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terça-feira, 24 de julho de 2012

Deputado denuncia manipulação do dinheiro do FUNDEB pelo Governo na Bahia


Em discurso na Assembleia Legislativa da Bahia o Deputado Bruno Reis (PRP) afirmou que o governo tem condições de pagar os 22,22% exigidos pelos professores com recursos do FUNDEB e acusa Wagner de usar máquina de comunicação do Estado para disseminar falsas informações ao público.

O vexame administrativo da Educação no país



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Debaixo desse angu tem caroço


Charge:  blogdoonyx.wordpress.com
Juliana Brito*

Enquanto mais de um milhão de baianos estão fora das salas de aula e cerca de 60 mil professores estão com sua subsistência e futuro profissional comprometido, o MEC continua a repassar verbas para o Estado da Bahia. O mesmo que afirma não possuir recursos, contrata projetos sem licitação para ministrar “aulões” aos alunos do Ensino Médio com a desculpa de prepará-los para o ENEM. No entanto, qualquer aluno de Pedagogia ou Licenciatura deveria saber que cursinhos não preparam para o ENEM, pelo contrário, estes apenas alimentam a indústria dos cursos preparatórios adestrando os alunos a burlar as dificuldades das provas. Não encontramos na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e nem na Constituição Federal nenhum artigo que defenda tal prática, uma vez que, todos os documentos que tratam da Educação perseguem um Ensino Médio capaz de formar cidadãos críticos capazes de atuar no mundo em que vivem e se inseri-los no mundo do trabalho - ninguém consegue isso em cursinhos. A Bahia merece há muito tempo um conjunto de ações visando ressignificar o ensino-aprendizagem, onde profissionais capacitados e valorizados sirvam de modelo e incentivo para as nossas crianças.
O espanto com a gestão da Educação na Bahia aumenta quando intuímos o número exorbitante de contratados de REDA e PSTs - os subempregados da Educação. Se eles podem ocupar o lugar de um professor efeito em greve, não pode receber o mesmo que ele, mesmo porque, a lógica da terceirização serve apenas para baratear o serviço. Se não conhecemos os números do FUNDEB, tampouco conhecemos o número de contratados (PSTs e REDAS), além de não pagar o Piso Nacional do Magistério na sua integralidade, o Estado mantem de forma suspeita, um contingente desconhecido de profissionais sem concurso público, não apenas de professores, mais de técnicos e pessoal de apoio. Será que o nosso ilustre Judiciário e “democrático” Legislativo continuarão a fazer vistas grossas sobre essas irregularidades que ferem profundamente o serviço público baiano? O MEC continuará a repassar as verbas da educação sem averiguar e publicizar onde estão sendo de fato empregadas? Será que nossos meninos continuarão sem aulas, enquanto seus mestres sofrem todo tipo de retaliação por lhes ensinar que DIREITO É CONQUISTA E NÃO SE ABRE MÃO?

*Professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia

Federais: Balanço das assembleias indica rejeição unânime à proposta do governo

CNG-ANDES-SN convoca tuitaço e vigília para esta segunda (23)

Neste momento histórico das lutas do ANDES-SN, as Assembleias Gerais das seções sindicais, realizadas no período de 16 a 20 de julho, rejeitaram massivamente a proposta apresentada pelo governo no último dia 13. “As deliberações reafirmam princípios e fundamentos da carreira do ANDES-SN, bem como a necessidade de melhoria das condições de trabalho e valorização salarial”, avalia o Comando Nacional de Greve do ANDES-SN (CNG).
No domingo (22), os docentes que compõem o CNG do ANDES-SN estiveram concentrados na sede do Sindicato Nacional, em Brasília, em preparação para a reunião com o governo, que será realizada nesta segunda (23), a partir das 14h.
Em comunicado, Comando Nacional de Greve do ANDES-SN reiterou “a necessidade de que seja intensificada a greve visando a fortalecer o CNG no processo de negociação”.
Para isso, convocou todos os professores e internautas, que apoiam a luta dos docentes em defesa da Educação Pública e de Qualidade e pela melhoria das condições de trabalho nas Instituições Federais de Ensino, a participarem de tuitaço nesta segunda-feira (23), preferencialmente das 12 às 14 horas, utilizando a hashtag #falaSerioMercadante.
Segundo o comunicado do CNG, as bases docentes do ANDES-SN permanecerão na luta, durante a semana, com nova rodada de assembleias locais para discutir e avaliar os resultados dessa nova reunião com o governo.
“Convocamos todos para participar de uma vigília nos estados durante todo o dia 23”, conclamam os docentes.
Fonte: ANDES-SN

