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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Concurso Público de Obras Artístico-Literárias da UESB


Encaminhamos em anexo o Edital Nº 176/2012, que selecionará obras para publicação via Concurso Público de Obras Artístico-Literárias da UESB, ao tempo em que solicitamos ampla divulgação do documento.
Inscrições: 12 de setembro a 16 de novembro de 2012
I. DA FINALIDADE
I.1. O Concurso para publicações de obras artístico-literárias da UESB, instituído no ano de 1999, tem por objetivo difundir obras inéditas, em língua portuguesa, de autores naturais e/ou domiciliados na Mesorregião Centro-Sul da Bahia.
I.2. Poderão ser selecionadas, em 2012, para produção, divulgação e publicação, com recursos da UESB, 04 (quatro) obras literárias, sendo 01 (uma) para cada modalidade a seguir especificada:
a)   literatura infantil ou infantojuvenil;
b)   contos ou crônicas;
c)    romance ou dramaturgia;
d)   poesia.
I.3. Os livros selecionados serão contemplados com a publicação, na qual constará o selo editorial da UESB, conforme especificações contidas no item V (DA FORMATAÇÃO/PUBLICAÇÃO).
II. DOS REQUISITOS PARA PARTICIPAÇÃO
II.1. O Concurso de publicações de obras artístico-literárias da UESB é aberto a todos os literatos e pesquisadores da área de cultura e arte, naturais e/ou domiciliados na Mesorregião Centro-Sul da Bahia.
II.2. Candidatos que já tenham obras literárias publicadas pela Edições UESB, poderão apresentar novas propostas, da seguinte forma:
- há mais de 2 (dois) anos (data de publicação do livro),  desde que em gênero literário diferente do já publicado;
- há mais de 4 (quatro) anos (data de publicação do livro), no mesmo gênero literário já publicado.
A/C
 Maria Dalva Rosa Silva
Diretora - Edições UESB

Hoje, como todos os dias, "do professor"


Elogio do Aprendizado
Bertolt Brecht*

Aprenda o mais simples!
Para aqueles cuja hora chegou
Nunca é tarde demais!
Aprenda o ABC; não basta, mas aprenda!
Não desanime! Comece! É preciso saber tudo!
Você tem que assumir o comando!
Aprenda, homem no asilo!
Aprenda, homem na prisão!
Aprenda, mulher na cozinha!
Aprenda, ancião!
Você tem que assumir o comando!
Frequente a escola, você que não tem casa!
Adquira conhecimento, você que sente frio!
Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma.
Você tem que assumir o comando.
Não se envergonhe de perguntar, camarada!
Não se deixe convencer!
Veja com seus próprios olhos!
O que não sabe por conta própria, não sabe.
Verifique a conta É você que vai pagar.
Ponha o dedo sobre cada item
Pergunte: o que é isso?
Você tem que assumir o comando.

Em "Elogio do Aprendizado".

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Piso de docente terá reajuste menor em 2013


FLÁVIA FOREQUE
O reajuste do piso nacional do professor em 2013 deverá ficar abaixo de 10%, menos da metade dos 21% previstos no início deste ano.

O número, que está sendo finalizado pelos ministérios da Fazenda e da Educação, é usado para corrigir o salário dos docentes da rede pública que lecionam do ensino infantil ao médio (educação básica).

Análise: Brasil discute salário e se esquece da formação do professor

Diante do baixo crescimento da economia brasileira, técnicos do governo já admitem que a correção pode ser até inferior aos 7,86% registrados em 2010, o menor desde a definição do piso nacional, há quatro anos.

O problema neste ano é que, com a menor atividade econômica, a arrecadação da União ficou abaixo das projeções. Como a atualização anual do piso está atrelada a uma cesta de impostos que compõem o Fundeb (fundo para a educação básica), a estimativa do reajuste dos professores em 2013 despencou.
Clique na imagem para ampliar.

A queda foi comunicada informalmente a alguns secretários de Educação e reacendeu o debate sobre mudanças na fórmula do reajuste.
Hoje, nenhum professor de escola pública pode ganhar menos do que R$ 1.451 mensais para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.
Com base na estimativa atual, o ganho no ano que vem deverá ficar abaixo de R$ 145. Perdem os professores, mas os prefeitos e principalmente os governadores devem ficar aliviados, já que haverá impacto menor nas contas públicas.
Os governadores defendem uma alteração na metodologia atual e sua substituição por um reajuste atrelado à inflação, para garantir uma fórmula mais previsível. No mês passado, seis governadores questionaram no Supremo Tribunal Federal a regra em vigor.
Já os trabalhadores da educação, preocupados com o baixo reajuste no próximo ano, querem assegurar um índice que reponha a inflação e assegure um ganho real, calculado a partir do Fundeb.
Segundo a CNTE (confederação dos professores), pagam o piso ao professor da educação básica ao menos 14 Estados, além do Distrito Federal --onde estão 50% do total de 1,78 milhão de funções docentes da rede pública (um mesmo professor pode ocupar mais de uma função).
Procurado, o MEC afirmou que a reestimativa de recursos do fundo só é definida no final do ano. "Portanto, qualquer avaliação sobre o volume de reajuste, ou de eventual mudança na fórmula, é precipitada", afirma, em nota.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A procissão de cinza dos terceiros franciscanos da Bahia: uma expressão religiosa, pedagógica e barroca no mundo colonial


Mais um lançamento da NAVEGANDO PUBLICAÇÕES, em coedição com a LIBRUM: "A procissão de cinza dos terceiros franciscanos da Bahia: uma expressão religiosa, pedagógica e barroca no mundo colonial", de autoria de Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro.
É sabido que no processo de conquista colonial a Igreja Católica exerceu, no Brasil, papel fundamental. Decifrar o emaranhado histórico cultural no qual a religião se tornou poderoso instrumento de dominação é o objetivo maior da autora do presente trabalho. Mas, o percurso a ser seguido é original, com um tratamento relacional que se dá à arte, à mentalidade e à religião. O tempo histórico é de meados do século XVII ao último quarto do XVIII. O pretexto da pesquisa foi a Ordem Terceira de São Francisco da Bahia e as procissões, com destaque para a Procissão de Cinza: “uma religiosidade faustosa, aparente, superficial, teatral, proselitista, que tinha como meta iludir, extasiar, encantar, amedrontar o fiel…”.
Prof. Dr. José Luís Sanfelice

