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domingo, 1 de dezembro de 2013

UMA POESIA DIFERENCIANTE

Fonte da imagem: http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=13344

Alex Conceição*

Já que a poesia se desprende do limbo por si só
Em meio a um turbilhão de palavras,
Aqui estou eu
Mero coletor que recebe da consciência sonambula
Uma dádiva imensurável
Eis em sua presença não singelas palavras
Mas aquelas de aço cortante
Enferrujadas pelas gotículas de sangue
Brilhantes em parte
Pois nem tudo se perde em meio à destruição
Contudo afogadas em veneno
Para que assim contaminem aqueles tocados por elas
Rogue aos céus por clemencia
Pois a estupefata poesia terrorista aqui está
Diante de ti aviões com homens embriagados nas suas crenças
Preparam-se para por abaixo não apenas um ou dois prédios cheios de vida
Perto disso, contudo mais violentamente,
Porão por terra todas as suas certezas
Destruirão o cumulo do seu vomito de padronização
As palavras agora decifradas pelos seus olhos
Não são simplesmente a composição sonora de fonemas conectados
Não formam apenas um cântico redundante.
Expressam a cólera de um pensamento perturbado pela incerteza do ser
Exausto pela luta hilariante contra homens vendados
É sim... A voz que agora decodifica esses símbolos que chamam de letras
E ainda mais, a sua união de palavras,
Recita para si mesmo o choro de uma poesia que incorpora todos os inusitados tipos de encheção de saco, toda dor de barriga longe de casa sem mato por perto,
Todas as escolas sem conversa na sala de aula,
Todo decreto, todo silencio do medo ao ouvir-se a sirene,
Todo verbo conjugado no imperativo...
Essa produção artística não pode ser definida como bela
Pois o belo aqui não existe
Existe como sempre existiu, o que cada um é. Nem melhor nem pior.
Espero sinceramente que o suor e os calafrios tomem a sua alma ao lê-la
Se não pelo menos que questione com muito medo
O que você tem acreditado até agora
Infelizmente é necessário dormir, pois ainda vivemos longe de alcançar o objetivo do veneno desses simplórios vocábulos.
Enfim me levantarei e tomarei em minhas mãos um copo d’agua
Beberei... Respirarei fundo e imaginarei o quão longe está o dia em que essa tão pretensiosa poesia(por se desprender sozinha) terá significado para tão aviltados sentidos...
Contudo eu não preciso ver para saber que agora você tenta interpretar-me
Portanto não precisarei ver os seus pensamentos estrebuchando com a dose letal de peçonha injetada por mim
Não é necessário eu ver a morte do velho se neste mesmo instante engendro aqui a semente para algo totalmente novo...

*Estudante de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

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