Livro marxista de análise da contemporaneidade é lançado pela Expressão Popular

Organizador: Milton Pinheiro 


Sumário

Apresentação 9
Milton Pinheiro

Prefácio 13
José Paulo Netto

Operador político, movimentos sociais e lutas antissistêmicas 25
Milton Pinheiro

Socialismo, barbárie e outras alternativas 73
Mauro Luis Iasi

A construção do Euro como um novo “padrão-ouro” e os direitos dos trabalhadores 103
Sofia Manzano

A terceira onda da crise: o capitalismo no olho do furacão – desarticulação monetário-financeira, depressão prolongada e lutas sociais 129
Edmilson Costa

Imperialismo e guerra 171
João Quartim de Moraes

Crise de hegemonia, globalização e imperialismo 213
Muniz Ferreira

Da missão civilizadora do capital ao imperialismo norte-americano 237
Marcelo Pereira Fernandes

Estado e classes no capitalismo contemporâneo: uma leitura poulantziana 265
Jair Pinheiro

As fragilidades da esquerda latino-americana e os desafios da Revolução Bolivariana 303
Marcelo Buzetto

Marxismo e estudos sobre trabalho no Brasil contemporâneo: tendências, impasses 349
Cristiano Ferraz

Sobre os autores 375

Carta pública ao Judiciário baiano pelo cumprimento da Lei pelo Estado da Bahia


Por Luciano Meron

À sua Excelência,
Ministra Eliana Calmom Alves,
vimos por meio desta solicitar a ação corregedora do Conselho Nacional de Justiça no Tribunal de Justiça da Bahia, pois avaliamos que o órgão apresenta irregularidades no que se refere os processos envolvendo a greve dos professores estaduais. Não sou advogado, apenas estou interpretando as informações que circulam na internet, na mídia impressa e no Diário Oficial do Estado.
Nós professores do Estado estamos em greve a mais de cem dias, querendo o cumprimento de leis estaduais (Estatuto do Servidor, Lei 6677/94) e federais (Lei Nacional do Piso, 11738/08), além do livre exercício do direito de greve.
Queremos celeridade no Processo nº 0305870-21.2012.805.0000 (pagamento dos salários) e no Processo nº 0306642-81.2012.805.0000 (ADIN), já que se trata de questões de grande comoção para a sociedade baiana, pois envolvem direitos fundamentais (como acesso a educação e a verba de natureza alimentar).
Além disso, há o descumprimento de princípios básicos em algumas decisões da justiça estadual, já que o procurador do Estado, Caio Druso de Castro Penalva Vita, tem parentesco com a relatora do processo contra os professores, como afirma a desembargadora Lícia de Castro Laranjeira Carvalho (TJBA – DIÁRIO DA JUSTIÇA ELETRÔNICO – Nº 753 - Disponibilização: quinta-feira, 12 de julho de 2012 Cad 1 / Página 20).
Já que não existe uma lei especifica que regulamente o direito de greve dos servidores públicos vale os acórdãos já proferidos pelo STF, mas a justiça baiana posterga o julgamento do mérito da questão, multiplicando liminares contra a categoria, desrespeitando assim a determinação do ministro Ricardo Lewandowski.
Não estamos aqui pedindo nada que não seja o cumprimento idôneo das leis! Acreditamos no Estado de Direito e na Constituição Nacional!
Dura lex, sed lex!