Faça download gratuito da obra clicando AQUI.

domingo, 7 de outubro de 2012

Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX


(Resposta da ANPUH à Veja)
Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais. Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista. Mas Hobsbawm não foi apenas um “acadêmico”, no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do “intelectual” como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.
Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de “idiota moral” (cf. o texto “A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm”, publicado em www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo. A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto “historiador esquerdista”, dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a “análise” acerca do falecido historiador. Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.
São Paulo, 05 de outubro de 2012
Diretoria da Associação Nacional de História
ANPUH-Brasil
Gestão 2011-2013

sábado, 6 de outubro de 2012

OS DESAFIOS DE NOSSA CIDADE: CUIDADO EM QUEM VOTAR!


Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva*
Estamos próximo de mais uma etapa do exercício da cidadania, as eleições para os gestores e legisladores municipais prefeito(a)s e vereadore(a)s. O que muitos não perguntam ou não tem respostas ou propostas para responder aos desafios de nossas cidades. O passo inicial sem dúvidas termos um diagnóstico social, político e econômico. Para a partir dele elaborar um programa de governo ouvindo é claro a sociedade em geral. O que infelizmente, a grande maioria dos candidatos a primeira ou reeleição não o fazem. Por outro lado, propostas não saem do papel se não houver recursos para sua implantação/implementação.  Sabemos que os recursos locais podem ser divididos em 03 grupos: 1) receitas tributárias próprias (ISS, IPTU, ITBI, taxas, contribuição de melhoria); 2) transferências intergovernamentais (FPM[22,5% das receitas de IR e IPI]; 3)  cota parte do ICMS 25% 1/4 lei estadual ¾ valor adicionado pelo município)  e demais receitas. As transferências intergovernamentais representam a principal fonte de financiamento para as prefeituras do Brasil.  As receitas tributárias próprias são a segunda fonte de financiamento da esfera local. Concentrando-se em apenas dois impostos - o ISS e o IPTU. Os municípios portanto, não têm maiores poderes para influenciar o montante de recursos provenientes de transferências intergovernamentais, reforçam o papel das receitas tributárias próprias como instrumento de ajuste dos recursos às necessidades de gasto.
Vários desafios são comuns as cidades brasileiras. Vamos iniciar por aquele que deveria ser prioridade, a Educação. As greves demonstraram que os governantes, sejam eles do Partido que outrora era dos trabalhadores – PT, ou PSDB, PMDB, PCdoB etc não fizeram o trabalho de casa. Segundo o FUNDEB, deveria haver também, a valorização dos profissionais da educação. Vivendo de miséria desrespeitados e desvalorizados, trabalhando em condições insalubres em prédios improvisados, sem materiais, sem a formação mínima de qualidade em nível superior, os resultados todos já sabem e refletem a vergonha em indicadores como PROVA BRASIL, ENEM, IDEB, PISA etc.
Parte da população vive na miséria, apesar do programa eleitoreiro travestido de “transferencia” de renda (Bolsa Esmola), sabemos que mais de 40% da população vive da renda dos aposentados outra parcela abandonada neste país que não se preparou para o aumento dos anos de vida dos idosos, para alguns “melhor idade” para outros “sofrimento”. Para isto basta frequentar um posto de saúde ou um hospital para constatar o abandono e o sucateamento. Faltam profissionais, muitos desmotivados, desvalorizados. Médicos, profissionais e os equipamentos de saude (postos/hospitais) não estão onde as pessoas mais precisam. A própria segurança esta insegura, a exemplo da Bahia, Rio de Janeiro, Paraiba, Mato Grosso do Sul, onde a politicagem tomou conta do comando das polícias, que juntos com a população estão refém dos bandidos.
Lazer e cultura para a população é luxo, para não dizer “lixo cultural” aquilo que as vezes é oferecido a população. Esgoto, iluminação, coleta de lixo, pavimentação é privilégio de bairros nobres. Como os politicos não andam de onibus o transporte público virou lata de sardinha, atropelados por “vans” e onibus velhos. As politicas sociais são moeda de troca de favores eleitorais, vivem, quando existem, da miséria alheia, assim as políticas para: Idosos, Pessoas com deficiência, Mulher, Negro, Índio, População de Rua, Drogaditos, Crianças e adolescentes (estas sempre vistas com descaso). Um aumento da exploração sexual, trabalho infantil, violencia, em conflito com a lei recaem nos poucos Conselhos Tutelares que tem infraestrutura e equipe formada e qualificada em relação ao ECA/90, SINASE, SIPIA etc.
Portanto, cuidado em quem votar! A democracia deve ser renovada sempre, chega de compra de votos, chega de tráfico de influencia, chega de voto de cabresto, chega de dizer que em time que está ganhando não se mexe! Afinal quem está ganhando? Que possamos garantir o segundo turmo, espaço que permite verdadeiramente a discussão de propostas e de transformação da mesmice, da cegueira de partidos que só ouvem quem concorda e seja adepto somente de suas ideias.
*Coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. reginaldoprof@yahoo.com.br

POR QUE VOTAR NESTAS ELEIÇÕES? (Última parte)


A pseudo democracia na política e a ditadura na economia
LABUTA
06 de Outubro de 2012
(Leia também as partes anteriores deste artigo

