Pesquisar este blog

quinta-feira, 10 de julho de 2014

ARGENTINA NÃO VOLTA PRA CASA E O BRASIL FICA NO MEIO DA RUA...

Na Primeira Fase do Mundial, a Argentina venceu a Bósnia-Herzegovina, Irã, Nigéria. Nas Quartas, venceu a Bélgica; Na Semifinal, a Holanda. No entanto, vale relembrar a derrota de uma "vitoriosa" seleção... Nas Oitavas, ela venceu a Suíça, que voltou mais cedo para casa. Mas, ao chegarem lá, os suíços encontraram a casa arrumada...

- Renda anual de um Professor do Ensino Fundamental, equivale a R$ 213.384,00.

No Brasil, R$ 21.624,00.

- Renda anual de um Senador: Não recebe salário, apenas indenização.

No Brasil, R$ 1,56 milhão.

Será que a Suíça era uma "aluna" indisciplinada e, por isso, foi expulsa da "nossa escola" por uma intolerante "diretora" argentina? Ou, será que o Brasil expulsou o professor da sala de aula porque os alunos só queriam "saber" de futebol? Será que pagamos mal porque o dinheiro desviado, que passa pelo senado, vai parar nos bancos suiços? Quem vai pagar a conta de água e luz dessa casa?

Ninguém, já que ficamos no meio da rua.

A solução é derreter o ouro das taças. Assim, o Brasil deve pagar mais que a Argentina, não porque ela tem apenas 2 Copas contra 5. O Brasil deve pagar mais porque a Argentina deve menos à educação do que nós, além de serem Penta Campeões em Prêmios Nobel. Uma goleada de 5 a Zero! O salário dos nossos vizinhos pode não dos melhores, mas o ensino não é dos piores... 

O jeito, "brasileiro", é derreter as taças, transformá-las em barras de ouro e pesar. Êpa! O "peso" é argentino. Ôpa, rivalidade, aqui, não vale. Pois a nossa dívida é "real".

Infelizmente, "a taça vai viajar". Vamos perdê-la de vista, mesmo ficando no olho da rua.

EDMILSON SANTANA

terça-feira, 8 de julho de 2014

Professores e funcionários da Unicamp decidem manter greve, que completa 40 dias



Funcionários da Unicamp durante assembleia

Em duas assembleias realizadas nesta segunda-feira (7), professores e funcionários da Unicamp decidiram manter a greve por tempo indeterminado. A assembleia geral dos docentes da Unicamp, reunida no auditório da ADunicamp decidiu, com apenas um voto contra e duas abstenções, manter a greve e, ainda, abrir negociações com a Reitoria da Unicamp mediante algumas condições.
 
A abertura da negociação foi discutida na assembleia a partir de um comunicado emitido ontem pela Reitoria, no qual ela propõe discutir apenas as pautas específicas e não o reajuste salarial. Por decisão da assembleia, esta negociação será aceita a partir do momento em que a Reitoria reconhecer formalmente que houve perdas salariais e que elas serão repostas, entre outras condições.

Os funcionários, que também realizaram assembleia, aprovaram a continuidade da greve. Além disso, decidiram que vão continuar cobrando do reitor Tadeu Jorge intermediação junto ao Cruesp (Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo) para que o órgão, de fato, agende uma reunião de negociação com o fórum das seis entidades representativas de funcionários e professores.

“Os trabalhadores foram categóricos em afirmar que a greve é o único instrumento de mobilização capaz de arrancar negociação salarial e, por isso, não podemos abrir mão dela pelo simples fato do reitor “querer” negociar a Pauta Específica. Ao decidir o valor do reajuste dos benefícios sem negociação com os trabalhadores, o reitor Tadeu prova, com esta postura, que há dinheiro em caixa não só para a concessão do benefício como também do reajuste salarial. O fato é que a nossa luta por salário é unificada pelas três universidades paulistas e vem antes das questões específicas. Então vamos seguir firmes com nossa greve que está crescendo e preocupando os gestores”, afirma o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU). (Carta Campinas com informações de divulgação).

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Como realmente funciona o sistema de saúde americano

por Juan Ramón Rallo

Sempre que há um debate sobre sistemas de saúde e sobre como seria a medicina em um ambiente de genuíno livre mercado, rapidamente alguém menciona os EUA como sendo o exemplo mais óbvio deste arranjo.


O problema é que a comparação é obtusa.

É verdade que os EUA não possuem um sistema público de saúde de estilo europeu (seja ele o modelo Beveridge da Inglaterra ou da Espanha, no qual o estado se encarrega de prover serviços de saúde em troca do pagamento de impostos, seja ele o modelo Bismarck da Alemanha e da Áustria, no qual o estado obriga os cidadãos a comprarem um seguro privado obrigatório e altamente regulado), mas isso não implica que o sistema americano esteja livre da atuação estatal.  Muito pelo contrário, como será visto.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os resultados observados no sistema de saúde americano são um tanto deploráveis: o gasto total com a saúde nos EUA chega a 17% do PIB — quase o dobro do que gasta a maioria dos países europeus —, mas isso não fez com que seus resultados fossem espetacularmente superiores.  Sim, o sistema de saúde americano está na vanguarda da implantação de novas tecnologias, bem como no uso da medicina preventiva, mas esses elementos diferenciais não parecem justificar o gigantesco custo excessivo.  Por esse prisma, o debate sobre a superioridade da saúde pública europeia em relação à americana pareceria definitivamente encerrado: uma qualidade análoga pela metade do preço.

Porém, as coisas não são tão simples quanto os números sugerem.  O sistema de saúde americano — como explico em detalhes extensos em meu livro Una revolución liberal para España — está longe de ser o representante de um arranjo de livre concorrência.

