela Editora Unesp. Para Waters, a relevância é um atributo que deixou de ser considerado na produção acadêmica contemporânea, dando lugar à competência para produzir mais, publicar mais, substituindo a qualidade pela quantidade. Segundo Waters (pág. 53),
Uma certa timidez permeia o mundo acadêmico no momento. A sabedoria de hoje diz: ‘não formule grandes questões; não pergunte por que as coisas são como são’.
Passados 10 dias desde a publicação online dessa entrevista, não é por menos o silêncio sobre ela na internet por parte de publicações científicas. A situação se aplica perfeitamente à máxima segundo a qual não se fala sobre corda em casa de enforcado.
PS — O parágrafo situado imediatamente antes do intertítulo “Pouca repercussão” foi introduzido hoje (quarta-feira, 5/mar) às 16h57, quando constatei que eu o havia suprimido acidentalmente durante a edição do texto. Não houve nenhuma reclamação de leitores, mas poderia ter havido. Afinal, embora eu não tenha endossado as afirmações genéricas de Brenner, a falta de uma relativização acabaria dando ao leitor a impressão de minha concordância com elas. Peço desculpas pelo descuido.
PS 2 — Dois dias depois da publicação do texto acima, este blog voltou ao tema com o post “Criacionistas manipulam crítica a ‘escravidão de pós-graduandos’ e a revistas científicas“.
 
Fonte: Universidade, Ciência e Ambiente

50 anos do golpe civil-militar de 1964: revisitando questões e debates

Evento de: 11/03/2014 a 12/03/2014 (Transmissão ao vivo)

Local do evento: Auditório I - IFCH

Memória - Trauma - Gênero - Espaços - Transições - Sociedade

 

Participantes:

Adriana Friszman

Alvaro Bianchi

Amelinha Teles

Anderson Almeida

Caroline Bauer

Criméia de Almeida

Deborah Neves

Denise Rollemberg

Edson Teles

Jean Sales

José Alves

Kátia Felipini Neves

Marcelo Ridenti

Márcio Seligmann-Silva

Marcos Tolentino

Margareth Rago

Maria Lygia Quartim de Moraes

Maurice Politi

Pâmela Resende

Pedro Paulo Funari

Samantha Quadrat

Silvana Rubino

 

Organização:

Profª Drª Margareth Rago

Prof. Dr. José Alves de Freitas Neto

Pâmela Resende

Marcos Tolentino

 
Promoção:

Departamento de História

Programa de Pós-graduação em História

quarta-feira, 5 de março de 2014

Educação sitiada: Por dentro dos colégios da PM em Goiás

Diferente do que ocorre nas escolas básicas da rede pública, em uma escola militar o posto de diretor não é ocupado por um pedagogo; a gestão é realizada por um policial com formação técnica equivalente a uma graduação voltada à educação

04/03/2014

Por Ana Luiza Basílio, Danilo Mekari,

Jéssica Moreira, Julia Dietrich, Pedro Ribeiro Nogueira,

Raiana Ribeiro e Roberta Tasselli


Pela manhã, todos se concentravam no pátio. As turmas uniformizadas se dividiam em pelotões para a verificação dos presentes. Era o momento em que cada estudante se apresentava a um oficial, batendo continência e mostrando respeito e disciplina. Em seguida, a bandeira nacional era hasteada e todos entoavam o hino nacional, da Independência ou do estado. A descrição acima poderia ser de um quartel, mas era o dia a dia de Bruno Pena, 28, que frequentou, de 1999 a 2003, um dos seis colégios da polícia militar de Goiás, o CPMG Hugo de Carvalho Ramos.

Onze anos depois, este modelo escolar continua vivo no estado. Só em janeiro deste ano, dez novos colégios foram inaugurados em diferentes municípios goianos. Até o fim de 2014, mais três escolas deste modelo serão entregues, totalizando 19 no sistema. Administradas pela Polícia Militar do estado, essas unidades são fruto de um termo de cooperação técnico-pedagógico entre as Secretarias Estaduais de Segurança Pública e Educação, envolvendo também as subsecretarias regionais de ensino. As escolas atendem estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio em todos os períodos.