Finalmente chegamos à quinta e última parte deste artigo sobre a nossa “adorável”democracia representativa. No final da quarta parte insinuamos que, se as nossas liberdades constitucionais são vantajosas para a grande maioria da população, elas são ainda mais vantajosa para o capital. Da pra imaginar como isso é possível?
Vamos lá. Primeiramente é preciso relembrar algumas ideias apresentadas na segunda parte deste artigo. Vimos que os indivíduos que fazem parte da sociedade possuem interesses distintos, sobretudo no que diz respeito as lutas econômicas como, por exemplo, as lutas por melhores salários. Muito bem, por que isso acontece?
Cada indivíduo que vive na sociedade cumpre uma função diferente dentro dela, por isso faz parte de uma classe social específica. Alguns destes indivíduos são responsáveis pela transformação da natureza nos bens necessários para nossa sobrevivência enquanto seres vivos. Transformam, por exemplo, algodão em tecido, e este, por sua vez, numa roupa. Sem esta atividade não seria possível a vida em sociedade. Entretanto, nas sociedades de classes, o fruto deste trabalho não fica nas mãos dos produtores, mas é apropriado por uma classe de proprietários. Neste sentido, as duas grandes classes antagônicas do capitalismo são a burguesia e os operários (industriais ou rurais). As demais classes também ficam com uma parcela da riqueza produzida pelos operários, por mais que também sejam exploradas.
O trabalhador não é totalmente livre ao ponto de escolher não trabalhar, pois isso significa a ruina de sua vida material. Graças a uma série de processos históricos, que não será possível discutir aqui, os trabalhadores foram separados da terra, de maneira que não possuem outra forma de sobrevivência a não ser vender sua força de trabalho em troca de um salário. Neste sentido, o trabalhador é constrangido a procurar por um patrão que o explore. Afinal, pior do que ser explorado é não ter ninguém para lhe explorar.
A liberdade que o trabalhador possui no capitalismo é meramente formal. Todos os indivíduos são iguais perante a lei, mas não são iguais do ponto de vista material. Enquanto uns vivem bem, outros vivem mal. Como o direito iguala todos os indivíduos do ponto de vista político, cria-se a impressão de que todas as pessoas são igualmente livres nos outros aspectos de sua vida. Neste sentido, a democracia cria uma falsa impressão de que toda a população é responsável pela direção política do país, uma vez que elegem seus representantes legais para participar da gestão do Estado.
Por mais que agente viva sob um regime político chamado de “democracia representativa”, esta democracia não se estende, por exemplo, para o ambiente de trabalho. Enquanto acreditamos viver em uma verdadeira democracia política, no dia-a-dia de nossos trabalhos vivemos uma verdadeira ditadura. Não possuímos o menor poder de decisão dentro das empresas em que trabalhamos. Os proprietários e seus gestores simplesmente decidem tudo de cima pra baixo. Decidem o que produzir, quando produzir, por que produzir e de que forma produzir. Os trabalhadores simplesmente cumprem estas ordens.
Esta realidade já está tão enraizada em nossa sociedade que até parece natural que as coisas sejam desse jeito. “É assim e ponto final”. Na sociedade capitalista, falar no fim da propriedade privada é um sacrilégio muito maior que todos os pecados cristãos juntos. É simplesmente inaceitável. Para o dono da empresa, é inconcebível pensar em dividir o controle da produção entre os seus trabalhadores. Mas será mesmo que as coisas tem que ser assim? Bem, certamente elas nem sempre foram desta forma. Foram necessários muitos séculos para que os capitalistas conseguissem conquistar este poder.
Seguindo este raciocínio, o verdadeiro poder da sociedade não está na escolha de seus representantes legais no Estado, mas no controle das riquezas socialmente produzidas. Quando a democracia cria esta aparência de liberdade, está apenas reproduzindo uma realidade alienada, que não revela sua verdadeira natureza. A intensificação das alienações apenas facilita o controle da vida social pelo capital, uma vez que oculta dos indivíduos a verdadeira origem das desigualdades sociais e a maneira de resolvê-las.
Votar em um candidato diferente nestas eleições não mudará em nada a raiz dos nossos problemas. Não é desse poder de decisão que nós precisamos. Vamos pensar um pouco a respeito. Claro que não se trata de problemas fáceis de resolver, e cada um precisa se convencer da coisa certa a fazer. Precisamos perceber que enquanto realizamos a democracia nas urnas, vivemos sob uma verdadeira ditadura no trabalho. Não decidimos nada em nossos empregos.
Chegando ao fim das reflexões que fizemos sobre a nossa democracia, como pensar numa resposta para a pergunta colocada no título deste artigo? Por que votar nestas eleições?
Sinceramente, você também compartilha de um sentimento de desesperança quando percebe que o simples ato de votar não faz muito sentido? A falta de perspectiva na política lhe causa uma sensação de que tudo está perdido? Mas será mesmo que as coisas precisam ser assim? O que realmente nos impede de mudar? Pense no que poderia ser feito se nós levássemos a democracia para nossos trabalhos, sobretudo para as atividades que produzem a riqueza material da sociedade? Todos poderiam se satisfazer, uma vez que a sociedade já produz em abundância (as crises de superprodução estão aí para comprovar isso). Poderíamos votar no que produzir, em quanto tempo produzir, como produzir e, o mais importante, o que fazer com esta produção. Fala a verdade, este voto sim valeria a pena.

POR QUE VOTAR NESTAS ELEIÇÕES? (Quarta parte)


O Estado pode controlar o capital?
LABUTA
05 de Outubro de 2012
(Leia também as partes anteriores deste artigo