Professores do Estado da Bahia.

domingo, 22 de julho de 2012

Proposta do governo ameaça Universidades Federais


Carta à sociedade baiana

Nós, professores da Universidade Federal da Bahia, reivindicamos um modelo de Universidade que favoreça o desenvolvimento do país, o que torna necessário reestruturar a nossa carreira, melhorar as nossas condições de trabalho e não apenas os salários. A reestruturação da carreira visa garantir a valorização profissional, além de tornar atrativo o exercício da docência.
A proposta de carreira apresentada pelo Governo Dilma, após quase dois meses de paralisação, só foi anunciada porque está em curso a maior greve já vista das universidades federais. Entretanto, é necessário esclarecer as armadilhas desta proposta que recusamos firmemente: 1) ela não corrige os problemas da carreira atual, além de introduzir novas distorções e barreiras para o desenvolvimento dos professores na carreira; 2) ela não resgata os enormes prejuízos impostos aos aposentados na última modificação da carreira em 2006; 3) ela ameaça, com imposições de critérios para progressão na carreira, a autonomia universitária prevista na Constituição Federal, a qual pressupõe que cada Universidade faça essas definições respeitando as suas particularidades regionais e estruturais. Além disso, não há qualquer proposição de melhoria para as condições de trabalho, que se encontram degradadas após a desordenada expansão do número de vagas de estudantes em descompasso com o número de professores e técnico-administrativos e com a atual infraestrutura (salas de aula, bibliotecas, laboratórios).
Quanto ao salário, a proposta do Governo trará graves perdas ao conjunto dos professores. Contando que a inflação projetada pelo DIEESE de 2010 até 2015 deverá somar 35,55%, o reajuste de 16% a 45% prometido em parcelas até 2015 significaria um aumento de até 12,24% para uma minoria, enquanto muitos amargariam perdas de até 11,11%. Necessitamos de uma proposta que efetivamente corrija distorções da carreira, bem como as perdas salariais. Exigimos que qualquer acordo seja cumprido até 2013 e que não seja parcelado como propõe o Governo. Valorizar a educação implica destinar recursos financeiros que garantam condições dignas de vida e trabalho para todos os servidores (técnico-administrativos e docentes), além de garantia aos estudantes de acesso e permanência com qualidade, nas redes públicas municipais, estaduais e federais.
Com a greve, pretendemos que o Governo reformule sua política e com isso a sociedade seja beneficiada de forma mais permanente por meio de uma universidade socialmente referenciada. A greve é um sacrifício momentâneo para a sociedade em troca de um projeto de desenvolvimento social sólido, o que só pode ser alcançado com uma educação responsável, realizada por professores bem qualificados e com condições de executar o tripé essencial da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Extensão para aproximar-se da sociedade e definir junto a ela suas prioridades presentes e projetos futuros, definindo-se assim as linhas principais de pesquisa. Ao mesmo tempo, multiplicar esses conhecimentos formando pessoal para atuar na construção de uma sociedade mais autônoma e justa. Conclamamos a sociedade baiana a se juntar a nós nesta luta.
Comando de greve dos Docentes da UFBA

A Greve nas Universidades Federais

Clique na imagem para ampliá-la.

