Em discurso na Assembleia
Legislativa da Bahia o Deputado Bruno Reis (PRP) afirmou que o governo tem
condições de pagar os 22,22% exigidos pelos professores com recursos do FUNDEB
e acusa Wagner de usar máquina de comunicação do Estado para disseminar falsas
informações ao público.
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Deputado denuncia manipulação do dinheiro do FUNDEB pelo Governo na Bahia
O vexame administrativo da Educação no país
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terça-feira, julho 24, 2012
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
Debaixo desse angu tem caroço
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| Charge: blogdoonyx.wordpress.com |
Juliana Brito*
Enquanto mais de um milhão de
baianos estão fora das salas de aula e cerca de 60 mil professores estão com
sua subsistência e futuro profissional comprometido, o MEC continua a repassar
verbas para o Estado da Bahia. O mesmo que afirma não possuir recursos,
contrata projetos sem licitação para ministrar “aulões” aos alunos do Ensino
Médio com a desculpa de prepará-los para o ENEM. No entanto, qualquer aluno de
Pedagogia ou Licenciatura deveria saber que cursinhos não preparam para o ENEM,
pelo contrário, estes apenas alimentam a indústria dos cursos preparatórios
adestrando os alunos a burlar as dificuldades das provas. Não encontramos na
Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e nem na Constituição Federal nenhum artigo que
defenda tal prática, uma vez que, todos os documentos que tratam da Educação
perseguem um Ensino Médio capaz de formar cidadãos críticos capazes de atuar no
mundo em que vivem e se inseri-los no mundo do trabalho - ninguém consegue isso
em cursinhos. A Bahia merece há muito tempo um conjunto de ações visando
ressignificar o ensino-aprendizagem, onde profissionais capacitados e
valorizados sirvam de modelo e incentivo para as nossas crianças.
O espanto com a gestão da
Educação na Bahia aumenta quando intuímos o número exorbitante de contratados
de REDA e PSTs - os subempregados da Educação. Se eles podem ocupar o lugar de
um professor efeito em greve, não pode receber o mesmo que ele, mesmo porque, a
lógica da terceirização serve apenas para baratear o serviço. Se não conhecemos
os números do FUNDEB, tampouco conhecemos o número de contratados (PSTs e
REDAS), além de não pagar o Piso Nacional do Magistério na sua integralidade, o
Estado mantem de forma suspeita, um contingente desconhecido de profissionais
sem concurso público, não apenas de professores, mais de técnicos e pessoal de
apoio. Será que o nosso ilustre Judiciário e “democrático” Legislativo
continuarão a fazer vistas grossas sobre essas irregularidades que ferem
profundamente o serviço público baiano? O MEC continuará a repassar as verbas
da educação sem averiguar e publicizar onde estão sendo de fato empregadas?
Será que nossos meninos continuarão sem aulas, enquanto seus mestres sofrem
todo tipo de retaliação por lhes ensinar que DIREITO É CONQUISTA E NÃO SE ABRE
MÃO?
*Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia
Federais: Balanço das assembleias indica rejeição unânime à proposta do governo
CNG-ANDES-SN convoca tuitaço e
vigília para esta segunda (23)
Neste momento histórico das
lutas do ANDES-SN, as Assembleias Gerais das seções sindicais, realizadas no
período de 16 a 20 de julho, rejeitaram massivamente a proposta apresentada
pelo governo no último dia 13. “As deliberações reafirmam princípios e fundamentos
da carreira do ANDES-SN, bem como a necessidade de melhoria das condições de
trabalho e valorização salarial”, avalia o Comando Nacional de Greve do
ANDES-SN (CNG).
No domingo (22), os docentes
que compõem o CNG do ANDES-SN estiveram concentrados na sede do Sindicato
Nacional, em Brasília, em preparação para a reunião com o governo, que será
realizada nesta segunda (23), a partir das 14h.
Em comunicado, Comando Nacional
de Greve do ANDES-SN reiterou “a necessidade de que seja intensificada a greve
visando a fortalecer o CNG no processo de negociação”.