Cá estamos mais uma vez para conversar um pouco mais sobre a nossa democracia. E tem gente que acha que política não se discute. Bem, antes de seguir em frente vamos recapitular a ideia central de cada texto. Primeiro vimos que é uma grande “injustiça” culpar a corrupção (coitada) por todos os problemas políticos brasileiros. Bem, tudo indica que o problema é muito mais sério que isso. Tudo depende da maneira como nossa sociedade está organizada. Neste sentido, o nome desta sociedade (capitalismo) já dá uma boa dica de quais interesses predominam na cena política. Este foi o ponto central da segunda parte deste artigo: a existência de diferentes interesses na atividade política, e que, inclusive, alguns desses interesses são antagônicos (um vai contra o outro). Nem sempre é possível agradar gregos e troianos.
A terceira parte teve como objetivo chamar atenção para a função social do Estado, ou seja, que papel ele cumpre em nossa sociedade. Bem, tudo leva a crer que o Estado não existe para solucionar as desigualdades sociais, mas, ao contrário, serve para reproduzi-las. O Estado não serve para controlar o capital, ele é o próprio centro de comando político do capital, independente da forma que tome. Isso não depende da simples vontade dos parlamentares, não se trata apenas de querer fazer uma política diferente. Os “outros interesses” por traz do Estado são os interesses do próprio capital, é isso que está em jogo para os políticos. São as necessidades do capital que prevalecem na política atual. Mesmo quando os políticos agem contra os interesses do capital, logo são forçados a abandonar suas funções.
Tudo bem, agora chega de abstração e vejamos alguns exemplos. Basta observar o caso do Chile no governo de Salvador Allende, que tentou realizar uma drástica reforma agrária e a nacionalização das indústrias. Isso provocou uma reação violenta das classes dominantes chilenas. Estas, com o apoio dos Estados Unidos, arquitetaram o golpe militar de uma das ditaduras mais violentas da América Latina, a ditadura Pinochet. Este golpe, inclusive, também fez aniversário no dia 11 de setembro, episódio convenientemente pouco lembrado.
Basta fazer uma pequena pesquisa para confirmar este caso (pode ser no Google mesmo). Quando o Estado chileno tentou tomar o controle do capital, logo encontrou a violenta resistência das personificações do capital (sobretudo as classes da burguesia industrial e latifundiária). A forma de governo ditatorial do Pinochet, por sua vez, apenas mudou a maneira de se fazer política da sociedade chilena, sem alterar sua estrutura econômica, além de preparar o terreno para as mais intensas reformas neoliberais do continente.
Quer dizer que se o Estado chileno tivesse concluído a nacionalização das indústrias e a reforma agrária, ele teria mesmo controlado o capital? Bem, tudo indica que não é bem por aí. Podemos observar, por exemplo, os resultados da revolução russa de 1917. A princípio surgiram inúmeros conselhos operários (soviets) assumindo a direção de diversas fábricas por toda Rússia. Entretanto, aos poucos o Estado, sob a direção do partido bolchevique, tomou novamente o comando político da sociedade, além de se transformar no grande gestor da economia.
Ainda sim, a revolução não se generalizou nas relações sociais de produção, ou seja, a maneira como os indivíduos produzem as riquezas da sociedade continuou inalterada. Segundo os estudos do húngaro István Mészáros, o capital não foi destruído na antiga União Soviética. Os trabalhadores continuaram sendo explorados, pois permaneceram sem a posse do excedente produtivo. Entretanto, este excedente, ao invés de ser apropriado diretamente por capitalistas particulares, era apropriado pelo Estado bolchevique. Desta forma, o que existiu na União Soviética não foi o comunismo, no sentido de uma sociedade sem classes sociais, mas uma sociedade onde a propriedade dos meios de produção foi transferida para o Estado.
Podemos ver que as desigualdades sociais não serão eliminadas com uma simples mudança da direção política do Estado. Não quer dizer que estas mudanças na política não reflitam na estrutura econômica da sociedade. Caso contrário, tais mudanças não fariam o menor sentido. Entretanto, elas não passam de “ajustes” que buscam contornar as barreiras que impedem a acumulação do capital. Neste sentido, ajustes na direção política do Estado podem até proporcionar uma maior eficiência da sociedade capitalista, impulsionando um crescimento econômico do país. Mas não podemos esquecer que este crescimento se reflete de maneiras diferentes na vida de cada um, mais particularmente, atinge cada classe social de uma forma específica e extremamente desigual.
Quando observamos o crescimento da economia brasileira, por exemplo, este crescimento se acumula nas mãos de poucas famílias. Quando o governo faz sua propaganda política, é muito conveniente ignorar que nem todo mundo se beneficia do vangloriado crescimento econômico. Quem acumula a maior parte da produção de riquezas do país é o capital. O governo do partido dos trabalhadores é, na verdade, o governo do capital. Não importa qual seja o regime político. Seja ele extremamente autoritário como os fascistas (a Alemanha de Hitler, por exemplo), seja ele uma ditadura militar como os anos de chumbo no Brasil, ou até mesmo um regime brando como a nossa atual democracia representativa, o Estado moderno é sempre o Estado do capital. Além do mais, por mais vantajosas que sejam as liberdades democráticas para os trabalhadores, elas são mais vantajosas ainda para o capital. Como isso é possível? Bem, estas serão as cenas do próximo (e último) capitulo.

IMPERDÍVEL: vídeo mostra o formato das propagandas eleitorais


 

Vídeo mostra o formato das propagandas eleitorais

Por Bruno Huberman

O ultrapassado formato das campanhas eleitorais gratuitas ganharam paródias irônicas e cômicas na internet durante as eleições municipais deste ano. O blog selecionou dois vídeos que buscam desconstruir o formato dos vídeos eleitorais por meio do humor.
O vídeo expõe como é feita a edição e a narrativa dos candidatos aos cargos executivos. O vídeo do coletibo Bebê Japonês mostra passo a passo como são feitas as propagandas eleitorais.
Fonte: Br.notícias

Direção: Pepe Mendina
Roteiro: Marcos Piangers, Pepe Mendina, Eduardo Mendonça, Thiago Prade
Argumento: Marcos Piangers
Atores: Eduardo Mendonça, Thiago Prade, Marcos Piangers, Adriano Ramos, Donato Oliveira, Bruno Krieger, Douglas Dias
Direção de Fotografia: Thiago Cauduro
Produção de Elenco: Kelly Goebel
Elenco de Apoio:
Rogério Fernandes
Matheus Silveira Corrêa
Stephanie Borges
Bruno Cardoso
Adriane Guerreiro
Bruno Kauer
Eduardo Weber
Nicky Cerato
Tiago Jardim
Bruna Schuler Eltz
Kelly Goebel
Suelen Antoniazzi
Maurício Peralta
Tayse Conter
Andi Morais