Nota do PCB sobre a greve nacional dos docentes federais


        Crédito: carreiradocente,
 20 JULHO 2012
          
1. A Greve dos professores do ensino federal já toma 100% das Universidades Federais em todo o país e demonstra sua força levando o governo a antecipar sua proposta e abrir negociações com os professores.
2. A força desta greve demonstra o acerto das decisões tomadas no último Congresso Nacional do ANDES-SN de aprofundar o trabalho de base e de aproximar as reivindicações e bandeiras de luta às demandas reais da categoria, o que nos levou à construção de nossa pauta fundada na defesa da carreira docente, dos salários, as condições de trabalho e da educação pública.
3. A proposta apresentada pelo governo e que abre a negociação com nosso movimento grevista, como seria de se esperar do governo Dilma, é limitada e insuficiente além de aprofundar a desestruturação da carreira e regredir em vários pontos mesmo em relação à situação atual. O governo mente intencionalmente sobre os índices apresentados tentando, naquilo que o próprio Secretário do MPOG denominou de “estratégica de comunicação”, mascarar o aumento oferecido. Os 45% anunciados e propalados pela grande mídia seriam concedidos apenas aos titulares, que representam uma pequena parte da categoria, escalonando os índices menores para as outras classes e níveis que constituem a maioria dos professores. Além disso, embute no calculo do aumento dos 4%  já pagos com atraso este ano relativo ao acordo do ano passado, parcela o pagamento em três anos até 2015 sem considerar a inflação. Desta maneira, considerando o aumento médio nominal, teríamos apenas 28,3% e se considerarmos a previsão moderada de inflação de 5% ao ano, este índice cairia para 10,8% de aumento médio.
4. O mais grave é que o governo restringiu a oferta à pauta salarial  e apesar de avançar por força da pressão do movimento para pontos da carreira apresentada pelo ANDES, aceitando os 13 níveis da carreira e não os 21 inicialmente propostos e incorporando o Professor Titular na carreira,   de fato aprofunda distorções, mantêm a divisão por classes (Titular, Associado, Adjunto, Assistente e Auxiliar) contraria a posição dos professores de um único cargo de professor do ensino federal, mantêm a divisão em duas carreiras (magistério superior e EBTT) e impõe o mínimo de 12 horas de aula quando a LDB estipula de 8 a 12 horas, demonstrando claramente seu projeto contrário à vinculação entre ensino, pesquisa e extensão.
5. O governo fecha os olhos às demandas dos professores por melhores condições de trabalho e à avaliação clara do movimento docente dos efeitos de uma expansão que não veio seguida das condições necessárias, assim como se mantêm intransigente diante das demandas dos técnicos administrativos e estudantes.
6. Desta maneira, o PCB apoia a decisão do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN de indicar às assembleias da categoria a rejeição do acordo nos termos oferecidos e o esforço de apresentar uma contraproposta que tenha como referência a proposta de carreira dos professores federais apresentada pela entidade nacional representativa dos docentes.
7. Chamamos todos a fortalecer as mobilizações do conjunto do funcionalismo público federal em greve e as mobilizações propostas para o dia 2 de agosto pelas Centrais Sindicais, massificar a luta e fortalecer as assembleias dos docentes para respaldar o CNG nas negociações que se abriram.
Todo apoio às reivindicações dos docentes federais
Por carreira docente, salários e condições de trabalho
Em defesa da Educação Pública
Base dos Professores Federais do PCB
CC do PCB

sábado, 21 de julho de 2012

A voz dos estudantes que a imprensa de aluguel da Bahia não mostra


A Greve continua, na ALBA ou na rua!!!

Professores do Estado da Bahia em Greve:
Com mandato de reintegração de posse ou sem mandato; com ou terrorismo de corte de salários; com ditadura petista na Bahia, após 101 dias de resistência, os PROFESSORES DO ESTADO DELIBERAM:
A GREVE CONTINUA, NA ALBA OU NA RUA!!!!



Uma questão de oportunismo


Greve dos professores na Bahia: O que está em jogo?