Uma das justificativas para a existência do modelo de educação militar tem como pano de fundo a violência nos territórios onde as escolas estão inseridas. Segundo dados do Mapa da Violência 2013, entre 1998 e 2010, o índice de homicídio de Goiás cresceu 119,4% (29,4 homicídios a cada cem mil habitantes), ao mesmo tempo que a taxa do Brasil ficou estagnada em 26,2.

"Legislação - Na Constituição Federal, o inciso VI do artigo 206, também ratifica a gestão democrática como um dos princípios da educação brasileira".

A deputada Sônia Chaves (PSDB), uma das responsáveis por apresentar o requerimento de expansão do modelo ao governador do estado, Marconi Perillo (PSDB), aponta que o projeto está em sintonia com a demanda educacional dos municípios da região. “Nós fomos procurados por muitos gestores que lidam com a questão para interceder junto ao governador pela instalação de colégios militares em outras cidades.”

Para Paulo Carrano, professor da Universidade Federal Fluminense, a Polícia Militar é uma herança dos períodos autoritários e, por essa razão, considera um desvio institucional e um equívoco educacional que ela assuma responsabilidades com a rede pública de ensino. “Mas o senso comum vê na medida um elemento capaz de levar segurança às escolas e disciplinar crianças e jovens que teriam fugido ao controle de seus familiares e professores. Há também aqui um indício de falência da noção de escola como centro cultural público emancipatório e de formação cidadã. A disciplina faz parte do processo educativo, mas não pode ser nossa utopia educacional e civilizatória”, contesta.

A hierarquia escolar

Diferente do que ocorre nas escolas básicas da rede pública, em uma escola militar o posto de diretor não é ocupado por um pedagogo; a gestão é realizada por um policial com formação técnica equivalente a uma graduação voltada à educação.

Cabe também aos militares lecionar a disciplina de “Noções de Cidadania”, que aborda temas como  a “ordem unida”, orientações de trânsito, Constituição Federal, meio ambiente, etiqueta social, prevenção às drogas e educação religiosa. “A filosofia de trabalho é reacender nos nossos alunos os valores que foram esquecidos pela sociedade brasileira, como o amor ao civismo, à verdade e ao próximo”, defende Edmilson Pereira de Araújo, comandante diretor do CPMG Doutor Cezar Toledo, localizado em Anápolis.

A proposta dos colégios militares de promover “a ordem”, “o civismo” e “a moral”, segundo o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Miguel Arroyo, não é novidade, antecede a ditadura militar com a educação moral e cívica e remete a uma visão da elite de condenar os populares como aqueles que não têm civilidade e valores. “Nossa educação sempre foi mais moral que intelectual. Nossa escola nunca teve a cultura de formar cidadãos. Aqui quem forma é a justiça, a partir da repressão”, condena.

A hierarquia nos colégios militares de Goiás fere o inciso VIII do artigo 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), que preconiza a gestão democrática como um dos princípios do ensino público no país. “Acreditamos que a gestão escolar sob responsabilidade da polícia pode ser nociva, uma vez que repassa a hierarquia militar ao estudante. Nesse modelo, a construção do coletivo se dá pelo medo e não com base na parcimônia, respeito e múltiplos métodos de convivência”, avalia Márcio Menezes Moreira,  assistente da Relatoria da Educação da Plataforma Dhesca Brasil.

Na visão do pesquisador da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO), André Lázaro, oficiais, policiais e bombeiros podem se tornar educadores, desde que se submetam a concursos públicos e, por esse trajeto, assumam legitimamente a direção de estabelecimentos de educação. “Neste caso, há uma inversão: a escola é gerida por militares por serem apenas militares e a função da educação fica esquecida.”

Disciplina como resposta

Além da matéria voltada às noções básicas de cidadania, os colégios militares de Goiás possuem, a cada turno, um momento chamado de “seção disciplinar”, destinada aos alunos que não caminham de acordo com as normas do colégio. “Os policiais dão todo o suporte para que os professores tenham tranquilidade para ministrar sua aula. Toda escola tem situações de alunos que vão para atrapalhar e aqui não é diferente. Há casos de professores e funcionários sendo agredidos, ultrajados em sua moral. Esse serviço é preventivo e, quando detectamos que algum aluno está saindo fora da rotina de nosso colégio, chamamos os pais para dividirem essa responsabilidade conosco”, explica o comandante-diretor Edmilson.