Montagem: Pepe Mendina, Eduardo Mendonça, Marcos Piangers
Edição: Pepe Mendina e Lui Felippe
Audio direto: Pedro Zani
Locuções: Marcos Piangers e Eduardo Mendonça
Jingle/Composição: Marcos Piangers, Eduardo Mendonça, Pepe Mendina
Jingle/Produção e arranjo: Matheus Cauduro e Otto Gomes
Assistência de Direção: Lui Felippe
Finalização: Zé Chico
Produção: Binho Lemes, Pepe Mendina, Eduardo Mendonça, Fábrica de Conteúdo
Agradecimentos: João Xavier, Sergio Costa
Informações retiradas do Youtube

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Professor do ensino fundamental no País é um dos mais mal pagos do mundo


por JAMIL CHADE
Professores brasileiros em escolas de ensino fundamental têm um dos piores salários de sua categoria em todo o mundo e recebem uma renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nacional. É o que mostram levantamentos realizados por economistas, por agências da ONU, Banco Mundial e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Prestes a comemorar o Dia Internacional do Professor, amanhã, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou um alerta, apontando que a profissão em vários países emergentes está sob "forte ameaça" diante dos salários baixos.
Num estudo realizado pelo banco UBS em 2011, economistas constataram que um professor do ensino fundamental em São Paulo ganha, em média, US$ 10,6 mil por ano. O valor é apenas 10% do que ganha um professor nesta mesma fase na Suíça, onde o salário médio dessa categoria em Zurique seria de US$ 104,6 mil por ano.
Numa lista de 73 cidades, apenas 17 registraram salários inferiores aos de São Paulo, entre elas Nairobi, Lima, Mumbai e Cairo. Em praticamente toda a Europa, Estados Unidos e Japão, os salários são pelo menos cinco vezes superiores ao de um professor do ensino fundamental em São Paulo.
Guy Ryder, o novo diretor-geral da OIT, emitiu um comunicado ontem no qual apela para que governos adotem estratégias para motivar pessoas a se tornarem professores. Sua avaliação é de que, com salários baixos, a profissão não atrai gente qualificada. O resultado é a manutenção de sistemas de educação de baixo nível. "Muitos não consideram dar aulas como uma profissão com atrativos", disse. Para Ryder, a educação deve ser vista por governos como "um dos pilares do crescimento econômico".
Outro estudo - liderado pela própria OIT e pela Unesco (órgão da ONU para educação, ciência e cultura) e realizado com base em dados do final da década passada - revelou que professores que começam a carreira no Brasil têm salários bem abaixo de uma lista de 38 países, da qual apenas Peru e Indonésia pagam menos. O salário anual médio de um professor em início de carreira no País chegava a apenas US$ 4,8 mil. Na Alemanha, esse valor era de US$ 30 mil por ano.
Em um terceiro levantamento, a OCDE apontou que salários de 2009 no grupo de países ricos tinham uma média de US$ 39 mil por ano no caso de professores do ensino fundamental com 15 anos de experiência. O Brasil foi um dos poucos a não fornecer os dados para o estudo da OCDE.
Médio. Numa comparação com a renda média nacional, os salários dos professores do ensino fundamental também estão abaixo da média do País. De acordo com o Banco Mundial, o PIB per capita nacional chegou em 2011 a US$ 11,6 mil por ano. O valor é US$ 1 mil a mais que a renda de um professor, segundo os dados do UBS.
Já a OCDE alerta que professores do ensino fundamental em países desenvolvidos recebem por ano uma renda 17% superior ao salário médio de seus países, como forma de incentivar a profissão.
Na Coreia do Sul, os salários médios de professores são 121% superiores à média nacional. O Fórum Econômico Mundial apontou recentemente a Coreia como uma das economias mais dinâmicas do mundo e atribuiu a valorização da educação como um dos fatores que transformaram uma sociedade rural em uma das mais inovadoras no século 21.

POR QUE VOTAR NESTAS ELEIÇÕES?


Terceira parte
04 de Outubro de 2012
Os problemas sociais do Brasil são culpa da incompetência dos políticos?