Foto:  radarnoticias.com

Juliana Brito*

Nesses 100 dias de greve toda forma de violência foi usada pelo governo/patrão para massacrar os professores da rede estadual. Ele teve a seu lado: dinheiro para pagar notas e censurar informações; artimanhas jurídicas que protelam a aplicação das leis federais; contratos sem licitações; corte de salários que inviabilizaram a tomada de empréstimos e o uso de planos de saúde; demissões; substituições; assédio moral; mentiras na imprensa; o MP sendo interlocutor unicamente dos interesses do Executivo; o Legislativo aprovando leis inconstitucionais. Contou ainda com a omissão de muitos intelectuais desse estado, da Igreja, dos artistas, da OAB, de membros do judiciário, das ONGs, enfim, de todos aqueles que deixaram "o circo pegar fogo". Estes disseram: "É uma greve política; são manipulados pelo sindicato; são egoístas e só pensam nos salários; o governo já foi tão generoso, o que querem mais, esses radicais? etc.". Coisas do tipo foram ouvidas e pensadas.
E agora nos perguntamos: Qual será o ônus de derrotar aqueles que OUSARAM LUTAR PELO CUMPRIMENTO DE UMA LEI que fora aprovada desde 2008 e que continua a ser ignorada pelo governo estadual? Qual será o ônus que os trabalhadores de outras categorias pagarão ao comprovarem na prática que Jaques Wagner decretou: "Na Bahia as leis federais não valem", " não há mais o direito a greve", "o Estado sou eu". Qual será o ônus que os alunos pagarão ao saberem que NÃO VALE A PENA ESTUDAR NA BAHIA. Ao aprenderem a triste lição de que não VALE A PENA LUTAR POR DIREITOS CONSTITUCIONAIS. Qual será o ônus que os estagiários que se submeteram ao REDA e PSTs pagarão por terem comprometido a valorização da profissão a qual aspiram? Qual será o ônus que aqueles que " não aderiam a greve" pagarão por não terem fortalecido seus colegas?Qual será o futuro da educação na Bahia? Os próximos acontecimentos serão decisivos.
Professora da rede estadual em Vitória da Conquista, Bahia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

SEM AULA E SEM SALÁRIO


Ruy Medeiros

Gosto de Bertold Brecht, mesmo quando seu nome vem escrito como Bertolt. Quando se trata de violência sempre me vem à mente versos que já repeti e que continuarei repetindo:

Do rio que tudo arrasta
se diz violento
Mas não se dizem violentas
as margens que o comprimem.

Paulo Cesar de Souza traduziu os versos de forma diferente:
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito de rio que o contém
Ninguém chama de violento.