Para começar, pelo lado da oferta, a concorrência entre médicos praticamente não existe.  O mercado de médicos é artificialmente cartelizado.  Para ser médico, você tem de ser aceito pelo conselho profissional da categoria, o qual tem interesse em manter baixo o número de médicos, pois isso eleva artificialmente seus salários.  Adicionalmente, um médico tem de adquirir diversos tipos de licenças, sem as quais ninguém pode exercer a medicina.  A criação de hospitais também sofre o mesmo tipo de regulamentação, o que dificulta o surgimento de hospitais baratos que poderiam concorrer com os já estabelecidos.  Já as seguradoras de saúde são, em sua grande maioria, proibidas pelo governo de concorrer entre si além das fronteiras estaduais.  Várias seguradoras não podem ofertar seus serviços em mais de um estado do país.
 
Mas a coisa piora.

Pelo lado da demanda, 90% dos gastos em saúde ocorrem por meio de canais que não são o paciente: mais especificamente, ocorrem pelas seguradoras e pelo estado.  Para se ter uma ideia desse despautério, na Espanha, o gasto público com saúde totaliza 6,9% do PIB.  Na União Europeia, 8,2%.  Nos EUA, como dito, o gasto total é 17%.  Dado que 90% desses 17% são gastos que não são desembolsados pelo paciente, temos que 15,3% dos gastos em saúde nos EUA são terceirizados.  Ou seja, nem mesmo a Espanha apresenta um grau tão elevado de socialização da demanda como os EUA.

Mais especificamente, de cada 100 dólares gastos na saúde americana, 45 dólares são desembolsados pelas seguradoras, outros 45 dólares pelos programas estatais Medicare (programa de responsabilidade da Previdência Social americana que reembolsa hospitais e médicos por tratamentos fornecidos a indivíduos acima de 65 anos de idade) e Medicaid (programa financiado conjuntamente por estados e pelo governo federal, que reembolsa hospitais e médicos que fornecem tratamento a pessoas que não podem financiar suas próprias despesas médicas), e apenas 10 dólares são desembolsados pelo próprio paciente.

Dito de outro modo, de cada 100 dólares gastos na saúde, o paciente — que é quem está realmente recebendo os serviços — arca com um custo de apenas 10 dólares.  Quem paga os 90 restantes?  O resto de seus compatriotas — seja por meio do Fisco, seja por meio de suas apólices de seguros, que compreensivelmente ficam a anualmente mais caras.

Nos EUA, portanto, não há uma correspondência entre custos e benefícios.  E dado que as seguradoras são obrigadas pelo governo a cobrir até mesmo consultas de rotina, os preços das apólices seguem em disparada.  Se você fizer algo tão simples e corriqueiro quanto um exame de sangue — que é coberto pelos planos de saúde e pelos programas Medicare e Medicaid —, é comum o hospital cobrar um preço astronômico do governo ou da seguradora, a qual, por causa disso, irá aumentar os preços das apólices.

Nesse arranjo, o incentivo para aumentar os gastos é o mesmo que ocorreria se milhões de pessoas fossem a um mesmo restaurante, pedissem individualmente os pratos que quisessem e, no final, dividissem igualmente entre todos a fatura total.

E, com efeito, o estudo maiscompleto já realizado até o presente momento sobre os custos excessivos da saúde americana não deixa espaço para dúvidas: a explosão dos custos se deve essencialmente a um crescimento descontrolado da demanda (direcionada sobretudo à medicina preventiva), a qual é capaz de suportar preços crescentes devido ao fato de que ninguém — governo, seguradoras e pacientes, como explicado acima — tem o incentivo de reduzir seus gastos.  Por mais que a oferta aumente, a demanda cresce a uma velocidade superior, o que multiplica os preços.

Vale ressaltar que, naquelas áreas do sistema de saúde americano em que não há esta socialização dos gastos — porque os programas estatais ou os seguros não cobrem —, não se observa nenhum crescimento anormal dos custos.  Este é o caso, por exemplo, dos serviços de odontologia ou das cirurgias oculares a laser, cujos custos caem ano após ano.

Na Europa, onde a saúde pública é "gratuita" para o usuário (embora seja cara para os pagadores de impostos), não ocorrem consequências similares a essas dos EUA simplesmente porque os políticos e burocratas que comandam o setor racionam os serviços que os cidadãos podem receber (os famosos cortes de gastos para a saúde, sobre os quais muito se fala atualmente, sempre foram uma prática estrutural do sistema; apenas se tornaram mais visíveis agora por causa da crise).  No Velho Continente, os donos da saúde dos cidadãos europeus não são eles próprios, mas sim os políticos e burocratas que organizam o sistema segundo seus gostos, necessidades e interesses.  Daí a frequente ocorrência de fenômenos como listas de espera, adoção tardia de novas tecnologias, tratamentos e medicamentos não cobertos, aglomeração de pacientes etc.

Dito de outra forma: os incentivos perversos para a demanda que levam a uma hipertrofia dos gastos em saúde nos EUA também existem na Europa, só que, na Europa, os políticos controlam severamente a oferta e impedem que os gastos disparem.  É como se, ao chegarmos a um restaurante, o dono do estabelecimento limitasse a quantidade e a qualidade daquilo que cada comensal pode pedir: por mais que pudéssemos e quiséssemos pedir mais e melhores pratos, não poderíamos.

Mas, afinal, que foi o motivo que levou a tamanha socialização da demanda por serviços de saúde nos EUA?  A criação dos programas estatais Medicare e Medicaid, em 1966, contribuíram substancialmente para as distorções.  Mas o principal incentivo foi criado em 1954: as empresas passaram a poder descontar no imposto de renda e na contribuição para a Previdência Social todos os gastos associados à aquisição de um plano de saúde para seus empregados.  Ou seja, caso as empresas pagassem planos de saúde para seus empregados, elas ganhariam descontos tanto no IRPJ quanto na contribuição para a Previdência Social.