Para isso, convocou todos os
professores e internautas, que apoiam a luta dos docentes em defesa da Educação
Pública e de Qualidade e pela melhoria das condições de trabalho nas
Instituições Federais de Ensino, a participarem de tuitaço nesta segunda-feira
(23), preferencialmente das 12 às 14 horas, utilizando a hashtag
#falaSerioMercadante.
Segundo o comunicado do CNG, as
bases docentes do ANDES-SN permanecerão na luta, durante a semana, com nova
rodada de assembleias locais para discutir e avaliar os resultados dessa nova
reunião com o governo.
“Convocamos todos para
participar de uma vigília nos estados durante todo o dia 23”, conclamam os
docentes.
Fonte: ANDES-SN
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Livro marxista de análise da contemporaneidade é lançado pela Expressão Popular
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| Organizador: Milton Pinheiro |
Sumário
Apresentação
9
Milton
Pinheiro
Prefácio
13
José Paulo
Netto
Operador
político, movimentos sociais e lutas antissistêmicas 25
Milton
Pinheiro
Socialismo,
barbárie e outras alternativas 73
Mauro Luis
Iasi
A
construção do Euro como um novo “padrão-ouro” e os direitos dos trabalhadores
103
Sofia
Manzano
A terceira
onda da crise: o capitalismo no olho do furacão – desarticulação
monetário-financeira, depressão prolongada e lutas sociais 129
Edmilson
Costa
Imperialismo
e guerra 171
João
Quartim de Moraes
Crise de
hegemonia, globalização e imperialismo 213
Muniz
Ferreira
Da missão
civilizadora do capital ao imperialismo norte-americano 237
Marcelo
Pereira Fernandes
Estado e
classes no capitalismo contemporâneo: uma leitura poulantziana 265
Jair
Pinheiro
As
fragilidades da esquerda latino-americana e os desafios da Revolução
Bolivariana 303
Marcelo
Buzetto
Marxismo e
estudos sobre trabalho no Brasil contemporâneo: tendências, impasses 349
Cristiano
Ferraz
Sobre os
autores 375
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segunda-feira, julho 23, 2012
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Carta pública ao Judiciário baiano pelo cumprimento da Lei pelo Estado da Bahia
Por Luciano Meron
À sua Excelência,
Ministra Eliana Calmom Alves,
vimos por meio desta solicitar
a ação corregedora do Conselho Nacional de Justiça no Tribunal de Justiça da
Bahia, pois avaliamos que o órgão apresenta irregularidades no que se refere os
processos envolvendo a greve dos professores estaduais. Não sou advogado,
apenas estou interpretando as informações que circulam na internet, na mídia
impressa e no Diário Oficial do Estado.
Nós professores do Estado
estamos em greve a mais de cem dias, querendo o cumprimento de leis estaduais
(Estatuto do Servidor, Lei 6677/94) e federais (Lei Nacional do Piso,
11738/08), além do livre exercício do direito de greve.
Queremos celeridade no Processo
nº 0305870-21.2012.805.0000 (pagamento dos salários) e no Processo nº
0306642-81.2012.805.0000 (ADIN), já que se trata de questões de grande comoção
para a sociedade baiana, pois envolvem direitos fundamentais (como acesso a
educação e a verba de natureza alimentar).
Além disso, há o descumprimento
de princípios básicos em algumas decisões da justiça estadual, já que o
procurador do Estado, Caio Druso de Castro Penalva Vita, tem parentesco com a
relatora do processo contra os professores, como afirma a desembargadora Lícia
de Castro Laranjeira Carvalho (TJBA – DIÁRIO DA JUSTIÇA ELETRÔNICO – Nº 753 -
Disponibilização: quinta-feira, 12 de julho de 2012 Cad 1 / Página 20).
Já que não existe uma lei
especifica que regulamente o direito de greve dos servidores públicos vale os
acórdãos já proferidos pelo STF, mas a justiça baiana posterga o julgamento do
mérito da questão, multiplicando liminares contra a categoria, desrespeitando
assim a determinação do ministro Ricardo Lewandowski.