A lembrança de Brecht vem por conta da atual greve dos professores da rede pública estadual. Por quê?
Leio, vejo e ouço: Governo e seus preprepostos manifestam seu repúdio, seu desconforto e decepção com o fato de milhares e milhares de jovens estarem sem aula, e justificam o corte de salários dos nossos professores (nossos, sim, leitor). Tudo isso me violenta, e creio que agride a inteligência de muitos.
Se o governo estivesse mesmo preocupado com os jovens estudantes não teria deixado as coisas atingirem esse nível. A verdade é que o Estado não possui, nem implementa, política de educação que reverta o atual quadro. Ao invés disso, escolas são fechadas (vide, dentre outros os casos das Escolas Dirlene Mendonça e Maria Viana), o ensino público perde qualidade, pais se sacrificam e colocam seus filhos em escolas de rede privada. Também o Estado não tem política que pense no professor seriamente. Este é encarado como qualquer um (daí vem os contratos REDA), e não como responsável por instituição que pretende vincular pessoas e sociedades ao futuro (a aprendizagem sempre será utilizada no futuro) e que, por isso, é necessário à própria existência de todos nós. Não é algo que seja descartável ou improvisado.
Mas há uma onda perversa (mesmo!) que se revela nos momentos de greve: a tentativa de jogar professores contra a sociedade, denunciando que aqueles deixam crianças sem aulas, sem merenda, etc. Isso é revelador: uma sociedade contra o professor ou que o desprestigia não é sociedade que queira educação e o Estado que usa tal expediente compromete a educação. O leitor por certo não gostaria de ser educado por pessoas repudiadas pela sociedade. E é isso que o Estado quer dizer: não acredite neles (portanto não acredite na rede pública de ensino), assim será melhor para encher a rede privada, para fechar as escolas, para violentar o futuro ( o futuro é sim violentado, quando se violenta potenciais).
Esse discurso, que compromete a educação é violência contra todos nós, pois nos condena a ver a sociedade presa aos interesses privativistas em matéria de ensino e assistir o caráter desse ser dobrado em direção àquele mesmo ensino já denominado de maceteiro (que substitui com galas a “decorebagem” ). Mas compromete o ensino à medida que desqualifica os principais agentes desse. Isso pode surtir efeito político imediato. O Estado diz que os professores são culpados, desqualifica-os, mas com isso comete crime contra a educação. Está visto.
Em verdade, os salários achataram-se. Escolas foram fechadas ou sucateadas. Salas foram reunidas. E, nesse momento, em que laços de solidariedade e mudanças no seio das famílias dificultam o trabalho do professor, que precisa ter condições para bem desempenhar seu ofício, precisa estudar para entender esse seu novo alunado, formular estratégia, ver o que pode dar certo para dotar os educandos de instrumentos de autonomia para continuar estudando.
Mas aí está a greve. Apesar do desejo do Estado de jogar a sociedade contra os professores, isso não ocorreu, a sociedade não protestou, por dois motivos principais, eu penso (sei que há outros): a) os pobres a quem a desastrada educação pública passou a ser destinatária (os menos pobres já estão na escola particular) não se sensibilizaram porque percebem que lutar contra miséria dos outros é combater contra sua própria miséria; b) já não vê grande efeito no tipo de educação oferecido pelo Estado e imposta aos professores como seu modo de fazer(como, aliás, parece ser desejo de governantes).
Por outro lado, a greve não cresce por seu estilo sindical. Os professores não entenderam ainda que sua luta exige um novo tipo de greve: referenciada na sociedade, com a sociedade, formulando projeto, que também seja desta, - de educação para todos, com mais destinatários e sem fuga de estudantes, uma educação que para os pobres não aponte apenas a misera contribuição do bolsa família ou do benefício assistencial. Urge construir comitês, em cada lugar, de defesa e transformação da educação pública. O horizonte deve ser mais largo. Afinal, como dizia Cazuza – “meus inimigos estão no poder. Ideologia, preciso de uma prá viver”.

Mais uma vez a mídia sensacionalista baiana desrespeita

Professora do comando de Greve sofreu agressão moral da mídia sensacionalista capitaneada pelo Sr. Varela, a comando dos interesses governamentais.
A vitima publicizou a sua versão dos fatos e diz estar tomando todas as providências jurídicas e cabíveis. Os demais professores em luta devem ficar atentos a todas as investidas governamentais e da mídia sensacionalista de plantão, sustentada com recursos públicos advindos do Estado. [JRMA]



Por Ana Teresa:


PREZADOS COLEGAS
Ainda sentindo-me muito abalada com toda essa situação e em repouso absoluto por ordens medicas, preciso dar a verdadeira versão dos fatos badalados pela mídia sensacionalista que tenta manchar a minha dignidade e de toda minha família. Sinto-me na obrigação de dar uma satisfação somente a vocês e a sociedade.

No dia 16 de julho, fazendo parte do comando de greve e ocupando a Assembléia Legislativa junto com outros professores, eu, Ana Teresa, professora do estado há 20 anos, hipertensa, com suspeita de diabetes, fazendo uso de medicação de hipertensão com diurético, tenho vivido dias difíceis junto a meus colegas de classe, lutando em prol do cumprimento de uma lei a favor dos educadores da Bahia.

Os professores acampados na ALBA estão em condições desumanas, sem luz, sem banheiro. Os educadores estão, por ordem do presidente da ALBA, amanhecendo sem fazer uso dos serviços citados acima, durante toda a noite.