Isso gerou uma consequência não-prevista.  Os incentivos para que todo o gasto em saúde fosse canalizado para os seguros adquiridos por empresas para seus empregados se tornaram enormes.  Isso, por conseguinte, elevou substancialmente a demanda por planos de saúde, os quais foram obrigados pelo governo a cobrir uma enorme variedade de serviços, inclusive aqueles associados à medicina preventiva.  Os custos das apólices obviamente dispararam.

Apenas imagine quanto custaria o seguro do seu carro caso o governo obrigasse as seguradoras a cobrir serviços como troca de óleo e reabastecimento.  Nos EUA, é exatamente isso o que ocorre para os planos de saúde.  E tudo começou porque as empresas, muito corretamente, queriam reduzir seus gastos com tributos diretos, um confisco estatal que nem sequer deveria existir.  Um perfeito exemplo de como uma intervenção estatal (impostos sobre a renda) gerou uma grande distorção (redução dos lucros das empresas) que, por sua vez, levou à criação de uma medida aparentemente mitigadora (incentivos fiscais para planos de saúde).  No final, todo sistema de saúde ficou desarranjado.
 
Essa socialização de 90% dos gastos em saúde nos EUA — toda ela induzida pelo intervencionismo estatal — é a principal responsável pela hipertrofia dos preços.  Os EUA não são de maneira alguma um exemplo de livre mercado no sistema de saúde.  Em um arranjo de livre mercado e livre concorrência, os gastos para consultas de rotina são financiados pela própria poupança do paciente, e somente aqueles eventos de natureza extraordinária e catastrófica são cobertos por planos de saúde.

O que o sistema americano ilustra perfeitamente são os efeitos potencialmente devastadores do estatismo, inclusive quando em doses aparentemente inócuas.

Fonte: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 29 de abril de 2014.

Marxismo21: Socialismo Internacional e a I Guerra Mundial

marxismo21 publica em sua página inicial textos - em sua maioria, redigidos no calor da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) - que expressam diferentes abordagens do conflito por parte de alguns dos principais teóricos e dirigentes do Socialismo Internacional. Eles recobrem não apenas a avaliação da guerra e seus significados, mas também o processo revolucionário russo, em seus dois momentos: ao longo de 1917 e das dificuldades e problemas da consolidação do poder revolucionário da jovem república soviética.
Para acessar o dossiê, clicar: marxismo21

sábado, 5 de julho de 2014

El País (Espanha) publica ranking da Copa da Educação

O jornal El País divulgou este resultado da Copa no campo da educação. Para reflexão ante à idiotização geral do futebol posta em dias de Copa.

 

Normose, a doença da "normalidade" no mundo acadêmico

 

por Renato Souza
sex, 27/06/2014

Doença sempre foi algo associado à anormalidade, à disfunção, a tudo aquilo que foge ao funcionamento regular. Na área médica, a doença é identificada por sintomas específicos que afetam o ser vivo, alterando o seu estado normal de saúde. A saúde, por sua vez, identifica-se como sendo o estado de normalidade de funcionamento do organismo.

Numa analogia com os organismos biológicos, o sociólogo Émile Durkheim também sugeriu como identificar saúde e doença em termos dos fatos sociais: saúde se reconhece pela perfeita adaptação do organismo ao seu meio, ao passo que doença é tudo o que perturba essa adaptação.

Então, ser saudável é ser normal, é ser adaptado, certo? Não necessariamente: apesar de Durkheim, há quem considere que do ponto de vista social, ser normal demais pode também ser patológico, ou pode levar a patologias letais.

Os pensadores alternativos Pierre Weil, Jean-Ives Leloup e Roberto Crema chamaram isto de Normose, a doença da normalidade, algo bem comum no meio acadêmico de hoje. Para Weil, a Normose pode ser definida como um conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou por maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte. Crema afirma que uma pessoa normótica é aquela que se adapta a um contexto e a um sistema doente, e age como a maioria. E para Leloup, a Normose é um sofrimento, a busca da conformidade que impede o encaminhamento do desejo no interior de cada um, interrompendo o fluxo evolutivo e gerando estagnação.

Estes conceitos, embora fundados sobre um propósito de análise pessoal e existencial, são muito pertinentes ao que se vive hoje na academia. Aqui, pela Normose não é apenas o indivíduo que adoece, que estagna, que deixa de realizar o seu potencial criador, mas o próprio conhecimento. E não apenas no Brasil, também em outras partes do mundo.

Peter Higgs, Prêmio Nobel de Física de 2013 disse recentemente que não teria lugar no meio acadêmico de hoje, que não seria considerado suficientemente produtivo, e que, por isso, provavelmente não teria descoberto o Bosão de Higgs (a “partícula de Deus), descrito por ele em 1964 mas somente comprovado em 2012, quase 50 anos depois, com a entrada em funcionamento de uma das maiores máquinas já construídas pelo homem, o acelerador de partículas Large Hadron Collider. Higgs contou ao The Guardian que era considerado uma “vergonha” para o seu Departamento pela baixa produtividade de artigos que apresentava, e que só não foi demitido pela possibilidade sempre iminente de um dia ganhar um Nobel, caso sua teoria fosse comprovada. Ele reconheceu que, nos dias de hoje, de obsessão por publicações no ritmo do “publique ou pereça”, não teria tempo nem espaço para desenvolver a sua teoria. À sua época, porém, não só o ambiente acadêmico era outro como ele próprio era um desajustado, um anormal, uma espécie de dissidente que trabalhava sozinho em uma área fora de moda, a física teórica expeculativa. Então, sua teoria é também fruto desta saudável “anormalidade”.

A mim, embora não surpreendam, as declarações de Higgs soam estarrecedoras: ou seja, com os sistemas meritocráticos de avaliação de hoje, que privilegiam a produção de artigos e não de conhecimentos ou de pensamentos inovadores, uma das maiores descobertas da humanidade nas últimas décadas, que rendeu a Higgs o Nobel em 2013, provavelmente não teria ocorrido, como certamente muitos outros avanços científicos e intelectuais estão deixando de ocorrer em função dos sistemas atuais de avaliação da “produtividade em pesquisa”. É a Normose acadêmica fazendo a sua maior vítima: o próprio conhecimento.