Não estamos aqui pedindo nada
que não seja o cumprimento idôneo das leis! Acreditamos no Estado de Direito e
na Constituição Nacional!
Dura
lex, sed lex!
Professores do Estado da Bahia.
domingo, 22 de julho de 2012
Proposta do governo ameaça Universidades Federais
Carta à sociedade baiana
Nós, professores da
Universidade Federal da Bahia, reivindicamos um modelo de Universidade que
favoreça o desenvolvimento do país, o que torna necessário reestruturar a nossa
carreira, melhorar as nossas condições de trabalho e não apenas os salários. A
reestruturação da carreira visa garantir a valorização profissional, além de
tornar atrativo o exercício da docência.
A proposta de carreira
apresentada pelo Governo Dilma, após quase dois meses de paralisação, só foi
anunciada porque está em curso a maior greve já vista das universidades
federais. Entretanto, é necessário esclarecer as armadilhas desta proposta que
recusamos firmemente: 1) ela não corrige os problemas da carreira atual, além
de introduzir novas distorções e barreiras para o desenvolvimento dos
professores na carreira; 2) ela não resgata os enormes prejuízos impostos aos
aposentados na última modificação da carreira em 2006; 3) ela ameaça, com
imposições de critérios para progressão na carreira, a autonomia universitária
prevista na Constituição Federal, a qual pressupõe que cada Universidade faça
essas definições respeitando as suas particularidades regionais e estruturais.
Além disso, não há qualquer proposição de melhoria para as condições de
trabalho, que se encontram degradadas após a desordenada expansão do número de
vagas de estudantes em descompasso com o número de professores e
técnico-administrativos e com a atual infraestrutura (salas de aula,
bibliotecas, laboratórios).
Quanto ao salário, a proposta
do Governo trará graves perdas ao conjunto dos professores. Contando que a
inflação projetada pelo DIEESE de 2010 até 2015 deverá somar 35,55%, o reajuste
de 16% a 45% prometido em parcelas até 2015 significaria um aumento de até
12,24% para uma minoria, enquanto muitos amargariam perdas de até 11,11%.
Necessitamos de uma proposta que efetivamente corrija distorções da carreira,
bem como as perdas salariais. Exigimos que qualquer acordo seja cumprido até
2013 e que não seja parcelado como propõe o Governo. Valorizar a educação
implica destinar recursos financeiros que garantam condições dignas de vida e
trabalho para todos os servidores (técnico-administrativos e docentes), além de
garantia aos estudantes de acesso e permanência com qualidade, nas redes
públicas municipais, estaduais e federais.
Com a greve, pretendemos que o
Governo reformule sua política e com isso a sociedade seja beneficiada de forma
mais permanente por meio de uma universidade socialmente referenciada. A greve
é um sacrifício momentâneo para a sociedade em troca de um projeto de
desenvolvimento social sólido, o que só pode ser alcançado com uma educação
responsável, realizada por professores bem qualificados e com condições de
executar o tripé essencial da universidade: ensino, pesquisa e extensão.
Extensão para aproximar-se da sociedade e definir junto a ela suas prioridades
presentes e projetos futuros, definindo-se assim as linhas principais de
pesquisa. Ao mesmo tempo, multiplicar esses conhecimentos formando pessoal para
atuar na construção de uma sociedade mais autônoma e justa. Conclamamos a
sociedade baiana a se juntar a nós nesta luta.
Comando de greve dos Docentes
da UFBA
A Greve nas Universidades Federais
Nota do PCB sobre a greve nacional dos docentes federais
Crédito: carreiradocente,
20 JULHO 2012
1. A Greve dos professores do
ensino federal já toma 100% das Universidades Federais em todo o país e
demonstra sua força levando o governo a antecipar sua proposta e abrir
negociações com os professores.
2. A força desta greve
demonstra o acerto das decisões tomadas no último Congresso Nacional do
ANDES-SN de aprofundar o trabalho de base e de aproximar as reivindicações e
bandeiras de luta às demandas reais da categoria, o que nos levou à construção
de nossa pauta fundada na defesa da carreira docente, dos salários, as
condições de trabalho e da educação pública.