Quando o estudante entra no colégio, ele é avaliado em duas notas diferentes: uma sobre o currículo e outra disciplinar. Na avaliação de conduta, todos começam com uma “nota padrão” e vão perdendo pontos ao passo que falham diante das regras. “Se o aluno chega abaixo de determinada pontuação, ele então é encaminhado ao Conselho Escolar, que normalmente acaba por expulsar o estudante. É como se fossem multas de trânsito”, relata a professora Ticiana Barbosa Bernardes, que lecionou por sete anos no CPMG Carlos Cunha Filho, do município de Rio Verde. Para a docente, as regras não vêm para tornar a criança submissa e sim para “dar conduta e garantir bom comportamento.”

Existem ainda outras regras: os estudantes devem usar as fardas corretas de acordo com ocasião, as meninas não podem usar esmalte escuro e devem amarrar o cabelo, não é permitido piercings ou mais de um furo na orelha, nem pulseiras, correntes ou colares. Aos professores, também é norma manter o cabelo curto, a aparência asseada e moderar o uso de acessórios. Para as infrações dos estudantes, as punições são diversas – desde copiar artigos de conduta à suspensão de aulas ou até expulsão.

Os alunos podem sair da escola sem farda, mas se o fazem vestidos com o uniforme devem mantê-lo em perfeito alinhamento. “Teve um caso em que um garoto tirou a camisa para fora da calça, uma coordenadora encontrou com ele no ônibus e ele foi punido”, relembra Ticiana.

Foi por causa da disciplina que o pai do então estudante Bruno, que cursou o CPMG Hugo de Carvalho Ramos por cinco anos, escolheu o colégio militar.  “Ele acreditava que era a última saída para mim, o filho rebelde, por conta das orientações disciplinares”, avalia o jovem, relembrando que a cada vez que um professor entrava na sala, o chefe de turma batia continência e anunciava o número de presentes na aula. De acordo com o manual do aluno, cada sala nomeia um chefe, que tem domínio sobre os demais colegas e zela pela disciplina do coletivo. Há também um subchefe para cuidar da limpeza e um estudante chefe geral para cada turno, responsável por auxiliar a coordenação disciplinar e realizar a chamada dos demais.

Quando estudante, Bruno criou o grêmio em sua escola como resposta à falta de espaços de participação dos estudantes. O Conselho Escolar, por exemplo, composto por representantes da direção, docentes e famílias, não contava com a presença de alunos. Na hora dos julgamentos sobre as possíveis expulsões, não havia possibilidade para que o estudante contra-argumentasse ou se defendesse. “Isso não é formar o cidadão, é apenas selecionar”, explica Bruno, que embora tenha críticas, é favorável ao sistema de ensino. “Passar por uma experiência dessa é bom para todo mundo, tanto para repudiar e dar valor à liberdade, quanto para adquirir valores, como disciplina, ordem e hierarquia.”


Taxas

Além de obrigatórios, os uniformes devem ser providenciados pelas famílias. Cada estudante tem, pelo menos, quatro tipos deles, que chegam a custar até R$100 cada. Para arcar com estas e outras despesas, o termo de cooperação técnico-pedagógico permite que, uma vez aprovada pelo Conselho Escolar, a escola sugira uma contribuição voluntária.

Esta contribuição resulta em um fundo, cujos 10% podem ser utilizados para cobrir despesas de alunos que não possuem recursos suficientes.  “Aqui nós trabalhamos a questão da solidariedade humana. Em nosso almoxarifado, temos peças [uniformes] que podem ser doadas ou vamos atrás de pessoas que possam nos apoiar”, explica o coronel-diretor Edimilson.

Até janeiro deste ano, os termos vinham sendo cumpridos legalmente. Contudo, no processo de expansão, o Ministério Público (MP) de Goiás foi acionado por pais de estudantes de unidades de Valparaíso, Novo Gama, Cidade de Goiás e Inhaúma, que alegavam que a “contribuição” não foi acordada no Conselho Escolar. “As cobranças vinculavam, inclusive, a matrícula desses alunos ao pagamento. O mesmo ocorreu com os uniformes”, explica a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação do MP-GO, Simone de Sá Campos.