Aliás, nunca se usou tanto a autoridade do Nobel para apontar os desvios doentios do nosso sistema acadêmico e científico como em 2013. Randy Schekman, um dos ganhadores do Nobel de Medicina deste ano, em recente artigo no El País, acusou as revistas Nature, Science e Cell, três das maiores em sua área, de prestarem um verdadeiro desserviço à ciência, ao usarem práticas especulativas para garantirem seus mercados editoriais. Schekman menciona, por exemplo, a artificial redução na quantidade de artigos aceitos, a adoção de critérios sensacionalistas na seleção dos mesmos e um absoluto descompromisso com a qualificação do debate científico. E afirmou que a pressão para os cientistas publicarem em revistas “de luxo” como estas (de alto impacto) encoraja-os a perseguirem campos científicos da moda em vez de optarem por trabalhos mais relevantes. Isto explica a afirmação de Higgs sobre ser improvável a descoberta que lhe deu o Nobel no mundo acadêmico de hoje.

O próprio Schekman publicou muito nestas revistas, inclusive as pesquisas que o levaram ao Nobel: diferentemente de Higgs, que era um dissidente, Schekman também já sofreu de Normose. Porém, agora laureado, decidiu pela própria cura e prometeu evitar estas revistas daqui para adiante, sugerindo não só que todos façam o mesmo, como também que evitem avaliar o mérito acadêmico dos outros pela produção de artigos. Foi preciso um Nobel para que se libertasse da doença.

A atual Normose acadêmica se deve à meritocracia produtivista implantada nas universidades, cujos instrumentos, no Brasil, para garantir a disciplina e esta doentia normalidade são os sistemas de avaliação de pesquisadores e programas de pós-graduação, capitaneados principalmente pela CAPES e CNPq. Estes sistemas têm transformado, nas últimas décadas, docentes e alunos em burocráticos produtores de artigos, afastando-os dos reais problemas da ciência e da sociedade, bem como da busca por conhecimentos e pensamentos realmente novos. A exigência de produtividade é um estímulo ao status quo, obstruindo a criatividade, a iniciativa, o senso crítico e a inovação, pois inovar, criar, empreender, fugir ao normal pode ser perigoso, pode ser incerto, pode ser arriscado quando se tem metas produtivas a cumprir; portanto, não é desejável: o mais seguro é fazer “mais do mesmo”, que é ao que a Normose acadêmica condenou as universidades e seus integrantes ao redor do mundo.

Eu escrevi em um artigo de 2013, que a meritocracia leva a uma ilusão de eficiência e progresso que não podem se realizar, porque as meritocracias modernas são burocracias. Como bem ensinou Max Weber, a burocracia é uma força modeladora inescapável quando se racionaliza e se regulamenta algum campo de atividade, como acontece no sistema científico atual. Para supostamente discriminar por mérito pessoas e organizações acadêmicas, montou-se um tal sistema de regras, critérios avaliativos, hierarquias de valor, indicadores, etc., que a burocratização das ações acadêmicas tornou-se inevitável. Agora é este sistema que orienta as ações dos acadêmicos, afastando-os de seus próprios valores, desejos e convicções, para agirem em função da conveniência em relação aos processos avaliativos, visando controlar os benefícios ou penalidades que eles impõem. Pessoas sob regimes de avaliação meritocráticos se tornam burocratas comportamentais; e burocratas, como se sabe, pela primazia da conformidade organizacional a que se submetem, tornam-se inexoravelmente impessoalistas, formalistas, ritualistas e avessos a riscos e a mudanças. Tornam-se normóticos, preferindo, no caso da academia, uma produção sem significado, sem relevância, sem substância inovadora porém segura, a aventurarem-se incertamente em busca do novo.

Agora, depois de já ter escrito isto naquele artigo, descubro que o Nobel de Medicina de 2002, o sul-africano Sydney Brenner, em entrevista de fevereiro deste ano à King’s Reviw, afirmou exatamente o mesmo. Dentre outras coisas, disse ele que as novas ideias na ciência são obstruídas por burocratas do financiamento de pesquisas e por professores que impedem seus alunos de pós-graduação de seguirem suas próprias propostas de investigação. É ao menos alentador perceber que esta realidade insólita não é apenas uma versão tupiniquim da busca tardia e equivocada por um lugar ao sol no campo acadêmico atual, mas uma deformação que assola também os “grandes” da arena científica mundial. E também constatar que os laureados com a distinção do Nobel tem se percebido disto e denunciado ao mundo.

De certa forma, todos na academia sabem que estes sistemas de avaliação acadêmicos têm levado a um produtivismo estéril, mas isto não tem sido suficiente para mudar nem as condutas pessoais, nem as diretrizes do sistema, porque a Normose é uma doença coletiva, não individual. Ela advém da necessidade de legitimação do indivíduo frente ao sistema de regras, normas, valores e significados que se impõe a ele. Por isto é que o pesquisador australiano Stewart Clegg afirmou, certa vez, que “pesquisadores que buscam legitimação profissional podem com muita facilidade ser pressionados a aprender mais e mais sobre problemas cada vez mais desinteressantes e irrelevantes, ou a investigar mais e mais soluções que não funcionam”.

Mas agora me advém uma questão curiosa: por que tantos Nobéis tem denunciado este sistema? Creio que porque do alto da distinção recebida, eles já não tem mais nenhum compromisso com a meritocracia acadêmica, e podem falar do dano que ela causa às ideias realmente inovadoras que, inclusive, podem levar à láurea. Mas também porque o Nobel foge à lógica da meritocracia, ele não é um mecanismo meritocrático, portanto, não é burocrático. Ele é até mesmo político, antes de ser meritocrático e burocrático! É um reconhecimento de “mérito” sem ser uma “cracia”. Ou seja, não há, através dele, um sistema de governo das atividades científicas, e por isso ele não leva a uma racionalidade formal, pois ninguém em consciência normal pautaria sua atividade acadêmica quotidiana pela improvável meta de, talvez já na velhice, ganhar o Nobel; e mesmo que tivesse este excêntrico propósito como pauta, teria que fugir da meritocracia que governa os sistemas científicos atuais para chegar a um lugar reconhecidamente distinto, pois ser normal não leva ao Nobel.

