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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MEU ULTIMO NATAL NA BAHIA


Reginaldo de Souza Silva*

Todo jovem deste imenso país chamado Brasil, tem sonhos, dificuldades e, acima de tudo, fé e esperança. Se outrora, éramos o país do futuro, agora somos a quinta economia mundial. A luta para esperar o bolo crescer para dividi-lo levou milhares de crianças e adolescentes para as ruas (meninos de/na rua, abandonados, drogaditos, marginalizados, em situação de risco pessoal e social).

Agora, somos a bola da vez, copa das confederações, campeonato mundial, olimpíadas. Apesar de termos umas das piores educação do mundo e a Bahia é o destaque nesta falta de qualidade e prioridade, temos agora um programa, ciências sem fronteiras que promete para 101 mil jovens a oportunidade de estudarem em países chamados “desenvolvidos”.

Nos vários Brasis existentes no Brasil, três adolescentes a cada grupo de mil morrem antes de completar 19 anos (Índice de Homicídios na Adolescência – IHA). A taxa cresceu 14% de 2009 para 2010. A estimativa, se não houver queda no índice nos próximos anos, é que 36.735 jovens de 12 a 18 anos sejam mortos, possivelmente por arma de fogo, até 2016. A maioria das vítimas é homem e negro. O IHA passou de 2,61 mortes por grupo de mil jovens para 2,98. Os dados, referentes a municípios com mais de 100 mil habitantes tem como base os indicadores do Ministério da Saúde de 2010. As constatações, o homicídio é a principal causa de morte dos adolescentes e equivale a 45,2% do total de óbitos nessa faixa etária. Na população geral, as mortes por homicídios representam 5,1% dos casos. O dado inclui mortes em conflito com a polícia, conhecidas como auto de resistência. O cenário é de extrema vulnerabilidade para jovens expostos a uma maior incidência de mortes precoces e violentas.

Vivendo apenas de publicidade e viagens internacionais o desgoverno da Bahia não consegue enxergar o caos instalado. Realizado em 283 municípios com mais de 100 mil habitantes, o IHA mais alto esta concentrado nos estados de Alagoas (9,07), da Bahia (7,86) e do Espírito Santo (6,54), que também estavam no topo do  ranking em 2009. O menor índice foi identificado em São Paulo (0,94), cuja capital também é a menos letal para adolescentes. O município mais violento é Itabuna (BA), que registra 10,59 homicídios em cada grupo de mil jovens. Em seguida vêm Maceió, com 10,15, Serra (ES), com 8,92, Ananindeua (PA) com 8,89, e Salvador, com 8,76.
O IHA em municípios com mais de 100 mil habitantes aponta, respectivamente, para: posição, município, IHA 2010, número total de esperado de morte entre 12 e 18 anos (2010 a 2016): 1o-Itabuna/BA, 10,59, 261; 2o-Maceió/AL, 10,15, 1.214; 3o-Serra/ES, 8,92, 452; 4o-Ananindeua/PA, 8,89, 566; 5o-Salvador/BA, 8,76, 2.613; 6o-Feira de Santana/BA, 8,39, 585; 7o-Vitória da Conquista/BA, 8,13, 313; 8o-Vitória/ES, 8,04, 275; 9o-Foz do Iguaçu/PR, 7,83, 273 e 10o-Marabá/PA, 7,39, 254.

Alguns fatores, como gênero e raça, aumentam a possibilidade de um jovem ser morto. Em 2010, a chance de um adolescente do sexo masculino ser assassinado era 11,5 vezes maior que a de jovens do sexo feminino. Se o indivíduo for  negro (preto ou pardo), a possibilidade aumenta quase três vezes em relação ao branco.

Entre as regiões, de maior risco para os jovens está o Nordeste, onde o IHA é 4,93, bem superior ao nacional (2,98). Estima-se que, entre 2010 e 2016, ocorram 13.094 assassinatos de adolescentes na região. O Norte (3,62) está em segundo lugar, seguido do Sul (3,19). Já o Sudeste tem a menor a taxa (2,01), mas a maior população, o que pode significar 12.475 jovens mortos no período.

Na cidade de Salvador (uma das capitais mais violentas), em Itabuna, a mais violenta do Brasil, em Feira de Santana e Vitória da Conquista, no dia que comemoramos a Vida, conclamo a todo(a)s o(a)s baiano(a)s para procurarmos cumprir aquilo que Nosso Senhor Jesus Cristo afirma: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente”. O Natal só terá sentido quando a vida em abundancia possa ser garantida a todo(a)s. Neste Natal coloque em seu coração a missão de reduzirmos o índice de assassinatos de adolescentes com medidas de combate à violência letal; o controle de armas de fogo e munição; políticas públicas de esporte, lazer e cultura e empregabilidade; educação de qualidade; moradia e acima de tudo respeito.  Lembrem-se: A probabilidade de um jovem ser morto com revólver ou pistola é seis vezes maior do que a de ser morto por qualquer outro meio.

Os milhares de famílias baianas que perderam seus jovens e amado(a)s filho(a)s e a todo(a)s aquele(a)s que lutam por um mundo de paz, UM FELIZ NATAL na presença de nosso Senhor Jesus Cristo! E a todos os jovens que este não seja o seu último natal na Bahia.

* Professor doutor, coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente – NECA/UESB – reginaldoprof@yahoo.com.br

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