3. A proposta apresentada pelo
governo e que abre a negociação com nosso movimento grevista, como seria de se
esperar do governo Dilma, é limitada e insuficiente além de aprofundar a
desestruturação da carreira e regredir em vários pontos mesmo em relação à
situação atual. O governo mente intencionalmente sobre os índices apresentados
tentando, naquilo que o próprio Secretário do MPOG denominou de “estratégica de
comunicação”, mascarar o aumento oferecido. Os 45% anunciados e propalados pela
grande mídia seriam concedidos apenas aos titulares, que representam uma
pequena parte da categoria, escalonando os índices menores para as outras
classes e níveis que constituem a maioria dos professores. Além disso, embute
no calculo do aumento dos 4% já pagos
com atraso este ano relativo ao acordo do ano passado, parcela o pagamento em
três anos até 2015 sem considerar a inflação. Desta maneira, considerando o
aumento médio nominal, teríamos apenas 28,3% e se considerarmos a previsão
moderada de inflação de 5% ao ano, este índice cairia para 10,8% de aumento
médio.
4. O mais grave é que o governo
restringiu a oferta à pauta salarial e
apesar de avançar por força da pressão do movimento para pontos da carreira
apresentada pelo ANDES, aceitando os 13 níveis da carreira e não os 21
inicialmente propostos e incorporando o Professor Titular na carreira, de fato aprofunda distorções, mantêm a
divisão por classes (Titular, Associado, Adjunto, Assistente e Auxiliar)
contraria a posição dos professores de um único cargo de professor do ensino
federal, mantêm a divisão em duas carreiras (magistério superior e EBTT) e
impõe o mínimo de 12 horas de aula quando a LDB estipula de 8 a 12 horas,
demonstrando claramente seu projeto contrário à vinculação entre ensino,
pesquisa e extensão.
5. O governo fecha os olhos às
demandas dos professores por melhores condições de trabalho e à avaliação clara
do movimento docente dos efeitos de uma expansão que não veio seguida das condições
necessárias, assim como se mantêm intransigente diante das demandas dos
técnicos administrativos e estudantes.
6. Desta maneira, o PCB apoia a
decisão do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN de indicar às assembleias da
categoria a rejeição do acordo nos termos oferecidos e o esforço de apresentar
uma contraproposta que tenha como referência a proposta de carreira dos
professores federais apresentada pela entidade nacional representativa dos
docentes.
7. Chamamos todos a fortalecer
as mobilizações do conjunto do funcionalismo público federal em greve e as
mobilizações propostas para o dia 2 de agosto pelas Centrais Sindicais,
massificar a luta e fortalecer as assembleias dos docentes para respaldar o CNG
nas negociações que se abriram.
Todo apoio às reivindicações
dos docentes federais
Por carreira docente, salários
e condições de trabalho
Em defesa da Educação Pública
Base dos Professores Federais do PCB
CC do PCB
sábado, 21 de julho de 2012
A voz dos estudantes que a imprensa de aluguel da Bahia não mostra
A Greve continua, na ALBA ou na rua!!!
Professores do Estado da Bahia em Greve:
Com mandato de reintegração de posse ou sem mandato; com ou terrorismo de corte de salários; com ditadura petista na Bahia, após 101 dias de resistência, os PROFESSORES DO ESTADO DELIBERAM:
A GREVE CONTINUA, NA ALBA OU NA RUA!!!!
Uma questão de oportunismo
Greve dos professores na Bahia: O que está em jogo?
![]() |
| Foto: radarnoticias.com |
Juliana Brito*
Nesses 100 dias de greve toda forma de violência foi usada
pelo governo/patrão para massacrar os professores da rede estadual. Ele teve a
seu lado: dinheiro para pagar notas e censurar informações; artimanhas
jurídicas que protelam a aplicação das leis federais; contratos sem licitações;
corte de salários que inviabilizaram a tomada de empréstimos e o uso de planos
de saúde; demissões; substituições; assédio moral; mentiras na imprensa; o MP
sendo interlocutor unicamente dos interesses do Executivo; o Legislativo
aprovando leis inconstitucionais. Contou ainda com a omissão de muitos
intelectuais desse estado, da Igreja, dos artistas, da OAB, de membros do
judiciário, das ONGs, enfim, de todos aqueles que deixaram "o circo pegar
fogo". Estes disseram: "É uma greve política; são manipulados pelo
sindicato; são egoístas e só pensam nos salários; o governo já foi tão
generoso, o que querem mais, esses radicais? etc.". Coisas do tipo foram
ouvidas e pensadas.