Mas este não é o mundo da vida dos seres acadêmicos de hoje, aqui vivemos em uma meritocracia burocrática, e num contexto assim, pouco adiantam as advertências da editora-chefe da revista Science, Marcia McNutt, publicados no Estadão, de que a ciência brasileira precisa ser mais corajosa e mais ousada se quiser crescer em relevância no cenário internacional. Segundo ela, para criar essa coragem é preciso aprender a correr riscos, e aceitar a possibilidade de fracasso como um elemento intrínseco do processo científico. Mas quando as pessoas são penalizadas pelo fracasso, ou são ensinadas que fracassar não é um resultado aceitável, elas deixam de arriscar; e quem não arrisca não produz grandes descobertas, produz apenas ciência incremental, de baixo impacto, que é o perfil geral da ciência brasileira atualmente, segundo ela. É a Normose acadêmica “a brasileira” vista de fora.

Somos todos normóticos em um sistema acadêmico de formação de pesquisadores e de produção de conhecimentos que está doente, e nossa Normose acadêmica tem feito naufragar o pensamento criativo e a iniciativa para o novo em nossas universidades. Sem eles, porém, não há futuro significativo para a vida intelectual dentro delas, nem na ciência nem nas artes.

Texto de Renato Santos de Souza, publicado no E-Book: NASCIMENTO, L.F.M. (Org.) Lia, mas não escrevia (livro eletrônico): contos, crônicas e poesias. Porto Alegre: LFM do Nascimento, 2014.

Fonte: Jornal GGN

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Seleção da Argélia manifesta solidariedade ao povo palestino

Desde o início da semana, os palestinos que vivem na Faixa de Gaza são alvo de um novo massacre ordenado pelo Estado sionista de Israel. Após o desaparecimento e morte de 3 jovens israelenses, os sionistas resolveram punir toda uma população de quase dois milhões de habitantes, realizando bombardeios e provocando a morte de civis.

Israel permanece em sua política de verdadeiro genocídio contra o povo resistente da Palestina. Os sionistas praticam sua política belicista, avessa à paz e de representação dos interesses imperialistas na região do Oriente Médio.

Na volta ao seu país, a seleção da Argélia foi recebida com festa e ostentou a bandeira palestina, reafirmando a solidariedade para com os esse povo. Os povos de todo o mundo reforçam sua solidariedade à resistência palestina.

A seleção da Argélia declarou ontem, por meio de seu capitão Islam Slimani, que doará todo o dinheiro da premiação oferecida pela federação nacional de futebol, cerca de R$ 9 milhões de euros, para a assistência ao povo palestino.

Em uma Copa onde predominam a corrupção da FIFA, a elitização os estádios e a negação dos direitos democráticos, a atitude dos Argelinos traz esperanças para os que lutam por um mundo de solidariedade e igualdade entre os povos.

Fonte: A Verdade

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Quem realmente ganha com o FIES para a pós-graduação?

Danilo Martuscelli

Recebi uma mensagem (link abaixo) da Diretoria de Desenvolvimento Pessoal da UFFS e gostaria de problematizar a nova política do MEC.

Sob o apanágio do discurso da inclusão, o FIES, antes voltado para a graduação, agora foi ampliado para a pós-graduação. Aparentemente, quem "ganha" é o estudante desprovido de condições materiais mínimas para cursar a educação superior no Brasil. No entanto, o FIES virou uma verdadeira bolsa para os tubarões da educação, que vinham sofrendo as consequências da inadimplência. Além de ganhar esse tipo de bolsa, os empresários da educação têm ultimamente lucrado muito com investimentos na bolsa de valores, voltando-se, portanto, para a transformação da educação no país numa mercadoria qualquer.

Temos sim que saudar as políticas do MEC que são voltadas para a expansão da educação pública superior, o que compreende o repasse de mais verbas para tal setor. Em vez de ampliar o FIES, creio que o governo federal deveria ampliar os recursos para a política de permanência dos estudantes de graduação e pós-graduação da educação pública superior. Enfim, creio que devemos nos mobilizar para a crítica da privatização dos recursos públicos destinados à educação pública nos seus mais diferentes níveis. Apoiar o FIES é, para mim, uma forma de sustentar o argumento de que a educação privada é a mais eficiente para garantir a inclusão. Se tomarmos como referência o número de matrículas no ensino superior, isso pode ser verdadeiro. Mas as perguntas que ficam são as seguintes: por que não reverter esse quadro? O que representa o sistema privado de educação superior para a produção científica no Brasil? Quanto ganham os empresários da educação com esses programas e quanto perde a universidade pública?

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Brasil: facetas de uma ditadura velada



Foto extraída do site do Coletivo Desentorpecendo a Razão — DAR

Professores da USP denunciam prisão e flagrante policial forjado
publicado em 28 de junho de 2014

Nós Somos Fábio Hideki Harano,  dos professores da USP signatários do texto, via e-mail.


Por que as pessoas protestam?


Depois de junho de 2013 uma onda de protestos incomoda os porta-vozes das classes endinheiradas na imprensa. Desde a invocação do direito de ir e vir em São Paulo (sic) até a aceitação do protesto (desde que sem vandalismo!), a grande imprensa elenca vários argumentos contra as liberdades democráticas dos manifestantes.
 
Obviamente, as pessoas comuns protestam porque não podem formar lobbies no Congresso; porque não frequentam as altas rodas em que as políticas reais são conchavadas; porque não acompanham políticos em jatinhos carregados de drogas. As pessoas protestam quando não são indiferentes.