Estamos vivendo dias de pressão, e, diante da extrema necessidade de fazer xixi e por ter liberação de urina com maior frequência devido aos medicamentos, por voltas das sete horas, fui ao banheiro acompanhada de algumas colegas, chegando lá, só estava desocupado o Box do banheiro. Decidi, então, tomar banho primeiro, coisa que os acampados fazem regularmente. Já despida e dentro do Box, não consegui conter a urina. Ao abrir a torneira do chuveiro, percebi que não havia água. Então, quando estava saindo para vestir a roupa, a funcionária da ALBA entrou (sem pedir licença e mesmo me encontrando despida) gritou: “O que é isso aqui? Isso não é coisa de professora, é coisa de animal!” Eu, então, respondi: “Não. Eu passei a noite toda segurando a urina e fiz de fato o xixi porque estava embaixo do chuveiro para tomar banho, foi quando percebi que não havia água, é um costume fazer em casa”. Quando ela retrucou agressivamente: “Olha ai, ela é tão mal educada que ainda diz que faz isso em casa”, - respondi para ela: “Não se trata de falta de educação e sim de uma necessidade fisiológica”. Foi quando a mesma retirou-se do local gritando: “Vou chamar o segurança para essa professora mal educada”. Fiquei nervosa. Fui agredida, numa situação de apreensão e constrangimento. Estava despida e desrespeitada.

Acredito que houve muita falta de bom senso, pois o fato não precisaria ganhar tanta proporção, já que quem teve a intimidade agredida fui eu. A mídia está maculando minha imagem de forma desumana e desrespeitosa. Se a funcionária se sentiu ofendida com a discussão eu me senti mais ainda, pois estava despida e fui agredida verbalmente pelo simples fato de ter feito minhas necessidades fisiológicas dentro do Box do banheiro no momento em que tentava tomar banho.

A mídia expôs minha imagem de forma irresponsável. Na tentativa de colocar em pauta toda a categoria, usando minha foto. Senti-me agredida com a propagação do fato pela mídia sensacionalista. Minhas fotos, que foi, sem dúvida retirada do meu Facebook, foram expostas sem cerimônia alguma. Quem se responsabilizará por isto?

O que mais a mídia irá encontrar para denegrir a minha imagem e a imagem dos educadores da Bahia?

Fui orientada pelos advogados, que não devo ir a esses canais de tevê para dar satisfação alguma, pois as devidas providencias jurídicas cabíveis já estão sendo tomadas, contra as calunias da funcionaria e dos canais televisivos sensacionalistas que não tem um pingo de respeito pela integridade das pessoas.

Precisava está na assembleia amanhã para falar tudo isso pessoalmente para os colegas, mas por ordens medicas preciso ficar em repouso absoluto. Estou constantemente medindo a minha pressão que continua alta, preciso me cuidar, pois não quero ser, mas uma dos tantos colegas que faleceram.

Atenciosamente, Ana Teresa.

A luta por uma Educação digna


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Brasil: governo a serviço dos especuladores


IV Seminário de Sociologia e Política

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Professor Rui faz balanço da Greve dos professores da Bahia

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Declaração de indignação contra um governo tirano

Posso até não ganhar nada, mas a minha dignidade eu não perdi. Cem dias de muita luta contra um governo tirano. O meu discurso continua o mesmo, quero que meus alunos e minhas alunas me olhem e sintam orgulho de mim, pois o ensino a todo tempo a lutarem pelos seus direitos, não aceitando usurpação de quem quer que seja, jamais terei um discurso em sala de aula, e outro em minha prática. A grewe ainda não acabou. Ela começou com o voto da categoria e só terminará desta forma, pois a nossa assembleia é soberana, nós saberemos o momento de terminá-la. A luta continua até o dia em que todos e todas que se fazem presentes levantarem a mão dizendo o contrário. Àqueles que sustentam o seu discurso e não fogem à luta meu abraço guerreiro. Sei da situação de vários colegas que estão passando fome, mas não desistiram. Estou com várias contas atrasadas, mas continuo na luta. Estamos quase todos no mesmo barco, e se ele afundar serei o Almirante. Ocupação na ALBa. Hoje pela manhã, após a nossa assembleia.
Delsuc Machado (FACED/UFBA)