E agora nos perguntamos: Qual será o ônus de derrotar aqueles
que OUSARAM LUTAR PELO CUMPRIMENTO DE UMA LEI que fora aprovada desde 2008 e
que continua a ser ignorada pelo governo estadual? Qual será o ônus que os
trabalhadores de outras categorias pagarão ao comprovarem na prática que Jaques
Wagner decretou: "Na Bahia as leis federais não valem", " não há
mais o direito a greve", "o Estado sou eu". Qual será o ônus que
os alunos pagarão ao saberem que NÃO VALE A PENA ESTUDAR NA BAHIA. Ao
aprenderem a triste lição de que não VALE A PENA LUTAR POR DIREITOS
CONSTITUCIONAIS. Qual será o ônus que os estagiários que se submeteram ao REDA
e PSTs pagarão por terem comprometido a valorização da profissão a qual
aspiram? Qual será o ônus que aqueles que " não aderiam a greve"
pagarão por não terem fortalecido seus colegas?Qual será o futuro da educação
na Bahia? Os próximos acontecimentos serão decisivos.
Professora da rede estadual em Vitória da Conquista,
Bahia.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
SEM AULA E SEM SALÁRIO
Ruy Medeiros
Gosto de Bertold Brecht, mesmo
quando seu nome vem escrito como Bertolt. Quando se trata de violência sempre
me vem à mente versos que já repeti e que continuarei repetindo:
Do
rio que tudo arrasta
se
diz violento
Mas
não se dizem violentas
as
margens que o comprimem.
Paulo Cesar de Souza traduziu
os versos de forma diferente:
A
corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas
o leito de rio que o contém
Ninguém
chama de violento.
A lembrança de Brecht vem por
conta da atual greve dos professores da rede pública estadual. Por quê?
Leio, vejo e ouço: Governo e
seus preprepostos manifestam seu repúdio, seu desconforto e decepção com o fato
de milhares e milhares de jovens estarem sem aula, e justificam o corte de
salários dos nossos professores (nossos, sim, leitor). Tudo isso me violenta, e
creio que agride a inteligência de muitos.
Se o governo estivesse mesmo
preocupado com os jovens estudantes não teria deixado as coisas atingirem esse
nível. A verdade é que o Estado não possui, nem implementa, política de
educação que reverta o atual quadro. Ao invés disso, escolas são fechadas
(vide, dentre outros os casos das Escolas Dirlene Mendonça e Maria Viana), o
ensino público perde qualidade, pais se sacrificam e colocam seus filhos em
escolas de rede privada. Também o Estado não tem política que pense no
professor seriamente. Este é encarado como qualquer um (daí vem os contratos
REDA), e não como responsável por instituição que pretende vincular pessoas e
sociedades ao futuro (a aprendizagem sempre será utilizada no futuro) e que,
por isso, é necessário à própria existência de todos nós. Não é algo que seja
descartável ou improvisado.
Mas há uma onda perversa
(mesmo!) que se revela nos momentos de greve: a tentativa de jogar professores
contra a sociedade, denunciando que aqueles deixam crianças sem aulas, sem
merenda, etc. Isso é revelador: uma sociedade contra o professor ou que o
desprestigia não é sociedade que queira educação e o Estado que usa tal
expediente compromete a educação. O leitor por certo não gostaria de ser
educado por pessoas repudiadas pela sociedade. E é isso que o Estado quer
dizer: não acredite neles (portanto não acredite na rede pública de ensino),
assim será melhor para encher a rede privada, para fechar as escolas, para
violentar o futuro ( o futuro é sim violentado, quando se violenta potenciais).