Fabio Hideki Harano é um jovem solidário. Ele foi a atos em defesa da causa negra sem ser negro. Ele acompanhou a marcha da maconha sem ser usuário. Ele foi ao ato do dia 23 de junho sem condenar black blocs, pichadores e outras formas de indignação da juventude. Quem conhece o Fábio sabe que ele é também pacífico.

Fábio pertence ao movimento estudantil da USP e para ele escreveu análises muito ponderadas. Fábio não carregava explosivos quando foi preso nas escadarias do Metrô. Ele só ia para casa.

Fabio não pertence a nenhuma associação criminosa como a Polícia o acusa. Ele é aluno e funcionário da USP. E está em greve, exercendo um direito constitucional. O Padre Julio Lancelotti, que o acompanhava, viu que o flagrante policial foi forjado.

Os policiais, os juízes do Tribunal de Justiça que lhe determinaram prisão preventiva, o Governador da Opus Dei e seu secretário e os membros da imprensa que tratam de seu caso com “neutralidade” apenas reforçam a nossa Democracia Racionada. Fabio é uma vítima dela.

Se Fábio Hideki Harano e o professor Celso Lusvarghi não forem soltos; se não forem retiradas todas as falsas acusações contra eles, ninguém poderá dormir tranquilo. Se Fabio foi preso à luz do dia só por ser um militante político de esquerda, não é preciso perguntar o que a Democracia Racionada guarda para os jovens presos à noite nas quebradas da vida.

Todos nós somos hoje Fábio Hideki Harano. A injustiça que pesa sobre ele pesa sobre nós.

Nós Somos Fábio Hideki Harano.

Assinam os Professores da USP:

Jorge Grespan – Jorge Luiz Souto Maior – Lincoln Secco – Luiz Renato Martins – Marcos Silva – Ricardo Musse – Vladimir Safatle

Fonte: Viomundo

HistedBa e Museu Pedagógico organizam e lançam novo número da Revista HistedBR

Novo número da Revista HISTEDBR On-line é organizado e lançado pelo HISTEDBA e equipe do Museu Pedagógico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, que participam do Histedbr. A publicação é o resultado de uma interlocução regional e nacional com o debate acerca dos problemas sociais e políticos do Brasil, no intuito de entendê-los e contribuir com as demandas da realidade educacional. No seu conjunto de textos, busca aproximam o leitor de diferentes temáticas que procuram relacionar estudos no campo do conhecimento sobre História, Sociedade e Educação. Reúne artigos de pesquisadores da região Nordeste, Sudeste, Centro-oeste e Sul do Brasil, além da participação especial de uma pesquisadora do Centro Interdisciplinario de Investigacións Feministas e de Estudos de Xénero (CIFEX), USC-ES. Ao todo, vinte e cinco artigos que compõem este número estão ordenados por assunto pela variedade de temáticas.
Assim, a REVISTA HISTEDBR on line convida a todos a realizar uma leitura sobre essa pluralidade de temas. O conteúdo por completo pode ser acessado através do link  Revista HitedBr - Março/2014A seguir, o Sumário do v. 14, n. 55 (2014): Revista HISTEDBR - março/2014

Editorial

Artigos

MEDIOS, NUEVOS MEDIOS TECNOLÓGICOS DE LA COMUNICACIÓN Y DE LA INFORMACIÓN Y NUEVAS IDENTIDADES DE GÉNERO

Rita Mª Radl Philipp         

PRODUÇÃO CIENTÍFICA E PRODUÇÃO/REPRODUÇÃO CAPITALISTA NO ATUAL CONTEXTO LATINO-AMERICANO

José Rubens Mascarenhas de Almeida 

ESTADO E “CONVERSÃO” DEMOCRÁTICA: LEGADOS DA NOVA REPÚBLICA PARA AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS DOS ANOS 1990

Antonia Almeida Silva

CLASSE, CULTURA E EXPERIÊNCIA NA OBRA DE E.P.THOMPSON: CONTRIBUIÇÕES PARA A PESQUISA EM EDUCAÇÃO

Lia Tiriba, Célia Regina Vendramini

CULTURA, EDUCAÇÃO, DOMINAÇÃO: GRAMSCI, THOMPSON, WILLIAMS

Angela Maria Souza Martins,  Lúcia Maria Wanderley Neves

HISTÓRIA, MEMÓRIA E GERAÇÃO: REMISSÃO INICIAL A UMA DISCUSSÃO POLÍTICO-EDUCACIONAL

Lívia Diana Rocha Magalhães     

A HISTORIOGRAFIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA, O PERÍODO POMBALINO E O DIRETÓRIO DE 1757

Alberto Damasceno          

A COMPANHIA DE JESUS E OS USOS DA MEMÓRIA: FÉ, ENSINO E DOMINAÇÃO NO BRASIL COLONIAL

Ana Palmira B. S. Casimiro, Camila Nunes Duarte Silveira, Maria Cleidiana Oliveira de Almeida, Luciana Canário Mendes

INSTITUIÇÕES EDUCATIVAS EM PORTUGAL NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XVI: UNIVERSIDADE DE COIMBRA E UNIVERSIDADE DE ÉVORA

Célio Juvenal Costa, Sezinando Luiz Menezes, Luciana de Araújo Nascimento, Cintia Mara Bogo Bortolossi

A EDUCAÇÃO NA REVISTA A DEFESA NACIONAL: 1913-1945

José Antonio Miranda Sepulveda

POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL – A RECREAÇÃO (1889- 1961)

Elza Margarida de Mendonça Peixoto, Maria de Fátima Rodrigues Pereira

TRAJETÓRIA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL E EXPECTATIVAS SOCIAIS DOS ESTUDANTES BRASILEIROS: 1960-1980