A corrupção, certamente, é uma das características mais marcantes da política. Provavelmente temos a impressão de que este é um problema especialmente dos políticos brasileiros, mas infelizmente não é bem assim. Apenas temos essa impressão porque vivemos aqui. Lógico que se nos limitarmos ao que podemos perceber em nosso cotidiano, chegaremos a conclusões parecidas a essa. Mas não nos enganemos, o Brasil não é um país “pobre” porque temos muitos bandidos no Estado. Esta não é a causa do problema, mas apenas um de seus efeitos.
Será mesmo que o Estado poderia estar comprometido com as necessidades de toda a população? Só não funciona mesmo por culpa dos políticos corruptos? Fala sério, será que é tão simples assim? Bem, pra começar, basta observarmos o cotidiano nas ruas das cidades para perceber que o programa “fome zero” não passou de uma grande propaganda política, sem nenhuma validade do ponto de vista real. Imagine se todas as nossas necessidades vitais (saúde, moradia, alimentação) fossem completamente garantidas pelas instituições públicas. Certamente seria bem mais fácil para o trabalhador recusar um emprego que não valesse a pena. Os patrões precisariam oferecer salários cada vez mais altos para atrair os trabalhadores para suas empresas. Isso certamente iria afetar bastante seus lucros.
Neste sentido, a miséria e o desemprego são muito úteis para o capital, uma vez que cumprem a função de rebaixar os salários dos trabalhadores empregados ao mínimo possível. Não seria interessante, do ponto de vista do capital, que o Estado garantisse a sobrevivência de todos os trabalhadores, pois é justamente a necessidade de sobrevivência que constrange estes trabalhadores a vender sua força de trabalho. Mas o Estado não pode deixar que se torne visível este seu comprometimento as necessidades do capital, pois isso seria um grande perigo para a conservação da sociedade capitalista. Esta contradição é velada quando tudo parece ser apenas um problema da corrupção do Estado, e não que o Estado seja o próprio problema. A corrupção, neste sentido, é apenas a aparência deste problema, não a sua essência.
Na segunda parte deste artigo concluímos com a ideia de que a incapacidade do Estado em solucionar as desigualdades sociais não é culpa da “má vontade” dos políticos. Quando o governo reprime as greves dos trabalhadores, ele não o faz simplesmente porque essa é uma vontade íntima dos políticos, que satisfazem seus sentimentos masoquistas vendo os grevistas apanharem. Não é bem assim. Não quer dizer que não seja uma escolha. Claro que é. Mas é preciso analisar as condições em que estas escolhas são feitas.
Os políticos tomam suas decisões porque este é o seu papel dentro do Estado. É exatamente para isso que serve esta instituição política, para impor as necessidades particulares de uma classe social sobre as demais. Diga aí, quando o Estado se comportou de maneira diferente?
Quando os políticos tomam medidas que prejudicam os trabalhadores, estão justamente cumprindo sua função dentro da máquina estatal. Eles se percebem constrangidos a realizar este papel, incorporando profundamente estas exigências como se fossem fruto de sua própria vontade. Aqueles que não incorporam estas vontades não conseguem apoio político ($$$) para assumir um mandato, ou até mesmo se frustram e abandonam a política, como parece ser o caso do palhaço Tiririca. Ou seja, a vontade pessoal de um politico especifico não vai ser atendida se não estiver de acordo com tais interesses citados acima.
Esta situação é perfeitamente possível. Imaginem, por exemplo, que um trabalhador, quando decide procurar por emprego, não faz isso simplesmente porque esta é a sua vontade. Ele o faz porque é constrangido a fazer. Porque se não fizer, não encontrará outro meio de sobreviver. O trabalhador busca por alguém que explore sua força de trabalho, uma situação que só vemos de maneira generalizada no capitalismo. Ao contrário do escravo, que era forçado a trabalhar, o assalariado caminha com suas próprias pernas para o local onde será explorado. Incrível!
Do outro lado, um empresário não pode tomar decisões que prejudiquem a sua condição social, ou ele correrá sérios riscos de perder seu negócio, uma vez que está concorrendo com outros empresários pelo mercado consumidor. Ou ele explora seus trabalhadores o máximo possível, ou corre riscos de entrar em falência. O patrão não é a personificação do mal, isso não existe. Ele apenas está realizando sua função enquanto classe que explora a força de trabalho alheia. Ele é, na verdade, a personificação do capital. Ele só é um burguês até o momento em que põe em movimento as forças sociais que reproduzem a acumulação do capital.
Pode parecer confuso, mas esta é a maneira como se comportam os indivíduos no capitalismo. Realizam suas funções mesmo que não tomem consciência disso, mesmo que ajam de maneira alienada, ou seja, sem reconhecer a essência de suas ações, mas percebendo somente a aparência que elas tomam. Essas foram as observações de Marx, Mészáros e outros pensadores que investigaram profundamente o sistema do capital. É claro que não será possível expor todos os detalhes desta relação em “dois dedos de proza”. A intensão aqui é somente chamar a atenção para a complexidade deste problema. Isso mesmo. Se trata de algo muito mais complicado do que imaginamos, é necessário muita paciência para encontrar as respostas certas.
De maneira geral, a atividade política dos indivíduos se baseia muito na classe social que eles representam. Em nossa sociedade os interesses que prevalecem são os interesses do capital. Até aí nenhuma grande surpresa, certo? Mas a grande questão é que o Estado não é capaz de contrariar estes interesses. Mesmo que ele mude sua forma (mudando a maneira de se fazer política) sempre garante a acumulação do capital. Quando isso não acontece, as classes dominantes reagem de forma violenta. Na próxima parte desse artigo traremos dois exemplos históricos para melhor entender estas questões: o caso chileno e o caso russo.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

POR QUE VOTAR NESTAS ELEIÇÕES?


Segunda parte
LABUTA
03 de Outubro de 2012
Quais são os “outros interesses” da política?