Esse discurso, que compromete a
educação é violência contra todos nós, pois nos condena a ver a sociedade presa
aos interesses privativistas em matéria de ensino e assistir o caráter desse
ser dobrado em direção àquele mesmo ensino já denominado de maceteiro (que
substitui com galas a “decorebagem” ). Mas compromete o ensino à medida que
desqualifica os principais agentes desse. Isso pode surtir efeito político
imediato. O Estado diz que os professores são culpados, desqualifica-os, mas
com isso comete crime contra a educação. Está visto.
Em verdade, os salários
achataram-se. Escolas foram fechadas ou sucateadas. Salas foram reunidas. E,
nesse momento, em que laços de solidariedade e mudanças no seio das famílias
dificultam o trabalho do professor, que precisa ter condições para bem
desempenhar seu ofício, precisa estudar para entender esse seu novo alunado,
formular estratégia, ver o que pode dar certo para dotar os educandos de
instrumentos de autonomia para continuar estudando.
Mas aí está a greve. Apesar do
desejo do Estado de jogar a sociedade contra os professores, isso não ocorreu,
a sociedade não protestou, por dois motivos principais, eu penso (sei que há
outros): a) os pobres a quem a desastrada educação pública passou a ser
destinatária (os menos pobres já estão na escola particular) não se
sensibilizaram porque percebem que lutar contra miséria dos outros é combater
contra sua própria miséria; b) já não vê grande efeito no tipo de educação
oferecido pelo Estado e imposta aos professores como seu modo de fazer(como,
aliás, parece ser desejo de governantes).
Por outro lado, a greve não
cresce por seu estilo sindical. Os professores não entenderam ainda que sua
luta exige um novo tipo de greve: referenciada na sociedade, com a sociedade,
formulando projeto, que também seja desta, - de educação para todos, com mais
destinatários e sem fuga de estudantes, uma educação que para os pobres não
aponte apenas a misera contribuição do bolsa família ou do benefício
assistencial. Urge construir comitês, em cada lugar, de defesa e transformação
da educação pública. O horizonte deve ser mais largo. Afinal, como dizia Cazuza
– “meus inimigos estão no poder. Ideologia, preciso de uma prá viver”.
Mais uma vez a mídia sensacionalista baiana desrespeita
Professora do comando de Greve sofreu agressão moral da mídia sensacionalista capitaneada pelo Sr. Varela, a comando dos interesses governamentais.
A vitima publicizou a sua versão dos fatos e diz estar tomando todas as providências jurídicas e cabíveis. Os demais professores em luta devem ficar atentos a todas as investidas governamentais e da mídia sensacionalista de plantão, sustentada com recursos públicos advindos do Estado. [JRMA]
Por Ana Teresa:
PREZADOS COLEGAS
Ainda sentindo-me muito abalada com toda essa situação e em repouso absoluto por ordens medicas, preciso dar a verdadeira versão dos fatos badalados pela mídia sensacionalista que tenta manchar a minha dignidade e de toda minha família. Sinto-me na obrigação de dar uma satisfação somente a vocês e a sociedade.
No dia 16 de julho, fazendo parte do comando de greve e ocupando a Assembléia Legislativa junto com outros professores, eu, Ana Teresa, professora do estado há 20 anos, hipertensa, com suspeita de diabetes, fazendo uso de medicação de hipertensão com diurético, tenho vivido dias difíceis junto a meus colegas de classe, lutando em prol do cumprimento de uma lei a favor dos educadores da Bahia.
Os professores acampados na ALBA estão em condições desumanas, sem luz, sem banheiro. Os educadores estão, por ordem do presidente da ALBA, amanhecendo sem fazer uso dos serviços citados acima, durante toda a noite.