Ruy H. de Araújo Medeiros, Sérgio Eduardo M. Castanho

A CONSUMAÇÃO DO GOLPE E O MOVIMENTO ESTUDANTIL BAIANO CONTRA A DITADURA

José Alves Dias       

A INTERIORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO ESTADO DE SANTA CATARINA: A IDEIA DE UNIVERSIDADE COMO DISCURSO DE DESENVOLVIMENTO

Leticia Carneiro Aguiar

“MINHA MÃE ME ENTREGOU NAS MÃOS DO PROFESSOR PARA FAZER DE MIM O QUE QUISESSE E PUDESSE”: MEMÓRIAS DA EDUCAÇÃO ESCOLAR EM ANGOLA

Washington Santos Nascimento

A CENTRALIDADE DO TRABALHO NA DETERMINAÇÃO DA MOBILIDADE TERRITORIAL DOS TRABALHADORES

Ana Elizabeth Santos Alves, Miriam Cléa Coelho Almeida

DIMENSÕES HISTÓRICAS DA ESCOLARIZAÇÃO NO MEIO RURAL E URBANO BRASILEIRO: um estudo nos municípios de Araguari, Uberlândia e Patos de Minas

Astrogildo Fernandes Silva Júnior,  José Josberto Montenegro Sousa

A EDUCAÇÃO NO ESPAÇO RURAL E A LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

Cláudio Félix dos Santos

A PRÁTICA DOS EXAMES FINAIS DE UMA ESCOLA ISOLADA RURAL DE NOVO HAMBURGO/RS (1953-1971)

José Edimar de Souza, Luciane Sgarbi Santos Grazziotin   

AS IMPLICAÇÕES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NAS ESCOLAS NO CAMPO NO ESTADO DE SÃO PAULO A PARTIR DO FINAL DA DÉCADA DE 1980

Jaqueline Daniela Basso, Luiz Bezerra Neto

EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E OBRIGATÓRIA: notas controversas sobre vagas em creche

José Claudinei Lombardi 

CONCEPÇÕES LUTERANAS DE EDUCAÇÃO E INFÂNCIA EM UMA CRECHE COMUNITÁRIA      

Virginia Georg Schindhelm, Dayse Martins Hora

TV ESCOLA: MÚLTIPLAS RELAÇÕES, CONTRADIÇÕES E RESISTÊNCIAS

Danielle Xabregas Pamplona Nogueira,            Raquel de Almeida Moraes

TRAJETÓRIAS DE EXCLUSÃO: UM ESTUDO SOBRE JOVENS E ADULTOS EM PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

Mônica Pereira,       Ester Buffa

REVISTA NOVA ESCOLA E EDUCAÇÃO FÍSICA (1986 – 1997): FASE DA ADESÃO À EDUCAÇÃO PELO MOVIMENTO

Fabio Luis Santos Nunes 

Documento

O “MANIFESTO NEOLIBERAL” QUE ANUNCIOU AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS IMPLANTADAS PELOS GOVERNOS DE MARGARET THATCHER (1979-1990)

Amarilio Ferreira Jr., Mariluce Bittar

AS MULHERES E O TRABALHO DOMÉSTICO NO LIVRO “ECONOMIA DOMÉSTICA”

Daniela Márcia Neri Sampaio, Robson Oliveira Costa Júnior, Ana Elizabeth Santos Alves

Resenha

DISCUSSÕES TEÓRICAS ACERCA DA PRÁTICA EDUCATIVA NO CAMPO

Urânia T. Amaral, Tânia Maria Rodrigues da Rocha

Resumo

MEMÓRIA E IMAGENS DA BAHIA NO DOCUMENTÁRIO DE ALEXANDRE ROBATTO FILHO

Ana Luisa de Castro Coimbra

A TROCA DE SÃO BENEDITO POR NOSSA SENHORA DE LOURDES NA CIDADE DE ENCRUZILHADA-BA: UMA “MEMÓRIA SUBTERRÂNEA”           

Fabíola Pereira de Araújo-Mello

terça-feira, 24 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

X JORNADAS NACIONALES - VII LATINOAMERICANAS

“CONSTRUYENDO LA HISTORIA DESDE EL PROTAGONISMO DE LOS PUEBLOS

 

GRUPO DE TRABAJO HACER LA HISTORIA conjuntamente con  UNIVERSIDAD NACIONAL DE LA RIOJA

 

Sede Universidad Nacional de La Rioja, provincia de La Rioja, Argentina

 

23 y 24 de octubre de 2014

 

Convocatoria. Primera Circular

     

            Decíamos en la convocatoria a las IX Jornadas que realizamos en la Universidad Nacional del Sur (Bahía Blanca, Argentina) en octubre de 2010:

“Para que otra sociedad sea posible es necesario que los pueblos construyan poder para hacer políticas acordes a sus intereses y no a los intereses de los sectores de poder financiero”. “El problema del poder popular es un tema recurrente en nuestras Jornadas. Por eso nos interesa analizar los procesos de América Latina, el Caribe y Argentina en particular  través de la investigación en todas las áreas de las ciencias y con todas las formas de expresión para indagar cómo los pueblos van construyendo poder en sus respectivos territorios y los obstáculos que encuentran”.

Estas X Jornadas Nacionales VII Latinoamericanas  del Grupo de Trabajo Hacer la Historia constituyen una continuación de ejes temáticos desarrollados en las anteriores. Nos proponemos conjuntamente con la Universidad Nacional de La Rioja profundizar en la incidencia política del conocimiento de los procesos históricos del presente que trascienda los muros académicos. Para ello decidimos incorporar en estas Jornadas formas de trabajo que permitan un mayor dinamismo y compromiso de todos los participantes tanto de los expositores invitados como de los asistentes, estudiantes, docentes, profesionales, técnicos, artistas y público interesado.

Con estos objetivos buscamos apoyar y fortalecer el compromiso de la Universidad Pública en la resolución de los problemas del pueblo y en la defensa de sus intereses frente a los sectores de poder económico concentrado.