Na primeira parte deste artigo apresentamos uma série de questões que surgem quando nos perguntamos sobre o real motivo para votarmos nas eleições. Por que acreditar nas promessas das centenas de políticos se a cada ano que passa apenas se vê o “mais do mesmo”. No fim das contas, temos a impressão de que todos os políticos são “farinha do mesmo saco”. Não é verdade?
Tem muita gente que já não suporta mais tanta propaganda política. Realmente é uma coisa muito chata de ver. Parece propaganda de um produto qualquer que está sendo vendido na liquidação. É um verdadeiro massacre de poluição visual e sonora. Imagens e números estão sendo liquidados. Anúncios simpáticos cheios de palavras bonitas, frases de efeitos, e promessas de governo fabulosas. E como a propaganda é a alma do negócio, ganha a melhor propaganda, não o melhor produto. É uma verdadeira mercantilização da política. Além do mais, se o “consumidor” não ficar satisfeito, não dá pra devolver o produto. Impeachment é coisa rara por aqui. É tanta burocracia, que pra tirar um político do poder não é brincadeira.
Se eleger também é uma coisa difícil. Partidos fazem coligações para ganhar mais tempo na TV. Também é preciso muito dinheiro para pagar uma boa propaganda que consiga aparecer em meio a tantas outras. Isso é tão importante que é bem comum os partidos (quando não fazem caixa dois) buscarem financiamento de suas campanhas na iniciativa privada. Um exemplo escandaloso foi a doação de R$ 100 mil feita pela empresa multinacional, Gerdau, para a campanha de Luciana Genro (Psol), que concorreu em 2008 à prefeitura de Porto Alegre.
Quanta generosidade da Gerdau que, sem “nenhuma” segunda intenção, decidiu fazer a boa ação de ajudar uma pobre candidata sem recursos próprios. Atos como este até nos fazem acreditar na “eficiência” da filantropia. Só mesmo com uma boa dose de ingenuidade poderíamos acreditar que realmente não existe nenhum interesse por traz dos financiamentos privados das propagandas eleitoras. Quando trazemos a tona este caso, fica mais fácil responder a pergunta feita na primeira parte deste artigo, em cima da observação feita por Tiririca sobre a existência de “outros interesses” no congresso.
É isso mesmo caro leitor. Sem muito esforço, dá pra perceber que e a política não é mesmo a busca pelo “bem comum”, a não ser que se refira ao bem comum dos empresários. E nesse processo de luta de classes, as medidas social-democratas de cunho keinesiano do PT, que distribui alguns recursos entre trabalhadores e desempregados para encher os bolsos dos grandes empresários e banqueiros, parece ser a salvação da lavoura. O “governo dos trabalhadores” do PT, na verdade poderia se chamar de governo dos banqueiros e empresários.
Falando sério, quando nos perguntamos sobre os interesses de alguém, devemos primeiro descobrir quem é essa pessoa. Se queremos saber quais são os interesses políticos de determinado grupo devemos nos perguntar a quem ele quer beneficiar. É perfeitamente possível que existam interesses na sociedade que sejam antagônicos, ou seja, contrários uns aos outros. Aumento de salário, por exemplo, é interesse do trabalhador, não do patrão, que sai perdendo com isso. Essa disputa de interesses no interior da sociedade foi o que Marx chamou de “luta de classe”.
Cada pessoa cumpre um papel específico dentro da sociedade, realizam diferentes funções sociais. Consequentemente pertencem a uma classe particular de indivíduos. Se os seus interesses dependem muito de quem você é, sua ação política também vai depender muito da classe social a que você pertence. Claro que isso não é algo absoluto, pois o desenvolvimento de sua consciência é um processo cheio de particularidades.
Dá pra notar que alguns interesses são radicalmente inconciliáveis? Isso quer dizer que nem sempre é possível favorecer um lado sem prejudicar o outro. Infelizmente a vida é assim. Se quisermos mesmo resolver este problema é preciso encarar a realidade. Quer dizer que é possível resolver a coisa toda? Claro que sim! Por que não? Se somos nós quem construímos a sociedade, nós podemos “consertá-la” ou até mesmo “reconstruí-la”. Basta tomarmos consciência dos problemas e eliminá-los.
Quer dizer que basta ter força de vontade para mudar a sociedade? Bem, infelizmente as coisas não parecem funcionar assim. Não acha? É claro que é preciso ter vontade para fazer as coisas, mas esta vontade não age sozinha, e ela mesma é motivada pelas condições sociais em que nos encontramos. A própria incapacidade dos políticos em solucionar as desigualdades sociais não se trata de uma simples “má vontade” da parte deles. O que? Quer dizer que não é vontade dos políticos desviar dinheiro público, deixando a população sem um sistema de saúde adequado, por exemplo? Calma! Também não é assim. “O buraco é [bem] mais embaixo”. Mas sobre isso falaremos na terceira parte deste artigo.
Leia também a primeira parte deste artigo clicando Aqui

O Governo Wagner paga o PIOR salário do nordeste aos professores universitários

Os salários dos professores das Universidades Estaduais Baianas (UEBA) são os piores entre as Universidades estaduais do Nordeste, mesmo tendo a Bahia o maior Produto Interno Bruto (PIB) da região. No intuito de reforçar a mobilização da categoria por melhores condições de trabalho na defesa da qualidade do ensino público, os docentes iniciaram a campanha salarial 2012.

Fonte: Adusb

POR QUE VOTAR NESTAS ELEIÇÕES?


Primeira parte
É possível acreditar na política?

Finalmente está chegando o fim do processo eleitoral, o êxtase da nossa tão aclamada democracia. Em pouco tempo não haverá mais cavaletes e banners por toda parte, santinhos espalhados pelas ruas, propaganda eleitoral gratuita e nem aqueles jingles martelando nossas cabeças (o que nos faz ouvi-los até na hora de dormir). Este imenso ritual moderno logo se completará, e após semanas de louvor, finalmente culminaremos na comunhão das urnas. Uma vez chegado o fim, retornaremos ao cotidiano de nossas vidas, tudo voltará ao “normal” até que se passem dois anos para enfim sermos, mais uma vez, convocados a este imenso culto democrático.
É verdade, somos todos inseridos neste processo eleitoral de forma tão sutil, que temos a impressão de que tudo é muito natural. É comum reproduzirmos as exigências da nossa sociedade sem questionar o real sentido das coisas, afinal, muitas delas acontecem desde nossa infância. Até que certo dia paramos e pesamos: “porque as coisas são assim?”. Na maior parte das vezes não encontramos uma resposta imediata, até porque não são questões simples de responder. Precisamos, inclusive, ter certo “desconfiômetro” para respostas fáceis demais, elas podem ser muito superficiais, ou até cheias de interesses ocultos. Afinal, tem muita gente buscando respostas para os seus próprios problemas, inevitavelmente aparece alguém querendo nos dar as respostas. Este é o retrato das propagandas eleitorais: respostas simples para problemas difíceis.
Infelizmente, nem todos os problemas podem ser tão facilmente resolvidos como propõem os candidatos. Gostemos disso ou não, as coisas são assim. Uma forma de perceber isso é refletir sobre o que realmente mudou desde que certo candidato foi eleito. Certamente muita água passou por debaixo da ponte, e até pode ser que a vida de alguém melhorou de uns anos pra cá, mas será que isso vale para a grande maioria das pessoas? Será que todas as classes sociais se beneficiam igualmente do tão idolatrado crescimento econômico brasileiro? Estas mudanças são “grande coisa” para a maior parte dos trabalhadores? E agora? A vida está fácil para você? O tempo esta cada vez mais corrido, a ponto de desejar que o dia tivesse mais que 24 horas? Pois é, por que isso tem que ser assim? É possível mudar?
Como vê, não são perguntas fáceis, e dá logo um nó na cabeça só de pensar. No fim das contas, todo mundo tem um pouco a reclamar sobre a política. Pensando bem, é comum ouvirmos falar da política como algo “podre” e “desprezível”, pois o parlamento mais parece um ninho de víboras brigando por interesses mesquinhos. Consequentemente, a corrupção aparece como o grande problema da política brasileira. Mas será que a corrupção é o problema, ou apenas o efeito de um problema maior?
Bem, recentemente circulou nas redes sociais o trecho da entrevista de um dos deputados mais bem votados do país (1,3 milhões de votos), o palhaço Tiririca: "Eu não sei se pretendo continuar [na política], por ser muito difícil lá dentro [da Câmara dos Deputados] [...] Eu pensei que chegando à condição que eu cheguei, ia lá e ia aprovar projetos que iam beneficiar a população e essas coisas todas, mas não é assim. Há outros interesses".
Se o Tiririca está sendo sincero ou não, nem vem ao caso. Mas o que será que ele quis dizer com “há outros interesses”? Suas palavras podem ressoar fundo em nossas consciências. O palhaço, enfim, percebeu que os problemas sociais não são uma piada? Ou descobriu que o picadeiro político, na verdade, oculta o verdadeiro sentido da cena política do Estado? O que aparece como uma grande tragédia da corrupção esconde a verdadeira face da política? Não será possível uma política para o “bem comum”? É possível existir uma política ética?
Este pequeno texto não tem a menor intenção de apresentar respostas prontas para tantas perguntas. Tentar fazer isso em tão poucas linhas seria, no mínimo, ingênuo. É necessário que você reflita sobre cada um destes problemas antes de comprar as repostas mastigadas que são vendidas por aí nas propagandas eleitorais. Não se deixe enganar! Desconfie das coisas, investigue-as. Você é capaz de raciocinar sobre isso.
Para terminar, deixaremos mais uma pergunta no ar: se os políticos não estão no congresso defendendo nossos interesses, como parece dizer Tiririca, quais são os interesses que eles defendem? Dedicaremos a segunda parte deste artigo a discutir melhor esta questão.
02 de Outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quanto deve ganhar um professor?