Estamos vivendo dias de pressão, e, diante da extrema necessidade de fazer xixi e por ter liberação de urina com maior frequência devido aos medicamentos, por voltas das sete horas, fui ao banheiro acompanhada de algumas colegas, chegando lá, só estava desocupado o Box do banheiro. Decidi, então, tomar banho primeiro, coisa que os acampados fazem regularmente. Já despida e dentro do Box, não consegui conter a urina. Ao abrir a torneira do chuveiro, percebi que não havia água. Então, quando estava saindo para vestir a roupa, a funcionária da ALBA entrou (sem pedir licença e mesmo me encontrando despida) gritou: “O que é isso aqui? Isso não é coisa de professora, é coisa de animal!” Eu, então, respondi: “Não. Eu passei a noite toda segurando a urina e fiz de fato o xixi porque estava embaixo do chuveiro para tomar banho, foi quando percebi que não havia água, é um costume fazer em casa”. Quando ela retrucou agressivamente: “Olha ai, ela é tão mal educada que ainda diz que faz isso em casa”, - respondi para ela: “Não se trata de falta de educação e sim de uma necessidade fisiológica”. Foi quando a mesma retirou-se do local gritando: “Vou chamar o segurança para essa professora mal educada”. Fiquei nervosa. Fui agredida, numa situação de apreensão e constrangimento. Estava despida e desrespeitada.
Acredito que houve muita falta de bom senso, pois o fato não precisaria ganhar tanta proporção, já que quem teve a intimidade agredida fui eu. A mídia está maculando minha imagem de forma desumana e desrespeitosa. Se a funcionária se sentiu ofendida com a discussão eu me senti mais ainda, pois estava despida e fui agredida verbalmente pelo simples fato de ter feito minhas necessidades fisiológicas dentro do Box do banheiro no momento em que tentava tomar banho.
A mídia expôs minha imagem de forma irresponsável. Na tentativa de colocar em pauta toda a categoria, usando minha foto. Senti-me agredida com a propagação do fato pela mídia sensacionalista. Minhas fotos, que foi, sem dúvida retirada do meu Facebook, foram expostas sem cerimônia alguma. Quem se responsabilizará por isto?
O que mais a mídia irá encontrar para denegrir a minha imagem e a imagem dos educadores da Bahia?
Fui orientada pelos advogados, que não devo ir a esses canais de tevê para dar satisfação alguma, pois as devidas providencias jurídicas cabíveis já estão sendo tomadas, contra as calunias da funcionaria e dos canais televisivos sensacionalistas que não tem um pingo de respeito pela integridade das pessoas.
Precisava está na assembleia amanhã para falar tudo isso pessoalmente para os colegas, mas por ordens medicas preciso ficar em repouso absoluto. Estou constantemente medindo a minha pressão que continua alta, preciso me cuidar, pois não quero ser, mas uma dos tantos colegas que faleceram.
Atenciosamente, Ana Teresa.
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sexta-feira, julho 20, 2012
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A luta por uma Educação digna
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
Brasil: governo a serviço dos especuladores
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quinta-feira, julho 19, 2012
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IV Seminário de Sociologia e Política
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quinta-feira, julho 19, 2012
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Professor Rui faz balanço da Greve dos professores da Bahia
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Declaração de indignação contra um governo tirano
Posso até não ganhar nada, mas
a minha dignidade eu não perdi. Cem dias de muita luta contra um governo
tirano. O meu discurso continua o mesmo, quero que meus alunos e minhas alunas
me olhem e sintam orgulho de mim, pois o ensino a todo tempo a lutarem pelos
seus direitos, não aceitando usurpação de quem quer que seja, jamais terei um
discurso em sala de aula, e outro em minha prática. A grewe ainda não acabou. Ela começou com o voto da categoria e só
terminará desta forma, pois a nossa assembleia é soberana, nós saberemos o
momento de terminá-la. A luta continua até o dia em que todos e todas que se
fazem presentes levantarem a mão dizendo o contrário. Àqueles que sustentam o
seu discurso e não fogem à luta meu abraço guerreiro. Sei da situação de vários
colegas que estão passando fome, mas não desistiram. Estou com várias contas
atrasadas, mas continuo na luta. Estamos quase todos no mesmo barco, e se ele
afundar serei o Almirante. Ocupação na ALBa. Hoje pela manhã, após a nossa
assembleia.
Delsuc Machado (FACED/UFBA)
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quinta-feira, julho 19, 2012
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