H la H no es un espacio solamente para historiadores. Para hacer la historia que necesitamos los pueblos debemos concurrir con aportes de todas las áreas de conocimiento y abrir las posibilidades de creatividad. Por esto participan en la organización y con aportes académicos distintos Departamentos y Facultades de esta Universidad Nacional de la Rioja.

Coincidimos en dar la batalla de las ideas con amplitud desde distintos marcos teóricos y puntos de vista pero con una coincidencia: preocupados en el presente de nuestras sociedades dentro de su proyección histórica, que lleva adentro procesos pasados pero de donde salen proyecciones hacia el futuro. Ese trabajo de búsqueda requiere conocer y valorar los aportes creativos más diversos y los de todas las ciencias a la vez que receptar los intereses y necesidades de los pueblos  generando una trama que permita  descubrir los mejores caminos para ir haciendo sociedades cada vez mejores, más humanas, más solidarias y justas.

Queda en evidencia que no somos neutrales sino que buscamos que el conocimiento y el crecimiento de la conciencia sean puestos al servicio de protagonizar la historia hacia nuevas sociedades. Por eso mismo no aceptamos el discusionismo ni el cientificismo, ni el tratamiento panfletario. En cambio buscamos abrir debates donde la exposición de diversas ideas esté en función de los objetivos compartidos. Queremos superar las barreras que suelen existir entre las diversas ciencias en la formación  de los nuevos docentes e investigadores,  para que lleguen al campo de su actividad profesional con capacidad para asumir compromisos conscientes con el pueblo al que pertenecen.

Estamos en ese camino desde hace 20 años en que realizamos la Primera Jornada en la Universidad Nacional de Rosario. Desde el entusiasmo que nos produce aportar al necesario compromiso de la educación pública con las causas de los pueblos los invitamos a ser protagonistas de las X Jornadas del Grupo de Trabajo Hacer la Historia  conjuntamente con la Universidad Nacional de La Rioja portadora de una rica experiencia de democracia institucional en el marco de los grandes intereses nacionales.

 

 

EJES TEMÁTICOS GENERALES

 

PANEL 1

La crisis global del imperialismo y el nacimiento de nuevas formas de sociedades. Desafíos y dificultades en el proceso histórico del presente de los pueblos de América Latina y  el Caribe.

·        Estrategias del poder económico/financiero y los proyectos populares en marcha en Venezuela, Ecuador, Bolivia. (el presente con proyección histórica). Formas de democracia y de estado.

·        Caracterización del poder económico/financiero y sus proyectos políticos en Argentina. Correlación de las fuerzas en pugna. Herramientas y contenidos de la lucha política y social en Argentina: el proyecto nacional y popular.

·        Perspectivas y experiencias de unidad político /cultural  en A.L y el Caribe.

  PANEL 2

  La batalla de las ideas: aclarando conceptos.

 

·        La memoria colectiva y del conocimiento científico  de la historia. Prejuicios, errores, falacias, obstáculos y deformaciones. Historia, ideología  y política en la educación sistemática y no sistemática, La comunicación de masas y la formación / de-formación de la conciencia popular. Los intelectuales del poder financiero y los intelectuales del campo popular.

·        Qué universidad necesitan los pueblos. Políticas de formación de docentes, de profesionales y de investigadores para la profundización de un proyecto nacional en camino  de construcción de poder popular. Gestión pública y privada. La universidad y políticas de extensión. Universidad y organizaciones de masas. Ciencia y política. Arte y política.

 

 

 FORMA DE TRABAJO

Plenario de Apertura: se expondrá la trayectoria de las Jornadas de Hacer la Historia inscriptas en el proceso histórico Argentino y Latinoamericano desde comienzos de los noventa a la actualidad, deteniéndonos en  los objetivos de esta Jornada en particular. Las autoridades de la  Universidad Nacional de La Rioja presentarán sus objetivos al participar como co-auspiciante en estas Jornadas en el marco de su reciente experiencia de democracia institucional.

Paneles 1 y 2 Los Ejes Temáticos Generales serán desarrollados por expositores calificados invitados por el Comité Académico [*] en sendos PANELES. Dichos contenidos serán luego debatidos en Talleres por los participantes y asistentes inscriptos.

Talleres de debate y profundización de los contenidos expuestos en cada uno de los Paneles. La cantidad de Talleres dependerá de la cantidad de inscriptos. Cada taller contará con un facilitador cuya función será estimular la participación de todos y establecer un método de discusión contando con una guía con los subtemas y ejes para ordenar la presentación  y posibilitar la elaboración de aportes que cada Taller llevará al Plenario de cierre.

Plenario de cierre se leerán las conclusiones de los Talleres y se presentará una evaluación de los organizadores. Se adelantará la manera como los documentos de las jornadas (incluidas las conclusiones y aportes de los talleres) serán impresos y difundidos.  

 

Cronograma

Jueves 23 de octubre

8 a 9 hs Inscripciones y acreditaciones

9 a 10 hs Plenario de apertura

 

10,00 a 13.30 hs PANEL 1.

13.30 a 15 hs pausa

15 a 18hs Talleres

18 a 19 hs Reunión de facilitadores

20 hs. Actividad social /cultural  optativa

 

Viernes 24  de octubre

9 a 12 hs PANEL 2

12 a 13.30 hs pausa

13.30 a 16.30 hs Talleres

16.30 a 19.30 hs Plenario de cierre

20 hs. Actividad social /cultural  optativa

 

Sábado 25 de octubre

Actividad optativa (si fuera posible): excursión con geógrafos, historiadores y paleontólogos para dar a conocer aspectos de la región

----------------------------------------------------

 

Irma Antognazzi – Directora del Grupo de Trabajo Hacer la Historia

 

Rodolfo Ruiz Carrizo – Decano del Depto de Humanidades. UnLaR

 

Junio  2014.



[*] En la Segunda Circular se presentará la lista de expositores y de auspiciantes así como orientaciones acerca de formas y fechas de inscripción y de participación, formas de alojamiento y demás datos para los interesados.