Inicialmente, a questão foi resolvida com diálogo entre o MP e o Comando de Ensino da PM, no sentido de orientar os gestores das escolas de que essa prática fere o direito à educação e permanência dos estudantes na escola. “Apenas em Valparaiso e Rio Verde foi preciso que o MP entrasse com uma ação civil pública contra a cobrança. O juiz concedeu liminares e as escolas que desobedecerem a decisão estarão sujeitas à multas diárias e seus gestores podem, inclusive, ser presos”, esclarece Simone.

Para Márcio Moreira, da Plataforma Dhesca, a necessidade dos materiais e mesmo da contribuição voluntária é preocupante, pois ao ferir o princípio da gratuidade, viola-se a condição da escola como universal e equitativa. “Se penso em insumos apenas pra quem tem condições financeiras, eu não dou as mesas condições e violo o principio de permanência na escola.  Aqueles que têm mais recursos conseguem e os outros não”, justifica.

Ordem e progresso

A Secretaria de Segurança Pública alega que a medida não responde apenas à contenção de violência e sim ao fato de que os colégios militares apresentam bons resultados nos sistemas de avaliação, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Segundo o pesquisador Sirismar Fernandes Silva, na tese “Hierarquia e disciplina no colégio da polícia militar – estudo de caso do CPMG Doutor Cézar Toledo”, a estrutura pedagógica mais rígida, baseada em disciplina individual e coletiva, proposta pelas unidades, favorece os bons resultados nas avaliações padronizadas.

Essa tendência em associar melhoras nas avaliações a um maior controle da escola e do aluno também é vista pelo Luiz Carlos Freitas, doutor da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp) . “Essa mentalidade leva a pensar que para melhorar o ensino tem que botar todos na linha e, com isso, tem um processo de valorização excessiva da disciplina, o que acaba produzindo uma pedagogia penal direcionada às classes média e pobre”, explica.

Essa melhoria nos índices, para Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, é reflexo, na verdade, do maior investimento e atenção do poder público. “Contudo, as escolas com gestão democrática e de discussão compartilhada, como as escolas técnicas e federais, vão muito melhor em avaliações de larga escala e vestibulares do que estas.”

Análise

Especialistas ouvidos pelo Centro de Referências em Educação Integral e Portal Aprendiz consideram o modelo goiano um equívoco, justamente por promover um sistema autoritário como contrapartida ao cenário de violência, que carece de leis que promovam a convivência humana, diálogo e compreensão.

Para Paulo Carrano, o conceito da violência é polissêmico e, muitas vezes, casos de indisciplina ou dificuldades de relacionamento podem ser confundidos com a violência física propriamente dita.

“As instituições precisam reconhecer que as violências são sempre relacionais e que não existe um único fator que possa ser ‘atacado’ para que o ‘maus elementos’ sejam controlados ou afastados do convívio. A grande questão é produzir as bases de convivência no mesmo espaço-tempo institucional, garantindo melhores condições de trabalho e formação dos profissionais e transformando a escola num bom lugar para se estar”, aponta.

Por sua vez, Ieda Leal, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), acredita que é preciso resolver questões que estão fora da escola, como moradia e assistência social e promover colaboração para que os professores possam atuar em conjunto com outros atores.

“É normal que tudo ‘arrebente’ dentro da escola porque é lá que o aluno passa a maior parte do seu dia. Precisamos de um governo que entenda que a escola é mais um instrumento e não o único”, afirma, indicando que “militarizar” as instituições não resolve o problema. “A sociedade precisa repensar seu papel e a escola precisa dialogar com isso. Agora, que me desculpem os policiais, mas quem tem que atuar nas escolas, são os professores”, complementa.

Para Cristiano Novaes Rezende, docente do departamento de filosofia da Universidade Federal de Goiás (UFG), militarizar as escolas é perder o espaço próprio para a produção da paz em nome da mera ausência de guerra, posto que as duas não devem ser confundidas. “Assim como a saúde não é a ausência de doenças, a paz não é a ausência de guerra. Enquanto o governo goiano atuar a partir do viés da erradicação da violência, não trabalhará propriamente pela promoção da paz, que encontraria nas escolas o âmbito ideal para ser gerada”, explica.