Estamos numa situação-limite que não se enfrenta, apesar de se ter recursos para faze-lo
Teresa Tovar S.

Un nivel de remuneración digno es un elemento esencial para la valorización de los profesionales de la Educación al lado de otros como la buena formación, los estímulos y asenso en la carrera, y su participación en el debate y decisiones de política pedagógica.

Hoy se está discutiendo en el Congreso la carrera docente en medio de una huelga magisterial significativa, síntoma del deterioro histórico de las condiciones salariales y de vida de los maestros y maestras del Perú. Ambos aspectos están en tensión y el segundo obstaculiza afrontar el primero. El nivel de deterioro de la profesión docente es enorme y constituye una deuda histórica del país con los maestros. Incluye no solo la reducción de su salario promedio, sino también la estafa a que fueron sometidos vía el Decreto Supremo 082: hoy muchos están deficientemente formados porque pagaron por un Instituto 
Pedagógico de ínfima calidad que el Estado no supervisó ni acreditó.

Hoy que el país crece a un ritmo de 6% y tiene acumulados 14 mil millones de soles en superávit resulta insólito que no se decida un incremento justo del salario magisterial. La sinrazón de no hacerlo se evidencia si comparamos el salario de un docente peruano con sus similares en América Latina: Perú: $460, Brasil: $1.454, Argentina: $ 2.760, Chile: $ 1,200, México: $ 1941, Colombia: $ 2,300.

Pero además, estudios internacionales muestran que el nivel socioeconómico y salarial de los profesores es entre 25% y 40% menor al de otros profesionales con nivel de formación equivalente o incluso inferior (“Teacher´s Salaries in LatinAmerica: HowMuch Are They-UnderorOver-Paid?” BID 2011).

En el Perú, de acuerdo a información del Ministerio de Trabajo, un maestro gana menos que una aeromoza (S/. 2,384), un counter (S/. 1,928) o un cargador de almacén en el aeropuerto (S/.1510). También gana menos que un albañil (S/.1,748), un carpintero (1,813), un electricista (1,813), un gasfitero (S/. 1,693), un pintor (S/.1, 645) o un peón de construcción (S/.1,385) en obras de edificación. Insólitamente gana menos que un cobrador de Seguros (1,349), que un afiliador de Seguros (S/. 2,828) y que un auxiliar o cajero bancario (S/. 1,280). Menos incluso que un vendedor de electrodomésticos (S/.1,387) o un asistente de compras (S/.1341) en el rubro de actividades comerciales.

Después de 5 años de estudios un profesional que es responsable de formar personas y desencadenar su potencial humano tiene menos valor de cambio que operarios que trabajan con insumos materiales o empleados con Educación secundaria que trabajan en un banco. “Aprendí a leer a los cinco años, en la clase del hermano Justiniano, en el Colegio de la Salle , en Cochabamba. Es la cosa más importante que me ha pasado en la vida”, dijo Vargas Llosa al recibir el Nobel. ¿Podremos decir nosotros lo mismo en el futuro? ¿Cuánto cree usted que debe ganar un maestro en el Perú?

Estamos en una situación límite que no se afronta pese a tener recursos para hacerlo. Es hora de saldar la deuda histórica del país con los maestros. Constituye un imperativo ético y un requisito para la sobrevivencia de la Educación peruana.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Morre aos 95 anos historiador marxista Eric Hobsbawm


01 de outubro de 2012 • 08h34

O influente historiador marxista Eric Hobsbawm, britânico de origem judaica, morreu nesta segunda-feira em Londres, aos 95 anos, confirmou sua família.
Hobsbawm morreu no começo da manhã no hospital Royal Free de Londres, onde era tratado de uma pneumonia, segundo a rede britânica "BBC".
Um comunicado de sua família informou hoje que Hobsbawm deixa "não só sua mulher dos últimos 50 anos, Marlene, seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também seus milhares de leitores e pesquisadores no mundo todo".
Entre suas obras mais destacadas, que influenciaram gerações de historiadores, estão "Era dos Extremos: o Breve Século XX: 1914 - 1991" e "Globalização, Democracia e Terrorismo".
O intelectual, que usou os princípios do marxismo para explicar o mundo atual, publicou seu último livro em 2011, sob o título "Como mudar o mundo".
Hobsbawm nasceu em Alexandria (Egito) em 1917, em uma família judia, e cresceu em Viena (Áustria) e Berlim (Alemanha) antes de se mudar para Londres em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder na Alemanha.
O intelectual estudou na Universidade de Cambridge e em 1947 se tornou professor na universidade londrina de Birkbeck, onde colaborou durante anos até chegar a sua presidência. EFE